The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Os anti-intelectuais não são burros, mas…

Uma sensação perigosa, quando se escreve crítica de design, é a de progresso, que as coisas avançam e melhoram, que já se escreveu sobre certos assuntos há uns anos e que portanto se encontram resolvidos, e que se pode passar a coisas mais interessantes, mais complexas – melhores, enfim. Um dos assuntos a que acabo sempre por voltar, para minha desilusão, é o anti-intelectualismo institucional do design, que não é uma coisa básica e primitiva, mas uma construção complexa com muitas nuances e níveis e à volta da qual se elabora a própria identidade do design enquanto profissão e mesmo disciplina. Por vezes, pergunto-me se será possível extrair o anti-intelectualismo do design – ou pelo menos parar o seu avanço – sem matar o paciente.

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Para nós que damos aulas, o ano começa e acaba no Verão. O ano novo é aquela ocasião em que temos a primeira reunião, ficamos a conhecer o nosso horário, os nossos alunos. No estado em que o ensino superior português está, não é uma ocasião para festas. Tornou-se uma mera burocracia girando apropriadamente à volta de umas coisas chamadas créditos, uma espécie de sistema monetário que permite comparar tipografia com autópsias com nutricionismo com história com agricultura.

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Anos 90

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Tenho andado com uma nostalgia cada vez maior pelos anos 90. Ponho-me a ver pela noite fora os primeiros filmes do Tarantino, incluindo os seus derivados mais fracos, como o True Romance, ou o mal envelhecido Natural Born Killers, subproduto óbvio da moda dos serial killers, que começou com O Silêncio dos Inocentes, se prolongou pelo Se7en e pelo Kalifornia, e cujos efeitos ainda hoje se sentem.

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A grande barreira

Não me lembro onde o li, nem quem o escreveu, muito provavelmente não é algo confirmável, apenas outra daquelas lendas urbanas do design, mas aparentemente, no meio da informação da embalagem de um iogurte, a seguir a uma linha que avisava que em certas condições “alguma separação podia ocorrer”, aparecia um pequeno asterisco. Procurando com muita atenção podia encontrar-se, do outro lado da embalagem, impresso num corpo quase pequeno demais para ser lido, a nota que o asterisco referenciava: “mas o papá e a mamã ainda gostam muito um do outro.”

Era daquelas coisas que só um designer podia fazer, à última da hora, mesmo antes do trabalho ir para a gráfica, depois de passar por todas as revisões possíveis. Quase conseguimos imaginá-lo, num momento de cansaço, de humor ou daquele género de rebeldia que só quem já trabalhou num grande escritório compreende.

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Saber discutir

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Surpreende-me que frequentemente se desvalorize uma opinião apenas por ser uma opinião. “É só uma opinião”, diz-se. Ou então, mais grave: “Há opinião a mais”.

Ao dizer-se coisas deste género, está-se a estabelecer uma oposição implícita entre opiniões e factos – uma opinião é falível, enquanto um facto é sólido. Contudo, isto é apenas uma forma de dar a entender que as nossas opiniões são factos, enquanto as das pessoas com quem discordamos são apenas opiniões.

Os designers gráficos, por exemplo, são por vezes treinados na escola para verem o design como algo indiscutível, que basta mostrar o design a um cliente para que este não tenha outro remédio senão ficar convencido – o design é um facto e contra factos não há argumentos.

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A Aldeia Potemkin

Não sei porquê, em Abril toda a gente quer textos – para revistas, para livros, para exposições – e a coisa tende a acumular. Neste momento, terminei quatro textos e estou a acabar um quinto. Para a semana tenho de fazer mais outro (sem contar com o post semanal). Além disso, o meu mail acumula-se em quantidades ainda mais estúpidas que o costume.

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Opinião Pública

Nos comentários a um dos posts que escrevi sobre a nova imagem de Serralves, foi sugerido que escrevesse uma carta aberta a um jornal protestando a situação. Depois de ponderar bastante, acredito que essa não é a solução. Afinal, não se trata de um problema ético ou legal, mas crítico. Seria tão desadequado como escrever uma carta aberta sobre a qualidade de uma das exposições de Serralves.

