The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Prophet

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Sempre à procura de boa ficção científica, dei com Prophet, uma banda desenhada, a recuperação de um velho personagem da Image Comics, criado nos anos 90, quando estavam na moda heróis musculados e carrancudos, se possível versões mais agressivas de superheróis clássicos. Prophet, um sem-abrigo submetido nos anos 1930 a um tratamento experimental que lhe dava força e resistência, periodicamente congelado e descongelado para cumprir missões, não andava longe do Capitão América. Uma espécie de clone perfeitamente dispensável no meio de muitos outros. Leia o resto deste artigo »

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Coeurs Sanglants, 1988

Enki Bilal era um dos meus desenhadores favoritos da segunda metade da década de 80, com um estilo ao mesmo tempo colorido e sujo, onde ainda era possível ver os restos de um contorno, da linha clara. Não havia muita coisa que se lhe comparasse. Fazia uma ficção científica urbana, a cair para o fantástico e, muitas vezes, para o político. Pela origem jugoslava, foi o homem de serviço na altura da queda do muro, e antes ainda, quando o muro, as grandes estrelas de cinco pontas vermelhas, as locomotivas cheias de soldados eram recuperadas numa versão estilizada, nostálgica, decadente, das utopias soviéticas. Leia o resto deste artigo »

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Origem Secreta das Imagens

Outro dia comprei, principalmente porque eram baratos, apenas um euro cada, uma série de livrinhos de teatro da Moraes Editora. Atraíram-ne porque eram de um design quase suíço, embora tardio, do começo dos anos oitenta, em especial um deles, que tinha na capa as gravuras de uma série de submarinos. Leia o resto deste artigo »

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Anti-Heróis

Numa altura do ano em que, por obrigação, me dedico dias a fio à indústria febril da leitura (de papers, de teses, de trabalhos e de mails), encontro algum consolo a ler coisas mais juvenis, lidas e relidas desde o tempo em que era eu a estudar para exames e não a corrigi-los.

É nesta altura que releio os Tintins e o Spirous, o Fantasma ou os velhos Disney Especial, organizados por temas, Coleccionadores, Robôs, Cientistas, recolhendo histórias de todo o bestiário da Disney, e onde era possível reconhecer aqui e ali o estilo inconfundível de Carl Barks, de Floyd Gottfredson, de Al Taliaferro ou de Carpi. Mesmo sem conhecer a assinatura dos autores, escondida debaixo da assinatura-logo do próprio Disney era possível distingui-los facilmente. A diferença entre o traço mais anguloso dos americanos e a elasticidade quase psicadélica dos italianos também era óbvia, em especial em histórias onde, recorrentemente, os heróis abandonavam a cidade dos Patos para irem visitar Roma, Veneza, o Vesúvio ou o Adriático.

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Valerian ou a Educação Política

A melhor parte da minha formação política tive-a sem querer, numa idade em que ainda não se pensa nessas coisas mas onde elas deixam, talvez por isso, marcas indeléveis. Tive-a através da banda desenhada e em particular de uma série de ficção científica francesa chamada Valerian, que comecei a ler por volta de 1982. O protagonista era um viajante no tempo, agente de uma civilização futura que não só exercia uma influência discreta sobre toda a história da Terra como procurava alargá-la a outros planetas, nem sempre da forma mais correcta.

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Faroeste

De todas as coisas passadas no Velho Oeste, as minhas favoritas são – claro – alguns dos filmes de Leone, mas sobretudo uma coisa ainda mais estranha, violenta e absurda, também italiana, chamada Django, onde um soldado arrastava atrás de si um caixão durante quase todo o filme. Ao fim do qual ou se saia morto ou grotescamente estropiado.

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A difícil arte da reedição

Quando fazia banda desenhada, das piores coisas que me podiam dizer é que eu era o “tipo dos patinhas”, querendo dizer coisa rasca, infantil – o que não podia estar mais longe da verdade, sabendo que houve muita gente a escrever patinhas bem decentes e ninguém melhor que o próprio inventor do Tio Patinhas, Carl Barks, habitualmente posto ao nível de Hergé, Franquin ou Tezuka. E com razão.

Desde há anos que tenho coleccionado as suas histórias, infelizmente reeditadas em formatos estranhos, demasiado grandes e com degradés exagerados de computador, talvez para apelar às novas gerações. Agora a Fantagraphics pôs mãos à obra, e sendo uma das melhores e mais cuidadosas editoras e reeditoras de banda desenhada, fez um bom trabalho, com um formato médio e uma trama de cor fina mas visível sobre um papel branco-sujo, que se assemelham às das primeiras edições sem cair no pastiche. Muito bom.

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Ganges

A primeira vez que reparei na revista, com a sua capa de cores terra foi por causa da colossal cara simplificada, quase abstracta, um Tintin gigante, desenhado a pincel grosso, erguendo-se no meio das nuvens sobre uma cordilheira nevada.

