Janeiro 29, 2009 • 12:05 am

Tornou-se difícil negar que, para quem gosta das artes, as oportunidades têm aumentado e, até numa cidade como o Porto, da qual ainda se costuma dizer que é um deserto, esta expressão já deixou de descrever uma falta real de eventos, para passar a indicar a presença de um snob.
Read the rest of this entry »
Filed under: Crítica, Cultura, Design, Política, Publicações, Ética
Novembro 6, 2008 • 1:05 am

Enviaram-me este link para um anúncio oferecendo “dois estágios não remunerados a recém-licenciados nas áreas de Design de Comunicação ou similar”. Pedem-se “cromos que dominem, ou estejam a caminho, os adobes”. Depois, se “os estágios correrem bem, podem sempre ficar por cá a fazer um estágio profissional”. Finalmente, “se os estágios profissionais ….” (termina assim).
Read the rest of this entry »
Filed under: Crítica, Cultura, Design, Economia, Ensino, Ética , ensino superior, estágios, mercado de trabalho
Setembro 4, 2008 • 1:00 am

A minha carreira profissional começou na Banda Desenhada. Foi aí que fiz os meus primeiros trabalhos pagos, o que pode parecer estranho num país como Portugal, onde muitas coisas – como a BD, as artes em geral e, claro, o Design – não costumam ser pagas pelo simples facto de não se parecerem com coisas que costumam ser pagas.
Read the rest of this entry »
Filed under: Banda Desenhada, Crítica, Cultura, Design, Ensino, Publicações, Ética

Na semana passada, encontrei à venda na velha Leitura da rua de Ceuta o novo calhamaço de Steven Heller, Iron Fists: Branding the 20th Century Totalitarian State que comprei imediatamente, embora o preço me tenha, nesta altura do mês, doído muito. Folheei-o entre reuniões e correcções de testes, mas confesso que ainda não o li – não posso, assim, fazer uma crítica completa, clássica, mas posso julgá-lo pela capa que, felizmente, é algo que um designer pode fazer com alguma legitimidade.
Read the rest of this entry »
Filed under: Crítica, Cultura, Design, História, Política, Publicações, Ética , Erica Nooney, Hannah Arendt, Iron Fists, Steven Heller

Há algum tempo, no Design Observer, Steven Heller defendia que os textos publicados na net, sobretudo os comentários, deveriam ser assinados com os “nomes reais” dos seus autores. Fazendo uma analogia com as secções de cartas da imprensa tradicional, argumentava que a identificação levaria a um debate mais responsável e produtivo.
Na discussão que se seguiu, as objecções choveram: por um lado, um argumento deveria valer por si mesmo, independentemente de quem o diz ou de como é assinado; por outro lado, os nomes verdadeiros poderiam ser usados para censurar ou punir opiniões, e por aí adiante. A discussão foi apaixonada, por vezes violenta. Num par de dias, gerou mais de cento e cinquenta comentários e acabou por chamar a atenção da imprensa tradicional, sendo alvo de um artigo num dos blogs do New York Times.
Read the rest of this entry »
Filed under: Crítica, Cultura, Design, Economia, Política, Ética , Assistência Humanitária, Design Observer, Naomi Klein, Steven Heller, The Shock Doctrine
Janeiro 11, 2008 • 12:49 am

Quando folheamos catálogos de design gráfico, é difícil perceber se o trabalho que vemos foi realmente concebido pela pessoa que o assinou, se esse trabalho foi pago, ou se o designer que o fez foi ética, política ou religiosamente condicionado. De alguma maneira, os designers parecem existir num plano de mediação abstracta e neutral, acima das realidades mais duras da sua própria sociedade (a mera presença de design gráfico num determinado pais pode ser apresentada como um indicio de liberdade de expressão); no entanto, os modos subtis de repressão e controle que também atravessam as salas brancas e forradas a revistas dos estúdios de design raramente são investigados com rigor.
Read the rest of this entry »
Filed under: Cliente, Crítica, Cultura, Design, Política, Ética , Edward Said, Noam Chomsky
Dezembro 21, 2007 • 1:43 pm

