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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

A diferença entre teoria e prática

É uma pergunta que me põem recorrentemente, mas que faz cada vez menos sentido. Para alguns, os que não gostam de teoria, é a diferença entre ser um inútil ou um pragmático. Para outros, os que gostam, é a diferença entre estar realmente preparado para tudo ou viver exclusivamente do desenrascanço.

Na escola costuma significar a diferença entre escrever sobre design ou fazer realmente design. Porém, os melhores designers da história foram-no porque ignoraram escrupulosamente essa distinção – o que não é muito surpreendente: a história do design consiste em escrever e falar sobre o assunto, logo a história gosta naturalmente de quem a alimenta melhor.

Mas, no fim de contas, esta ideia que a teoria corresponde a escrever e a prática a fazer é apenas um preconceito mantido pelo ensino do design. Se “teoria” significa “escrever”, qual é a diferença entre uma teórica e uma prática num curso de letras? Na verdade, numa escola, a única diferença entre a teoria e a prática é o modo como se avaliam os alunos. Nas práticas, os alunos produzem um trabalho e são avaliados pelo modo como o produzem num processo contínuo; nas teóricas, os alunos assistem a aulas de exposição e são avaliados pontualmente através de exames.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, Notícias Breves

3 Responses

  1. Humberto diz:

    Na minha humilde opinião, a teoria faz nascer e desenvolve a consciência, a prática traduz para o mundo real estas conclusões.
    Embora pessoalmenta não possa dizer que a titulo profissional sou muito experiente, o que posso dizer ao certo é que, pelo menos a julgar pelo que respeita a Design Gráfico, aqueles que o fazem conscientemente regra geral produzem trabalho funcional e eficiente, os que não têm não o fazem ou não são capazes de o fazer. Isso é absoluto, não é minimamente ligado a preconceitos ou empirismos, o que quer dizer suncintamante que a teoria sustenta a pratica, ou seja, fazer design sem consciencia é mais ou menos como atirar para um alvo às escuras: não se sabe bem com acertar la ou se acerta sequer mas dá se o tiro e pode ser que a percentagem da probrabilidade seja favorável ainda que improvavel. Com teoria ou fundamento já não, o tiro é “estudado” e pouca coisa é deixada ao acaso. Assim a Comunicação é eficaz e perfaz os objectivos. No fundo o que se pretende dizer é que se a Teoria existe é por uma razão e esta razão esta directamente relacionada com a eficacia do mundo pratico ou real, ambas se complemantam e não não devem ser vistas diferencialmente mas como parte de um todo. Um ser humano não sobrevive sem o torax ou sem a cabeça mas é a combinação de ambos (e o resto) que o faz um ser funcional, separar a teoria da pratica é o mesmo que separar um ser humano da cabeça que o compõe – forma um todo que não cumpre nada do que foi previsto ou idealizado e as razões para existir são superfluas. Pratica e Teoria são dois termos que formam o mesmo corpo e conveito, ambos são vitais e indissociaveis.
    Em termos de design significa que ainda muita falta de consciencia existe. Conheço exempos concretos de designers que usam a tipografia ( p. e.) como “panca” (significa que a usam apenas porque gostam ou por fases pessoais) e raramente porque existe um fundamento. Obviamente que isso origina composições graficas com fragilidades e para quem tem consciencia tipografica sabe que isso é o que se espera quem não sabe usar as fontes – associadas ao conceito gráfico.
    Teoria e Prática estão para si como os blocos de cimento estão para os alicerces em que se
    edificam. Se não houver relação não existe Design, isso nem é uma opinião, é absoluto.

  2. rui tavares diz:

    A ideia de que o Design nasceu da Teoria talvez esteja um tato desactualizada. Antes de o Design existir (com esse mesmo nome) quem fazia os cartazes, por exemplo, eram os Tipógrafos e Artistas. A Tipografia era vista como uma arte.

    Desfolhando livros de História de Arte podemos encontrar excelentes trabalhos de Tipografia, quer Romanos, quer Góticos, ou mesmo Egípcios, etc. (relevos em edifícios em forma de símbolos e textos, principalmente) que hoje em dia dificilmente encontramos no Design comum. O tratamento que era dado a cada caracter de uma palavra ou frase era do mais minucioso que há e dificilmente podemos analisar esses trabalhos sem que se fale de uma forma bem teórica. Numa viagem recente que fiz em férias pelo mundo reparei nisso. A Teoria das Formas e da Tipografia sempre existiu. O que fez surgir o Design foi a criação de uma teoria mais adaptada à realidade actual.

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