The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Design no Museu

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Tal como já tinha dito há algum tempo atrás, das coisas que mais me aborrecem dentro das discussões sobre design são aquelas pessoas, na sua grande maioria ligadas às artes plásticas, artistas, críticos e comissários, que acreditam que não há nenhuma razão para haver um museu do design ou, nos casos mais extremos, que não deveria haver sequer exposições de design. Os argumentos que usam para justificar a sua posição são muitos e variados; praticamente todos implicam um profundo desconhecimento do que é o design e noções muito restritas do que é um museu ou mesmo do que significa expor.

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O dilúvio

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Com a crise financeira, o mundo da arte sustém a respiração. Espera-se menos dinheiro, mais falências, que algumas galerias fechem, que algumas instituições vacilem, que os leilões sejam menos eufóricos do que antes; aposta-se qual será o tipo de artista e qual o tipo de arte que irá sobreviver. Há até quem veja a situação como uma limpeza, um dilúvio que vem eliminar todo o lixo acumulado dos últimos anos – a especulação, as bienais supérfluas, os artistas sobrevalorizados. É como se, expulsando os vendilhões do templo, se pudesse fazer regressar o mundo da arte ao seu estado de graça original.

Mas até a ideia de um dilúvio purificador ilustra a dependência do mundo da arte em relação à ideologia de mercado: não é através de um esforço crítico que se corrigem os excessos ou se constroem alternativas, mas aguardando passivamente que o mercado – mesmo em queda – tome as decisões. No fundo, equivale a dizer que só o mercado pode salvar o mundo da arte dos excessos do mercado. É como acreditar que os vendilhões se expulsarão a si mesmos do templo.

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O Exemplo

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Regressar ao tema da nova identidade de Serralves é um pouco como bater no ceguinho, mas como o pior cego é o que não quer ver, pode ser que este ceguinho mereça a tareia. Uma das razões para isso é que teve um bom ano. Tem motivos para se gabar e para ser gabado. Teve 400.000 visitas pagas e, por causa disso, teve direito a uma setazita ascendente no Público. Tudo isto seria um pretexto para festejar se entretanto não tivesse decidido mudar discretamente de identidade gráfica.
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Arte de autor?

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Há um ano, por esta altura, era de bom tom lastimar-se os grandes logótipos bancários que cobriam a cidade toda. Na Casa da Música ou em Serralves, cada cartaz tinha, bem visível, o logo de um banco; cada praça do Porto tinha a sua cúpula em plástico transparente abrigando carrosséis e ringues de patinagem, tudo sob a protecção de um banco. Com os bancos em crise, o que lamentará agora o mundo da arte?
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Grandes Esperanças

Nos tempos que correm, com a crise dos mercados financeiros, multiplicam-se as interrogações. Num artigo no The Guardian, Sarah Thornton pergunta quais serão os efeitos disto tudo sobre as artes, mas nem ela, nem os artistas que entrevista têm respostas, embora todos reconheçam o protagonismo do dinheiro na arte contemporânea – um deles, Gavin Turk, ironiza até: “Se for grátis, será que ainda é arte?”

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“Arte ou Design? Ou.”

Estavam exactamente noventa e seis pessoas na conferência de Daniel Eatock na Esad de Matosinhos. Este não é um número atirado ao acaso, nem o fiquei a saber por ter contado pela minha própria iniciativa os presentes. Sei-o, porque Eatock, no começo da conferência, pôs a plateia a participar num trabalho chamado “cada número dito pelo mesmo número de pessoas que esse número representa” – a primeira pessoa, o próprio Daniel, dizia “um”; Daniel e a segunda pessoa diziam “dois”; e por aí fora adiante, até às noventa e seis pessoas presentes, em conjunto, dizerem “noventa e seis”. Provavelmente, a ideia foi pôr a plateia à vontade, “incluindo-a” no evento, mas, pessoalmente, a estratégia não me descontraiu – no fim de contas, não havia ali nenhuma escolha: recusar seria uma pirraça embaraçosa; aceitar, foi mero comodismo. No final, toda a descontracção que senti foi por aquilo ter acabado rapidamente.

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Identidade Cultural?

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Costuma dizer-se que o design resolve problemas, mas seria mais correcto dizer que é um processo de negociação, e que cada objecto de design não é uma solução, mas a materialização de um problema, um compromisso que se objectivou. Desta forma, é possível olhar para um livro, por exemplo, e ver nas continuidades e contradições entre forma e conteúdo, entre paginação e assunto, um conjunto de relações sociais, de antagonismos, de aspirações e compromissos.

Em c/id, isto começa por ser evidente na maneira como o seu público alvo é representado. Segundo o texto da contracapa, este livro destina-se a designers que trabalham para clientes culturais e a pessoas que lidam com branding e gestão das artes. Mas no único índice do livro estão apenas clientes e não designers. Nos textos que apresentam cada um dos projectos, o designer é referido de forma discreta, quase no fim, só depois de identificado o cliente, a sua história, e a razão porque decidiu criar ou modificar a sua imagem gráfica. É preciso esperar pela última página para encontrar, finalmente, no meio da ficha técnica, uma lista de agradecimentos onde aparecem os nomes dos designers representados e das suas firmas, mas, mesmo aqui, estão ordenados alfabeticamente por cliente, com o nome deste último destacado a bold.

