Agosto 27, 2009 • 11:32 pm

Depois de ler o texto French Graphic Design: A Contradiction in Terms?, de Véronique Vienne, fica-se na dúvida se a autora gosta ou não do design gráfico francês ou até se acha que este existe de todo[1]. Trata-se de uma daquelas coisas que irrita pela condescendência bem intencionada, mas que ainda assim merece a pena ser lida, quanto mais não seja porque ajuda a perceber os mecanismos actuais de legitimação internacional do design.
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Hoje, no Ípsilon aparece um artigo de José Marmeleira sobre a exposição de cartazes políticos no MUDE , para o qual fui entrevistado [Update: link corrigido].
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Janeiro 15, 2009 • 12:05 am

Há alguns anos, enquanto via um filme de acção, o segundo da série Blade, em que Wesley Snipes aniquila com espalhafato uma quantidade absurda de vampiros, apercebi-me de uma coisa curiosa. Os interfaces gráficos dos computadores que os vampiros usavam eram uma mistura estranha de gótico e de hi-tech, com formas que evocavam caninos e sangue a escorrer, embora em tons de amarelo (tanto quanto me lembro), o que me pôs a pensar se, dentro da história, teriam sido feitos por designers humanos ou por designers vampiros.
Como seria trabalhar para um cliente assim? Imaginei um designer humano a tentar convencer os seus clientes vampiros que seria mais interessante usarem uma estética kawaii, tipo Hello Kitty; imaginei um vampiro designer fazendo uma directa ao computador pelo dia dentro, num atelier todo calafetado contra a luz do sol.
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Dezembro 18, 2008 • 12:05 am

Não sei exactamente a data, mas os primeiros DVDs apareceram na Europa há cerca de dez anos, por volta de 1998. Parece que foi há mais tempo, porque, tal como sucedeu com o multibanco ou o telemóvel, os DVDs mudaram, de maneira subtil mas radical, o nosso estilo de vida. Mais do que as cassetes de vídeo, objectos bastante frágeis e maljeitosos, que só se podia ver umas quantas vezes antes de perderem a qualidade,os DVDs consolidaram a transformação de filmes e séries de televisão em objectos de consumo.
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Novembro 13, 2008 • 12:05 am

Na semana passada, enquanto ia para o Metro, um antigo aluno parou-me na rua, chamando-me a atenção para a qualidade de uma série de posters colados num tapume ali perto. Eram bastante diferentes entre si, mas via-se claramente que faziam parte de um conjunto, parecendo-se um pouco com cartazes antigos de Jazz, embora em versão vectorial. Nesse mesmo dia, à noite, dois amigos meus tinham uma opinião mais negativa: achavam o pastiche bastante forçado, abaixo do nível habitual do atelier Martino & Jaña. Perguntei-lhes onde os tinham visto, e eles descreveram o mesmo tapume – a caminho do Metro, à entrada do Campo 24 de Agosto.
Era interessante que os mesmos posters, colados no mesmo tapume, despertassem opiniões tão antagónicas, tendo em conta que, nos últimos anos, se tem declarado com bastante frequência que o poster é um formato morto.
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Agosto 21, 2008 • 1:05 am

Outro dia, alguém me dizia que só se lembrava do trabalho mais pessoal de Stefan Sagmeister – uma mistura fina de raminhos, salsichas, fluidos corporais e aforismos –, mas não se recordava dos seus logótipos, papéis de cartas, relatórios de contas ou mesmo clientes. Para esse meu amigo, como para muita gente, parecia estranho que o trabalho mais conhecido de um designer internacionalmente famoso acabasse por ser auto-promocional – como podia Sagmeister ser um bom designer se o seu melhor cliente acabava por ser ele mesmo?
Chamei-lhe a atenção para a Casa da Música, um trabalho clássico de identidade gráfica, com aplicações e tudo o mais. A nível internacional já tinha sido considerado um dos exemplos do ano. “Ah! Pois…”, respondeu, “Não me tinha lembrado disso.”
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Novembro 16, 2007 • 7:26 pm

Poder-se-ia traçar uma história do design gráfico português como uma lenta disputa territorial entre formas e conteúdos, entre design e linguagem.
Nos posters de Francisco Providência, ou nos de João Machado, por exemplo, há uma separação clara entre texto e imagem, entre título e ilustração, com raras e tímidas interacções. Cada elemento ocupa o seu lugar numa hierarquia gráfica bem definida, que corresponde também a uma separação técnica de responsabilidades, típica da era pré-computador.
Nessa altura, a ilustração era feita por um ilustrador, a fotografia por um fotógrafo, o design e a tipografia maquetizados por um designer, que supervisionava também a concretização final do processo na gráfica, onde a tipografia era composta, as gralhas revistas, as ilustrações e fotografias reproduzidas, e o objecto final impresso.
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Setembro 25, 2007 • 12:35 pm

Por vezes, encontramos expressões familiares em situações inesperadas. Em Gödel Escher Bach – An Eternal Golden Braid, de Douglas Hofstadter, um livro complexo sobre – resumindo muito – matemática, lógica, ciências cognitivas, filosofia, entre outras coisas, aparece a certa altura aquilo a que o autor chama “operações tipográficas.” Não se trata porém da mesma coisa que um designer faria, mas de operações matemáticas. Quando fala de “operações tipográficas”, Hofstadter quer dizer operações em que se manipulam símbolos matemáticos sobre o papel, sem saber exactamente o que significam – ou seja, conhecendo pouco mais do que o seu aspecto e a sua posição na página.
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Agosto 26, 2007 • 1:48 pm

Da propaganda associada à Exposição Colonial de 1934, no Porto, fazia parte este mapa, organizado por Henrique Galvão, e intitulado “Portugal Não é um País Pequeno”. Seria usado durante quarenta anos pelo Estado Novo para representar, nas salas de aula e instituições do regime, as pretensões imperiais portuguesas, e era efectivamente um logótipo para Portugal como suposta grande potência europeia.
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Outubro 17, 2006 • 10:37 am

Na edição portuguesa de The Shipping News, de E. Annie Proulx, os elementos habituais da capa de um livro – o nome e a biografia da autora, os habituais louvores e citações de imprensa, a referência à adaptação para filme, as fotografias dos seus actores, o nome da editora, etc. – aparecem sob a forma de notícias na primeira página de um jornal fictício, cujo cabeçalho é também o título do livro. Não são notícias feitas de texto simulado, mas de texto verosímil, legível, escrito de propósito para o efeito.
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