The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

(A Suivre)

a suivre

Ainda criança, o designer americano Frederic Goudy já tinha uma paixão muito grande pelo desenho de letras, chegando, em certa ocasião, a decorar a igreja da sua terra com mais de três mil letras, ilustrando passagens das escrituras.

O caso, contado mais tarde por Goudy e citado por Meggs na sua história do design gráfico, dá a ideia do design como uma vocação, algo que não se aprende, mas nasce connosco – uma pretensão um tanto ou quanto irónica, tendo em conta que, no tempo de Goudy, o aprendizado da tipografia era bastante mais próximo do trabalho infantil puro e simples do que do ensino universitário dos dias de hoje.

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Filed under: Design

Inaugurações & Lançamentos

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Algumas notícias, atempadas ou nem por isso:

Amanhã, dia 27 de Junho, às 22h, vai ser lançado no Passos Manuel o segundo número da revista Voca, dedicado à ficção e no qual tenho um texto.

Algumas horas antes, às 17h, vai inaugurar a exposição do Colectivo Coboi na Dama Aflita.

Entretanto, na semana passada inaugurou no Mundo Fantasma uma exposição de Craig Thompson, um dos autores de banda desenhada mais interessantes do momento, autor do brilhante Good Bye, Junky Rice, do Blankets e de um boa peça de literatura de viagem chamada Carnet de Voyage.

já foi lançado o livro Ag Prata – Reflexões Periódicas sobre Fotografia, resultado das conferências com o mesmo nome e onde tenho um texto sobre o livro Lisboa Cidade Triste e Alegre.

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Anos 90

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Tenho andado com uma nostalgia cada vez maior pelos anos 90. Ponho-me a ver pela noite fora os primeiros filmes do Tarantino, incluindo os seus derivados mais fracos, como o True Romance, ou o mal envelhecido Natural Born Killers, subproduto óbvio da moda dos serial killers, que começou com O Silêncio dos Inocentes, se prolongou pelo Se7en e pelo Kalifornia, e cujos efeitos ainda hoje se sentem.

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Ípsilon

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Hoje, no Ípsilon aparece um artigo de José Marmeleira sobre a exposição de cartazes políticos no MUDE , para o qual fui entrevistado [Update: link corrigido].

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A grande barreira

Não me lembro onde o li, nem quem o escreveu, muito provavelmente não é algo confirmável, apenas outra daquelas lendas urbanas do design, mas aparentemente, no meio da informação da embalagem de um iogurte, a seguir a uma linha que avisava que em certas condições “alguma separação podia ocorrer”, aparecia um pequeno asterisco. Procurando com muita atenção podia encontrar-se, do outro lado da embalagem, impresso num corpo quase pequeno demais para ser lido, a nota que o asterisco referenciava: “mas o papá e a mamã ainda gostam muito um do outro.”

Era daquelas coisas que só um designer podia fazer, à última da hora, mesmo antes do trabalho ir para a gráfica, depois de passar por todas as revisões possíveis. Quase conseguimos imaginá-lo, num momento de cansaço, de humor ou daquele género de rebeldia que só quem já trabalhou num grande escritório compreende.

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Saber discutir

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Surpreende-me que frequentemente se desvalorize uma opinião apenas por ser uma opinião. “É só uma opinião”, diz-se. Ou então, mais grave: “Há opinião a mais”.

Ao dizer-se coisas deste género, está-se a estabelecer uma oposição implícita entre opiniões e factos – uma opinião é falível, enquanto um facto é sólido. Contudo, isto é apenas uma forma de dar a entender que as nossas opiniões são factos, enquanto as das pessoas com quem discordamos são apenas opiniões.

Os designers gráficos, por exemplo, são por vezes treinados na escola para verem o design como algo indiscutível, que basta mostrar o design a um cliente para que este não tenha outro remédio senão ficar convencido – o design é um facto e contra factos não há argumentos.

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Paginar no Word (mas ao contrário)

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Uma das coisas que mais irrita o designer gráfico médio são aqueles chico-espertos que, armados de Word, Powerpoint ou pior, se dedicam a tentar paginar, fazer cartazes ou até sites. É uma irritação antiga, já muito comentada, que não vale a pena desenvolver aqui. Por mera simetria, talvez fosse mais produtivo ou interessante fazer um inquérito na Faculdade de Letras, a ver se por lá acham piada àqueles designers que escrevem um livro inteiro no Quark. 

Tenho a sensação que não diriam muita coisa, em parte porque poucos terão ouvido falar do programa – pensarão talvez que é um novo processador de texto. Mas, apesar da aparente improbabilidade, há pelo menos dois designers que, usando o Quark, já escreveram um livro com mais de duzentas páginas, de ficção, com personagens e enredo, daqueles que as pessoas normais até lêem e gostam, daqueles que aparecem nas listas dos melhores livros do ano. 

