The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Tardia Pachecofília

Confesso que até há muito pouco tempo o culto à figura de Luiz Pacheco me deixava perplexo. Havia quem lhe chamasse libertino, mas ele pouco mais fazia nesse campo do que emprenhar empregadas domésticas e escrever sobre o assunto.

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Sentido de Oportunidade

A investigação académica deve ser útil. Não haverá muita gente que discorde disso. No entanto, da grande quantidade de papers, dissertações e teses produzidas nos últimos anos, pouquíssimas alcançam o público mais alargado, limitando-se a uma existência mais ou menos obscura na estante duma biblioteca ou, se estão online, esfareladas aos poucos em copy/pastes mais ou menos assinalados, mais ou menos legais, sobre outros tantos papers, disssertações e teses, que circularão da mesma maneira.

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As coisas não mudam

Uma boa reflexão sobre pedagogia e democracia apanhada no fabuloso Vision in Motion, de Moholy-Nagy, um dos meus livros de design favoritos, editado em 1947, pouco depois da sua morte. Fica aqui um bocadinho, só para aguçar o apetite:

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Trabalho de Grupo

(via)

O que significa este gráfico? Que boa parte dos trabalhadores portugueses trabalham em empresas de nove pessoas ou menos. Pequenas portanto. Não é uma grande novidade.

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Cayatte no Prós e Contras

Mais uma vez sem muito tempo, portanto impressões a quente depois de ter perdido a coisa ontem e a ter visto no site da RTP: Cayatte foi logo o primeiro convidado a falar, em representação do Centro Português de Design, e esforçou-se por apresentar o design como solução para a crise e motor do desenvolvimento do país.

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Patentes e Altas Patentes

No meio das aulas e dos textos de longo curso, ando sem muito tempo para escrever aqui mais do que textos curtos, mas não podia deixar passar esta citação de Paul Krugman:

“I’ve never liked the notion of talking about economic ‘science’ — it’s much too raw and imperfect a discipline to be paired casually with things like chemistry or biology, and in general when someone talks about economics as a science I immediately suspect that I’m hearing someone who doesn’t know that models are only models.”

(E claro: se a economia não é uma ciência exacta, o que dizer das artes e do design? )

Mas, enfim. Se por um lado metade do mundo anda a negar a evolução e o aquecimento global, a outra metade anda a destruir a Ciência de um modo bem mais eficaz ao reduzi-la a um mero sistema burocrático de progressão de carreira inspirado superficialmente no modelo científico de apresentação e avaliação em regime de peer review. Na grande maioria não passa de ciência culto cargo, um termo cunhado por Richard Feynman para designar áreas onde se respeita mais a formalidade do cientista que a ciência propriamente dita.

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A teoria

Uma reflexão mais emotiva e talvez mais autobiográfica que o costume sobre a teoria e o que torna alguém um teórico por Terry Eagleton no seu The Function of Criticism (tradução minha):

“A teoria é muitas vezes entendida como uma ocupação hermética e sofisticada, e há boas razões para isso; mas, traçando o desenvolvimento da moderna teoria da literatura até aos anos 1960, lembramo-nos da inocência de todas as empreitadas teóricas. A interrogação teórica demonstra sempre algo da perplexidade de uma criança perante práticas dentro das quais ainda não foi completamente incluída; enquanto essas práticas não se ‘naturalizaram’, a criança retém uma sensação da sua arbitrariedade misteriosa, talvez até cómica, e continua a dirigir as mais fundamentais e intratáveis perguntas aos mais velhos sobre as suas razões e motivações. Esses adultos tentam sossegar a estranheza da criança com uma justificação Wittgensteiniana: ‘Isto é o que nós fazemos‘; mas a criança que retém o seu fascínio vai crescer para ser o teórico e político radical que exige justificação, não por esta ou aquela prática, mas por toda a forma de vida material – a infra-estuctura institucional – que as concretiza, e que não entende porque se pode fazer as coisas de modo diferente por uma vez.”

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Semana da Ilustração no P3

Ao longo da próxima semana, vai sair um conjunto de reportagens no P3 sobre ilustração e ilustradores no Porto, incluindo uma crónica deste vosso crítico.

