The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

A autonomia tradicional das artes e outras contradições

(“Its Not Always Easy to Tell What’s Real and What’s Fabricated”)

Habitualmente a “silly season” é dedicada a assuntos pouco importantes, a que a maioria das pessoas não liga nenhuma (excepto quando se trata de dar cabo  deles, claro): florestas, património ou o financiamento das artes são bons exemplos, e ao último deles tem sido dedicado um debate raro que, pelos vistos, só aparece quando o dinheiro desaparece, o que diminui consideravelmente o seu alcance.

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Livros mais ou menos folheados

Ainda a concentrar toda a energia na tese, a reler Barthes e Foucault, sem grande oportunidade para mais nada. Fora isso, recebi pelo correio a Art of McSweeney’s (video no link), que tudo indica irá ser um dos meus livros favoritos de uma das minhas editoras favoritas (quando finalmente o conseguir ler). A sobrecapa é fantástica, um grande poster dobrado, coberto de texto intrincado. Na imagem não dá para ver, mas o círculo vermelho é um autocolante translúcido que deixa ver texto impresso por baixo. O livro vai comentando, um a um, cada um dos números da revista McSweeney’s, apresentando influências gráficas, comentários dos colaboradores, entremeados com outros projectos: o livro New Sins, a revista Believer, etc. Na mesma categoria dos livros comprados e deixados para depois, tenho também um número, o terceiro, da Fire & Knives, uma espécie de Believer sobre comida, cuja seriedade gráfica britânica fica comprovada pelo uso quase exclusivo de fontes feitas por Eric Gill. Outra revista seriamente gráfica é a The Idler nº43, em forma de livro, encadernado em tecido, sem sobrecapa. Nos dois números que tenho a última página é ocupada por citações – de Jan Tschichold e de Richard de la Mare –, a dizer mal das sobrecapas, que são meros estratagemas comerciais que não fazem realmente parte do livro (Outros tempos: alguns dos mais conhecidos designers actuais dedicam-se quase exclusivamente à sobrecapa. Chip Kidd é o exemplo mais óbvio e a sobrecapa do Art of McSweeney’s,que lembra as de Chris Ware é uma excelente demonstração do uso experimental desse formato).

Filed under: Notícias Breves

O Ciclo Vicioso

Um dos desenvolvimentos mais curiosos desta crise económica, em particular no que diz respeito à cultura, é o modo como muita boa gente que defendia a privatização da cultura se dedica agora a pedinchar ao Estado por um subsidiozito [1]. Não falo, é claro, dos artistas, mas de galeristas, museus, fundações, etc. Não seria grande novidade acusar artistas de pedir subsídios, embora muitos deles também se recusem a pedi-los, acreditando que se podem sustentar através da sua própria arte. Enquanto não conseguem, vão trabalhando como funcionários para o mesmo tipo de instituição que agora pedincha o tal subsídio. Ou então para escolas, claro, sobre as quais não se pode dizer que andem atrás de subsídios, apenas de mais financiamento. Ou, na falta disso, de menos cortes. O remédio, neste caso, acaba por ser deixar entrar mais alunos, que pagam mais propinas. O problema é que acabam por sair. Numa escola de arte, isso dá origem – não a artistas, porque a arte, segundo alguns, não se ensina – mas a outra coisa qualquer, vamos chamar-lhes aspirantes a artista. Esses, enquanto não são artistas, vão fazendo as suas coisas que ainda não são arte, e enquanto não são pagos para a fazerem, vão-se sustentando, a si e às suas carreiras, através de empregos nas tais instituições que vão pedindo subsídios ao Estado para, entre outras coisas, lhes pagar. Ou então para escolas, que precisam de mais alunos para lhes poderem pagar. É um ciclo vicioso, claro, mas como evitá-lo? Muitos dirão: dando menos subsídios e pondo os aspirantes a artista a trabalhar a sério, mas o ciclo funciona precisamente porque não se financia directamente a arte mas as instituições que pagam a artistas para fazerem outra coisa qualquer.

