Pela décima milionésima vez, ouvi mais alguém sentenciar que o problema do nosso ensino superior é o excesso de cursos, com excesso de alunos, condenados assim ao desemprego, e que, portanto, se deveria cortar os fundos às universidades, para elas encontrarem o seu próprio financiamento, mesmo sendo públicas. Mas como vão elas assegurar o seu próprio financiamento?
Em primeiro lugar, e em desespero de causa, arranjando mais alunos, através de turmas maiores e, se possível, mais cursos, mestrados, doutoramentos. Tudo isto sem contratarem mais gente e portanto sobrecarregando ainda mais o corpo docente, etc.
Assim, a suposta solução piora a qualidade do ensino e entope o mercado de trabalho, levando a que se diga que só se pode resolver o problema cortando ainda mais os fundos, o que leva a que as universidades criem mais vagas, mais cursos, etc.
Uma solução mais eficaz seria muito simplesmente não ter cortado os fundos, pagando às universidades para terem menos alunos, o que permitiria turmas mais pequenas, mais qualidade de ensino, menos licenciados.
(Quanto ao ensino ligado às artes, ainda se pode acrescentar que mais financiamento às escolas e mais subsídios aos artistas iriam diminuir e não aumentar o número de artistas. Sem subsídios, muitos dos artistas profissionais sustentam-se através do ensino, o que implica que precisam de mais alunos – futuros artistas –, que por sua vez precisam de dar aulas para sobreviver, etc.).
Filed under: Arte, Crítica, Cultura, Economia, Ensino, Política, Prontuário da Crise
Comentários recentes