Agosto 10, 2009 • 11:18 am

Tal como já tinha dito há algum tempo atrás, das coisas que mais me aborrecem dentro das discussões sobre design são aquelas pessoas, na sua grande maioria ligadas às artes plásticas, artistas, críticos e comissários, que acreditam que não há nenhuma razão para haver um museu do design ou, nos casos mais extremos, que não deveria haver sequer exposições de design. Os argumentos que usam para justificar a sua posição são muitos e variados; praticamente todos implicam um profundo desconhecimento do que é o design e noções muito restritas do que é um museu ou mesmo do que significa expor.
Read the rest of this entry »
Filed under: Arte, Crítica, Cultura, Design
Janeiro 22, 2009 • 12:05 am

Com a crise financeira, o mundo da arte sustém a respiração. Espera-se menos dinheiro, mais falências, que algumas galerias fechem, que algumas instituições vacilem, que os leilões sejam menos eufóricos do que antes; aposta-se qual será o tipo de artista e qual o tipo de arte que irá sobreviver. Há até quem veja a situação como uma limpeza, um dilúvio que vem eliminar todo o lixo acumulado dos últimos anos – a especulação, as bienais supérfluas, os artistas sobrevalorizados. É como se, expulsando os vendilhões do templo, se pudesse fazer regressar o mundo da arte ao seu estado de graça original.
Mas até a ideia de um dilúvio purificador ilustra a dependência do mundo da arte em relação à ideologia de mercado: não é através de um esforço crítico que se corrigem os excessos ou se constroem alternativas, mas aguardando passivamente que o mercado – mesmo em queda – tome as decisões. No fundo, equivale a dizer que só o mercado pode salvar o mundo da arte dos excessos do mercado. É como acreditar que os vendilhões se expulsarão a si mesmos do templo.
Read the rest of this entry »
Filed under: Arte, Crítica, Economia, Política
Janeiro 8, 2009 • 12:05 am

Regressar ao tema da nova identidade de Serralves é um pouco como bater no ceguinho, mas como o pior cego é o que não quer ver, pode ser que este ceguinho mereça a tareia. Uma das razões para isso é que teve um bom ano. Tem motivos para se gabar e para ser gabado. Teve 400.000 visitas pagas e, por causa disso, teve direito a uma setazita ascendente no Público. Tudo isto seria um pretexto para festejar se entretanto não tivesse decidido mudar discretamente de identidade gráfica.
Read the rest of this entry »
Filed under: Arte, Crítica, Cultura, Design, Logos
Dezembro 4, 2008 • 12:05 am

Há um ano, por esta altura, era de bom tom lastimar-se os grandes logótipos bancários que cobriam a cidade toda. Na Casa da Música ou em Serralves, cada cartaz tinha, bem visível, o logo de um banco; cada praça do Porto tinha a sua cúpula em plástico transparente abrigando carrosséis e ringues de patinagem, tudo sob a protecção de um banco. Com os bancos em crise, o que lamentará agora o mundo da arte?
Read the rest of this entry »
Filed under: Arte, Autoria, Crítica, Cultura, Economia, Política , bancos, crise, Serralves
Outubro 23, 2008 • 1:05 am

Nos tempos que correm, com a crise dos mercados financeiros, multiplicam-se as interrogações. Num artigo no The Guardian, Sarah Thornton pergunta quais serão os efeitos disto tudo sobre as artes, mas nem ela, nem os artistas que entrevista têm respostas, embora todos reconheçam o protagonismo do dinheiro na arte contemporânea – um deles, Gavin Turk, ironiza até: “Se for grátis, será que ainda é arte?”
Read the rest of this entry »
Filed under: Arte, Crítica, Cultura, Design, Economia, História, Política , crise, Obama, WPA

Estavam exactamente noventa e seis pessoas na conferência de Daniel Eatock na Esad de Matosinhos. Este não é um número atirado ao acaso, nem o fiquei a saber por ter contado pela minha própria iniciativa os presentes. Sei-o, porque Eatock, no começo da conferência, pôs a plateia a participar num trabalho chamado “cada número dito pelo mesmo número de pessoas que esse número representa” – a primeira pessoa, o próprio Daniel, dizia “um”; Daniel e a segunda pessoa diziam “dois”; e por aí fora adiante, até às noventa e seis pessoas presentes, em conjunto, dizerem “noventa e seis”. Provavelmente, a ideia foi pôr a plateia à vontade, “incluindo-a” no evento, mas, pessoalmente, a estratégia não me descontraiu – no fim de contas, não havia ali nenhuma escolha: recusar seria uma pirraça embaraçosa; aceitar, foi mero comodismo. No final, toda a descontracção que senti foi por aquilo ter acabado rapidamente.
Read the rest of this entry »
Filed under: Arte, Autoria, Conferências, Crítica, Cultura, Design, Uncategorized , Daniel Eatock, Flávia Medeiros, Legitimação, Personal Views

