The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Escrever

Já mais do que uma pessoa me perguntou como tenho tempo para escrever tanto. Tenho respondido que vejo cada texto como um e-mail, embora mais público – ninguém acharia penoso escrever dois ou três e-mails por dia.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design

Design para o umbigo e mais além

Aqui em Portugal como em outros sítios, vou lendo e ouvindo muitas queixas em relação ao chamado “design de autor”: que não é útil, que é feito para o umbigo, por iniciativa própria e não para um cliente; que se dá demasiada importância à personalidade do designer; que, pelo contrário, os designers deveriam dedicar-se a cumprir um serviço eficiente, humilde e anónimo.

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A difícil arte da reedição

Quando fazia banda desenhada, das piores coisas que me podiam dizer é que eu era o “tipo dos patinhas”, querendo dizer coisa rasca, infantil – o que não podia estar mais longe da verdade, sabendo que houve muita gente a escrever patinhas bem decentes e ninguém melhor que o próprio inventor do Tio Patinhas, Carl Barks, habitualmente posto ao nível de Hergé, Franquin ou Tezuka. E com razão.

Desde há anos que tenho coleccionado as suas histórias, infelizmente reeditadas em formatos estranhos, demasiado grandes e com degradés exagerados de computador, talvez para apelar às novas gerações. Agora a Fantagraphics pôs mãos à obra, e sendo uma das melhores e mais cuidadosas editoras e reeditoras de banda desenhada, fez um bom trabalho, com um formato médio e uma trama de cor fina mas visível sobre um papel branco-sujo, que se assemelham às das primeiras edições sem cair no pastiche. Muito bom.

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Portugal do Fado

Agora que o Fado é património imaterial da humanidade – uma categoria um tanto ou quanto estrambólica, mas enfim –, aproveito para mostrar aqui uma espécie de photobook dedicado ao Fado. Produzido por Carlos Branco e Mascarenhas Barreto em 1960, um ano depois do Lisboa Cidade Triste e Alegre de Palla e Costa Martins, tem bastantes semelhanças temáticas e formais com este, permitindo fazer uma espécie de anatomia comparada: ambos impressos em rotogravura; ambos com poemas de O’Neill e Pessoa; ambos com arranjos de página semelhantes; fotografias dos bairros típicos embora alternadas com stills de filmes e outras imagem enlatadas; não uma autoria partilhada a dois mas uma autoria colectiva de imagem de arquivo. É sem dúvida um livro mais comercial e menos político, mas com bons momentos (a contracapa e a montra com a guitarra, por exemplo).

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, Publicações

Maus Hábitos

Não foi o design que nos trouxe esta crise, mas será sem dúvida uma das profissões mais afectadas por ela, pelo menos em Portugal. Sempre foi uma área muito dada à precariedade, ao ponto desta estar firmemente embutida no ciclo natural de vida do designer, onde se espera que a grande maioria passe por um estágio não-remunerado entre a universidade e uma carreira a sério.

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Os Pachecos

Por mera coincidência, Domingo dedicado aos Pachecos, o José e o Luiz, o da Contemporânea e o da Contraponto. Tanto quanto sei, não há relação familiar; de comum só terem sido editores, passando boa parte das vidas a esgravatarem dinheiro, mais ou menos miseravelmente, para imprimirem livros e revistas. Sobre o primeiro, ando a reler Pacheko, Almada e a “Contemporânea”, editado por ocasião de um qualquer centenário de Almada Negreiros (pelos vistos, José Pacheko, designer avant la lettre, só por si não garantiria o interesse da coisa); sobre o segundo, o Luiz, a biografia que João Pedro George escreveu para a Tinta da China, Puta que os Pariu.

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“Não gente culta, mas propriamente um meio culto”

“Temos gente culta – mais do que se crê; nem ha entre nós a deficiencia, que se julga, de espiritos qualificaveis de elegantes. Mas não formam sociedade, não se concentram. Não teem sequer uma revista que saibam que é lida pelos seus pares com interesse, e em cujo manuseamento, portanto, se saibam acompanhados por quantos consideram seus congéneres.

De ahi o não terem os nossos artistas nem publico nem ao menos critica. O publico e a critica para as cousas de cultura, não os cria o mero numero de gente culta num paiz, mas a facilidade com que, reunindo-se, conjugando-se ou pensando expontaneamente em commum, formam, não gente culta, mas propriamente um meio culto.”

Do programa de apresentação da revista Contemporânea.

