The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Preço Certo

Esta semana, tive conhecimento de outro daqueles escândalos que assolam regularmente o design gráfico: veio a lume um trabalho realizado para o Estado – neste caso, o site e o estacionário da comemoração do centenário da República – e toda a gente ficou escandalizada com quanto dinheiro aquilo custou – 99.500,00 € e 90.000,00 €, respectivamente  – e bradou-se aos sete ventos como o serviço não valia isso. No caso do site, o único destes trabalhos a que tive acesso, só posso dizer que realmente não vale tanto – ou se vale, só posso especular que um site realmente bem feito iria custar bem para cima de 1.000.000 €.

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“Outra vez te revejo”

Em Dezembro, vão finalmente reeditar Lisboa, Cidade Triste e Alegre, o livro de Costa Martins e Vítor Palla. Segundo o Público, a nova edição, da responsabilidade de José Pedro Cortes e André Princípe, está a ser impressa numa Heidelberg Speedmaster na Guide Artes Gráficas em Odivelas.

O artigo do Público – cujo título é significativamente “Para reeditar este livro até a tinta teve de ser inventada” – ilustra bem a dificuldade de reproduzir um livro publicado originalmente nos anos 50, dando a entender que o livro impresso, apesar de ser um dos primeiros objectos reproduzidos em massa, tem também a sua aura benjaminiana, não por ser um objecto único, mas pela configuração que dá origem a uma determinada edição ser única. Este fenómeno é particularmente visível nas reedições dos livros de design, onde cada nova versão se torna bastante diferente das anteriores – as várias edições de Pioneers of Modern Typography demonstram-no bem.

Pdf de Lisboa, Cidade Triste e Alegre aqui.

[Obrigado ao Pedro Nora pela dica]

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Tudo e Mais Alguma Coisa

Quando se escreve a crítica de um livro costuma ser boa estratégia lê-lo até ao fim. Há no entanto excepções: pode ser tão mau que nem sequer mereça ser acabado; pode também ser um dicionário, uma enciclopédia ou aquilo que se costuma designar por “obra de consulta.” Neste caso, avaliar a sua qualidade tem tanto a ver com o seu conteúdo – que pode ser medida lendo amostras aqui e ali –, como com o modo como está estruturado.

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A Michaeljacksonificação dos Jornais

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Há pouco tempo tive a sorte de ainda encontrar à venda um número dos Wednesday Comics, uma antologia editada pela Dc Comics, impressa em papel de jornal no formato broadsheet – o mesmo do antigo Expresso.

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Design Unobserved

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Deixei de ler o Design Observer. Fi-lo devagarinho, sem pensar muito no assunto, ainda antes da última remodelação. Quando me apercebi que já não o lia, fiquei um pouco perplexo. Há dois ou três anos, era daquelas coisas que eu fazia sempre. Era o blogue que eu abria por defeito, antes mesmo do meu próprio. Mais do que uma fidelidade, era um vício – embora não um mau hábito.

A escrita costumava ser boa, os assuntos pertinentes, os pontos de vista polémicos. O público reagia comentando os posts quase sempre de modo ponderado e consequente. Havia muitas discussões arrebatadas que nunca resvalaram para a inconsequência. Era comum ver os nomes mais conhecidos do design a cruzarem opiniões com o comum dos anónimos. Por tudo isto, e durante um período de dois, três anos foi “o” site.

Mas aquilo que tornava o Design Observer inevitável acabou por o destruir. Era o melhor blogue porque não chegava bem a ser um blogue. No fim, deixou de o ser e com isso perdeu o interesse.

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Idas e vindas

Estou sem o meu computador, portanto esta semana o post vai ter que ser pequeno:

Fui a Lisboa ver algumas exposições da Experimenta. A Quick, Quick, Slow é uma excelente exposição com um mau catálogo, demasiado caro para as fracas reproduções que mais valia nem ter. Da exposição, nem consigo destacar o que gostei mais – fazê-lo seria uma injustiça. Quem não foi ver, vá; quem foi, vá ver outra vez.

Também foi agradável a oportunidade de gastar dinheiro nas livrarias de Lisboa, que continuam a ter mais estantes dedicadas ao design que as do Porto. Comprei a última Dot Dot Dot; o livro Graphic Design Theory, editado por Helen Armstrong; There’s Nothing Funny about Design, de David Barringer; um livro sobre livros de design chamado Bibliographic. Ainda trouxe alguma ficção e ensaios – destaco Consider the Lobster, de David Foster Wallace, que tem sido uma boa leitura. Já agora: enquanto ia e vinha de comboio para Lisboa, fui lendo um livro de ficção-científica dos anos 70 chamado Tau Zero, reeditado pela Victor Gollancz com uma boa capa.

De volta ao Porto, dei uma conferência numa aula aberta do Mestrado em Comunicação e Multimedia da Esad de Matosinhos, a convite do José Bártolo do Reactor, que por sua vez deu uma conferência muito interessante sobre manifestos no design. A minha própria conferência foi uma reflexão sobre os manifestos futuristas e, em retrospectiva, sobre a relação entre violência, modernismo e design.

