The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Ilusões

Desde o começo da crise que a neo/ordo/ultraliberalidade lusa se regozija com a passividade de quem se opõe às medidas do governo. Há manifestações, greves, cartazes e graffittis. Canta-se o Grândola. Mas nunca se chega propriamente à violência, como na Grécia, no Brasil ou na Turquia.

E é verdade que à esquerda há quem lamente isso. E acredite que é só uma questão de tempo, que a panela de pressão está ao lume – um dia vai tudo rebentar. Posso estar enganado, mas tenho cada vez mais dúvidas que algum dia isto chegue a vias de facto. Leia o resto deste artigo »

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Lá se vai o Tua

E hoje a Unesco aprovou a construção da barragem do Tua, uma magnífica obra do arquitecto Souto Moura, possivelmente pigmentada por algum artista da nossa praça, arte pública comemorando a privatização destruição de um ecossistema inteiro, bem como do património social e cultural da zona, que ficará irremediavelmente debaixo de água em nome de produção de energia pouco ou nada eficiente, que continuará tão cara como antes. A aprovação fica a dever-se à diplomacia do governo que tudo fez para destruir mais este pequeno rincão do paí´s em nome de interesses privados.

As vozes do costume dirão que são precisos sacrifícios para ter energia e perguntarão se tenho alternativas. Onde é que moram, vozes do costume? Imaginemos que na Lapa ou em Alvalade. Aí está um rico sítio para construírem a vossa barragem. E se moram numa colina chupem com um aerogerador no quintal. Tudo com design do Souto Moura e pigmentação do Cabrita Reis.

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Utopia de Mercado

É conveniente fazer um ponto da situação, nesta altura da crise, para sublinhar que se o país está falido, não tem dinheiro, a solução que está a ser aplicada por quem nos governa e defendida pelos seus ideólogos, assenta por substituir ou fundar o mais possível a sociedade pelo mercado.

O que  significa, só por si, que boa parte da população fica de imediato excluída. Não tem meios para fazer parte desse mercado excepto como mercadoria: mão de obra abaixo do limiar de subsistência ou objecto de caridade. Leia o resto deste artigo »

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O Neoriquismo

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Abriu um novo hotel de luxo no sítio onde costumava funcionar o Mercado do Bom Sucesso, junto à Boavista no Porto. É uma coisa pavorosa. Fico espantado como não se manda a polícia de choque encerrar de imediato este atentado ao bom gosto e ao bom senso. Pelas imagens, parece uma feira de móveis com divisórias de pladur decoradas com partituras e alguns violoncelos a esmo. Leia o resto deste artigo »

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O civismo ao serviço do cinismo

Enquanto tirava o bilhete de metro para ir à manifestação de professores no Marquês de Pombal em Lisboa fui interpelado por duas senhoras que por gesto e em inglês com sotaque me diziam que queriam tirar “four” qualquer coisa. Perguntei-lhes se queriam quatro bilhetes ou quatro viagens. Tentei explicar-lhes o sistema. Acabei por as deixar lá, sem perceber o que queriam. Leia o resto deste artigo »

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O Design da Greve na TV

Uma nota breve sobre a cobertura da greve na televisão: na RTP1, José Rodrigues dos Santos dedicou-se a fazer as contas aos números da greve usando um quadro negro. É uma ideia tão original que na SIC o pivot estava a fazer o mesmo. Não faço ideia das opções dos outros canais.

No meu caso, é muito raro usar um quadro negro nas aulas. O mais comum é usar um projector acompanhado de um quadro branco e marcadores. Numa altura em que se discute a toda a hora e a todo o momento o ensino seria boa ideia dar uma ideia menos caricatural do modo como é realmente praticado. É um pormenor pequeno, mas importante.

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Consenso e “Consensibilidade”

Cavaco não demite este Governo porque o consenso e a coesão são essenciais. Essenciais, sim, mas para quê? Para virar descansadamente pais e professores e alunos e funcionários públicos e correios e transportes e sindicatos uns contra os outros. Ainda bem que o consenso e a coesão são importantes. Olha se não fossem…

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Um twitter, um facebook, um blog

Quando comecei a escrever crítica de design há uns dez anos, ainda antes do blogue, a dificuldade era encontrar um modelo de crítica que me agradasse. Sabia que a maioria da crítica que via nos jornais e nas revistas portuguesas não me convencia, porque lia coisas bem mais estimulantes noutras paragens, tanto ao nível do estilo como do conteúdo.