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Não é isto, é outra Coisa Qualquer

(via This Isn’t Happening)

Chateia-me sempre quando se diz que em Portugal o cinema, a pintura, a literatura, a música, o design, a crítica – ou outra manifestação cultural qualquer – não existem. E acrescenta-se com ar pomposo que ainda não existe uma versão autêntica destas coisas por aqui, apenas uma pretensão, uma espécie de simulacro amador. A verdadeira cultura seria a que se vai praticando na cena internacional. Por aqui há apenas uns tantos a fazerem de conta, na sua maioria sustentados pelo dinheiro dos contribuintes, não conseguindo sequer fazerem-se pagar honestamente.

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Ípsilon

Havendo tanto ilustrador de qualidade por aí, o que levou o Público a pôr isto na capa do seu suplemento cultural? E ainda por cima a assinatura do autor da coisa, no canto inferior esquerdo, consegue ser maior que o texto dos destaques. Não costumava haver por aqui um director de arte?

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Hã?

Uma leitora chamou-me a atenção para este anúncio que graficamente se aproveita da imagem da greve geral para promover uma “iniciativa inédita para lutar criativamente e impulsionar a economia portuguesa”, apelando a todos os designers e artistas portugueses que se juntem em oito dias de trabalho intenso “com 2 feriados incluidos”. Só a referência aos feriados já daria a entender que forma e conteúdo não encaixam aqui muito bem: um dos pontos da Greve Geral é o plano do Governo para cortar até quatro feriados sem compensação.

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Filed under: Crítica, Design, Estágios, Prontuário da Crise

Viver acima dos meios

Uma das frases feitas desta crise é que “temos vivido acima dos nossos meios”, significando que nos endividámos e que agora chegou a altura de pagar a factura. É inevitável. Para isso teremos que assumir uma austeridade digna, trabalhando mais por menos.

Mas, para muita gente, trabalhar mais por menos é o pão nosso de cada dia (ou a falta dele): estagiários a fazerem design de graça durante meses só para serem dispensados em direcção ao estágio não-remunerado seguinte.

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Louça, Garrafas, Rolhas, Lápis e Marcadores

Depois de três tentativas goradas – a primeira porque estava fechada, a segunda porque estava alagada, a terceira ontem, porque houve greve –, consegui finalmente ver a exposição do Fernando Brízio. Valeu a pena pela justaposição inesperada e elegante de ideias, pelo modo como a exposição nos conseguia mostrar, através de vídeos e da própria montagem, como essa justaposição se ia concretizando continuamente nos objectos. No final, fica a ideia de um humor minimalista, cumulativo, mas sempre a virar para outro lado quando se pensa que se lhe apanhou o jeito.

 

Filed under: Design

A Greve com Gestos Graves

Ontem mal saí de casa, não por estar a trabalhar mas por indisposição geral, assim a minha impressão dos acontecimentos é diferida, apanhada na internet ou nos comentários de amigos. Sei que no Porto, em alguns sítios não houve sequer distribuição de pão. Em Lisboa, houve violência, gente presa, incluindo um repórter. Segundo as notícias, houve também alguma tensão entre sindicatos e indignados, o que de certo modo não espanta, tendo em conta que o Movimento dos Indignados sempre se afastou de política e de sindicatos – no 12 de Março lembro-me de ver sindicalistas a distribuírem panfletos quase às escondidas. Em todo o caso, ficava-se a ganhar com mais convergência e algum compromisso.

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Filed under: Notícias Breves, Política, Prontuário da Crise

O Direito à História

Em dia de greve, a minha primeira tentação foi simplesmente espairecer. Já que Governo e Igreja se preparam para eliminar até quatro feriados, e já que a última Greve Geral calhou no mesmo dia (boa maneira de reciclar Grafittis), porque não fazer da Greve Geral um feriado faça-você-mesmo?

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Filed under: História, Política, Prontuário da Crise

Rescaldo da Konversa

Via Pedro Marques no Montag (bem me parecia que o tinha reconhecido da foto no perfil do Blog) uma recensão e uma foto da conversa de ontem com o Luís Miguel Castro e com a Susana Pomba. Foi uma boa ocasião (entre outras coisas) para perceber como se planeava uma revista sem computadores e quase às cegas. Depois do final, ainda tive oportunidade para falar com o Luís Miguel Castro a propósito dos Bazooka, dos quais me pareceu ver influências nas suas ilustrações (ele confirmou). Com a Susana Pomba, tive oportunidade para falar do modo como o Pós-Modernismo está a ser percebido historicamente neste momento, através de uma onda de exposições, conferências, livros, etc. – ainda hei-de falar disso aqui outra vez.

