Segundo o Público, o designer Sérgio Alves, de 22 anos, ganhou o Graphis Gold Award na categoria poster anual. Está de parabéns como é evidente, mas a cobertura jornalística deixa a desejar: entrevista-se e fotografa-se o designer mas nem se percebe sequer se o poster é mostrado – se calhar está ali naquele livro aberto numa das fotos.
Não é nem a primeira nem a segunda vez que, no caso de jovens designers quase desconhecidos, se mostra mais o atelier e o designer do que o seu trabalho – há uns tempos fizeram a mesma coisa aos Bolos Quentes. Mas nem sequer acho que seja um problema só do design. Nas artes e nos livros tem que se meter uma foto do autor em qualquer lado. Até no caso do Roland Barthes – o tal da Morte do Autor – arranjaram maneira de lhe pôr o retrato na capa de todos os livros. Pessoalmente vejo isso como mais um indício da maneira como se dá por aqui mais valor à autoridade de uma pessoa, o reconhecimento ou legitimidade que tem ou não tem, do que àquilo que faz ou diz:
– Este logo é tão mau!
– Mas olhe que é do Sebastião Rodrigues…
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Confesso que me irritou bastante o facto da cobertura jornalística não ter mencionado o facto de João Machado ter sido premiado também.
Fica quase a sensação de que:
“não interessa a seriedade jornalística, nem sequer os factos, o que interessa é que alguém jovem, não importa como, onde ou porquê, ganhou qualquer coisa lá fora”.
Toca a levantar a moral das tropas!
[...] sou só eu, mas um prémio internacional de design já não é o que era. Há uns tempos ainda felicitei o designer Sérgio Alves por ter ganho um Graphis Gold Award (queixando-me apenas da qualidade da cobertura jornalística [...]