The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Retrato do Artista e dos seus Mecenas Enquanto Patos Bravos

Graças a uma pergunta da plateia no final de uma conferência na Universidade do Algarve foi possível conhecer a reacção de Pedro Cabrita Reis às críticas negativas de que foi alvo a sua intervenção na barragem da Bemposta.

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Arcos na Paisagem

Mais William Beckford em 5 de Junho de 1787, há quase 225 anos:

“Aproveitei a ausência do sol para dar um passeio a pé pelo vale de Alcântara, entre laranjais e pomares de cidreiras lavados pelas chuvas que ultimamente têm caído. Através deste vale passa o enorme aqueduto de que tantas vezes tens ouvido falar como sendo o mais colossal edifício do género na Europa. Tem apenas uma linha de arcos em ogiva, e o principal, que abraça uma torrente de águas, mede, aproximadamente, 90 metros de altura. Leia o resto deste artigo »

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O Fantasma

A rua onde vivo no Porto não tem muito que se lhe diga. Começa como um afluente discreto da Costa Cabral, demasiado longe do centro para que alguém vá ali sem  um propósito definido. Quando ainda existia o velho estádio das Antas, era suficientemente perto para que os adeptos lá estacionassem os carros, conseguindo chegar por vezes às filas duplas numa rua que na parte mais larga não deve chegar aos dez metros. Com o novo estádio, só voltou a conhecer animação com as obras do metro, nem tanto porque haja por aqui alguma estação, mas por causa das betoneiras que passavam diariamente e cujo peso fazia ondular os paralelos em cristas altas, que em alguns pontos da rua impediam mesmo os moradores de estacionarem nas suas próprias garagens.

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Aberturas

O designer canadiano Bruce Mau, famoso pelo volume dos seus calhamaços, costumava dizer que uma capa podia ser como uma membrana espessa, penetrando várias páginas pelo livro adentro, no começo e ao fim, numa narrativa quase cinematográfica, quase o genérico de um filme.

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Não se parecem com nada

Todos os anos, nas cadeiras de tipografia que lecciono, um dos trabalhos é a paginação de um livro desde o tratamento de um texto particularmente difícil até à sua capa, onde presto alguma atenção à integração do logo da editora. Não faço questão que os alunos criem um; podem usar o de uma editora conhecida. É costume abundarem os pinguins, um logo elegante que pelo contraste suave do traço combina bem com letras serifadas e designs clássicos mas que, com um pouco de cuidado, também se integra em composições mais arrojadas. Este ano apareceram também muitos logotipos da portuguesa Tinta da China, demonstrando o impacto que esta editora está a ter sobre os alunos de design. Merecidamente.

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“A Saída para a Crise é o Design”

Dentro do quinhão português da crise, o design tem tido um lugar de destaque, sobretudo pela quantidade de designers no mercado, que parece indicar que também há demasiados cursos de design, todos eles a sugarem duma forma ou outra recursos ao Estado, e entupindo ainda mais o país de jovens licenciados, muitos deles desempregados, subempregados ou a estagiar sem ganharem um tostão durante meses ou até anos.

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Snack-Bar

Hoje em dia, a própria expressão “Snack-Bar” é nostálgica, lembrando gelados em copo de vidro alto com muito Chantilly, bitoques no prato mal passados debaixo de um ovo estrelado, a meio de uma abundância de batatas fritas bem secas.

Se calhar nunca foi de outro modo: ainda nos anos 50, Sena da Silva descrevia a clientela dos Snack-Bars como tendo uma clara “formação cinematográfica” numa das legendas deste artigo da revista Arquitectura,* mais um ensaio visual que uma recensão, com fotografias cheias de movimento e personalidade, em particular o retrato da rapariga da página da direita, que nos põe a cismar quem poderia ser – alguém conhecido do fotógrafo?

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Design: Identidade e Instituição

É habitual proclamar-se o design como uma actividade universal, praticada desde a autora dos tempos, sempre que alguém concebe um instrumento, uma casa ou a configuração precisa de uma mensagem, mas este chavão esbarra de frente com o modo como o design é realmente praticado. Por exemplo, apesar da suposta universalidade, assenta num treino particular, ensinado em universidades. Por vezes, defende-se mesmo que só pode ser exercido por profissionais credenciados, mas credenciados a fazer o quê, exactamente? A tal actividade universal, que já é praticada desde a aurora dos tempos, muito tempo antes de haver cursos que a ensinam ou uma palavra para a nomear?