Não era possível ler o título, seis caracteres reduzidos a formas brancas num fundo negro que a contracapa descodificava como “Ganges”, e pensei tratar-se do rio indiano, enganado pelos caracteres exóticos, pela escala onírica da cara e pelas primeiras páginas da história, contando sem palavras a luta entre duas entidades polimórficas, desdobrando-se em braços, pernas e gestos marciais – afinal as personagens de um jogo de computador, a obsessão nocturna de um webdesigner chamado Glenn Ganges.

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Quatro folhas dobradas

Uma revista Tintin de 1947 mostra bem como tanta coisa mudou em sessenta e poucos anos. Saía todas as semanas às quintas e só tinha dezasseis páginas – ou seja: quatro folhas dobradas a meio e agrafadas – pouca coisa pelos padrões actuais, onde uma banda desenhada japonesa pode chegar às duas centenas de páginas por número. As histórias eram publicadas gota a gota, uma ou duas páginas por semana. Imaginem a tortura: uma criancinha tinha que esperar três meses para ler uma história de 48 páginas, tanto quanto se espera hoje pelo fim de uma temporada de uma série americana de televisão.

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Comic Sans

O Estilo Internacional Tipográfico, a que se costuma chamar “Suíço”, não teria o alcance que teve se só tivesse sido usado por revistas de design ou grandes corporações farmacêuticas. Um dos sítios inesperados onde o poderíamos encontrar durante a década de 1970 seriam as capas de umas tantas revistas de banda desenhada espalhadas pelo mundo, como a francesa Charlie Mensuel ou a espanhola El Globo – digo as capas, porque no interior são bastante mais eclécticas, misturando fontes e grelhas com uma descontracção que se estende aos conteúdos, a maioria deles de humor (Quino, Al Capp, Harvey Kurtzman ou Sempé), com algumas incursões pelo erótico (Crepax) e pelo fantástico (Alberto Breccia e H.G.Oesterheld, na imagem imediatamente abaixo).

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A puxar ao coração

Uma das funções do crítico é agarrar (às vezes literalmente) nos ombros de toda a gente que encontra e dizer-lhe, olhos nos olhos, que deveria, absolutamente e o mais depressa possível, estar atenta a isto ou aquilo – em geral, asneiras que foram sido ditas, feitas ou defendidas. Muito mais raramente, o agarrar dos ombros e o olhar dos olhos é sobre coisas brilhantes que ninguém conhece de todo ou o suficiente. É por isso que vos digo, caros leitores e leitoras, que vos agarro nos ombros e vos olho nos olhos e digo, leiam os Love & Rockets de Jaime Hernandez.

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Os Velhos Tempos

Há quem ache que, com os computadores, os adobes e a net, já ninguém sabe imprimir o que quer que seja. Mentira da pura: nos Velhos Tempos, imprimia-se com uma falta de qualidade tão grande que era possível abrir uma revista juvenil em 1968 e dar com a dupla página reproduzida acima. Ou seja, se quisermos ser realmente saudosistas, até a falta de qualidade se foi tornando menos interessante hoje em dia, quando já não é possível dar com uma revista de grande tiragem onde alguém simplesmente se esqueceu de imprimir o K do Cmyk, um quarto da quadricromia, o preto.

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Punk

Para mim, o Punk há-de ser sempre uma coisa mais visual do que sonora, mais americana e francesa do que inglesa. As razões para isso são simples: conheci-o através da  banda desenhada e não do gira-discos, de revistas como a (A Suivre), Animal ou Tintin, onde um desenho da autoria do colectivo francês Bazooka seria a primeira imagem do Punk a deixar-me uma impressão duradoura, chocando-me mais pela novidade violenta do traço, que já em 1978 dava a entender o estilo gráfico dominante da década seguinte, uma mistura pós-moderna de contornos grossos, tramas de impressão ampliadas e rastos estilizados de movimento.

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Aquilo que define uma ilustração – por oposição a um mero desenho com um tema literário – é o facto de conviver fisicamente com um texto, evento ou objecto. Uma ilustração é feita de propósito para aparecer nas páginas de um livro ou de uma revista e não para ser um objecto autónomo. Do mesmo modo, um quadradinho numa banda desenhada não funciona por si só, mas faz parte de uma narrativa maior. Expor ilustração e banda desenhada é, portanto, uma tarefa peculiar na medida em que, inevitavelmente, destrói o seu objecto, isolando-o do seu contexto. A relação entre o desenho e o seu tema perde-se.

