The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Origem Secreta das Imagens

Outro dia comprei, principalmente porque eram baratos, apenas um euro cada, uma série de livrinhos de teatro da Moraes Editora. Atraíram-ne porque eram de um design quase suíço, embora tardio, do começo dos anos oitenta, em especial um deles, que tinha na capa as gravuras de uma série de submarinos. Não pensei mais nisso até descobrir que havia uma edição portuguesa da magnífica série de livros de história que Erik Nitsche produziu nos anos sessenta, conseguindo arranjar numa alfarrabista um deles, a História da Marinha, onde a páginas tantas dei com isto:

Meses depois, numa pesquisa na internet encontrei esta capa de livro:

Que reconheci imediatamente como a imagem de onde tinha sido tirada* a das costas de um dos Boletins Informativos da Gulbenkian:

É sempre uma sensação curiosa encontrar uma outra versão de uma imagem que conhecemos, em particular quando é usada fora do seu contexto original. Talvez o melhor exemplo disso seja a estranha genealogia do padrão usado na capa de Unknown Pleasures, que circulou por revistas científicas, anuários de design e enciclopédias, antes de começar a aparecer em t-shirts, skates ou sapatilhas.

Pessoalmente, o meu exemplo favorito de uma imagem que vai sendo reutilizada com efeitos dramáticos pode ser visto neste quadradinho da banda desenhada Love & Rockets, de Jaime Hernandez:

Que reconheci imediatamente daqui:

Uma das histórias mais intensas do Homem-Aranha, das primeiras, ainda desenhada por Steve Ditko, onde ele fica preso debaixo de uma peça de maquinaria pesada no covil subaquático de um vilão que se vai alagando lentamente, enquanto a sua tia está no hospital à espera de um medicamento que só ele pode levar.

Esta sequência de páginas é peculiar na medida em que não há uma luta, praticamente não há movimento. O dinamismo habitual das histórias de super-heróis é aqui suspenso e o leitor é obrigado a partilhar da paralisia do protagonista, enquanto encontra força nas suas responsabilidades para não desistir – um tema recorrente do Homem-Aranha da época (“Grande poder, grande responsabilidade”). É uma sequência de tal modo forte, que bastou a jaime Hernandez desenhar aquela mesma máquina para evocar o mesmo sentido extremo de responsabilidade e sacríficio.

*Ou quase.

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Filed under: Banda Desenhada, Crítica, Cultura, Design

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