The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

TAX! DRIVER!

Não tive tempo para fotografar, mas acho que nem é preciso: colado a um taxi, vi isto: “TAX!.advertising.pt” (mais coisa menos coisa). Irritou-me logo a facilidade publicitária de usar pontos de exclamação para fazer is de pernas para o ar. É mais dinâmico, alegre, etc. Infelizmente neste caso também parece que alguém se entusiasma com taxar a publicidade.

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Choques Culturais

Deixei de comprar a Eye e deixei também de frequentar os blogues de design. A falta de interesse não é formal. Continuo a gostar de ver design. O que me cansa é o discurso, que me parece cada vez mais distante da realidade, não de toda mas da que vejo aqui. Em outros lugares, a crise dá sinal de ter passado. Por aqui, ainda é central. Basta essa diferença para sentir um enjoo quando leio o que se escreve sobre design lá por fora, porque aqui as coisas são diferentes e penosas.

O choque torna-se palpável quando vem alguém de fora comissariar aqui, sobretudo quando se aplicam estratégias concebidas para intervir países do terceiro mundo em eventos inaugurados por ministros, com cálice de Porto de honra e champanhe à escolha. Enquanto lá por fora Portugal é um país alvo para experimentar caridade-design, por aqui sonha-se com o design como uma exportação de luxo.

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Texturas

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Já deixei aqui esta semana uma declaração de cansaço em relação ao estilo Holandês. Não sei o que virá a seguir mas gostava que chegasse mais depressa – já faz um ou dois anos que o peço.

Das primeiras coisas que aprendi na escola de artes foi a seguir a onda de nostalgia: nos anos oitenta reinventavam-se os anos cinquenta e sessenta, na música, no cinema, no design, na banda desenhada; nos anos noventa, redescobriam-se os anos setenta; nos anos zero-zero, os anos 80 voltavam.

Nunca foi uma coisa inteiramente linear, nos anos dez também se voltou a uma espécie de punk do final da década de setenta. Outras vezes, como com os hipsters, estamos nos anos trinta, quarenta, mas com barbas e bigodes oitocentistas. Não se pode confiar na nostalgia. Não é como telefonar para a rádio a pedir uma canção.

Mas, se pudesse se pudesse, pedia para voltarem as texturas da primeira metade da década de noventa. Reconheço que é uma nostalgia pessoal, de quando comecei a aprender design, mas também faz sentido depois de mais de uma década vectorial, gráfica, quase cartoonesca, tardava algo mais ambiental, mais texturado, onde a unidade da composição não seja o branco mas o ruído, o grão, a irregularidade.

 

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Bazooka

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Consegui apanhar, bastante baratos, mais quatro “Regard Moderne”, um dos suplementos que os Bazooka fizeram para o Liberation ainda na década de 1970. Dos seis que saíram só me falta um. Fica aqui uma foto de conjunto das suas publicações de grandes dimensões da minha colecção. Ainda tenho mais umas tantas coisas mais pequenas, catálogos, esquisitices. Leia o resto deste artigo »

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A página que insiste em não virar

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Há uma semana contactaram-me via chat do facebook para dar a opinião sobre um possível caso de plágio, sobre o qual não vou dar pormenores (os comentários que o façam, aqui ou no facebook, serão sumariamente apagados). Mal olhei para os trabalhos em questão percebi que não era plágio, quando muito o batido a copiar o ainda mais batido. Já tinha visto aquilo ou quase aquilo dezenas de vezes, em sites como o manystuff. Verdade seja dita, já não suporto sequer o manystuff, já me cansa a paginação estilo werkplaats, com todos os seus tiques. Leia o resto deste artigo »

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Fractal

Ontem vi um sketch do John Stewart que, sempre que tentava abrir a boca para falar sobre Gaza, era interrompido por um coro de comentadores a gritarem insultos, argumentos, esclarecimentos, até ele decidir, por segurança, falar em vez disso da Ucrânia.

