Fringe é uma das minhas séries de televisão favoritas. Começou por parecer uma coisa arraçada dos X-Files, um caso diferente cada semana, sobrenatural, paranormal, mutante, viagem no tempo, etc. Interessou-me pelas grandes letras geradas por computador a pairar misteriosamente no meio das paisagens e edifícios. Com o tempo, os casos isolados foram-se condensando na ideia de uma guerra fria entre universos paralelos – um muito parecido com o nosso, outro com dirigíveis, uma Estátua da Liberdade acobreada e um World Trade Center intacto.
Sempre gostei de universos paralelos, com histórias alternativas à nossa. Coisas óbvias: se os Aliados tivessem perdido (The Man in The High Castle, de Philip K. Dick, ou Fatherland, de Robert Harris); se o computador tivesse sido inventado na Inglaterra vitoriana (The Difference Engine, de William Gibson e Bruce Sterling); o Sul vence a Guerra da Secessão (Bring The Jubilee, de Ward Moore). Coisas menos óbvias: se a fotografia tivesse sido inventada durante a Renascença (Pasquale’s Angel, de Paul Mcauley); as civilizações islâmica e chinesa ocupam o lugar de uma Europa dizimada pela Peste (The Years of Rice and Salt, de Kim Stanley Robinson); uma Lisboa onde toda a arquitectura modernista foi realmente construída (As Aventuras de Filipe Seems, de Nuno Artur Silva e António Jorge Gonçalves).
Toda a estética do universo paralelo implica uma abundância de história, onde até aquilo que não foi feito se torna de algum modo real, pelo menos no plano narrativo. É um género que se pega aos grandes eventos e às grandes metrópoles, onde até as ideias falhadas – e sobretudo essas – continuam a assombrar os discursos e as mitologias. É o resultado de uma história tão complexa que transborda para outros lugares.
Num época difícil como a nossa, onde a ausência de alternativas é grande ideal que nos é buzinado constantemente, a ideia de universos paralelos, melhores, piores, diferentes, é mais do que reconfortante: é essencial. Simboliza a própria ideia de livre arbítrio.
Filed under: Design

[...] a imaginar que, num universo paralelo (talvez até o do Fringe), aquela casa ainda existia, e quem chegasse ao Porto num dirigível Low Cost poderia talvez [...]