E lá morreram três infelizes numa derrocada na construção da tal barragem, juntando-se uma desgraça humana a um desastre ambiental e a uma parvoeira cultural. Confesso que pensava que a coisa estivesse parada, considerando as críticas ao projecto, às quais não houve resposta por parte do governo ou da edp para além daquele velho argumento – vamos chamar-lhe caridosamente isso – do “temos obrigações contratuais e se a obra não for para a frente temos de pagar indemnizações, portanto mais vale construirmos a coisa mesmo que não sirva para nada, e pode ser que na Unesco vejam o património sob o prisma da contabilidade: subtrai-se uma paisagem, soma-se um arquitecto famoso, pigmenta-se a diferença e fica tudo na boa, mesmo que aquilo nem sirva para produzir energia a custos acessíveis.”
Ainda há quem diga que o que falta em Portugal é iniciativa ou descaramento – sabendo que é praticamente impossível parar uma iniciativa asneira uma vez começada e que esta será remediada com outras tantas, por sua vez imparáveis, se calhar o problema até é outro.
Update: E como lembra o Nuno Oliveira via Facebook: ‘Da última vez que ali morreram 3 pessoas fecharam o que lá estava por “falta de segurança”.’
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Não me informei o suficiente para saber se sou contra ou a favor da construção da tal barragem. Não concordo é que se relacione a morte de três trabalhadores com o facto da construção ser, na opinião do autor, uma má opção. Uma coisa nada tem a ver com a outra, são erros completamente independentes.
Na verdade não: como assinala o Nuno Oliveira a Linha do Tua foi encerrada devido à falta de segurança, nomeadamente às derrocadas, que teriam provocado pelo menos quatro mortos. Esse encerramento abriu caminho à construção da barragem, cuja necessidade é discutível, cuja implantação na área vem pôr em causa de modo irreversível uma paisagem protegida. Se a segurança foi um argumento para encerrar a linha, seria também mais um argumento para suspender as obras da barragem.
Em qualquer construção podem morrer pessoas, consoante as condições de segurança que forem oferecidas.
As condições de segurança da Linha do Tua poderiam ser melhoradas, se houvesse vontade para isso. É óbvio que o argumento do seu encerramento não convence ninguém. Se falta o corrimão a uma escada, posso dizer que não há segurança para subir e descer os seus degraus, ou posso pôr outro corrimão.
Se a ideia do “post” era utilizar essa comparação, entre os dois conjuntos de mortes, tenho de concordar que é legítimo relacionar o acidente com a construção da barragem.
Concluindo, as mortes podiam, muito provavelmente, ser evitadas em ambos os casos, independentemente das vontades políticas estarem certas ou erradas.