The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Apesar de tudo

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Tornou-se difícil negar que, para quem gosta das artes, as oportunidades têm aumentado e, até numa cidade como o Porto, da qual ainda se costuma dizer que é um deserto, esta expressão já deixou de descrever uma falta real de eventos, para passar a indicar a presença de um snob.
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O Negócio Perfeito

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Enviaram-me este link para um anúncio oferecendo “dois estágios não remunerados a recém-licenciados nas áreas de Design de Comunicação ou similar”. Pedem-se “cromos que dominem, ou estejam a caminho, os adobes”. Depois, se “os estágios correrem bem, podem sempre ficar por cá a fazer um estágio profissional”. Finalmente, “se os estágios profissionais ….” (termina assim).

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Coisas com Piada

A minha carreira profissional começou na Banda Desenhada. Foi aí que fiz os meus primeiros trabalhos pagos, o que pode parecer estranho num país como Portugal, onde muitas coisas – como a BD, as artes em geral e, claro, o Design – não costumam ser pagas pelo simples facto de não se parecerem com coisas que costumam ser pagas.

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Ensaio sobre a banalidade do design


Na semana passada, encontrei à venda na velha Leitura da rua de Ceuta o novo calhamaço de Steven Heller, Iron Fists: Branding the 20th Century Totalitarian State que comprei imediatamente, embora o preço me tenha, nesta altura do mês, doído muito. Folheei-o entre reuniões e correcções de testes, mas confesso que ainda não o li – não posso, assim, fazer uma crítica completa, clássica, mas posso julgá-lo pela capa que, felizmente, é algo que um designer pode fazer com alguma legitimidade.

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Grande Poder, Grande Responsabilidade?

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Há algum tempo, no Design Observer, Steven Heller defendia que os textos publicados na net, sobretudo os comentários, deveriam ser assinados com os “nomes reais” dos seus autores. Fazendo uma analogia com as secções de cartas da imprensa tradicional, argumentava que a identificação levaria a um debate mais responsável e produtivo.

Na discussão que se seguiu, as objecções choveram: por um lado, um argumento deveria valer por si mesmo, independentemente de quem o diz ou de como é assinado; por outro lado, os nomes verdadeiros poderiam ser usados para censurar ou punir opiniões, e por aí adiante. A discussão foi apaixonada, por vezes violenta. Num par de dias, gerou mais de cento e cinquenta comentários e acabou por chamar a atenção da imprensa tradicional, sendo alvo de um artigo num dos blogs do New York Times.
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A Ética Laboral do Designer

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Quando folheamos catálogos de design gráfico, é difícil perceber se o trabalho que vemos foi realmente concebido pela pessoa que o assinou, se esse trabalho foi pago, ou se o designer que o fez foi ética, política ou religiosamente condicionado. De alguma maneira, os designers parecem existir num plano de mediação abstracta e neutral, acima das realidades mais duras da sua própria sociedade (a mera presença de design gráfico num determinado pais pode ser apresentada como um indicio de liberdade de expressão); no entanto, os modos subtis de repressão e controle que também atravessam as salas brancas e forradas a revistas dos estúdios de design raramente são investigados com rigor.

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O Design enquanto Negociação

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It is well enough understood that design is a socially negotiated discipline, and there are telling respects in which design questions are political questions. [Norman Potter, What is a Designer]

A proposta era simples: fazer três cartazes sobre um tema à escolha – neste caso, uma série de filmes –, e a coisa estava a correr bem. O aluno tinha-me mostrado o trabalho na véspera da entrega e eu fiquei entusiasmado. Eram cartazes elegantes, económicos; apenas o nome do filme e uma imagem vectorial, quase abstracta. Mas, no dia da avaliação, o coração caiu-me aos pés. De um dia para o outro, tinham-se enchido com os nomes do realizador, do produtor, dos actores, e o trabalho tinha piorado consideravelmente. Perguntei-lhe porque tinha posto aqueles nomes todos. Respondeu-me que o tinha feito porque o cliente tinha pedido. Lembrei-lhe que aquilo era um trabalho de escola. O cliente, neste caso, não existia.

