The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Idas e vindas

Estou sem o meu computador, portanto esta semana o post vai ter que ser pequeno:

Fui a Lisboa ver algumas exposições da Experimenta. A Quick, Quick, Slow é uma excelente exposição com um mau catálogo, demasiado caro para as fracas reproduções que mais valia nem ter. Da exposição, nem consigo destacar o que gostei mais – fazê-lo seria uma injustiça. Quem não foi ver, vá; quem foi, vá ver outra vez.

Também foi agradável a oportunidade de gastar dinheiro nas livrarias de Lisboa, que continuam a ter mais estantes dedicadas ao design que as do Porto. Comprei a última Dot Dot Dot; o livro Graphic Design Theory, editado por Helen Armstrong; There’s Nothing Funny about Design, de David Barringer; um livro sobre livros de design chamado Bibliographic. Ainda trouxe alguma ficção e ensaios – destaco Consider the Lobster, de David Foster Wallace, que tem sido uma boa leitura. Já agora: enquanto ia e vinha de comboio para Lisboa, fui lendo um livro de ficção-científica dos anos 70 chamado Tau Zero, reeditado pela Victor Gollancz com uma boa capa.

De volta ao Porto, dei uma conferência numa aula aberta do Mestrado em Comunicação e Multimedia da Esad de Matosinhos, a convite do José Bártolo do Reactor, que por sua vez deu uma conferência muito interessante sobre manifestos no design. A minha própria conferência foi uma reflexão sobre os manifestos futuristas e, em retrospectiva, sobre a relação entre violência, modernismo e design.

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Dexter Sinister

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“Eu costumava dizer [que era] ‘tipógrafo’, no tempo em que a profissão tinha de aparecer no passaporte. Era uma forma de comprometimento um tanto ou quanto romântica, porque nunca pratiquei isso da mesma maneira que muitas pessoas o fizeram. Também escrevia muito, e agora faço muita edição – o que significa ler o que outras pessoas escrevem, lidar com textos e trabalhar com outros designers. Assim, acho que agora sou um editor, no sentido continental e francês de ‘editeur’, que também significa alguém que publica. Sinto-me bem com essa ideia; tem algumas das boas qualidades associadas a ‘tipógrafo’. Não é tanto produção visual quanto verbal. É isso que eu faço.”[1] Foi assim que o designer Robin Kinross respondeu quando, numa entrevista, lhe perguntaram qual era a sua profissão, e foi citando-o que Stuart Bailey se apresentou a si mesmo numa conferência em 2006[2]. Era uma maneira elegante de resumir o seu próprio percurso, que em muitos pontos se aproximava ao de Kinross: Bailey também era um designer gráfico de formação que, sem abandonar de todo a sua área, a considerava, de alguma forma, limitada demais.

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Dexter Sinister

dexter

Na próxima quinta-feira, dia 23 de Abril terá lugar, na Aula Magna das Belas Artes do Porto pelas 18h (e não pelas 17, conforme tinha anunciado aqui por engano), uma apresentação de Stuart Bailey sobre a exposição que inaugurará na Culturgest Porto no Sábado, dia 25 de Abril,  seguida de uma conversa entre eu e ele. Durante a conversa, estarão à venda alguns números da Dot Dot Dot que estarão também disponíveis na Culturgest durante a exposição. Mais pormenores no site da Culturgest.

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Coisas

dotdotdot

Ocupado pela avalanche de textos de Abril, ainda não tenho tempo para um post a sério. Em vez disso, aqui vão algumas notícias breves.

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Jorge Silva


Não foi uma conferência, mas uma coisa mais simples e privada, a apresentação do programa de uma cadeira sobre direcção de arte aos outros professores de um mestrado, mas chegou bem para demonstrar que Jorge Silva é um dos poucos designers portugueses com um discurso articulado e crítico, quer sobre o seu próprio trabalho, quer sobre o estado mais alargado da profissão, a sua história e as suas tendências actuais.

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Tom Sawyer

A última Personal View não foi das melhores. Ian Anderson, dos Designers Republic estava rouco e, de quando em quando, a sua tosse mandava um zumbido de feedback pelo microfone. Para piorar, não quis falar sobre o seu trabalho porque não queria “estragar a magia”, analisando-o demais – embora mais tarde tenha dito que a análise e a capacidade para argumentar o próprio trabalho perante um cliente era uma das qualidades que qualquer designer deveria ter.

Respondeu a uma lista de perguntas recolhidas por escrito entre a plateia, enquanto o seu trabalho era projectado num loop rápido – o que acabava por ser apenas uma distracção, tendo em conta que só por acidente correspondia àquilo que era dito. No final, acabou por ser mais uma daquelas ocasiões em que a participação do público foi invocada para disfarçar uma falta de preparação.

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“Arte ou Design? Ou.”