Depois de escrever o último post, relendo-o senti isso dentro da minha própria cabeça: devia ter explicado melhor isto, devia ter explicado melhor aquilo. Talvez devesse ter tornado mais explícito que o escrevi em reacção aos artigos da Embaixadora de Israel em Lisboa e de Esther Munczik, publicados no jornal Público, ontem e hoje. Talvez devesse ter sido mais gráfico a falar da desproporção da intervenção Israelita. Leia o resto deste artigo »

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Ocupações

Não sou pró-Palestiniano, nem contra Israel. Sou contra a ocupação de territórios por parte do Estado de Israel. Também não apoio o Hamas e a sua prática de bombardear com mísseis ou infiltrar com túneis um Estado vizinho com vista a actos de guerra. Desaprovo ainda mais de como escudam as suas actividades atrás da população civil, em escolas e hospitais. Leia o resto deste artigo »

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Memórias

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Enquanto vou arrumando as teses, os papers, os exames vou fazendo a minha peregrinação anual   aos Love & Rockets – que para mim, talvez injustamente, significa sempre e apenas as histórias de Jaime Hernandez e um pouco menos as do seu irmão Gilbert, que poucas vezes leio ou releio.

É um ritual que observo desde há uns vinte anos, quando ainda só tinha meia dúzia de histórias, espalhadas por revistas e antologias muito pouco confiáveis, que nem sequer as publicavam por ordem cronológica. A desordem não era muito importante. As próprias histórias, em geral muito curtas, eram construídas a partir de flashbacks, oscilando constantemente entre a memória e o presente. E o modo errático como lhes acedia só acentuava o processo. Leia o resto deste artigo »

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Derrotas

Fora algumas partilhas no facebook, não publiquei nada sobre a situação da faixa de Gaza. Porque me é mais próxima que o costume: a minha irmã trabalha como jornalista em Israel e o meu “cunhado” israelita neste momento está preso por objecção de consciência. Graças a ela mas também ao facebook vou ficando a saber como a extrema direita israelita é cada vez mais violenta, indo ao ponto de perseguir quem participa em manifestações anti-ocupação, de como há gente que assiste a bombardeamentos como se fossem fogo de artifício, de grafitti apelando a que se gaseiem os árabes, etc. É nauseabundo.

Já tinha reparado que depois da crise ter começado aqui em Portugal tenho muito mais dificuldade em me mobilizar para causas internacionais. Mesmo sobre assuntos próximos às minhas preocupações – a crise, a austeridade, a arte, o design – já não consigo investir tanto em nada que não tenha uma utilidade imediata, e sei que esse foco é também uma derrota, um dos piores efeitos da crise, que torna a solidariedade bastante mais difícil.

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Arte e Desporto

Nos últimos meses, mesmo em ruas recuadas do Porto, como a que dá para as minhas janelas, é comum ver gente a correr. Foi uma coisa dos últimos dois anos. Numa rua grande a meio do dia, enquanto se espera pelo autocarro durante dez minutos passam uns cinco ou seis corredores e outros tantos ciclistas. Mesmo depois da meia-noite num Sábado, é capaz de passar um ou dois. Há uns anos nunca imaginaria. Eu próprio corro, agora menos, porque me obcequei por nadar.

Não duvido que muitas destas pessoas façam algum tipo de competição – a mim não me atrai . Quando vejo passar uma maratona, por exemplo, os participantes são milhares. Antigamente chamar-lhes-iam corredores de fim-de-semana, mas agora, quando correm quilómetros diariamente antes, durante ou depois do emprego, o termo já não serve, nem sequer como piada. Muitas destas pessoas correm distâncias que fazem uma maratona olímpica parecer um aquecimento, por vezes em condições deliberadamente absurdas, extremas, mais próximas de uma performance ou de um ritual iniciático. Leia o resto deste artigo »

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Quero ser um Gabiru

Acho que a Autonomia da Arte já não precisa de quem a defenda. É na melhor das hipóteses uma resolução de Ano Novo; o equivalente em estética a deixar de fumar. Interessa-me mais, até porque não sou nem quero ser artista, a Autonomia do Espectador.

Estou farto de ser “convidado” a participar. Já não posso com a “estética relacional”. Nem com aquelas tretas Brechtianas, Artaudianas que acham que o público está a dormir e deve ser acordado dê lá por onde der. É capaz de já ter havido uma época quando isso fazia sentido. Agora acho que as artes internalizaram o discurso neoliberal: quem não estiver a fazer qualquer coisa, o que quer que seja, quem se limite a assistir, deve ser penalizado. Quem consuma sem que isso leve à formação de uma empresa ou pelo menos a qualquer acto de produção é um idiota, um gabiru, um mandrião.