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O Design Público

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Quando estava a tirar o curso de design, lembro-me de ter discutido muitas vezes com os meus colegas e professores o logótipo de José de Guimarães para o Turismo de Portugal. Para nós, era uma humilhação ter sido um “pintor” e não um designer a conceber algo que, para todos os efeitos, simbolizava tanto a nossa identidade nacional como a bandeira ou o hino. De certa maneira, aquele logótipo representava o atraso e a ignorância nacionais em relação à nossa área, o design.

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A Cultura em Versão Demo

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O primeiro Photoshop que usei foi o 1.0.7, que corria num Macintosh IIfx na velha sala de computadores das Belas Artes. Com a ajuda de um colega mais experiente, digitalizei uma fotografia a 150 dpi, uma tarefa que levou pouco mais de meia hora, gasta sobretudo em tempo de espera. Atrás de mim, uma fila de cinco ou seis colegas olhava com desconfiança para a barra de progresso que se tinha imobilizado há alguns minutos. Os mais fatalistas opinavam de vez em quando que o computador tinha “crashado”, embora tudo tenha acabado por correr bem.

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Concorrência

De acordo com o Dicionário Oxford, um cartel é o acordo de um conjunto de empresas do mesmo ramo para fixar o preço de um serviço ou produto, impedindo a concorrência livre e prejudicando clientes ou consumidores. Na maioria dos países com economia de mercado, incluindo Portugal, o cartel é ilegal.

É estranho portanto que no Público de 8 de Junho se noticie que a principal decisão do 1º Encontro de Empresas de Design seja a sugestão de um preço mínimo para o Design – estabelecendo de facto um cartel – através da criação de um acordo deontológico para combater a “prática generalizada no mundo do Design em Portugal [d]as empresas oferecerem o seu trabalho, apresentando propostas que não são remuneradas”. De acordo com os organizadores, “este tipo de concorrência leva a um grande grau de falências entre as empresas de design”, e, por outro lado, prejudica os clientes porque não garante que seja escolhido o melhor trabalho, mas o “mais barato ou o mais simples de fazer”.

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Coisas Avulsas

– Amanhã, mais umaPecha Kucha.

– A quarta série Great Ideas da Penguin é mais uma vez incrível, em especial este.

– Inscrições até 9 de setembro para a masterclass de David Reinfurt, dos Dexter Sinister, nas Belas Artes de Lisboa, dia 12 de Setembro, às 17h30.

– Eu sabia: vem aí a Emigre nº 70

FBA distinguida com três galardões Red Dot Award

–Um dos melhores trailers de todos os tempos. Reparem na maneira como ele conta o filme todo sem mostrar realmente nada: "The Baaathroom..."

– Descobri-a no FFFFound, e tocou-me em todas as espécies de nostalgias possíveis, em especial aquela sobre os anos noventa, quando se faziam ilustrações em layers sobre os anos vinte. Gosto da maneira como mistura fotografias vintage com grandes barras de cores e toquezitos de capas da Pelican. Podem ver os trabalhos de Cristiana Couceiro no Seven Days.[Ups: Link corrigido.]

Imagens de genéricos de filmes.[Thx à Ana Carvalho]

–Um blogue a seguir: Design Diário de Sara Goldchmit.

–Para quem ainda não sabe: o Frederico Duarte tem um blogue onde documenta uma viagem pelo design brasileiro.

–Uma grande ideia: fotografias vintage 3D transformadas em GIFs animados.

–Soletrando com a Dock do Mac.

–Jorge Colombo desenha capa da New Yorker com o seu iPhone.

Vasco Granja morreu hoje.

JG Ballard morreu hoje.

–A Stella Artois produz uma campanha publicitária onde são usadas versões Nouvelle Vague de Jack Bauer, Die Hard e Eminem.

–Hoje é Dia de Ada Lovelace, a primeira programadora de computadores e filha de Lord Byron.

–Quem puder ir não perca: exposição, conferência e workshop de um dos meus autores favoritos de BD independente, James Sturm, na Esad e na Mundo Fantasma.

Será que os videojogos estão a preparar adequadamente as crianças para o Apocalipse?

–Reflexões sobre arquitectura e design pelos R2.

Datamoshing, a história de como um artefacto de compressão é utilizado em telediscos.

Atol, uma nova revista portuguesa online.

O Expresso entre os 5 jornais com melhor design do mundo segundo a SND (outra vez).
- Arquivo das Coisas Avulsas

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