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Não posters, mas capas de filmes

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Não sei exactamente a data, mas os primeiros DVDs apareceram na Europa há cerca de dez anos, por volta de 1998. Parece que foi há mais tempo, porque, tal como sucedeu com o multibanco ou o telemóvel, os DVDs mudaram, de maneira subtil mas radical, o nosso estilo de vida. Mais do que as cassetes de vídeo, objectos bastante frágeis e maljeitosos, que só se podia ver umas quantas vezes antes de perderem a qualidade,os DVDs consolidaram a transformação de filmes e séries de televisão em objectos de consumo.
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Coisas com Piada

A minha carreira profissional começou na Banda Desenhada. Foi aí que fiz os meus primeiros trabalhos pagos, o que pode parecer estranho num país como Portugal, onde muitas coisas – como a BD, as artes em geral e, claro, o Design – não costumam ser pagas pelo simples facto de não se parecerem com coisas que costumam ser pagas.

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Capas, Livros e Viagens

Esta semana, tive de ir a Lisboa em trabalho, o que foi agradável mas cansativo. Entre as reuniões, esperava encontrar alguma coisa nova sobre design na Fnac do Chiado, mas as prateleiras tinham praticamente os mesmos livros que tinha visto na minha última visita, por altura do Natal.

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Concentração

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A minha primeira experiência com a crítica foi através da revista de banda desenhada Tintin, que publicava histórias em continuação, duas a quatro páginas por semana. Uma bd de quarenta e oito páginas prolongava-se por vinte e quatro semanas, o equivalente a uma temporada televisiva actual.

É claro que, de semana para semana, o suspense era muito. Os autores adaptavam as suas histórias ao formato e cada página terminava sempre com um tiro, um grito, uma explosão, uma surpresa, que na maior parte dos casos era apenas um falso alarme. Lembro-me de ler compulsivamente, durante dias, a mesma página à procura de pistas que pudessem dar a entender o que podia suceder na semana seguinte.

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Interacção Melancólica

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Já faz dez anos que vi pela primeira vez um número da Acme Novelty Library de Chris Ware. Lembro-me que cada página tinha dezenas de quadradinhos cheios de animais estilo desenho animado. O design lembrava as revistas e jornais densamente ornamentados do início do século XX. Na altura não comprei, embora me tenha ficado na memória. Não o fiz talvez por excesso de design – porque se pareciam mais com objectos do que com histórias. Ainda hoje sinto isso, mas com o tempo aprendi que os comics de Chris Ware se instalam precisamente numa ambiguidade entre objecto e narrativa.

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Logos, Livros

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Embora aprecie os textos de Rui Tavares, confesso que só comprei O Arquitecto, uma edição da Tinta da China, pela capa e pelo design do seu interior, da autoria de Vera Tavares. Folheei-o para trás e para a frente, apreciando os pormenores gráficos, acabando por o deixar pousado sobre a gaveta da mesinha de cabeceira, no meio das canetas, dos CDs, das aspirinas, das revistas e do resto, à espera de oportunidade para escrever sobre ele.

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Mário Moura

Esta é a minha biografia.

Se a estão a ler para tentarem perceber se "eu sou alguém", se acreditam que só depois de lerem o meu cv é que podem levar-me a sério, concordar ou não comigo, nem vale a pena continuarem a ler. Se vieram aqui por isso, leiam os meus textos: todos os argumentos importantes estão lá.

Dito isto: escrevo sobre design, cultura, política há uns nove anos. Faço-o regularmente aqui. Menos regularmente em jornais (Público, i), revistas e livros. Alguns dos meus textos foram reunidos no livro Design em Tempos de Crise, editado pela Braço de Ferro (está esgotado).

Dou também conferências regularmente. Nas Belas Artes do Porto, nas Belas Artes de Lisboa, na Esad das Caldas da Rainha, na Esad de Matosinhos, na Experimenta Design, no ciclo Ag – Prata, por exemplo. Dei um ciclo de 6 conferências sobre Livros na Culturgest de Lisboa entre 2011 e 2012.

Tenho uma tese de mestrado sobre a estética da programação (já soube fluentemente dezasseis linguagens de programação – Java, C++, Basic, Javascript, ActionScript, Lingo, Starlogo, PostScript, Proce55ing (quando ainda se escrevia assim), etc. Mas é preciso praticá-las, e eu não tenho feito isso; suponho que acabei por enjoar, mas de vez em quando sinto o chamamento; faço o que posso por ignorá-lo).

Fiz uma tese de doutoramento sobre autoria no design.

Já ensinei perto de vinte cadeiras distintas, distribuídas pelas Belas Artes do Porto e Lisboa, e pela Faculdade de Engenharia do Porto: gostei de uma que dei sobre Autoria; gosto de ensinar edição e bookdesign; também gosto de história e crítica. Tipografia e criação de tipos, dou quando tem que ser (não desgosto).

Se alguém quiser uma bio mais resumida, respeitável e copy/pastável:

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.


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