Costuma dizer-se que o design resolve problemas, mas seria mais correcto dizer que é um processo de negociação, e que cada objecto de design não é uma solução, mas a materialização de um problema, um compromisso que se objectivou. Desta forma, é possível olhar para um livro, por exemplo, e ver nas continuidades e contradições entre forma e conteúdo, entre paginação e assunto, um conjunto de relações sociais, de antagonismos, de aspirações e compromissos.
Em c/id, isto começa por ser evidente na maneira como o seu público alvo é representado. Segundo o texto da contracapa, este livro destina-se a designers que trabalham para clientes culturais e a pessoas que lidam com branding e gestão das artes. Mas no único índice do livro estão apenas clientes e não designers. Nos textos que apresentam cada um dos projectos, o designer é referido de forma discreta, quase no fim, só depois de identificado o cliente, a sua história, e a razão porque decidiu criar ou modificar a sua imagem gráfica. É preciso esperar pela última página para encontrar, finalmente, no meio da ficha técnica, uma lista de agradecimentos onde aparecem os nomes dos designers representados e das suas firmas, mas, mesmo aqui, estão ordenados alfabeticamente por cliente, com o nome deste último destacado a bold.
Read the rest of this entry »
Filed under: Arte, Cliente, Crítica, Cultura, Design, Economia, Exposições
Fevereiro 7, 2008 • 8:22 pm

No fim de Abril de 2007, num debate no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, sobre “O que significa ser artista em Portugal?”, a artista Isabel Carvalho acusou o Museu de Serralves de ignorar os artistas do Porto. À primeira vista, a acusação parecia paradoxal, talvez até injusta – afinal, era o próprio Museu que disponibilizava o espaço para aquele debate –, mas, na discussão que se seguiu (e que continuou nos blogues e, mais tarde nos jornais), tornou-se evidente que o que estava em jogo não era a falta de interesse do Museu na cena alternativa, mas o próprio papel do Museu em relação à cidade. Se Serralves não dedicava ao Porto mais do que uma atenção circunstancial, como podia esperar assumir algum protagonismo ali?
Read the rest of this entry »
Filed under: Arte, Burocracia, Conferências, Crítica, Cultura, Design, Economia, Política , CCDR-N, Cena Independente do Porto, Porto, Serralves, Subsídios, Tom Fleming
Novembro 30, 2007 • 2:32 pm

Como se avalia o sucesso profissional de um designer? Talvez um designer bem sucedido deva poder viver bem do seu salário, sem precisar de um segundo emprego, por exemplo. Mas será que é mesmo assim? Muitos dos designers mais conhecidos acumulam a sua prática profissional comercial com o ensino e, de maneira geral, isso até é visto como um reconhecimento do seu mérito enquanto designers. É uma situação tão natural, que muitos não vêem o ensino como um segundo emprego, mas como uma extensão da sua prática profissional normal.
Mas o duplo emprego também se tornou comum entre os jovens designers, embora com um carácter distinto. Há uns três anos, por exemplo, um amigo meu trabalhava das nove às sete num atelier de design de grandes dimensões, quase uma agência. Fora de horas e aos fins de semana, ainda conseguia manter inúmeros projectos editoriais independentes e auto-financiados. Mais recentemente, outro amigo meu recém-formado trabalha num hostel, o que lhe permite manter uma base financeira sólida para manter quer projectos independentes – neste momento, comissaria uma exposição de design no estrangeiro –, quer trabalhos comerciais – faz book design para uma editora portuguesa muito conhecida.
Read the rest of this entry »
Filed under: Arte, Crítica, Cultura, Design, Economia, Ensino, Exposições, Política , auto-financiamento, esfera pública, privatização, Rua do Almada, Rua Miguel Bombarda, subsídio
Novembro 16, 2007 • 7:26 pm

Poder-se-ia traçar uma história do design gráfico português como uma lenta disputa territorial entre formas e conteúdos, entre design e linguagem.
Nos posters de Francisco Providência, ou nos de João Machado, por exemplo, há uma separação clara entre texto e imagem, entre título e ilustração, com raras e tímidas interacções. Cada elemento ocupa o seu lugar numa hierarquia gráfica bem definida, que corresponde também a uma separação técnica de responsabilidades, típica da era pré-computador.
Nessa altura, a ilustração era feita por um ilustrador, a fotografia por um fotógrafo, o design e a tipografia maquetizados por um designer, que supervisionava também a concretização final do processo na gráfica, onde a tipografia era composta, as gralhas revistas, as ilustrações e fotografias reproduzidas, e o objecto final impresso.
Read the rest of this entry »
Filed under: Arte, Autoria, Cartaz, Cliente, Crítica, Cultura, Design, Exposições, História, Linguagem, Publicações , design de catálogos, forma e conteúdo, João Faria, João Marrucho, Pedro Nora
Comentários Recentes