No próximo Sábado, dia 21 de Janeiro, irá decorrer a terceira conferência deste série. O ponto de partida será a revista Contemporânea, editada por José Pacheco entre 1922 e 1926, com as colaborações, nomeadamente, de Almada Negreiros e de Fernando Pessoa. Na época, foi tida como uma possível continuação da Orpheu, embora mais ambiciosa do ponto de vista gráfico, com ilustrações e fotografias organizadas em composições de página mais arriscadas, impressas sobre uma variedade de papéis diferentes.
Para um leitor atual, uma das curiosidades da Contemporânea é o seu modo de distribuição, que se fazia como um conjunto de folhas soltas, de páginas ainda por cortar, dentro de uma pasta que funcionava como capa provisória até o leitor as mandar encadernar, um processo partilhado por alguns dos livros portugueses graficamente mais interessantes, como Lisboa Cidade Triste e Alegre ou A Arquitetura Popular em Portugal, também eles distribuídos de modo semelhante, como fascículos colecionáveis cuja encadernação ficava a cargo do leitor.
Se atualmente vivemos numa economia em que a dívida desempenha um papel crucial, permitindo-nos comprar objetos que posteriormente pagamos em prestações, estas publicações são vestígios de uma época em que o endividamento era mal visto, pelo que uma das poucas maneiras de tornar acessíveis objetos caros consistia em parti-los aos pedaços, que eram vendidos em separado. Estas publicações permitem-nos assim refletir sobre as marcas que um determinado modelo de distribuição ou mesmo de moral económica deixa sobre uma publicação, sobre as suas opções editoriais e o seu aspeto gráfico, retirando lições que podem ser aplicadas à edição experimental contemporânea e aos seus modelos de produção e distribuição.
Filed under: Conferências, Design, Notícias Breves, josé pacheco, orpheu

http://hemerotecadigital.cm-lisboa.pt/OBRAS/CONTEMPORANEA/Contemporanea.htm
[...] foi à minha última conferência na Culturgest sabe que ando bastante interessado no modo como diferentes concepções da economia [...]