The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Do Desemprego enquanto Forma de Arte

Enquanto falava com os alunos que organizaram a exposição We Are Ready for Our Close Up reparei num estranho paradoxo da vida pública portuguesa. O evento teve apoios, mecenas e público; foi um sucesso. Na altura, queixei-me do tema, a empregabilidade. Argumentei que arranjar dinheiro para montar uma exposição daquelas era indício que  o comissariado já era um emprego perfeitamente razoável como alternativa a um emprego a fazer “design como deve ser”. Resumindo, não era preciso fazer daquela exposição uma página de classificados – ela já era um anúncio de emprego porque anunciava um tipo novo de emprego.

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Conformismo

Ontem fiz greve. Fui à escola mas não assinei nem dei a aula. Os funcionários disseram-me que estavam a faltar mais alunos do que professores e realmente só me apareceram cinco para a aula que não dei. Voltei a pé para casa pelo caminho mais longo e a cidade não me pareceu diferente do habitual. Não vi grandes ajuntamentos; de vez em quando vi autocarros que nem me pareceram muito cheios. Nos Aliados, podia-se ouvir música de luta junto à câmara, mas pouca gente a assistir. Mais tarde, disseram-me que houve uma manifestação de gente do teatro junto ao S. João.

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Mais portugueses na AGI

Desta vez não é uma gralha: há mais dois portugueses na Alliance Graphique Internationale, também conhecida como AGI. António Gomes, dos Barbara Says e José Albergaria, dos Change is Good (ex-Barbara Says), que se juntam aos R2 e a Mário Feliciano. É um grupo, dentro da sua variedade, bastante homogéneo; poderíamos quase falar de um estilo, um conjunto de designers que começaram a trabalhar na segunda metade da década de noventa e a alcançarem reconhecimento nacional e internacional já neste século – falo aqui menos do trabalho de Feliciano que conheço pior. Têm todos um design a balançar entre o táctil e o digital, mas quase sempre a pender para o primeiro, usando temas mais ou menos vernaculares em composições fortes e quase sempre “sujas” e “quebradas” – é uma geração que começou com a Emigre e a Ray Gun. Trabalham quase sempre para clientes culturais, desde iniciativas mais ou menos independentes até grandes instituições nacionais e internacionais. São ao mesmo tempo mais versáteis e mais especializados que a geração dos seus professores. Foram de facto a primeira leva de designers portugueses a usar mais fluentemente o computador e a saber o que fazer com a tipografia – até ao final da década de oitenta esta era feita na gráfica ou pelo operador de computadores. Já não vêem o estúdio de design como uma pequena e média empresa que faz trabalho para outras pequenas e médias empresas – se o formato favorito do design português dos anos 80 e início de noventa era o logótipo (com alguma ilustração e tipografia mal espaçada), o formato desta geração é sem dúvida o cartaz e o panfleto com tipografia usada a gosto, em montagens fotográficas, tipográficas e de objectos encontrados.

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O Continente-Mapa

Há pouco tempo encontrei este mapa, que tenta dar uma ideia da escala continente africano comparando-o por sobreposição a uma série de países como os Estados Unidos, a China, a Índia, toda a Europa de Leste e uma quantidade avulsa de pequenos estados europeus, incluindo Portugal, que parecem ter sido usados só para encher. Olhando-o, é difícil não nos lembrarmos de um outro, feito por Henrique Galvão em 1934, em circunstâncias bem distintas. Já falámos dele aqui, a propósito do modo como a infografia não é algo neutro, mas argumentativo, e que um mapa pode funcionar como um logótipo, na medida em que pode ser usado para representar uma certa identidade nacional.

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Quem vê caras.

Entre os cartazes de cinema deste ano parece haver uma tendência: fotografias a cores de planos muito aproximados de caras. Não são imagens intimistas. São caras de gigantes, onde cada poro é visível. Prometem-nos uma familiaridade demasiado próxima – uma distância social inaceitável e tensa.

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Vampiros, Zombies, Classe Média

Estreou há pouco tempo a série The Walking Dead, sobre zombies, que está a ter um sucesso de audiências sem precedentes. Vem na enfiada de uma lista já longa de narrativas inspiradas em mortos vivos, desde filmes a livros, passando por BDs e jogos de consola[1]. Em paralelo, esta tem sido a década dos vampiros, outro género de morto vivo, com características bastante diferentes, também ele com os seus livros, as suas séries e os seus filmes.

