
Aquilo que define uma ilustração – por oposição a um mero desenho com um tema literário – é o facto de conviver fisicamente com um texto, evento ou objecto. Uma ilustração é feita de propósito para aparecer nas páginas de um livro ou de uma revista e não para ser um objecto autónomo. Do mesmo modo, um quadradinho numa banda desenhada não funciona por si só, mas faz parte de uma narrativa maior. Expor ilustração e banda desenhada é, portanto, uma tarefa peculiar na medida em que, inevitavelmente, destrói o seu objecto, isolando-o do seu contexto. A relação entre o desenho e o seu tema perde-se.
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Dezembro 18, 2008 • 12:05 am

Não sei exactamente a data, mas os primeiros DVDs apareceram na Europa há cerca de dez anos, por volta de 1998. Parece que foi há mais tempo, porque, tal como sucedeu com o multibanco ou o telemóvel, os DVDs mudaram, de maneira subtil mas radical, o nosso estilo de vida. Mais do que as cassetes de vídeo, objectos bastante frágeis e maljeitosos, que só se podia ver umas quantas vezes antes de perderem a qualidade,os DVDs consolidaram a transformação de filmes e séries de televisão em objectos de consumo.
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Dezembro 11, 2008 • 12:05 am

No espaço de um mês abriram no Porto duas galerias especializadas, a Dama Aflita, vocacionada para a ilustração de autor, e a Mundo Fantasma, que embora se dedique preferencialmente à banda desenhada, abriu com uma exposição de Marcellus Hall, colaborador da New Yorker, a revista onde qualquer ilustrador daria a alma (e o corpo) para trabalhar. Só isto seria suficiente para compor um bom ano, mas, antes do mês acabar, ainda inaugurou no Maus Hábitos a exposição itinerante de artes gráficas Åbroïderij-ha!, organizada pela Bedeteca de Lisboa Feira Laica, com apoio da Bedeteca e da associação Chili com Carne.
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Setembro 25, 2008 • 1:05 am

Um bom exercício para descobrir o litro de leite mais caro do super é ir atrás dos pacotes mais brancos; depois, dos que têm fontes com serifas e, se quisermos o nosso Nestum com leite de primeira, levamos aquele com a forma mais exótica, mais sobre o comprido. Se, pelo contrário, quisermos leite barato, basta usar os critérios que usaríamos para escolher um bom cartaz de circo – muita cor e muitas fontes. Os sinais manifestos de design são, em geral, os mesmos de uma etiqueta de preço bem preenchida.
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Esta semana, tive de ir a Lisboa em trabalho, o que foi agradável mas cansativo. Entre as reuniões, esperava encontrar alguma coisa nova sobre design na Fnac do Chiado, mas as prateleiras tinham praticamente os mesmos livros que tinha visto na minha última visita, por altura do Natal.
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“…E para que serve um livro, pensou Alice, sem figuras ou diálogos.” Esta é uma frase que muitos ilustradores gostam de citar. Como quase todas as frases amplamente citadas, pertence ao primeiro parágrafo de um livro; neste caso, Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll.
Se perguntarem a um ilustrador se já leu a Alice, é provável que ele responda: “Qual delas?”, referindo-se a cada uma das versões ilustradas que surgiram ao longo dos anos. Há Alices Arte Nova, Alices Manga, Alices adultas, Alices para adultos, Alices infantis, Alices Politicas (uma em que o Humpty Dumpty tinha a cara de Richard Nixon), etc. O próprio Carroll ilustrou um primeiro manuscrito parcial, chamado The Adventures of Alice Underground, como oferta a Alice Lidell, a criança que inspirou a personagem. Contudo, para os puristas, os verdadeiros fanáticos, só existe a versão de John Tenniel, autor dos desenhos da primeira edição, em 1865.
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