Filed under: Notícias Breves

A Praga às Pintas

Nunca comprei As Farpas, uma coisa vergonhosa para quem se dedica a estas coisas da crítica e sobretudo dos blogues. Mas ainda há vergonhas maiores: na minha última tentativa, ainda o folheei na Fnac mas, no último instante, dei com alguns destaques do texto corrido a cinza. Pode não parecer muito, mas foi o que bastou.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, Tipografia

A Classe dos Ex-Curiosos Está Confusa

Publicado há quase vinte anos como editorial do número 15 da K, uma das melhores e mais concisas descrições que já li .dos problemas da entrada de Portugal na cultura da relativa abundância (clicar para aumentar).

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A K no (P)

“Sem nenhuma formação especial, apenas a noção de que nasci com olhos para a composição e com a moral necessária para saber que uma folha em branco é qualquer coisa de precioso – é preciso ter muito cuidado para a ‘sujar’ com letras, riscos ou cores –, balancei sempre entre o fascínio pela agressividade e o rigor dos construtivistas soviéticos, os do vermelho e do preto sobre o branco, e a sofisticação e o rigor do grande Alexey Brodovitch, talvez o maior de todos. E nunca me esqueci do português José Pacheco, amigo de Pessoa e de Almada, e responsável pela extraordinária revista Contemporânea, que bom título, muito melhor que Moderna. Imune à confusão do pós-modernismo, por formação, convicção e distância, estive perto de um grupo que se designava por ‘Gráficos Perpendiculares’ e de um outro que defendia a ‘linha clara’. Percebem, não é verdade?”

João Botelho, autor do projecto gráfico da K, num dos melhores textos do catálogo (P) Portugal 1990-2005. 145 palavras que dizem muito.

Filed under: Design, Publicações

Jato de Tinto

É uma gralha que apanhei num texto antigo e que deixei ficar, porque achei bonito: dava um bom nome para uma tasca urbana para designers, com wifi, hipsters e tudo, daquelas que vão invadindo loja a loja os rés-do-chão do Porto, transformando antigas pastelarias e livrarias em versões irónicas de si mesmas, vendendo ainda bolos ou livros, mas um pouco de esguelha. É uma cidade que tem ficado mais triste e mais alegre do que Lisboa alguma vez foi; triste para quem vive, embriagante para quem passa – no sentido mais literal. Como ainda vivo cá, cabe-me achar que  as coisas vão piorando.

Não tem havido muito design que me estimule. Nada de grandes cartazes, revistas ou eventos.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, Ilustração

Konversa

(via Joana & Mariana)

Só para lembrar: amanhã, em Lisboa, quarta-feira, dia 23, às seis e meia da tarde, na Biblioteca Camões vou participar numa conversa sobre coleccionar Kapas, com a Susana Pomba (coleccionadora de Kapas) e Luís Miguel Castro (director de arte da Kapa). Tudo no âmbito das actividades da EXD’11.

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Mário Moura

Esta é a minha biografia.

Se a estão a ler para tentarem perceber se "eu sou alguém", se acreditam que só depois de lerem o meu cv é que podem levar-me a sério, concordar ou não comigo, nem vale a pena continuarem a ler. Se vieram aqui por isso, leiam os meus textos: todos os argumentos importantes estão lá.

Dito isto: escrevo sobre design, cultura, política há uns nove anos. Faço-o regularmente aqui. Menos regularmente em jornais (Público, i), revistas e livros. Alguns dos meus textos foram reunidos no livro Design em Tempos de Crise, editado pela Braço de Ferro (está esgotado).

Dou também conferências regularmente. Nas Belas Artes do Porto, nas Belas Artes de Lisboa, na Esad das Caldas da Rainha, na Esad de Matosinhos, na Experimenta Design, no ciclo Ag – Prata, por exemplo. Dei um ciclo de 6 conferências sobre Livros na Culturgest de Lisboa entre 2011 e 2012.

Tenho uma tese de mestrado sobre a estética da programação (já soube fluentemente dezasseis linguagens de programação – Java, C++, Basic, Javascript, ActionScript, Lingo, Starlogo, PostScript, Proce55ing (quando ainda se escrevia assim), etc. Mas é preciso praticá-las, e eu não tenho feito isso; suponho que acabei por enjoar, mas de vez em quando sinto o chamamento; faço o que posso por ignorá-lo).

Fiz uma tese de doutoramento sobre autoria no design.

Já ensinei perto de vinte cadeiras distintas, distribuídas pelas Belas Artes do Porto e Lisboa, e pela Faculdade de Engenharia do Porto: gostei de uma que dei sobre Autoria; gosto de ensinar edição e bookdesign; também gosto de história e crítica. Tipografia e criação de tipos, dou quando tem que ser (não desgosto).

Se alguém quiser uma bio mais resumida, respeitável e copy/pastável:

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.


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