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Fernando Azevedo

Andava atrás do livro, um catálogo de um ciclo de ficção científica da Cinemateca, desde o fim dos anos oitenta, quando o costumava consultar numa biblioteca pública. Passava horas a ler os artigos, fascinado pelo tom coloquial de Benard da Costa, pelas imagens a preto-e-branco onde os actores posavam, mais ou menos hirtos, com os olhos brilhantes apontados para cima, no meio de sombras dramáticas, discos voadores, arranha-céus, monstros variados. Na altura, ainda não sabia que a maioria daquelas imagens não eram sequer fotogramas mas stills,fotografias publicitárias tiradas durante a rodagem. Às vezes, nem eram cenas do filme, o que só sublinhava o tom sobrenatural daquilo tudo – pareciam imagens tiradas de um sonho do filme, de uma realidade alternativa.

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Liberal, Irreal, Social

Pelos vistos, o governo vai tentar regular os estágios. Segundo um artigo no jornal i, a proposta de Lei de Orçamento de Estado vai tornar “obrigatória a existência de um contrato de estágio escrito, bem como a sua remuneração com um subsídio mensal, além de subsídio de alimentação e seguro de acidentes pessoais”. A lei deixa de fora os estágios curriculares, os estágios extracurriculares com comparticipação pública e os estágios de “emprego público”, que continuarão a ser não remunerados.

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Dobrado a meio é igual

via

Tendo terminado a parte escrita da minha tese, comecei a tratar da paginação e fui-me apercebendo de um conjunto de bloqueios – ou melhor, de preconceitos: não é fácil aceitar o formato A4, por exemplo. É demasiado óbvio, demasiado comum. Serve para fotocópias e para impressoras, mas mal chega a ser usado em publicações “a sério”. É um dos lugares comuns que os designers costumam evitar, daquelas escolhas preguiçosas que tomam apenas por defeito: como usar Times New Roman, Helvetica ou qualquer uma das fontes popularizadas pelos sistemas operativos mais vulgares, Arial, Courier, etc.

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Quem és tu?

Uma das questões mais frequentes com as quais um crítico se confronta é a da sua legitimidade para criticar. Alguém nos pergunta: “Quem és tu para escrever isto?” No meu caso, a resposta costuma ser “Ninguém.” Há quem acredite, pelo contrário, que para dar uma opinião em público são necessários todo o tipo de pré-requisitos: um curso, um currículo, ser alguém, enfim.

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Filed under: Arte, Crítica, Cultura, Design

Mário Moura

Esta é a minha biografia.

Se a estão a ler para tentarem perceber se "eu sou alguém", se acreditam que só depois de lerem o meu cv é que podem levar-me a sério, concordar ou não comigo, nem vale a pena continuarem a ler. Se vieram aqui por isso, leiam os meus textos: todos os argumentos importantes estão lá.

Dito isto: escrevo sobre design, cultura, política há uns nove anos. Faço-o regularmente aqui. Menos regularmente em jornais (Público, i), revistas e livros. Alguns dos meus textos foram reunidos no livro Design em Tempos de Crise, editado pela Braço de Ferro (está esgotado).

Dou também conferências regularmente. Nas Belas Artes do Porto, nas Belas Artes de Lisboa, na Esad das Caldas da Rainha, na Esad de Matosinhos, na Experimenta Design, no ciclo Ag – Prata, por exemplo. Dei um ciclo de 6 conferências sobre Livros na Culturgest de Lisboa entre 2011 e 2012.

Tenho uma tese de mestrado sobre a estética da programação (já soube fluentemente dezasseis linguagens de programação – Java, C++, Basic, Javascript, ActionScript, Lingo, Starlogo, PostScript, Proce55ing (quando ainda se escrevia assim), etc. Mas é preciso praticá-las, e eu não tenho feito isso; suponho que acabei por enjoar, mas de vez em quando sinto o chamamento; faço o que posso por ignorá-lo).

Fiz uma tese de doutoramento sobre autoria no design.

Já ensinei perto de vinte cadeiras distintas, distribuídas pelas Belas Artes do Porto e Lisboa, e pela Faculdade de Engenharia do Porto: gostei de uma que dei sobre Autoria; gosto de ensinar edição e bookdesign; também gosto de história e crítica. Tipografia e criação de tipos, dou quando tem que ser (não desgosto).


História Universal do: Estágio

O "Estágio"
O Negócio Perfeito
Maus Empregos
Trabalho a Sério
Design & Desilusão
"Fatalismo ou quê?"
Liberal, irreal, social
Conformismo
Juventude em Marcha
A Eterna Juventude
Indústrias Familiares
Papá, De Onde Vêm os Designers?
Geração Espontânea
O Parlamento das Cantigas
Soluções...

História Universal dos: Zombies

Zombies Capitalistas do Espaço Sideral
Vampiros, Zombies, Classe Média


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