The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Designer como Funcionário

Sempre tive um problema com os concursos de design, que entendo sobretudo como o modo preferencial¹ de uma instituição pública contratar serviços de design. Ou, visto do outro lado da questão, o concurso é o mecanismo através do qual o designer se relaciona com o Estado enquanto cliente. E, em Portugal, o Estado é o cliente de sonho. Percebe-se isso bem através da maneira como os objectivos do Centro Português de Design mudaram ao longo da sua história (na prática, embora não no papel). Começou por servir de ponte entre os designers e a indústria e acabou a regular concursos de design. Leia o resto deste artigo »

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18 de Maio

ian curtis 1

‘Uma completa desmotivação, uma forma elegante de referir uma invisível greve de zelo, atravessa o Estado e a sociedade, resultado da perda de tónus social que vem do empobrecimento. Funcionários públicos aviltados que quereriam fazer greve, mas sabem que vão ser as “chefias” a decidir quem vai para o Sistema de Requalificação da Administração Pública, nome orwelliano para o despedimento.’

Pacheco Pereira no Público de hoje. Exactamente 33 anos depois do suicídio de Ian Curtis, funcionário público num centro de emprego e vocalista dos Joy Division.

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Cinema Português e Banda Desenhada Punk, New Wave

chaland

Há diferenças óbvias, claro, mas ocorreu-me que certas bandas desenhadas do começo da década de 1980 têm bastantes semelhanças com o cinema de Miguel Gomes ou de João Nicolau – uma indefinição entre documentário e ficção, e entre géneros em geral, aventura, filme de piratas, ficção científica, musical, etc. Falo de coisas como Locas, de Jaime Hernandez ou do trabalho de Yves Chaland. No primeiro caso, temos uma banda desenhada sobre a cena punk da West Coast que alterna o realismo com a ficção científica, os super-heróis e o fantástico. No segundo caso, temos uma reconstrução da banda desenhada franco-belga dos anos 1940-50, embora com detalhes que a tornam absurda como num sonho – veja-se O Cometa de Cartago, por exemplo. Leia o resto deste artigo »

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Concurso

São só quinhentos euros e o prazo é curto, mas até gostava de ver algum design (e tipografia) decentes no sítio onde trabalho (regulamento).

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“Notícias”

Hoje o Público saí-se com uma coisa intitulada “Alemanha junta-se ao coro de críticas contra a austeridade das troikas”, com a fotografia de uma manif a sugerir que as vozes se levantam. Depois vê-se que a foto é de uma manifestação aqui em Portugal. A seguir lê-se o artigo, e verifica-se que tanto o título como o artigo são uma treta.

Diz-se que já não é só na Grécia, Irlanda ou Portugal que se critica a austeridade. Referem-se vagamente responsáveis alemães não-identificados que se demarcam da ideia, porque o termo “tem em alemão uma conotação particularmente negativa de sofrimento extremo, o que os responsáveis em Berlim garantem que está longe de ser o que defendem.”

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Axa La Vista, Baby

Há um efeito secundário quase invisível e inaudível do Caso Axa: toda a discussão de café e de facebook que gerou. A de café – e de jantar e de inauguração – é quase inaudível porque é transmitida por vibrações do ar que saem da boca de uma pessoa e entram pela orelha de outra. Essas vibrações tendem a não viajar a grandes distâncias e, se não houver alguém por perto com um aparelho de gravação, desaparecem para sempre. A discussão de facebook é mais duradoura mas é feita entre “amigos”. Só se entra por convite. Leia o resto deste artigo »

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Axa que sim, Axa que não

Sempre que na universidade há uma daquelas reuniões com o objectivo de levantar problemas, já me habituei a um fenómeno curioso: os problemas são quase sempre materiais. Ah, se houvessem mais uns computadores, mais projectores; turmas mais pequenas; ligação à net; uma máquina de café; sofás. Nestas ocasiões, a culpa tende a ser das coisas e não das pessoas e percebe-se porquê. Qualquer crítica que se dirija aos conteúdos, aos métodos, por mais leve que seja, tende a ser vista como um ataque pessoal, uma interferência. Vive e deixa viver, é a regra. Leia o resto deste artigo »

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Axa

Via Facebook, comunicado de José Maia:

‘Comunicado sobre a minha saída do cargo de diretor artístico do projeto “1ª Avenida”
Enviei no dia 9 de maio de 2013, por via postal registada com aviso de receção, a denúncia do contrato de prestação de serviços que havia celebrado, enquanto diretor artístico, com a “PortoLazer, EEM”, uma das promotoras do projeto “1.ª Avenida”. Leia o resto deste artigo »

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Sacrifício

Maio é o pior mês do ano. É aquela altura antes das avaliações e das férias quando toda gente no ensino superior quer mostrar o trabalho que esteve a organizar desde o começo do ano. Assim, toda a gente quer conferências e textos, embora tradicionalmente haja muito pouco (nenhum) dinheiro para os pagar.