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Arte Pública

(via)

Há designações verdadeiramente infelizes e “Arte Pública” é uma das piores. Apesar de toda a sua justificação teórica, de conversas sobre mapeamentos, cartografias e contacto etnográfico com as populações acaba por se traduzir numa vaga ocupação de passeios e praças. É mais uma Arte dos Espaços Públicos que uma Arte Pública – e é nesta nuance que reside toda a infelicidade do termo.

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Disciplina e Desenrascanço

Me, Worry?

Há aquela ideia que aqui em Portugal somos desenrascados. Talvez o maior indicador da crise em que estamos seja o simples facto de se ter inventado uma Geração que já nem essa coisa simples consegue fazer.

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Um Livro não quer dizer “Edição”

Tem havido – felizmente – muita balbúrdia na área da edição independente. Nem falo da multiplicação das próprias publicações, dos eventos em que são lançadas, dos locais onde são vendidas, mas da sua recepção crítica e teórica. Por exemplo, chamei a este tipo de edição “independente” e tenho a certeza que muita gente achará a qualificação discutível, preferindo “edição alternativa”, “caseira”, “de pequena escala”, “nada disso”, etc.

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Suaves Prestações Mensais

Numa época de austeridade, é talvez importante reflectir sobre os efeitos da economia no design e em particular na edição. Esta tem sido uma crise associada à dívida pública, ao crédito e ao sistema bancário. Tem-se dito que acabou o recurso ao dinheiro fácil, barato, que nos permitia consumir antes de ter meios para o fazer. Em outras alturas, relativamente recentes, a ética social reprovava o endividamento pessoal: havia uma insistência em pagar as coisas a pronto, fossem elas uma batedeira ou um apartamento. A própria palavra hipoteca, quando usada em filmes ou livros, tinha toda a ameaça de uma maldição saída de uma tragédia grega.

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Erudição Implacável

“Testemunhar uma situação lamentável quando não se está no poder não é, de modo algum, uma actividade monótona e monocromática. Envolve o que Foucault chamou, em tempos, de ‘erudição implacável’, esquadrinhando fontes alternativas, exumando documentos enterrados, revivendo histórias esquecidas (ou abandonadas). Envolve um sentido do dramático e do insurgente, aproveitando ao máximo as raras oportunidades que se tem para falar, cativando a atenção da audiência, sendo-se melhor no humor e no debate do que os oponentes. E existe algo fundamentalmente instável nos intelectuais, os quais não têm lugares para proteger nem território para consolidar e guardar; a auto-ironia é, por isso, mais frequente que a pomposidade, a frontalidade melhor que a hesitação ou os gaguejos. Mas não há como evitar a realidade inescapável de que tais representações feitas por intelectuais não lhes vão trazer amigos em altos cargos, nem conceder honras oficiais. É uma condição solitária, sem dúvida, mas é sempre melhor do que uma tolerância gregária para com o estado das coisas.”

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Fraude Académica, SA

Como de costume, nada de surpreendente embora muito, muito preocupante: na última Visão,* uma reportagem sobre a fraude académica em Portugal, com histórias escabrosas de estagiários que, ao aceitarem um emprego a recibos verdes numa empresa de “apoio à investigação”, descobriram que andavam a ser (muito mal) pagos para fazerem a investigação toda, trabalhando em autênticas fábricas do canudo, onde bastava o aspirante  a doutorado deixar o tema e a bibliografia, pagar um ou dois milhares de euros e ir buscar no fim a tese, ainda a fumegar,  às vezes na manhã do dia da entrega.

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O que aconteceu ao design social?

Uma possível contradição: já andamos nesta crise há quase três anos e desde essa altura o design social parece ter desaparecido da ribalta, precisamente na ocasião em que poderia ser mais útil. Não quero dizer que tenha deixado de existir – procurando bem, ainda se encontram iniciativas, eventos e causas ligados ao design social –, mas já não é comum apanhar tantas referências em revistas, conferências, sites e facebooks.