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Cultural Marginal

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No fim de Abril de 2007, num debate no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, sobre “O que significa ser artista em Portugal?”, a artista Isabel Carvalho acusou o Museu de Serralves de ignorar os artistas do Porto. À primeira vista, a acusação parecia paradoxal, talvez até injusta – afinal, era o próprio Museu que disponibilizava o espaço para aquele debate –, mas, na discussão que se seguiu (e que continuou nos blogues e, mais tarde nos jornais), tornou-se evidente que o que estava em jogo não era a falta de interesse do Museu na cena alternativa, mas o próprio papel do Museu em relação à cidade. Se Serralves não dedicava ao Porto mais do que uma atenção circunstancial, como podia esperar assumir algum protagonismo ali?

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Dois Empregos (ou mais)

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Como se avalia o sucesso profissional de um designer? Talvez um designer bem sucedido deva poder viver bem do seu salário, sem precisar de um segundo emprego, por exemplo. Mas será que é mesmo assim? Muitos dos designers mais conhecidos acumulam a sua prática profissional comercial com o ensino e, de maneira geral, isso até é visto como um reconhecimento do seu mérito enquanto designers. É uma situação tão natural, que muitos não vêem o ensino como um segundo emprego, mas como uma extensão da sua prática profissional normal.

Mas o duplo emprego também se tornou comum entre os jovens designers, embora com um carácter distinto. Há uns três anos, por exemplo, um amigo meu trabalhava das nove às sete num atelier de design de grandes dimensões, quase uma agência. Fora de horas e aos fins de semana, ainda conseguia manter inúmeros projectos editoriais independentes e auto-financiados. Mais recentemente, outro amigo meu recém-formado trabalha num hostel, o que lhe permite manter uma base financeira sólida para manter quer projectos independentes – neste momento, comissaria uma exposição de design no estrangeiro –, quer trabalhos comerciais – faz book design para uma editora portuguesa muito conhecida.

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História (Muito Abreviada) do Design

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Poder-se-ia traçar uma história do design gráfico português como uma lenta disputa territorial entre formas e conteúdos, entre design e linguagem.

Nos posters de Francisco Providência, ou nos de João Machado, por exemplo, há uma separação clara entre texto e imagem, entre título e ilustração, com raras e tímidas interacções. Cada elemento ocupa o seu lugar numa hierarquia gráfica bem definida, que corresponde também a uma separação técnica de responsabilidades, típica da era pré-computador.

Nessa altura, a ilustração era feita por um ilustrador, a fotografia por um fotógrafo, o design e a tipografia maquetizados por um designer, que supervisionava também a concretização final do processo na gráfica, onde a tipografia era composta, as gralhas revistas, as ilustrações e fotografias reproduzidas, e o objecto final impresso.

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Coisas Avulsas

– Amanhã, mais umaPecha Kucha.

– A quarta série Great Ideas da Penguin é mais uma vez incrível, em especial este.

– Inscrições até 9 de setembro para a masterclass de David Reinfurt, dos Dexter Sinister, nas Belas Artes de Lisboa, dia 12 de Setembro, às 17h30.

– Eu sabia: vem aí a Emigre nº 70

FBA distinguida com três galardões Red Dot Award

–Um dos melhores trailers de todos os tempos. Reparem na maneira como ele conta o filme todo sem mostrar realmente nada: "The Baaathroom..."

– Descobri-a no FFFFound, e tocou-me em todas as espécies de nostalgias possíveis, em especial aquela sobre os anos noventa, quando se faziam ilustrações em layers sobre os anos vinte. Gosto da maneira como mistura fotografias vintage com grandes barras de cores e toquezitos de capas da Pelican. Podem ver os trabalhos de Cristiana Couceiro no Seven Days.[Ups: Link corrigido.]

Imagens de genéricos de filmes.[Thx à Ana Carvalho]

–Um blogue a seguir: Design Diário de Sara Goldchmit.

–Para quem ainda não sabe: o Frederico Duarte tem um blogue onde documenta uma viagem pelo design brasileiro.

–Uma grande ideia: fotografias vintage 3D transformadas em GIFs animados.

–Soletrando com a Dock do Mac.

–Jorge Colombo desenha capa da New Yorker com o seu iPhone.

Vasco Granja morreu hoje.

JG Ballard morreu hoje.

–A Stella Artois produz uma campanha publicitária onde são usadas versões Nouvelle Vague de Jack Bauer, Die Hard e Eminem.

–Hoje é Dia de Ada Lovelace, a primeira programadora de computadores e filha de Lord Byron.

–Quem puder ir não perca: exposição, conferência e workshop de um dos meus autores favoritos de BD independente, James Sturm, na Esad e na Mundo Fantasma.

Será que os videojogos estão a preparar adequadamente as crianças para o Apocalipse?

–Reflexões sobre arquitectura e design pelos R2.

Datamoshing, a história de como um artefacto de compressão é utilizado em telediscos.

Atol, uma nova revista portuguesa online.

O Expresso entre os 5 jornais com melhor design do mundo segundo a SND (outra vez).
- Arquivo das Coisas Avulsas

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