Estavam exactamente noventa e seis pessoas na conferência de Daniel Eatock na Esad de Matosinhos. Este não é um número atirado ao acaso, nem o fiquei a saber por ter contado pela minha própria iniciativa os presentes. Sei-o, porque Eatock, no começo da conferência, pôs a plateia a participar num trabalho chamado “cada número dito pelo mesmo número de pessoas que esse número representa” – a primeira pessoa, o próprio Daniel, dizia “um”; Daniel e a segunda pessoa diziam “dois”; e por aí fora adiante, até às noventa e seis pessoas presentes, em conjunto, dizerem “noventa e seis”. Provavelmente, a ideia foi pôr a plateia à vontade, “incluindo-a” no evento, mas, pessoalmente, a estratégia não me descontraiu – no fim de contas, não havia ali nenhuma escolha: recusar seria uma pirraça embaraçosa; aceitar, foi mero comodismo. No final, toda a descontracção que senti foi por aquilo ter acabado rapidamente.

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Onde estão as conferências de design?

Esta semana, mais uma vez se perguntou (aqui, aqui e aqui) porque não há um equivalente às Personal views dedicado ao design português. Contudo, parece-me que embora não haja muitos eventos com o calibre internacional das Personal Views (ainda assim houve a Experimenta, a Atypi e agora o Offf), não me parece que haja falta de conferências de design em Portugal.

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No Piolho

Jessica HelfandWilliam Drenttel

Desde há anos que gosto de ir ler aos Sábados para o Piolho, um hábito que ficou das várias alturas em que morei ali perto. Embora seja uma sala escura e baixa, das mesas junto à porta é possível ver a grande extensão da praça dos Leões, com eléctricos, carros, pessoas a passar. É um café de estudantes e, nesta altura do ano, isso nota-se bem – gente com capas, guitarras, pandeiretas ou pastas de apontamentos acumula-se nas mesas ou à entrada. Não é um sítio sossegado, mas gosto de ler em sítios assim, com algum ruído ambiente, onde há sempre a possibilidade de aparecer alguém conhecido, que se sente para falar um bocado.

Este Sábado, mal me tinha acabado de sentar, apareceram William Drentel e Jessica Helfand, que na véspera tinham participado numa Personal Views na Esad de Matosinhos e agora visitavam a cidade acompanhados por Andrew Howard.

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Stuart Bailey: Reutilização e Autoria

Era um dia de chuva leve, e não estava muita gente à espera que as portas abrissem; mesmo assim, o pequeno auditório da Esad de Matosinhos foi-se enchendo para a primeira conferência do quinto e último ciclo das Personal Views. No palco, o convidado, Stuart Bailey, esperava pacientemente que a sala sossegasse, enquanto o seu currículo era projectado em loop no ecrã atrás dele: co-editor da revista Dot Dot Dot, fundador da editora e “livraria ocasional” Dexter Sinister, designer de revistas, autor de artigos, artista, etc.

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Coisas Avulsas

– Amanhã, mais umaPecha Kucha.

– A quarta série Great Ideas da Penguin é mais uma vez incrível, em especial este.

– Inscrições até 9 de setembro para a masterclass de David Reinfurt, dos Dexter Sinister, nas Belas Artes de Lisboa, dia 12 de Setembro, às 17h30.

– Eu sabia: vem aí a Emigre nº 70

FBA distinguida com três galardões Red Dot Award

–Um dos melhores trailers de todos os tempos. Reparem na maneira como ele conta o filme todo sem mostrar realmente nada: "The Baaathroom..."

– Descobri-a no FFFFound, e tocou-me em todas as espécies de nostalgias possíveis, em especial aquela sobre os anos noventa, quando se faziam ilustrações em layers sobre os anos vinte. Gosto da maneira como mistura fotografias vintage com grandes barras de cores e toquezitos de capas da Pelican. Podem ver os trabalhos de Cristiana Couceiro no Seven Days.[Ups: Link corrigido.]

Imagens de genéricos de filmes.[Thx à Ana Carvalho]

–Um blogue a seguir: Design Diário de Sara Goldchmit.

–Para quem ainda não sabe: o Frederico Duarte tem um blogue onde documenta uma viagem pelo design brasileiro.

–Uma grande ideia: fotografias vintage 3D transformadas em GIFs animados.

–Soletrando com a Dock do Mac.

–Jorge Colombo desenha capa da New Yorker com o seu iPhone.

Vasco Granja morreu hoje.

JG Ballard morreu hoje.

–A Stella Artois produz uma campanha publicitária onde são usadas versões Nouvelle Vague de Jack Bauer, Die Hard e Eminem.

–Hoje é Dia de Ada Lovelace, a primeira programadora de computadores e filha de Lord Byron.

–Quem puder ir não perca: exposição, conferência e workshop de um dos meus autores favoritos de BD independente, James Sturm, na Esad e na Mundo Fantasma.

Será que os videojogos estão a preparar adequadamente as crianças para o Apocalipse?

–Reflexões sobre arquitectura e design pelos R2.

Datamoshing, a história de como um artefacto de compressão é utilizado em telediscos.

Atol, uma nova revista portuguesa online.

O Expresso entre os 5 jornais com melhor design do mundo segundo a SND (outra vez).
- Arquivo das Coisas Avulsas

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