A descrença neste governo já é tanta que começam a dar pena os esforços de quem ainda o tenta levar a sério.
Esta semana, por exemplo, Passos sai-se com a bojarda do “que se lixem as eleições”, cuja interpretação mais óbvia é que as suas políticas não são populistas, que está a sacrificar as hipóteses de reeleição em nome dos interesses do País, que ignorando os desejos imediatos da grande maioria da população, Portugal terá um futuro sustentável.
E é claro que este discurso antipopulista é ele mesmo populista, porque muita gente critica os políticos que sacrificam o desenvolvimento a longo prazo em troca de votos, gastando dinheiros públicos em inaugurações, etc.
Resumindo, criticar as eleições compensa. Pelos vistos, pode-se ganhar votos dizendo que não nos interessa a democracia. Ou nem precisando de o dizer, como Passos fez nas últimas eleições, quando disse o que foi preciso para ser eleito, e depois fez o oposto.
Mas, mesmo que não se acredite muito na democracia, confundindo-a com mero populismo, nenhuma das duas opções oferece qualquer tipo de credibilidade. Nada o demonstra melhor que as tentativas de José Manuel Fernandes e afins para espremer alguma credibilidade das palavras do Primeiro Ministro.
Desta vez foi difícil, mas lá acabaram por encontrar alguma esperança quando Vasco Pulido Valente acusou de “estupidez bíblica” quem acusava Passos de estar a dizer mal da democracia. Não, na verdade o Primeiro Ministro estava a mandar um recado às clientelas do seu partido, que não estava disposto a sacrificar os interesses do país para servir os interesses do PSD, ganhando as eleições autárquicas, europeias.
Pelos vistos, ao desprezar as eleições em nome dos interesses do país, Passos não estava a dizer mal da democracia mas apenas do seu próprio partido, ou pelo menos da máquina partidária em geral, qualquer uma delas prejudicial ao futuro do país. E que provavelmente até devíamos todos apoiá-lo, porque criticar os partidos dá votos, mas não, também não é populismo.
Excepto, como é óbvio, se acreditarmos que o populismo consiste na degradação das instituições democráticas só para ganhar uns votos.
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Há um livro interessante sobre marketing que me lembro sempre que vejo esta postura: Rebell sell.