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Pelas Paredes

Ainda é possível encontrar estes cartazes espalhados pela baixa do Porto. Colados na parede, impressos em papel grosseiro, acastanhado, parecem fazer parte do granito, a textura dos desenhos e cor do papel aproximando-se à da rocha, o que só torna mais forte o seu impacto. A imagem é ambígua e – talvez por isso – mais forte, os dedos contorcidos a parecer que tentam fazer uma figa que é também um cifrão. Poderá haver outras interpretações mas é o cartoon político perfeito, o comentário perfeito à economia retorcida da crise que encontra o seu lugar numa parede e não num jornal ou numa revista – o que não espanta, porque a ilustração tem abandonado as publicações de papel e o que vai sobrando é decorativo, não fazendo mais do que servir de contraponto ao texto.

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Melguices

É daquelas coisas a que já me devia ter habituado: de vez em quando alguém me apresenta como o Mário Moura, aquele do blogue – e garanto-vos que se consegue ouvir perfeitamente o itálico na voz da pessoa. Como se escrever para um blogue fosse por si só uma coisa menos respeitável.

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Leitura Aconselhada

Um bom artigo crítico sobre o design português, da autoria de Eduardo Nunes, mais conhecido pelo seu projecto Dizer Design.

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Cobertura minuto a minuto

Só para assinalar que o Público fez uma cobertura ao minuto do décimo aniversário com enviados a Nova Iorque e Washington e destaques das redes sociais entre os quais o Ressabiator. Aqui fica o link.

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Oito Anos Antes

Uma imagem que se foi tornando impossível por mais do que uma razão, em primeiro lugar porque parece ilustrar o 11 de Setembro há quase vinte anos atrás.

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Filed under: Design

Mário Moura

Esta é a minha biografia.

Se a estão a ler para tentarem perceber se "eu sou alguém", se acreditam que só depois de lerem o meu cv é que podem levar-me a sério, concordar ou não comigo, nem vale a pena continuarem a ler. Se vieram aqui por isso, leiam os meus textos: todos os argumentos importantes estão lá.

Dito isto: escrevo sobre design, cultura, política há uns nove anos. Faço-o regularmente aqui. Menos regularmente em jornais (Público, i), revistas e livros. Alguns dos meus textos foram reunidos no livro Design em Tempos de Crise, editado pela Braço de Ferro (está esgotado).

Dou também conferências regularmente. Nas Belas Artes do Porto, nas Belas Artes de Lisboa, na Esad das Caldas da Rainha, na Esad de Matosinhos, na Experimenta Design, no ciclo Ag – Prata, por exemplo. Dei um ciclo de 6 conferências sobre Livros na Culturgest de Lisboa entre 2011 e 2012.

Tenho uma tese de mestrado sobre a estética da programação (já soube fluentemente dezasseis linguagens de programação – Java, C++, Basic, Javascript, ActionScript, Lingo, Starlogo, PostScript, Proce55ing (quando ainda se escrevia assim), etc. Mas é preciso praticá-las, e eu não tenho feito isso; suponho que acabei por enjoar, mas de vez em quando sinto o chamamento; faço o que posso por ignorá-lo).

Fiz uma tese de doutoramento sobre autoria no design.

Já ensinei perto de vinte cadeiras distintas, distribuídas pelas Belas Artes do Porto e Lisboa, e pela Faculdade de Engenharia do Porto: gostei de uma que dei sobre Autoria; gosto de ensinar edição e bookdesign; também gosto de história e crítica. Tipografia e criação de tipos, dou quando tem que ser (não desgosto).


História Universal do: Estágio

O "Estágio"
O Negócio Perfeito
Maus Empregos
Trabalho a Sério
Design & Desilusão
"Fatalismo ou quê?"
Liberal, irreal, social
Conformismo
Juventude em Marcha
A Eterna Juventude
Indústrias Familiares
Papá, De Onde Vêm os Designers?
Geração Espontânea
O Parlamento das Cantigas
Soluções...

História Universal dos: Zombies

Zombies Capitalistas do Espaço Sideral
Vampiros, Zombies, Classe Média


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