Na escola, ensinavam-nos que a crítica dos jornais (ainda não tinham aparecido os blogues) não era crítica a sério, que a verdadeira crítica era mais profunda, integrava a obra e o autor no contexto mais vasto da história, da prática, da geografia, das ideias assentando numa investigação séria. Quem poderia discordar disto? Leia o resto deste artigo »

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Imposto

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Nem sei como há gente que ainda acredita que destruindo o emprego ao ritmo de 1100 postos de trabalho por dia (segundo a capa do i de ontem) se vai conseguir salvar a economia, pagar a dívida, etc. E ainda percebo menos como há gente que apregoa o desemprego quase como um dever. Na prática fazem do desemprego uma espécie de imposto de 100% a ser paga apenas por trabalhadores. Se verificarmos que para além disto esses desempregados ainda perdem o que descontaram para a segurança social através de cortes, ou que ainda se espera que paguem para trabalhar, o imposto será ainda maior. Cento e tal por cento de rendimento transferido do trabalho para o capital. E como mostra o gráfico acima (via), isto não é apenas uma figura de retórica. Assim, claro que defendo impostos progessivos. 70% para os rendimentos mais altos, e mais ainda no capital e na finança. Ah, assim fogem e levam o dinheiro para outro lado? Boa viagem e encostem a porta ao sair.

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Pois

Deixem-me ver se percebi. O Governo quer despedir um monte de professores porque é preciso cortar na despesa não essencial. Os professores fazem greve a um exame. O Governo diz que isso prejudica os alunos. Tenta convocar serviços mínimos durante a greve. Ora, os serviços mínimos durante uma greve são aplicáveis a questões por natureza urgentes – como no caso dos bombeiros ou dos médicos, por exemplo – não se pode adiar um incêndio ou um apendectomia. Esse é o entendimento do tribunal que indeferiu os tais serviços mínimos. Passos não se conforma e muda a lei dos serviços mínimos. Ou seja, o tribunal diz que o ensino não é suficientemente urgente e essencial para justificar serviços mínimos. O Governo discorda e diz que o ensino é absolutamente urgente e essencial. De modo a que possa despedir um monte de professores porque quer cortar na despesa não essencial.

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Feira de Alfarrabistas

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Apanhado na Rua Anchietta, finalmente, um dos Luiz Pacheco que me faltavam.

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A Esquerda Selvagem

Embora tenha nascido e vivido a minha infância em Lisboa, mudei-me muito cedo para Trás-os-Montes com os meus pais, profissionais do ambiente. No final dos anos setenta era um sítio escanzelado e extremo. Não era propriamente uma região de esquerda. Em Vila Real, na mesma altura em que a minha família se instalava, um jovem beto chamado Pedro Passos Coelho descobria a política. Mais tarde, quando comecei a comprar jornais, o senhor do quiosque passava-me todas as semanas o saco de plástico do Expresso, exclamando “Mais uma dose de social-democracia”. Chamavam-lhe “O Comunista” como em “Vou ao Comunista comprar uma chicla”. A alcunha usada assim, no singular, dizia muito. Leia o resto deste artigo »

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Ed, não: Fred

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Hoje tentei uma experiência intelectual. Imaginei que Victor Gaspar anda a fazer o que faz com as melhores intenções possíveis. Que acredita sinceramente que a sociedade vai melhorar com o que faz e o que ele faz é cortar, cortar, cortar. Infelizmente, quase tudo o que toca morre. Onde é que eu já vi isto?
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O Musgo Verdadeiro que Cresce na Planta de Plástico

Entre os paradoxos mais idiotas da prática governativa neo/ultra/ordoliberal está sem dúvida o papel extremo do Estado como regulador. Supostamente teríamos um modo de governo que governa o mínimo possível e quando o faz seria apenas para garantir a liberdade individual de cada cidadão. Na prática temos um Estado extremamente interventivo, sobretudo na imposição forçada de formas de sociabilização centradas no mercado.

Do ponto de vista das relações sociais, privatizar não trata de eliminar o que é público, mas de limitar a esfera pública a relações que sejam o mais possível mediadas pelo mercado. Ou seja que se possam conceber como transacções económicas. Leia o resto deste artigo »

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Manifestação Ensino Superior

Não sei se consigo estar presente no Marquês de Pombal dia 15 às 15 horas, mas vou tentar. Tenho ido a todas as manifestações contra cortes e precariedade no ensino superior, mesmo que não digam respeito aos problemas da minha própria situação, e reparo que é muito raro o professor universitário mobilizar-se. Há dezenas de escalões e escalõezinhos e muita competição aguerrida mas conformada (não é uma contradição). Neste caso, trata-se de defender o pouco que resta.