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Filed under: Arte, Crítica, Cultura

Agosto

via

Estou a trabalhar no doutoramento e não tenho tido muito tempo para escrever para o blogue. Nem é tanto o tempo como o sentimento de culpa que me aparece quando escrevo alguma coisa que não tem a ver com a investigação – neste momento só estou a fechar o último capítulo e a rever, mas ainda assim é preciso alguma concentração. Apesar de tudo, gostava de deixar aqui algumas coisas que me têm interessado: uma lista dos melhores artigos de revista de sempre (chega para o Verão todo, a lista completa para um ano, pelo menos); dois artigos de Robin Kinross sobre a recente tendência do design para a edição independente e de como isso se relaciona com o percurso de Kinross como modernista); um bom post sobre o tumblr no Subtraction; o custo da crise económica à escala; etc.

Filed under: Notícias Breves

“Pacheco”

Pacheco Pereira atirou-se ao que ele chama um dos mundos menos conhecidos e escrutinados da vida pública portuguesa, o dos “artistas”[1], em particular daqueles que “venceram a Ministra”[2] – um mundo que “funciona em circuito fechado”, desconhecendo-se “que critérios presidem ao seu funcionamento”.

Esta ausência de escrutínio relacionar-se-ia directamente com a sua capacidade de influenciarem os media, porque teriam um papel central nas “indústrias culturais”[3], mas também pela intangibilidade da “cultura”[4], da “criação”[5] e da “arte”[6]. Os “artistas” seriam, assim, gente arrogante, que abomina ser avaliada pelo interesse do público – ou seja, do comum dos portugueses – no seu trabalho.

Pacheco reconhece que nem custam muito ao erário público, mas é dinheiro dos “contribuintes que têm direito a saber onde e com quem” é gasto. Finalmente, diverte-se com o tom burocrático e pretensioso com que apresentam o seu trabalho ao público, apelidando-o de “culturalês”.

Nada disto parece particularmente novo ou até interessante, apenas uma colecção de preconceitos populistas e mal cozinhados contra as artes e o seu financiamento. Nem sequer me parece mais ofensivo que o costume.

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Filed under: Arte, Crítica, Cultura, Política,

Mário Moura

Esta é a minha biografia.

Se a estão a ler para tentarem perceber se "eu sou alguém", se acreditam que só depois de lerem o meu cv é que podem levar-me a sério, concordar ou não comigo, nem vale a pena continuarem a ler. Se vieram aqui por isso, leiam os meus textos: todos os argumentos importantes estão lá.

Dito isto: escrevo sobre design, cultura, política há uns nove anos. Faço-o regularmente aqui. Menos regularmente em jornais (Público, i), revistas e livros. Alguns dos meus textos foram reunidos no livro Design em Tempos de Crise, editado pela Braço de Ferro (está esgotado).

Dou também conferências regularmente. Nas Belas Artes do Porto, nas Belas Artes de Lisboa, na Esad das Caldas da Rainha, na Esad de Matosinhos, na Experimenta Design, no ciclo Ag – Prata, por exemplo. Dei um ciclo de 6 conferências sobre Livros na Culturgest de Lisboa entre 2011 e 2012.

Tenho uma tese de mestrado sobre a estética da programação (já soube fluentemente dezasseis linguagens de programação – Java, C++, Basic, Javascript, ActionScript, Lingo, Starlogo, PostScript, Proce55ing (quando ainda se escrevia assim), etc. Mas é preciso praticá-las, e eu não tenho feito isso; suponho que acabei por enjoar, mas de vez em quando sinto o chamamento; faço o que posso por ignorá-lo).

Fiz uma tese de doutoramento sobre autoria no design.

Já ensinei perto de vinte cadeiras distintas, distribuídas pelas Belas Artes do Porto e Lisboa, e pela Faculdade de Engenharia do Porto: gostei de uma que dei sobre Autoria; gosto de ensinar edição e bookdesign; também gosto de história e crítica. Tipografia e criação de tipos, dou quando tem que ser (não desgosto).


História Universal do: Estágio

O "Estágio"
O Negócio Perfeito
Maus Empregos
Trabalho a Sério
Design & Desilusão
"Fatalismo ou quê?"
Liberal, irreal, social
Conformismo
Juventude em Marcha
A Eterna Juventude
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Papá, De Onde Vêm os Designers?
Geração Espontânea
O Parlamento das Cantigas
Soluções...

História Universal dos: Zombies

Zombies Capitalistas do Espaço Sideral
Vampiros, Zombies, Classe Média


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