Novembro 30, 2007 • 2:32 pm

Como se avalia o sucesso profissional de um designer? Talvez um designer bem sucedido deva poder viver bem do seu salário, sem precisar de um segundo emprego, por exemplo. Mas será que é mesmo assim? Muitos dos designers mais conhecidos acumulam a sua prática profissional comercial com o ensino e, de maneira geral, isso até é visto como um reconhecimento do seu mérito enquanto designers. É uma situação tão natural, que muitos não vêem o ensino como um segundo emprego, mas como uma extensão da sua prática profissional normal.
Mas o duplo emprego também se tornou comum entre os jovens designers, embora com um carácter distinto. Há uns três anos, por exemplo, um amigo meu trabalhava das nove às sete num atelier de design de grandes dimensões, quase uma agência. Fora de horas e aos fins de semana, ainda conseguia manter inúmeros projectos editoriais independentes e auto-financiados. Mais recentemente, outro amigo meu recém-formado trabalha num hostel, o que lhe permite manter uma base financeira sólida para manter quer projectos independentes – neste momento, comissaria uma exposição de design no estrangeiro –, quer trabalhos comerciais – faz book design para uma editora portuguesa muito conhecida.
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Novembro 22, 2007 • 1:45 pm

Já faz dez anos que vi pela primeira vez um número da Acme Novelty Library de Chris Ware. Lembro-me que cada página tinha dezenas de quadradinhos cheios de animais estilo desenho animado. O design lembrava as revistas e jornais densamente ornamentados do início do século XX. Na altura não comprei, embora me tenha ficado na memória. Não o fiz talvez por excesso de design – porque se pareciam mais com objectos do que com histórias. Ainda hoje sinto isso, mas com o tempo aprendi que os comics de Chris Ware se instalam precisamente numa ambiguidade entre objecto e narrativa.
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Novembro 16, 2007 • 7:26 pm

Poder-se-ia traçar uma história do design gráfico português como uma lenta disputa territorial entre formas e conteúdos, entre design e linguagem.
Nos posters de Francisco Providência, ou nos de João Machado, por exemplo, há uma separação clara entre texto e imagem, entre título e ilustração, com raras e tímidas interacções. Cada elemento ocupa o seu lugar numa hierarquia gráfica bem definida, que corresponde também a uma separação técnica de responsabilidades, típica da era pré-computador.
Nessa altura, a ilustração era feita por um ilustrador, a fotografia por um fotógrafo, o design e a tipografia maquetizados por um designer, que supervisionava também a concretização final do processo na gráfica, onde a tipografia era composta, as gralhas revistas, as ilustrações e fotografias reproduzidas, e o objecto final impresso.
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Novembro 9, 2007 • 1:54 am

Desde os tempos de escola que me fui habituando a um velho dilema que divide ao meio o design português: diz-se – e escreve-se – logótipo ou logotipo?
De ambos os lados, já ouvi todo o género de argumentação mais ou menos plausível: acentuar “tipo” dá mais destaque à parte da palavra que tem mais a ver com design, portanto deve-se escrever “logotipo”; acentuar “logo” realça o carácter composto da palavra, assim deve-se escrever “logótipo”; “logótipo” é uma palavra esdrúxula, mas o adjectivo “esdrúxulo” também quer dizer “esquisito” e “anómalo”, portanto deve-se optar por “logotipo”, que é mais simples e elegante – e por aí fora.
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Novembro 4, 2007 • 2:19 am

Tanto o design, como o sexo, como a violência podem ser “gráficos”. Há poucas ocasiões em que os três usos se misturam e os livros de Alfred Bester são uma delas. A sua obra pertence a um género de ficção científica – que fica a dever muito pouco à ciência – chamado space-opera. Nestas histórias, as pessoas teletransportam-se, sofrem mutações sem grandes explicações e os enredos dão mais reviravoltas do que seria possível em escritores mais sérios. Mas aquilo que se perde em coerência é ganho a dobrar em energia, e cada um dos livros de Bester é uma viagem de montanha russa seguida de um murro no estômago.
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