It is well enough understood that design is a socially negotiated discipline, and there are telling respects in which design questions are political questions. [Norman Potter, What is a Designer]
A proposta era simples: fazer três cartazes sobre um tema à escolha – neste caso, uma série de filmes –, e a coisa estava a correr bem. O aluno tinha-me mostrado o trabalho na véspera da entrega e eu fiquei entusiasmado. Eram cartazes elegantes, económicos; apenas o nome do filme e uma imagem vectorial, quase abstracta. Mas, no dia da avaliação, o coração caiu-me aos pés. De um dia para o outro, tinham-se enchido com os nomes do realizador, do produtor, dos actores, e o trabalho tinha piorado consideravelmente. Perguntei-lhe porque tinha posto aqueles nomes todos. Respondeu-me que o tinha feito porque o cliente tinha pedido. Lembrei-lhe que aquilo era um trabalho de escola. O cliente, neste caso, não existia.
Read the rest of this entry »
Filed under: Cliente, Crítica, Cultura, Design, Ensino, Política, Ética , Argumentação, Negociação, Norman Potter
Outubro 26, 2007 • 12:37 am

Quando estava a tirar o curso de design, lembro-me de ter discutido muitas vezes com os meus colegas e professores o logótipo de José de Guimarães para o Turismo de Portugal. Para nós, era uma humilhação ter sido um “pintor” e não um designer a conceber algo que, para todos os efeitos, simbolizava tanto a nossa identidade nacional como a bandeira ou o hino. De certa maneira, aquele logótipo representava o atraso e a ignorância nacionais em relação à nossa área, o design.
Read the rest of this entry »
Filed under: Burocracia, Crítica, Cultura, Design, Economia, Logos, Política, Ética , Debranding, esfera pública, José de Guimarães, Marca Nacional, Rebranding
Outubro 4, 2007 • 2:08 am

O primeiro Photoshop que usei foi o 1.0.7, que corria num Macintosh IIfx na velha sala de computadores das Belas Artes. Com a ajuda de um colega mais experiente, digitalizei uma fotografia a 150 dpi, uma tarefa que levou pouco mais de meia hora, gasta sobretudo em tempo de espera. Atrás de mim, uma fila de cinco ou seis colegas olhava com desconfiança para a barra de progresso que se tinha imobilizado há alguns minutos. Os mais fatalistas opinavam de vez em quando que o computador tinha “crashado”, embora tudo tenha acabado por correr bem.
Read the rest of this entry »
Filed under: Cliente, Computador, Cultura, Design, Economia, Ensino, Ética , Empresa, Escola, Photoshop, Produtos de Marca
De acordo com o Dicionário Oxford, um cartel é o acordo de um conjunto de empresas do mesmo ramo para fixar o preço de um serviço ou produto, impedindo a concorrência livre e prejudicando clientes ou consumidores. Na maioria dos países com economia de mercado, incluindo Portugal, o cartel é ilegal.
É estranho portanto que no Público de 8 de Junho se noticie que a principal decisão do 1º Encontro de Empresas de Design seja a sugestão de um preço mínimo para o Design – estabelecendo de facto um cartel – através da criação de um acordo deontológico para combater a “prática generalizada no mundo do Design em Portugal [d]as empresas oferecerem o seu trabalho, apresentando propostas que não são remuneradas”. De acordo com os organizadores, “este tipo de concorrência leva a um grande grau de falências entre as empresas de design”, e, por outro lado, prejudica os clientes porque não garante que seja escolhido o melhor trabalho, mas o “mais barato ou o mais simples de fazer”.
Read the rest of this entry »
Filed under: Cliente, Crítica, Design, Economia, Política, Ética
Comentários Recentes