Ainda é possível encontrar estes cartazes espalhados pela baixa do Porto. Colados na parede, impressos em papel grosseiro, acastanhado, parecem fazer parte do granito, a textura dos desenhos e cor do papel aproximando-se à da rocha, o que só torna mais forte o seu impacto. A imagem é ambígua e – talvez por isso – mais forte, os dedos contorcidos a parecer que tentam fazer uma figa que é também um cifrão. Poderá haver outras interpretações mas é o cartoon político perfeito, o comentário perfeito à economia retorcida da crise que encontra o seu lugar numa parede e não num jornal ou numa revista – o que não espanta, porque a ilustração tem abandonado as publicações de papel e o que vai sobrando é decorativo, não fazendo mais do que servir de contraponto ao texto.
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