O resultado é que o público deve ser posto a trabalhar sempre que possível, deve participar e nem se concebe que não queira ou não possa. E o resultado é que acaba por desaparecer. A visita guiada é substituída pela actividade (mais produtiva); a aula pelo workshop (idem), etc.

O público não desaparece porque esteja desinteressado, apenas porque não se concebe que possa existir. Nas artes, tornou-se residual porque em grande medida se resume a artistas ou comissários que vão a eventos e exposições de outros artistas e comissários – se tu vens à minha eu vou à tua, como pessoas que só ouvem a opinião de alguém enquanto esperam pela sua vez para falar.

Em economia, se ninguém consome não adianta que toda a gente produza, por mais que se insista que produzir é uma virtude e consumir um falha moral. Nas artes, é a mesma coisa.

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A propósito de dizer que se Gosta ou Não de Qualquer Coisa

Não acredito que haja grande vantagem em disfarçar as opiniões públicas de cada um de leis universais – acima de tudo se essas opiniões dizem respeito à arte. Por mais que essas opiniões se ancorem em precedentes e autoridades históricas, na prática acabam sempre por ser uma opinião de quem as profere, sustentada por argumentos, entre os quais as tais citações.

É habitual dizer-se por aqui que uma opinião mal construída ou com a qual não se concorda não passa de uma opinião, tal como se diz da arte que se considera má que não é arte, o mesmo do cinema, da literatura e do resto. Há, muito provavelmente, gente com opiniões distintas da nossa, e é indelicado discutir com elas assumindo que se tratam apenas de opiniões – tal como a “sua” arte não é arte, a “sua” literatura não é literatura e o “seu” cinema não chega a sê-lo. Leia o resto deste artigo »

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Quem Pode Fazer Arte

Ontem li no Público um artigo da Maria Fátima Bonifácio sobre a bandeira enforcada do Algarve. Aparentemente a historiadora não compreende muito bem como aquela intervenção de beira de estrada, que resume como uma vergonha, poderá, para além disso, ser arte.

A dúvida é pragmática: se não fosse arte, depreende-se pelo artigo, o pretenso artista poderia ser processado e acabava-se a pouca vergonha.

Contudo, infelizmente para ela, quem “decreta hoje o que é arte não é a Tradição, não são referências aos cânones consagrados na sua História, quem hoje em dia monopoliza o juízo sobre a qualidade artística de uma obra são os curadores de museus, os galeristas e negociantes de arte, os redactores das revistas da especialidade. A Academia limita-se a seguir modas.”

Mas atenção: “um dia chegará em que o Tempo se encarregará de operar uma impiedosa destrinça entre o que resiste ao passar dos anos e das décadas, e o que nunca passou de lixo. A forca do nosso algarvio talvez ainda venha a servir para acender uma lareira.” Leia o resto deste artigo »

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Expresso Diário

Não sei quando começou, mas começaram-me a ligar da Impresa quase todos os dias por causa da minha assinatura do Expresso. É para actualizarem os meus dados, explicam. O meu cartão de crédito expirou, dizem. Eu respondo que paguei com um mbnet, é natural que tenha expirado. Fi-lo só para aquela transacção. Dura um mês. Insistem, mas precisamos de actualizar os dados. Eu pergunto, mas há alguma coisa por pagar. Verificam. Não, não há. Mas precisam de actualizar os dados. Eu proponho criar um cartão de crédito válido para uns tantos meses e com o tecto de um euro. Ficam satisfeitos. Pergunto, mas não dá para tratar disso online? Não lhes digo mas não me agrada ditar o número de um cartão de crédito pelo telefone a alguém que me diz que é da Impresa, mesmo que o tecto seja um euro. Respondem que não, que devo indicar o meu Nib ou um cartão de crédito válido, etc. Leia o resto deste artigo »

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Recluso

Quando era mais novito, adorava dar conferências, participar em conversas, escrever textos. Agora (descobri), perdi a paciência. Boa parte disto tudo não é pago, ninguém fala sequer em dinheiro, e mesmo viagens, refeições ou dormidas já nem são oferecidas. Às vezes, até nos convidam para pagar essas despesas como se fosse um favor que fazemos à causa. É a crise, temos que contribuir, etc. Ou então assumem que nos estão a fazer um favor. Noventa por cento das ocasiões é uma treta, só estamos a servir de recheio a um evento qualquer que só serve para encher o expediente e que para a semana nem sequer os organizadores se lembram do nome. E já começo a pensar que os outros dez por cento, mais vale nem arriscar para saber se valem a pena. Ando a pensar em tornar-me num recluso como o Pynchon ou o Salinger.