Abaixo fica o comunicado do sindicato (e não, ainda não sou sindicalizado mas, como já disse, vou tentar ir): Leia o resto deste artigo »

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Crivelli 3

João Miguel Tavares escreveu mais dois textos sobre o quadro renascentista. A nova argumentação resume-se a defender mais uma vez a propriedade privada acima do interesse nacional, a declarar que a lei em vigor tem alíneas abusivas e discricionárias e a defender que esta lei tem más consequências para as próprias obras porque leva os proprietários a escondê-las do Estado não vá ele classificá-las. Leia o resto deste artigo »

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Símbolos

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Tenho andado a fazer estas ilustrações tipográficas (à falta de melhor nome). A ideia é agarrar em coisas subalternas, regularmente achincalhadas e demonizadas e revelar o potencial subversivo que essa descriminação lhes pode dar. Uma analogia: a palavra Punk começou por ser um insulto para depois ser reclamada como uma identidade e brandida como uma bandeira. Dito de maneira mais simples: comecei a sentir um enorme orgulho em ser um funcionário público cada vez que este governo insulta essa classe. recibo verde

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Do Contra

Há dois anos, no Domingo em que Passos Coelho foi eleito, já não consegui aguentar os resultados que iam aparecendo por freguesia e saí à hora do jantar para tomar café. Cruzei-me com um velhote de pólo que me disse “O Passos ganhou.” Respondi: “Sim, o Passos ganhou.”  Ele: “Não, o Passos GANHOU!” Desta vez com dois polegares escanzelados no ar e um sorriso. Eu nem disse mais nada. Leia o resto deste artigo »

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Grafitti

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Quando há uns anos nos mudámos, este grafitti já lá estava, à frente da porta, um dos primeiros numa parede nova. Desde que o vi e demorei uns momentos a decifrar a frase que me transmite o entusiasmo de quem a escreveu, sempre que entro ou saio de casa. Agora, a parede degradou-se e a pintura encheu-se de bolhas e escamas. Naquela parte da parede, a tinta das letras é o único suporte do reboco. Já é quase um alto-relevo. Um dia há-de cair, mas até lá…

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Lá como cá

Não há grandes dúvidas que a arte institucional (estudada e ensinada em escolas, conservada em museus, exibida em feiras e bienais) representa o poder. Agora, a questão será sempre: que género de poder? Numa sociedade plural trata-se de vários poderes, políticos, económicos, religiosos. Se essa sociedade for democrática, essa arte representará a democracia, não no sentido de encontrar objectos que representam uma maioria dentro do gosto (esquecendo ou sufocando tudo o resto), mas o máximo de gostos diferentes que seja possível, com os recursos disponíveis.

Lembremo-nos disto a propósito de um artigo de Nicolau Santos no Expresso desta semana, que se resume a uma peça de propaganda acrítica – excepto num pormenor, mesmo no fim, onde realmente se faz um reparo, bastante duro até. Leia o resto deste artigo »

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Mário Moura

Esta é a minha biografia.

Se a estão a ler para tentarem perceber se "eu sou alguém", se acreditam que só depois de lerem o meu cv é que podem levar-me a sério, concordar ou não comigo, nem vale a pena continuarem a ler. Se vieram aqui por isso, leiam os meus textos: todos os argumentos importantes estão lá.

Dito isto: escrevo sobre design, cultura, política há uns nove anos. Faço-o regularmente aqui. Menos regularmente em jornais (Público, i), revistas e livros. Alguns dos meus textos foram reunidos no livro Design em Tempos de Crise, editado pela Braço de Ferro (está esgotado).

Dou também conferências regularmente. Nas Belas Artes do Porto, nas Belas Artes de Lisboa, na Esad das Caldas da Rainha, na Esad de Matosinhos, na Experimenta Design, no ciclo Ag – Prata, por exemplo. Dei um ciclo de 6 conferências sobre Livros na Culturgest de Lisboa entre 2011 e 2012.

Tenho uma tese de mestrado sobre a estética da programação (já soube fluentemente dezasseis linguagens de programação – Java, C++, Basic, Javascript, ActionScript, Lingo, Starlogo, PostScript, Proce55ing (quando ainda se escrevia assim), etc. Mas é preciso praticá-las, e eu não tenho feito isso; suponho que acabei por enjoar, mas de vez em quando sinto o chamamento; faço o que posso por ignorá-lo).

Fiz uma tese de doutoramento sobre autoria no design.

Já ensinei perto de vinte cadeiras distintas, distribuídas pelas Belas Artes do Porto e Lisboa, e pela Faculdade de Engenharia do Porto: gostei de uma que dei sobre Autoria; gosto de ensinar edição e bookdesign; também gosto de história e crítica. Tipografia e criação de tipos, dou quando tem que ser (não desgosto).


História Universal do: Estágio

O "Estágio"
O Negócio Perfeito
Maus Empregos
Trabalho a Sério
Design & Desilusão
"Fatalismo ou quê?"
Liberal, irreal, social
Conformismo
Juventude em Marcha
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Indústrias Familiares
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História Universal dos: Zombies

Zombies Capitalistas do Espaço Sideral
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