Já tinha comentado no Facebook a intervenção de Francisco José Viegas a propósito da barragem da Tua e não estava a contar falar mais do assunto, mas tive um daqueles momentos de “mas espera lá!” Em primeiro lugar, o secretário de estado da cultura lamenta a corrida ao betão que provocou aquilo tudo para, quando o jornalista lhe pergunta se essa corrida pode ser parada, responder que ainda pode ser ganha. Depois, sugere estratégias para minimizar o impacto: enterrar a cabelagem, entregar o bloco da barragem a Souto Moura e – genialmente – pigmentar a barragem. Pintá-la, pergunta o jornalista. Pigmentá-la, insiste o secretário – afinal, é um termo mais técnico mais científico. Imagino que convide um artista da nossa praça para a pigmentação, talvez um Cabrita Reis ou um José Pedro Croft que empilhem também umas lages de mármore, representativas da região (geólogos, se estão a ler isto, é uma piada, parem de gemer). E a intervenção não pode parar aí: convida-se um ensemble de música noise para disfarçar os estampidos da dinamite e um grupo de artes performativas vestido de amarelo para realizar um peça baseada nos movimentos rítmicos dos catrapilas. Podia-se fazer um festival de música alternativa chamado Milhões de Betões.
Viegas parece ter encontrado finalmente um nicho ecológico para a cultura em Portugal, que corresponde ao sítio onde estavam aquelas coisas chamadas “nichos ecológicos”.
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E curiosamente os Senhores que aprovaram o projecto, o anterior executivo, falam de alto e exigem justificações ao novo sobre a obra que os antigos aprovaram. Há tanta falta de nojo que chega a ser badalhoca a forma de actuar.
Lembro um caso semelhante, ò Cardoso, essa casinha que as construções no parque da cidade te rendeu deviam ter-te metido atrás das grades.
E agora quem paga as indemnizações à EDP? Paga o estado, que é quem diz pagamos todos.
[...] Atingimos um nível, neste país, que já não é possível contar uma piada sem que ela corra o risco de ser ultrapassada pela realidade nem quinze dias depois. A propósito da barragem a ser construída no Tua por Souto Moura e que Francisco José Viegas se propõe “pigmentar” como camuflagem para diminuir o seu impacto na paisagem protegida do Parque do Douro Internacional, escrevia eu: [...]
[...] construção da tal barragem, juntando-se uma desgraça humana a um desastre ambiental e a uma parvoeira cultural. Confesso que pensava que a coisa estivesse parada, considerando as críticas ao projecto, às [...]