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A Influência do Design

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Das memórias mais antigas que tenho é achar que este troféu, visto num anúncio nas costas de uma revista de bd, lembra um daqueles ossos que os talhantes dão aos cães com uma rótula a ver-se no meio dos restos de carne e tendões. Será por isso que nunca gostei de futebol? Bem mais provável é ter sido a vontade de dizer que não quando toda a gente dizia que sim e vice versa.

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O Estado da Arte Onde Chegámos

Li há uns dias uma reacção de António Cerveira Pinto à performance/manifestação de Rui Mourão no Museu do Chiado. Vale a pena ser lida: começa por comparar os oito mil euros gastos na exposição com o salário mínimo, o salário médio anual, etc. para acusar o artista de uma série de comportamentos rasca. Não deveria morder a mão que lhe dá de comer, etc. Leia o resto deste artigo »

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Férias

Ainda não estou de férias mas já não tenho a rotina das aulas. Sinto já uma inquietação defensiva de ainda não saber bem o que fazer, de proteger ao máximo essa folha em branco de possíveis invasões. Não fazer nada de produtivo é um luxo. Leia o resto deste artigo »

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Objecção de Consciência

O meu ‘cunhado’ israelita, entrevistado no vídeo, é neste momento prisioneiro político, por se recusar a pegar em armas neste conflito.

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Ocupação simbólica

Não sei quase nada sobre a ocupação do Museu do Chiado durante a inauguração do artista Rui Mourão tirando o que li hoje no Público. Uma performance acabou por se transformar sem aviso prévio para a instituição numa ocupação, reivindicando mais dinheiro para as artes e um ministério para a Cultura. Assim a quente e para já acho muito bem. Leia o resto deste artigo »

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Mário Moura

Esta é a minha biografia.

Se a estão a ler para tentarem perceber se "eu sou alguém", se acreditam que só depois de lerem o meu cv é que podem levar-me a sério, concordar ou não comigo, nem vale a pena continuarem a ler. Se vieram aqui por isso, leiam os meus textos: todos os argumentos importantes estão lá.

Dito isto: escrevo sobre design, cultura, política há uns nove anos. Faço-o regularmente aqui. Menos regularmente em jornais (Público, i), revistas e livros. Alguns dos meus textos foram reunidos no livro Design em Tempos de Crise, editado pela Braço de Ferro (está esgotado).

Dou também conferências regularmente. Nas Belas Artes do Porto, nas Belas Artes de Lisboa, na Esad das Caldas da Rainha, na Esad de Matosinhos, na Experimenta Design, no ciclo Ag – Prata, por exemplo. Dei um ciclo de 6 conferências sobre Livros na Culturgest de Lisboa entre 2011 e 2012.

Tenho uma tese de mestrado sobre a estética da programação (já soube fluentemente dezasseis linguagens de programação – Java, C++, Basic, Javascript, ActionScript, Lingo, Starlogo, PostScript, Proce55ing (quando ainda se escrevia assim), etc. Mas é preciso praticá-las, e eu não tenho feito isso; suponho que acabei por enjoar, mas de vez em quando sinto o chamamento; faço o que posso por ignorá-lo).

Fiz uma tese de doutoramento sobre autoria no design.

Já ensinei perto de vinte cadeiras distintas, distribuídas pelas Belas Artes do Porto e Lisboa, e pela Faculdade de Engenharia do Porto: gostei de uma que dei sobre Autoria; gosto de ensinar edição e bookdesign; também gosto de história e crítica. Tipografia e criação de tipos, dou quando tem que ser (não desgosto).

Se alguém quiser uma bio mais resumida, respeitável e copy/pastável:

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.


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