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O Canário

Tem-se falado muito do papel que o design poderá ter nesta crise, no sentido em que ajudará talvez a resolvê-la, mas acredito cada vez mais que será ao contrário: que a crise ajudará talvez a resolver o design.

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Turismo Infinito

Uma das vantagens de visitar outra cidade enquanto turista é a de ver melhor as nossas próprias cidades enquanto um. Barcelona, por exemplo, é uma cidade principalmente turística, com milhares de visitantes a andarem de um lado para o outro pelas ramblas, pelas ruelas, a pé, de bicicleta, de metro. Cada cantinho tem o seu café, o seu restaurante, a sua tasquita urbana para todos os gostos.

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Neutral Corner, ed. Lumen (1962)

Nas livrarias de Barcelona confirma-se logo a diferença do costume: uma política de edição agressiva e rápida. Traduz-se tudo e muito depressa: Banda desenhada, ensaio, clássicos, design. Uma semana depois de lançado nos Estados Unidos, já se encontrava por lá e em castelhano o último de Paul Krugman.

Nos velhos tempos, ainda compensava vir de Espanha com a mochila cheia de livros, agora, com a possibilidade de mandar vir pela net e o limite de peso da Ryan Air, só via gente por todo o lado a anotar num caderninho os nomes de livros. Pouco ou nada comprei.

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Argumentos a 50% de desconto

Uma das linhas de defesa dos nossos ultraliberais a propósito do Pingo Doce é “Qual é o problema? Afinal a Ryan Air, a Ikea e até a Feira do Livro têm promoções com 50% de desconto ou mais e ninguém se queixa.” As situações não são evidentemente comparáveis.

Em primeiro lugar, porque num Pingo Doce compram-se sobretudo produtos de primeira necessidade – ao contrário de uma viagem de avião, de uma peça de mobília ou de um livro. Depois, porque não se tratou de um desconto num determinado produto mas um desconto generalizado – tanto era aplicado a fruta como a electrodomésticos como a livros. Não é possível portanto comparar todas estas situações apenas porque têm escrito em algum lado 50% de desconto.

Mas não se pode compará-las sobretudo pelos seus custos para a sociedade. Leia o resto deste artigo »

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Brandos Consumos

Ao fim da manhã em Santa Apolónia, a caminho do Porto, entrei no Pingo Doce da estação com mochila às costas e arrastando a mala de rodinhas a rebentar de tão cheia. Mal entrei, arrependi-me. Na primeira caixa, um indiano aguardava a sua vez ao lado de oito cestas de mão alinhadas umas atrás das outras. Nas caixas seguintes ainda era pior. Eu só queria umas barras de cereais para a viagem. Não fazia ideia da promoção e assumi que era gente a fazer compras para o almoço. Saí imediatamente, alçando a bagagem sobre os carrinhos de compras.

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Documentário

Vi ontem às duas e pouco da manhã o documentário Donos de Portugal, que formalmente não é incrível, não é o Pare, Escute e Olhe, por exemplo. Pelo seu ar cru e expediente, poderia perfeitamente ser uma grande reportagem, das que passam durante um telejornal e costumam ser dedicadas aos efeitos da crise (sobretudo se puxarem ao sentimento): velhinhos a viverem sozinhos na baixa, jovens a trabalharem num call center, uma família de oito filhos a sobreviverem com cem euros por mês, etc.

Mas esta é uma reportagem sobre as causas da crise e demonstra-as abundantemente: um poder económico concentrado em meia dúzia de pessoas, transmitido por casamento e herança, protegido pelo Estado; um poder que protege abertamente os políticos que o favorecem, numa promiscuidade tão obvia que parece inevitável; um poder que se apoia sistematicamente em subsídios estatais de larga escala (pelos vistos um subsídio só é mau quando é pequeno).

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Foto-Livros do 25 de Abril (II)

Este é o meu favorito, com texto de Mário-Henrique Leiria e imagens de João Freire, e arranjo gráfico de Artur Henriques. Foi editado em Abril de 1979, já a revolução tinha meia década e começava a esboroar-se. Em Lisboa Ao Voo do Pássaro, fotos e textos são inseparáveis, não era possível ver um sem o outro. Agora é mais habitual andarem separados, e até já se reedita coisas desta altura com textos e imagens vendidos à parte. E mesmo a união dos dois, o seu arranjo, também se vende à parte e pelos vistos chama-se design. Falo aqui de especialização e não de colaboração, que é a qualidade que estes livros tinham. Colaborava-se neles com todas as energias, não para poupar trabalho, ou para o tornar mais eficiente, mas para conseguir o que uma pessoa sozinha não conseguiria. Não se trata de uma divisão de tarefas mas de uma adição.