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Os Básicos

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O que faz de alguém um designer gráfico? Muita gente acredita que um curso universitário é o requisito mínimo; outros acham que basta saber os básicos, aprendendo, por iniciativa própria ou por necessidade, aquilo que um curso ensina.

Mas o que são exactamente esses básicos? Tipografia? Ilustração? Ou talvez tecnologias específicas, como o Photoshop, o InDesign ou o Illustrator? Há quem acrescente a História à lista; outros acrescentariam a economia ou a contabilidade.

De qualquer das formas, os básicos, como o nome indica, não correspondem a tudo o que um designer pode saber, mas ao mínimo que precisa de saber.
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O Negócio Perfeito

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Enviaram-me este link para um anúncio oferecendo “dois estágios não remunerados a recém-licenciados nas áreas de Design de Comunicação ou similar”. Pedem-se “cromos que dominem, ou estejam a caminho, os adobes”. Depois, se “os estágios correrem bem, podem sempre ficar por cá a fazer um estágio profissional”. Finalmente, “se os estágios profissionais ….” (termina assim).

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Coisas com Piada

A minha carreira profissional começou na Banda Desenhada. Foi aí que fiz os meus primeiros trabalhos pagos, o que pode parecer estranho num país como Portugal, onde muitas coisas – como a BD, as artes em geral e, claro, o Design – não costumam ser pagas pelo simples facto de não se parecerem com coisas que costumam ser pagas.

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Coisas Avulsas

– Amanhã, mais umaPecha Kucha.

– A quarta série Great Ideas da Penguin é mais uma vez incrível, em especial este.

– Inscrições até 9 de setembro para a masterclass de David Reinfurt, dos Dexter Sinister, nas Belas Artes de Lisboa, dia 12 de Setembro, às 17h30.

– Eu sabia: vem aí a Emigre nº 70

FBA distinguida com três galardões Red Dot Award

–Um dos melhores trailers de todos os tempos. Reparem na maneira como ele conta o filme todo sem mostrar realmente nada: "The Baaathroom..."

– Descobri-a no FFFFound, e tocou-me em todas as espécies de nostalgias possíveis, em especial aquela sobre os anos noventa, quando se faziam ilustrações em layers sobre os anos vinte. Gosto da maneira como mistura fotografias vintage com grandes barras de cores e toquezitos de capas da Pelican. Podem ver os trabalhos de Cristiana Couceiro no Seven Days.[Ups: Link corrigido.]

Imagens de genéricos de filmes.[Thx à Ana Carvalho]

–Um blogue a seguir: Design Diário de Sara Goldchmit.

–Para quem ainda não sabe: o Frederico Duarte tem um blogue onde documenta uma viagem pelo design brasileiro.

–Uma grande ideia: fotografias vintage 3D transformadas em GIFs animados.

–Soletrando com a Dock do Mac.

–Jorge Colombo desenha capa da New Yorker com o seu iPhone.

Vasco Granja morreu hoje.

JG Ballard morreu hoje.

–A Stella Artois produz uma campanha publicitária onde são usadas versões Nouvelle Vague de Jack Bauer, Die Hard e Eminem.

–Hoje é Dia de Ada Lovelace, a primeira programadora de computadores e filha de Lord Byron.

–Quem puder ir não perca: exposição, conferência e workshop de um dos meus autores favoritos de BD independente, James Sturm, na Esad e na Mundo Fantasma.

Será que os videojogos estão a preparar adequadamente as crianças para o Apocalipse?

–Reflexões sobre arquitectura e design pelos R2.

Datamoshing, a história de como um artefacto de compressão é utilizado em telediscos.

Atol, uma nova revista portuguesa online.

O Expresso entre os 5 jornais com melhor design do mundo segundo a SND (outra vez).
- Arquivo das Coisas Avulsas

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