Não é muito difícil demonstrar que a austeridade não passa de uma versão ideológica daqueles elixires capilares do velho Oeste que, para além de recuperarem as cabeleiras perdidas, ainda davam para escovar os dentes, desentupir canos e afugentar os mosquitos, acabando por não fazer nenhuma destas coisas.
Para isso, bastaria dar uma olhadela à Inglaterra que, sem necessidade nenhuma, sem uma crise à partida, resolveu aplicar o mesmo género de medidas que se anda a tomar por aqui – a menos que se considere um governo conservador de direita como uma necessidade e uma crise. Como resultado, bem depressa aumentou o desemprego, apareceu uma recessão e já se anda a concluir – claro – que o problema é austeridade a menos, prolongando a receita mais dois anos do que o previsto, até 2016 ou 2017.
É como uma experiência em que se dá a uma pessoa saudável e a um doente terminal o mesmo remédio, ficando os dois moribundos, concluindo-se que, não havendo nada de errado com o remédio, não haverá problema em continuar a tomá-lo em dose dupla – caso sobrevivam, os pacientes só ficarão a ganhar com a experiência (a partir de certa altura, já não interessa muito distinguir entre uma luz ao fundo do túnel e aquela luz onde entramos quando batemos as botas).
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