Também é a altura do ano em que se pode concorrer a calls for papers que implicam a possibilidade de pagar uma ou duas centenas de euros para submeter um texto para avaliação do júri (que pela minha própria experiência não é pago) e depois produzir uma conferência sobre o assunto.
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De Boas Intenções… (Ou então é uma piada, espero eu)

edredon1

Apanhei isto no fffound, um edredão mascarado dos cartões de um sem abrigo. No site diz que é para  promover a consciência do problema dos sem-abrigo e que parte dos lucros vão para os ajudar, mas, mesmo assim, parece-me uma ideia bastante insensível. Se entrasse na casa de alguém e visse uma colcha destas, acho que não ficava com boa impressão. Ia parecer uma piada irónica. Mesmo que o dono me viesse depois dizer que tinha comprado aquilo para ajudar. É daquelas coisas que precisava de uma grande legenda permanente para funcionar.

 

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Sete Ofícios não chegam

Nos velhos tempos, há uns seis anos ou sete anos, eu ainda dava as minhas notas em papel, penso que já escrevia os sumários e programas de disciplinas na internet. Entretanto, já posso preencher e entregar os meus relatórios, os meus impostos, os meus papers. Tudo muito eficiente. Excepto pelo pormenor que não se trata de melhorar as tarefas que eu fazia mas de lhes acrescentar outras: por exemplo, estar disponível para responder a mails 24 horas por dia 7 dias por semana, sem feriados, férias ou o que seja. Ser o meu próprio secretário enquanto se dispensava cada vez mais gente dos serviços administrativos. Depois ser, para além de professor de design, um investigador de carreira, o que não é a mesma coisa. Ou, para além de escrever sobre design, ter de escrever papers sobre esse assunto (também não é a mesma coisa). E, para além disto tudo, orientar a investigação feita por terceiros, orientar estágios (mais outra tarefa). Também aqui trabalho de várias pessoas concentrado numa só. Leia o resto deste artigo »

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Ataques Pessoais

O que falta dizer ainda em relação ao Caso Axa? No passado já houve  colaborações entre Serralves, Câmara do Porto e artistas; também houve (como há sempre) problemas de montagem e negociações sobre o carácter das peças. Mas tudo isto aconteceu nos bastidores. Se sobreviveu foi sobretudo como história oral. A única diferença neste caso foi a decisão de um artista não ceder a uma imposição e ter decidido retirar a sua obra fazendo disso uma declaração pública. Não tenho dúvidas que sem isso nada mais teria acontecido. Teriam havido os problemas do costume, mas seriam apenas os problemas do costume. E seria possível desvalorizá-los da maneira do costume: atribuindo-os à má-vontade entre duas pessoas ou à relação demasiado próxima entre duas pessoas. E onde tudo se resume ao pessoal, nada pode chegar a ser público sem ofender, difamar ou invadir a vida de alguém. No fundo tal e qual como acontece na nossa sociedade (não apenas a portuguesa), onde é mais aceitável expor toda a vida intima em público (veja-se os reality shows) do que uma opinião política. É esse talvez o grau maior de privatização: a ideia que a esfera pública se deve resumir à exibição de vidas privadas, de celebridades, cada vez mais isoladas, extravagantes, enquanto a política se resume a isso, mas com políticos. Para haver espaço comum, discussão pública, é preciso em primeiro lugar esquecer o mais possível os motivos, os interesses, os próprios e os dos outros; só assim é possível ter uma discussão democrática, onde o dinheiro, a família e o poder (ou as suas ausências) não façam diferença.

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Arte, Política, Censura e Auto-Censura

Ainda sobre o Caso Axa, ontem saiu uma notícia curiosa cujo título anunciava que os artistas “tomaram uma posição política”. A minha primeira reacção foi: e? Lendo o artigo, percebe-se que a Porto Lazer acreditava que os artistas tinham tomado uma posição política e não contra o projecto. Ou seja, que a política é de algum modo externa à arte. Mas a Bandeira de Paulo Mendes era desde já política e foi condicionada por isso, mesmo que as condições tenham sido disfarçadas de procedimento administrativo, falta de autorizações, etc. Foi um condicionamento político. Foi uma posição política.

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Nem sei como não me lembrei

Ainda bem que alguém o perguntou nos comentários: mas e Serralves? O que diz da bandeira e do resto?

