Julho 30, 2009 • 12:05 am

Neste momento, os zombies parecem ser o acessório da moda em ficção. Qualquer coisa fica bem com um zombie: há uma versão dos heróis Marvel em zombie; há uma versão dos heróis DC em zombie; há uma versão do Orgulho e Preconceito em zombie; há filmes de zombies, livros de zombies, jogos de zombies.
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Por vezes, ao ouvir criticar iniciativas ligadas ao design como o MUDE ou a Experimenta fico com a sensação que o que está a ser criticado não são tanto as suas qualidades ou os seus defeitos, como o facto de terem que ver com design. Por serem uma coisa bem distinta da Arte com “A” grande, os eventos e instituições do design são automaticamente olhados com desconfiança, como algo leviano, no qual gastar dinheiro público é sinal de que se anda a promover a cultura do “papel de embrulho” e dos “happy few”, tal como Alexandre Pomar insinua no seu blogue. O design deve ser das poucas coisas que um crítico de arte pode, sem se aperceber da ironia, acusar de elitismo.
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Janeiro 22, 2009 • 12:05 am

Com a crise financeira, o mundo da arte sustém a respiração. Espera-se menos dinheiro, mais falências, que algumas galerias fechem, que algumas instituições vacilem, que os leilões sejam menos eufóricos do que antes; aposta-se qual será o tipo de artista e qual o tipo de arte que irá sobreviver. Há até quem veja a situação como uma limpeza, um dilúvio que vem eliminar todo o lixo acumulado dos últimos anos – a especulação, as bienais supérfluas, os artistas sobrevalorizados. É como se, expulsando os vendilhões do templo, se pudesse fazer regressar o mundo da arte ao seu estado de graça original.
Mas até a ideia de um dilúvio purificador ilustra a dependência do mundo da arte em relação à ideologia de mercado: não é através de um esforço crítico que se corrigem os excessos ou se constroem alternativas, mas aguardando passivamente que o mercado – mesmo em queda – tome as decisões. No fundo, equivale a dizer que só o mercado pode salvar o mundo da arte dos excessos do mercado. É como acreditar que os vendilhões se expulsarão a si mesmos do templo.
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Dezembro 4, 2008 • 12:05 am

Há um ano, por esta altura, era de bom tom lastimar-se os grandes logótipos bancários que cobriam a cidade toda. Na Casa da Música ou em Serralves, cada cartaz tinha, bem visível, o logo de um banco; cada praça do Porto tinha a sua cúpula em plástico transparente abrigando carrosséis e ringues de patinagem, tudo sob a protecção de um banco. Com os bancos em crise, o que lamentará agora o mundo da arte?
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Novembro 20, 2008 • 12:05 am

O que faz de alguém um designer gráfico? Muita gente acredita que um curso universitário é o requisito mínimo; outros acham que basta saber os básicos, aprendendo, por iniciativa própria ou por necessidade, aquilo que um curso ensina.
Mas o que são exactamente esses básicos? Tipografia? Ilustração? Ou talvez tecnologias específicas, como o Photoshop, o InDesign ou o Illustrator? Há quem acrescente a História à lista; outros acrescentariam a economia ou a contabilidade.
De qualquer das formas, os básicos, como o nome indica, não correspondem a tudo o que um designer pode saber, mas ao mínimo que precisa de saber.
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Novembro 6, 2008 • 1:05 am

Enviaram-me este link para um anúncio oferecendo “dois estágios não remunerados a recém-licenciados nas áreas de Design de Comunicação ou similar”. Pedem-se “cromos que dominem, ou estejam a caminho, os adobes”. Depois, se “os estágios correrem bem, podem sempre ficar por cá a fazer um estágio profissional”. Finalmente, “se os estágios profissionais ….” (termina assim).
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Outubro 23, 2008 • 1:05 am

Nos tempos que correm, com a crise dos mercados financeiros, multiplicam-se as interrogações. Num artigo no The Guardian, Sarah Thornton pergunta quais serão os efeitos disto tudo sobre as artes, mas nem ela, nem os artistas que entrevista têm respostas, embora todos reconheçam o protagonismo do dinheiro na arte contemporânea – um deles, Gavin Turk, ironiza até: “Se for grátis, será que ainda é arte?”
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“Design & Inovação” é uma das expressões mais irritantes do vocabulário político dos últimos anos. Em geral, aparece em plena campanha eleitoral, quando um político no governo, um ministro ou secretário de estado, inaugura um complexo agro-industrial numa terra com três nomes no interior do país. Nessas ocasiões, o “Design & Inovação” costuma ser a chave para o “Progresso & Desenvolvimento”, desde que se consiga as “necessárias sinergias” com a “Ciência & Tecnologia”, e por aí adiante.
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Perto de minha casa, há um anúncio que à primeira vista parece um sinal de trânsito. A fonte é diferente e a cor não é bem a mesma, mas parece um daqueles sinais de indicação de direcção, do género “faltam 400 metros para a próxima saída”. Este diz-nos que estamos a ir na direcção errada; se dermos a volta ainda podemos encontrar a loja da “Rádio Popular”.
Sempre que o vejo, e apesar de nunca ter tirado a carta de condução, sinto-me ligeiramente enganado. A sensação é de invasão, de perda de privacidade, mas neste caso não é algo privado que se perdeu, mas o próprio espaço público que por um momento se desfez.
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Abril 11, 2008 • 12:06 pm

Nos últimos tempos, a politica parece ter-se apoderado do discurso público do design gráfico. A pouco e pouco, foi ocupando um lugar de destaque no meio dos artigos, conferências e exposições; substituiu quase totalmente os conselhos sobre como resolver questões técnicas ou formais; apareceu em força nos portfolios, sob a forma de novas categorias – se dantes havia “cartazes”, “livros”, “brochuras”, agora há “activismo”, “ecologia”, “ética”, etc.
Quanto aos temas, são aqueles que se costuma associar à esquerda liberal – causas sociais; intervenções humanitárias em países carenciados, em situações de catástrofe natural ou crise política; denúncia da sociedade de consumo, do capitalismo neo-liberal, da administração Bush, etc. Resumindo, “política”, em design, parece ser sinónimo de “esquerda”.
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