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Outra história

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Quando comecei a escrever sobre design, um colega mais velho sentenciou-me que ainda não havia condições para haver crítica de design em Portugal. Talvez daqui a dez anos, disse-me.  Perguntei-lhe o que estava à espera que acontecesse entretanto. Não me respondeu, mas desde essa altura, há quase sete anos, que me interrogo sobre quais seriam as actividades – que não a crítica, é claro – que poderiam ser exercidas durante essa década de preparação.

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O Eterno Retorno

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Pois foi: ouvi dizer que Neville Brody tinha voltado às revistas, com a direcção de arte da Arena Homme +, uma ocasião rara, tendo em conta que não se metia nestas coisas há anos, dedicando-se apenas ao trabalho mais comercial e à gestão da sua fama através de eventos, conferências e exposições. Será que isto da Arena  ia ser uma coisa a tempo inteiro ou só um número? Será que ia estar á altura da Face, das primeiras Arenas ou da Per Lui?

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Os nomes

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No início de cada ano lectivo, é costume passar em revista os livros de história do design, uma tarefa que se vai tornando mais difícil à medida que novos tomos vão aparecendo, e se torna difícil examiná-los a todos em tempo útil. Torna-se necessário fazer escolhas: se mantemos o “A History of Graphic Design”, de Philip Meggs ou se o trocamos pelo “Graphic Design History: A Critical Guide”, de Joahnna Drucker e Emily McVarish; uma opção compacta, barata e bem escrita, com alguma atenção a questões políticas é o “Graphic Design, a Concise History” de Richard Hollis; outra hipótese é o “Graphic Design: A New History”, de Stephen J. Eskilsonn, que embora tenha sido trucidado pela crítica, pode ser usado em conjunto – ou mesmo em confronto – com Meggs e com os outros, não deixando de ter  interesse.

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As palavras difíceis

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Qual é agora a diferença entre um livro e uma revista? Já houve uma altura em que as revistas eram coisas breves e ligeiras; agora podem ser tão volumosas como enciclopédias e tão encadernadas como uma. Dantes eram coisas efémeras, que se liam e deitavam fora; hoje podem ser mais luxuosas e caras do que a maioria dos livros.

Das poucas diferenças que ainda é possível apontar é que uma revista é periódica, mesmo que o seu ritmo seja indeciso ou rarefeito. Por exemplo, a única coisa que, à primeira vista, me denunciou a F. R. David como sendo uma revista (e não um livro de (ou sobre) alguém chamado F. R. David) é o facto de ter, ao topo da capa, por cima do nome da revista, uma estação do ano em Inglês – “Spring 2009” ou “Summer 2008”. Fora isso, até podia ser um livro de bolso francês pequeno e branco, impresso com cores planas e não uma daquelas revistas excêntricas que têm aparecido na Holanda durante a última década – penso sobretudo na Dot Dot Dot, da qual Will Holder o designer e um dos editores da F. R. David, é colaborador habitual.

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Coisas Avulsas

– Amanhã, mais umaPecha Kucha.

– A quarta série Great Ideas da Penguin é mais uma vez incrível, em especial este.

– Inscrições até 9 de setembro para a masterclass de David Reinfurt, dos Dexter Sinister, nas Belas Artes de Lisboa, dia 12 de Setembro, às 17h30.

– Eu sabia: vem aí a Emigre nº 70

FBA distinguida com três galardões Red Dot Award

–Um dos melhores trailers de todos os tempos. Reparem na maneira como ele conta o filme todo sem mostrar realmente nada: "The Baaathroom..."

– Descobri-a no FFFFound, e tocou-me em todas as espécies de nostalgias possíveis, em especial aquela sobre os anos noventa, quando se faziam ilustrações em layers sobre os anos vinte. Gosto da maneira como mistura fotografias vintage com grandes barras de cores e toquezitos de capas da Pelican. Podem ver os trabalhos de Cristiana Couceiro no Seven Days.[Ups: Link corrigido.]

Imagens de genéricos de filmes.[Thx à Ana Carvalho]

–Um blogue a seguir: Design Diário de Sara Goldchmit.

–Para quem ainda não sabe: o Frederico Duarte tem um blogue onde documenta uma viagem pelo design brasileiro.

–Uma grande ideia: fotografias vintage 3D transformadas em GIFs animados.

–Soletrando com a Dock do Mac.

–Jorge Colombo desenha capa da New Yorker com o seu iPhone.

Vasco Granja morreu hoje.

JG Ballard morreu hoje.

–A Stella Artois produz uma campanha publicitária onde são usadas versões Nouvelle Vague de Jack Bauer, Die Hard e Eminem.

–Hoje é Dia de Ada Lovelace, a primeira programadora de computadores e filha de Lord Byron.

–Quem puder ir não perca: exposição, conferência e workshop de um dos meus autores favoritos de BD independente, James Sturm, na Esad e na Mundo Fantasma.

Será que os videojogos estão a preparar adequadamente as crianças para o Apocalipse?

–Reflexões sobre arquitectura e design pelos R2.

Datamoshing, a história de como um artefacto de compressão é utilizado em telediscos.

Atol, uma nova revista portuguesa online.

O Expresso entre os 5 jornais com melhor design do mundo segundo a SND (outra vez).
- Arquivo das Coisas Avulsas

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