Dezembro 28, 2007 • 2:25 am

E assim chegamos ao post nº 100.
Há exactamente quatro anos atrás, em Dezembro de 2003, o Ressabiator ainda era o nome para uma pequena revista. Cheguei a pedir um orçamento numa gráfica e já tinha poupado dinheiro suficiente para pagar dezasseis páginas, impressas a duas cores. Alguns textos já estavam escritos, um terço da revista já estava paginado e já tinha escolhido também uma imagem para a capa – o edifício Flatiron, em Nova Iorque.
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Dezembro 21, 2007 • 1:43 pm

It is well enough understood that design is a socially negotiated discipline, and there are telling respects in which design questions are political questions. [Norman Potter, What is a Designer]
A proposta era simples: fazer três cartazes sobre um tema à escolha – neste caso, uma série de filmes –, e a coisa estava a correr bem. O aluno tinha-me mostrado o trabalho na véspera da entrega e eu fiquei entusiasmado. Eram cartazes elegantes, económicos; apenas o nome do filme e uma imagem vectorial, quase abstracta. Mas, no dia da avaliação, o coração caiu-me aos pés. De um dia para o outro, tinham-se enchido com os nomes do realizador, do produtor, dos actores, e o trabalho tinha piorado consideravelmente. Perguntei-lhe porque tinha posto aqueles nomes todos. Respondeu-me que o tinha feito porque o cliente tinha pedido. Lembrei-lhe que aquilo era um trabalho de escola. O cliente, neste caso, não existia.
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Dezembro 16, 2007 • 3:13 pm
A ideia de interdisciplinaridade dá a entender não uma “coisa”, mas uma relação entre “coisas”. Pretende ser uma oportunidade para ultrapassar fronteiras e limitações disciplinares, aproveitando conceitos e recursos de outras áreas, conotando flexibilidade e mobilidade, por oposição a rigidez e estabilidade. Mas, se parece realmente opor-se à ordem estabelecida, pode também ser apenas um nome mais informal, mais “sexy”, para um poder que se procura sobrepor a tudo e a todos, minimizando as regras dos outros e ocultando as suas próprias.
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Dezembro 7, 2007 • 3:36 pm

A minha primeira experiência com a crítica foi através da revista de banda desenhada Tintin, que publicava histórias em continuação, duas a quatro páginas por semana. Uma bd de quarenta e oito páginas prolongava-se por vinte e quatro semanas, o equivalente a uma temporada televisiva actual.
É claro que, de semana para semana, o suspense era muito. Os autores adaptavam as suas histórias ao formato e cada página terminava sempre com um tiro, um grito, uma explosão, uma surpresa, que na maior parte dos casos era apenas um falso alarme. Lembro-me de ler compulsivamente, durante dias, a mesma página à procura de pistas que pudessem dar a entender o que podia suceder na semana seguinte.
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