Ficam aqui algumas páginas para ver e para ler.

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Foto-livros do 25 de Abril (I)

Não é um livro de ar caro. O papel é fino e quase transparente. As fotografias são pardas. A história vem ao começo sob a forma de textos impressos só de um lado da folha. As fotos vêm a seguir, sucedendo-se numa narrativa que deveria ser evidente para quem viveu aquilo pouco tempo antes. Havia à época uma fé no poder de colocar umas tantas imagens num livro, cortando-as, reenquadrando-as, deixando-as ocupar a dupla página que já não parece agora tão possível.

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Comunidade

Tanto as escolas como os hospitais, como os transportes públicos, como até os cinemas, para além das suas funções mais óbvias, costumavam servir de suporte a comunidades. Para isso, é claro, não podiam ser demasiado eficientes a fazer as tais funções – não podiam servir áreas demasiado amplas, ter uma grande escala, muitos utentes, alunos, público. Ou seja, a sua falta de eficiência era sobretudo económica.

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Design e Diáspora

Nos últimos anos é palpável a presença de designers ou ilustradores portugueses um pouco por todo o mundo e em posições de destaque. Em alguns casos, residem lá fora, produzindo o seu trabalho para outros países incluindo – até – Portugal. Susana Carvalho na Holanda, Pedro Cid Proença e João Fazenda em Inglaterra, Vera Sachetti em Milão. Outros vivem em Portugal, mas trabalham para clientes internacionais: João Maio Pinto, por exemplo. Quanto a André da Loba, Cristiana Couceiro e André Carrilho, cujo trabalho também aparece no selecto New York Times (quase português pela quantidade de ilustração nacional que por lá é usada), não sei se vivem por aqui.

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Godard: Images, Sounds, Politics

Ando sempre atrás de livros com design de Richard Hollis, um pioneiro da integração entre imagem e texto, e do ensaio visual em geral. Foi o designer do Ways of Seeing, de John Berger (outro mestre do género). Este foi feito em 1980 e a encadernação do meu é demasiado frágil para poder ser decentemente fotografado ou digitalizado, portanto a imagem vem do site do próprio Hollis, onde há mais spreads e uma pequena memória descritiva:

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A Mesita de Café

Nos intervalos e nas férias vou lendo a biografia de Luiz Pacheco, que é também um grande retrato das condições precárias em que ainda se produz cultura por aqui – sempre à custa de um segundo emprego ou das ligações de família e poder. Tentar uma terceira via, como Pacheco fez, implica pobreza, miséria e marginalização. Viver da caridade, às vezes à custa de ser o bobo da corte ou o bêbado da aldeia.

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Mário Moura

Escrevo regularmente sobre design há cerca de oito anos.

Já escrevi para as revistas Unidade, [up] arte, Insi(s)tu, Quadrado, Margens & Confluências, Slang, Dif, Satélite Internacional, Ar Líquido, Mono, para o blogue inglês Limited Language e para os jornais Público e i. Escrevi uma introdução para uma monografia sobre os Barbara Says, editada em França, pela Pyramid. Publiquei o livro Design em Tempos de Crise, editado pela Braço de Ferro, uma antologia de textos sobre política e design.

Participei em conferências sobre design nas Belas Artes do Porto, nas Belas Artes de Lisboa, na Esad das Caldas da Rainha, na Esad de Matosinhos, na Experimenta Design e no ciclo Ag – Prata.

Dou aulas de História e Crítica do Design e de disciplinas relacionadas com teoria da imagem, tipografia e book design nas Belas Artes do Porto.

História Universal do: Estágio

O "Estágio"
O Negócio Perfeito
Maus Empregos
Trabalho a Sério
Design & Desilusão
"Fatalismo ou quê?"
Liberal, irreal, social
Conformismo
Juventude em Marcha
A Eterna Juventude
Indústrias Familiares
Papá, De Onde Vêm os Designers?
Geração Espontânea
O Parlamento das Cantigas
Soluções...

História Universal dos: Zombies

Zombies Capitalistas do Espaço Sideral
Vampiros, Zombies, Classe Média


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