
Aquilo que define uma ilustração – por oposição a um mero desenho com um tema literário – é o facto de conviver fisicamente com um texto, evento ou objecto. Uma ilustração é feita de propósito para aparecer nas páginas de um livro ou de uma revista e não para ser um objecto autónomo. Do mesmo modo, um quadradinho numa banda desenhada não funciona por si só, mas faz parte de uma narrativa maior. Expor ilustração e banda desenhada é, portanto, uma tarefa peculiar na medida em que, inevitavelmente, destrói o seu objecto, isolando-o do seu contexto. A relação entre o desenho e o seu tema perde-se.
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Dezembro 18, 2008 • 12:05 am

Não sei exactamente a data, mas os primeiros DVDs apareceram na Europa há cerca de dez anos, por volta de 1998. Parece que foi há mais tempo, porque, tal como sucedeu com o multibanco ou o telemóvel, os DVDs mudaram, de maneira subtil mas radical, o nosso estilo de vida. Mais do que as cassetes de vídeo, objectos bastante frágeis e maljeitosos, que só se podia ver umas quantas vezes antes de perderem a qualidade,os DVDs consolidaram a transformação de filmes e séries de televisão em objectos de consumo.
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Setembro 4, 2008 • 1:00 am

A minha carreira profissional começou na Banda Desenhada. Foi aí que fiz os meus primeiros trabalhos pagos, o que pode parecer estranho num país como Portugal, onde muitas coisas – como a BD, as artes em geral e, claro, o Design – não costumam ser pagas pelo simples facto de não se parecerem com coisas que costumam ser pagas.
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Esta semana, tive de ir a Lisboa em trabalho, o que foi agradável mas cansativo. Entre as reuniões, esperava encontrar alguma coisa nova sobre design na Fnac do Chiado, mas as prateleiras tinham praticamente os mesmos livros que tinha visto na minha última visita, por altura do Natal.
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Dezembro 7, 2007 • 3:36 pm

A minha primeira experiência com a crítica foi através da revista de banda desenhada Tintin, que publicava histórias em continuação, duas a quatro páginas por semana. Uma bd de quarenta e oito páginas prolongava-se por vinte e quatro semanas, o equivalente a uma temporada televisiva actual.
É claro que, de semana para semana, o suspense era muito. Os autores adaptavam as suas histórias ao formato e cada página terminava sempre com um tiro, um grito, uma explosão, uma surpresa, que na maior parte dos casos era apenas um falso alarme. Lembro-me de ler compulsivamente, durante dias, a mesma página à procura de pistas que pudessem dar a entender o que podia suceder na semana seguinte.
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Novembro 22, 2007 • 1:45 pm

Já faz dez anos que vi pela primeira vez um número da Acme Novelty Library de Chris Ware. Lembro-me que cada página tinha dezenas de quadradinhos cheios de animais estilo desenho animado. O design lembrava as revistas e jornais densamente ornamentados do início do século XX. Na altura não comprei, embora me tenha ficado na memória. Não o fiz talvez por excesso de design – porque se pareciam mais com objectos do que com histórias. Ainda hoje sinto isso, mas com o tempo aprendi que os comics de Chris Ware se instalam precisamente numa ambiguidade entre objecto e narrativa.
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Agosto 10, 2007 • 12:51 pm

Embora aprecie os textos de Rui Tavares, confesso que só comprei O Arquitecto, uma edição da Tinta da China, pela capa e pelo design do seu interior, da autoria de Vera Tavares. Folheei-o para trás e para a frente, apreciando os pormenores gráficos, acabando por o deixar pousado sobre a gaveta da mesinha de cabeceira, no meio das canetas, dos CDs, das aspirinas, das revistas e do resto, à espera de oportunidade para escrever sobre ele.
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Julho 17, 2007 • 11:49 am

No começo da década de noventa, quando era aluno dos primeiros anos do curso de design nas Belas Artes do Porto, nunca tinha muito dinheiro, mas preferia saltar uma ou duas refeições em vez de deixar escapar um livro mais tentador. Costumava percorrer as livrarias do Porto à procura de livros usados, sobretudo de banda desenhada e, às vezes, depois das aulas, ia à livraria Diário de Notícias, ao fundo da rua 31 de Janeiro, ver o expositor de fanzines. Pelos padrões actuais, eram objectos toscos, fotocopiados a preto e branco, escritos à mão ou à máquina – em geral, apenas um maço de folhas com dois ou três agrafes de lado. Os mais experimentais eram fotocopiados com tinta azul ou vermelha, sobre papel colorido ou reciclado.
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No centro do palco, iluminado por um foco, Scott Mcloud segura uma placa dizendo “Imagens estáticas justapostas em sequência deliberada”. Anteriormente, já tinha proposto outras definições de Bd, que a audiência tinha considerado inadequadas. Esta era apenas a última versão:
— Que tal está agora?
— Então e as palavras? — pergunta alguém na plateia.
— Oh, não tem que conter palavras para ser uma Bd.
— Não, não. Com essa definição também se pode descrever palavras, não é??
— Hã?
— As letras são imagens estáticas, certo? Quando são compostas numa sequência deliberada, umas a seguir às outras, chamamos-lhes “palavras”.
Scott McLoud, Understanding Comics.
Durante muito tempo considerou-se a Bd como uma literatura para iletrados, um cinema dos pobres, e isto não era apenas a versão popular dos acontecimentos, mas igualmente a posição académica que analisava uma banda-desenhada em termos de escalas de planos como se fosse o storyboard de um filme. No seu livro Understanding Comics, Scott McLoud formalizou uma noção que todos os verdadeiros criadores e apreciadores de Bd já conheciam de forma instintiva: a Bd não é uma mera cópia ou adaptação estática e infantilizada de outra coisa qualquer; ela é interessante precisamente por ser uma sucessão de desenhos e de palavras acompanhados por um leque específico de símbolos gráficos (balões, quadradinhos, legendas, etc).
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Ontem dei uma conferência sobre Banda Desenhada na Esap de Guimarães, a convite da Isabel Carvalho. Aproveito para lhe agradecer a ela, bem como aos outros professores do Curso de Licenciatura em Artes BD (em especial ao Marco Mendes e ao Miguel Carneiro) e aos alunos e ao público que assistiram. A conferência foi parcialmente baseada num texto que escrevi para a revista Satélite Internacional n.4 e que está disponível em pdf aqui.
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