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De volta ao serviço

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Desde 23 de Abril até 28 de Maio, vão pouco menos de cinco semanas, um mês e pouco, mas pareceu-me mais longo, com uma, às vezes duas, conferências por semana. Primeiro, no dia 23 de Abril, a conversa com o Stuart Bailey nas Belas Artes do Porto, na segunda-feira seguinte, o Dia D em Barcelos; na semana a seguir, o lançamento da 2ª edição do Design em Tempos de Crise em Lisboa; uma semana de descanso (de volta ao doutoramento); e esta semana, o lançamento em Coimbra, na Arca, na quarta, logo seguido da Pecha Kucha Porto. Foi um bom mês de Maio, onde só tenho pena de toda esta actividade me ter impedido de ver outras conferências como o Offf em Lisboa ou as novas conferências da Esad. O que me ficou mais marcado foram as durações muito distintas, entre as duas horas, para os lançamentos, e os seis minutos e quarenta da Pecha Kucha, um formato muito intenso, muito mais estimulante do que poderá parecer antes de se ter passado pelo turbilhão. Aproveito a ocasião para agradecer ao Paulo Pereira a oportunidade de ter ido a Coimbra lançar o livro. Agradeço também ao Professor António Modesto a sua muita simpática apresentação. Finalmente, agradeço à organização da Pecha Kucha Night Porto pelo convite e pelo rush de adrenalina que foi ter participado – saltar de uma ponte de pára-quedas não deve ser muito mais excitante. E agora: de volta ao serviço.

[Update: acrescentei esta imagem que encontrei no blog da Pecha Kucha. Para quem não foi, dá para perceber o ambiente da noite (mais de quatrocentas pessoas). Ovo de Páscoa: na versão com melhor definição, quem se esforçar um pouco pode-me ver, sentado na fila da frente ao lado do José Bártolo do Reactor.]

[Update: slideshow]

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Fujam, vem aí o design.

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Por vezes, ao ouvir criticar iniciativas ligadas ao design como o MUDE ou a Experimenta fico com a sensação que o que está a ser criticado não são tanto as suas qualidades ou os seus defeitos, como o facto de terem que ver com design. Por serem uma coisa bem distinta da Arte com “A” grande, os eventos e instituições do design são automaticamente olhados com desconfiança, como algo leviano, no qual gastar dinheiro público é sinal de que se anda a promover a cultura do “papel de embrulho” e dos “happy few”, tal como Alexandre Pomar insinua no seu blogue. O design deve ser das poucas coisas que um crítico de arte pode, sem se aperceber da ironia, acusar de elitismo.

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Dexter Sinister

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“Eu costumava dizer [que era] ‘tipógrafo’, no tempo em que a profissão tinha de aparecer no passaporte. Era uma forma de comprometimento um tanto ou quanto romântica, porque nunca pratiquei isso da mesma maneira que muitas pessoas o fizeram. Também escrevia muito, e agora faço muita edição – o que significa ler o que outras pessoas escrevem, lidar com textos e trabalhar com outros designers. Assim, acho que agora sou um editor, no sentido continental e francês de ‘editeur’, que também significa alguém que publica. Sinto-me bem com essa ideia; tem algumas das boas qualidades associadas a ‘tipógrafo’. Não é tanto produção visual quanto verbal. É isso que eu faço.”[1] Foi assim que o designer Robin Kinross respondeu quando, numa entrevista, lhe perguntaram qual era a sua profissão, e foi citando-o que Stuart Bailey se apresentou a si mesmo numa conferência em 2006[2]. Era uma maneira elegante de resumir o seu próprio percurso, que em muitos pontos se aproximava ao de Kinross: Bailey também era um designer gráfico de formação que, sem abandonar de todo a sua área, a considerava, de alguma forma, limitada demais.

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Coisas Avulsas

–Uma grande ideia: fotografias vintage 3D transformadas em GIFs animados.

–Soletrando com a Dock do Mac.

–Jorge Colombo desenha capa da New Yorker com o seu iPhone.

Vasco Granja morreu hoje.

JG Ballard morreu hoje.

–A Stella Artois produz uma campanha publicitária onde são usadas versões Nouvelle Vague de Jack Bauer, Die Hard e Eminem.

–Hoje é Dia de Ada Lovelace, a primeira programadora de computadores e filha de Lord Byron.

–Quem puder ir não perca: exposição, conferência e workshop de um dos meus autores favoritos de BD independente, James Sturm, na Esad e na Mundo Fantasma.

Será que os videojogos estão a preparar adequadamente as crianças para o Apocalipse?

–Reflexões sobre arquitectura e design pelos R2.

Datamoshing, a história de como um artefacto de compressão é utilizado em telediscos.

Atol, uma nova revista portuguesa online.

O Expresso entre os 5 jornais com melhor design do mundo segundo a SND (outra vez).
- Arquivo das Coisas Avulsas

Coisas

 

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