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Trapalhada

Do que se pode perceber do caso do edifício Axa é que a bandeira de Paulo Mendes foi a ponta solta que desfiou a camisola inteira. Quando se condicionou a exposição dessa peça, discriminando-a em relação a outras, houve censura, e o artista fez bem em retirar-se da exposição.

Essa recusa acabaria por forçar uma posição por parte dos outros artistas e comissários – ficar ou não ficar. Em qualquer um dos casos, concordando-se ou não, é uma escolha legítima. Pessoalmente acho que todos os artistas e comissários deveriam ter saído imediatamente.

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Não há neutralidade

Ainda mais outro artigo sobre o caso da Bandeira. Desleixo no apoio e manutenção da exposição. A coabitação com a sede de campanha de Rui Moreira. Calculo que ter uma bandeira negra não parecesse muito bem neste contexto. Leia o resto deste artigo »

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O que interessa

Ocorreu-me que, se há quem defenda que o comissariado é a nova crítica ou até a nova arte, isso só o torna mais interessante como um objecto de atenção por parte dos artistas (que cada vez mais se dedicam ao comissariado mas também a produzir situações próximas do comissariado ou que o põem em causa) mas também da crítica, que tem sido bastante omissa nesse ponto. Leia o resto deste artigo »

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Proteger tudo o que é trabalho

Estava para escrever sobre o concurso da Tetra Pak, “Proteger Tudo o Que é Bom”, onde se davam 750 euros de prémio mais a possibilidade de um estágio não remunerado de três meses. E, como seria de esperar, a votação final é feita através de likes (depois de uma pré-selecção por um júri). Leia o resto deste artigo »

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Prós e Contras

Estive a ver ontem o Prós e Contras da passada segunda-feira, sobre a relação entre Portugal e a União Europeia e opondo, entre outros, o economista Pedro Lains e o Ministro Poiares Maduro.

Foi deprimente. Leia o resto deste artigo »

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Jovens Curadores ou, como se diz em inglês: “Minions”

Via Lígia Afonso no facebook, um artigo interessante na Folha de S. Paulo cujo título diz tudo: “Longe do glamour, nova geração de curadores de museus e galerias tem vida árdua”. Para o meio fala-se de “um cotidiano mais braçal do que glamouroso”, de ”falência da imagem do curador”. Distingue-se os que trabalham “por tesão” e os que vão atrás de “poder”. Leia o resto deste artigo »

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Mário Moura

Esta é a minha biografia.

Se a estão a ler para tentarem perceber se "eu sou alguém", se acreditam que só depois de lerem o meu cv é que podem levar-me a sério, concordar ou não comigo, nem vale a pena continuarem a ler. Se vieram aqui por isso, leiam os meus textos: todos os argumentos importantes estão lá.

Dito isto: escrevo sobre design, cultura, política há uns nove anos. Faço-o regularmente aqui. Menos regularmente em jornais (Público, i), revistas e livros. Alguns dos meus textos foram reunidos no livro Design em Tempos de Crise, editado pela Braço de Ferro (está esgotado).

Dou também conferências regularmente. Nas Belas Artes do Porto, nas Belas Artes de Lisboa, na Esad das Caldas da Rainha, na Esad de Matosinhos, na Experimenta Design, no ciclo Ag – Prata, por exemplo. Dei um ciclo de 6 conferências sobre Livros na Culturgest de Lisboa entre 2011 e 2012.

Tenho uma tese de mestrado sobre a estética da programação (já soube fluentemente dezasseis linguagens de programação – Java, C++, Basic, Javascript, ActionScript, Lingo, Starlogo, PostScript, Proce55ing (quando ainda se escrevia assim), etc. Mas é preciso praticá-las, e eu não tenho feito isso; suponho que acabei por enjoar, mas de vez em quando sinto o chamamento; faço o que posso por ignorá-lo).

Fiz uma tese de doutoramento sobre autoria no design.

Já ensinei perto de vinte cadeiras distintas, distribuídas pelas Belas Artes do Porto e Lisboa, e pela Faculdade de Engenharia do Porto: gostei de uma que dei sobre Autoria; gosto de ensinar edição e bookdesign; também gosto de história e crítica. Tipografia e criação de tipos, dou quando tem que ser (não desgosto).


História Universal do: Estágio

O "Estágio"
O Negócio Perfeito
Maus Empregos
Trabalho a Sério
Design & Desilusão
"Fatalismo ou quê?"
Liberal, irreal, social
Conformismo
Juventude em Marcha
A Eterna Juventude
Indústrias Familiares
Papá, De Onde Vêm os Designers?
Geração Espontânea
O Parlamento das Cantigas
Soluções...

História Universal dos: Zombies

Zombies Capitalistas do Espaço Sideral
Vampiros, Zombies, Classe Média


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