As intervenções culturais nas barragens do Douro já foram descritas algures como um “roteiro de arte pública”, designação curiosa pela sua ironia (talvez involuntária): afinal, trata-se de arte paga por uma empresa privatizada, feita numa zona que se arrisca a perder por causa disso o seu estatuto de Património da Humanidade, talvez o grau mais elevado de “interesse público”.
Em outras ocasiões já me queixei da infelicidade da expressão “arte pública”. Num momento em que a exploração predatória do que até há pouco tinha sido público é a ideologia dominante, a designação aplicar-se-ia com mais elegância a iniciativas como a Escola da Fontinha ou às pessoas que ainda insistem em manifestar as suas reivindicações em público, mesmo correndo o risco de serem multadas ou presas por isso. Talvez “Arte Recentemente Privatizada” fosse mais adequado. “Arte da privatização”?
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