Janeiro 8, 2009 • 12:05 am

Regressar ao tema da nova identidade de Serralves é um pouco como bater no ceguinho, mas como o pior cego é o que não quer ver, pode ser que este ceguinho mereça a tareia. Uma das razões para isso é que teve um bom ano. Tem motivos para se gabar e para ser gabado. Teve 400.000 visitas pagas e, por causa disso, teve direito a uma setazita ascendente no Público. Tudo isto seria um pretexto para festejar se entretanto não tivesse decidido mudar discretamente de identidade gráfica.
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Agosto 21, 2008 • 1:05 am

Outro dia, alguém me dizia que só se lembrava do trabalho mais pessoal de Stefan Sagmeister – uma mistura fina de raminhos, salsichas, fluidos corporais e aforismos –, mas não se recordava dos seus logótipos, papéis de cartas, relatórios de contas ou mesmo clientes. Para esse meu amigo, como para muita gente, parecia estranho que o trabalho mais conhecido de um designer internacionalmente famoso acabasse por ser auto-promocional – como podia Sagmeister ser um bom designer se o seu melhor cliente acabava por ser ele mesmo?
Chamei-lhe a atenção para a Casa da Música, um trabalho clássico de identidade gráfica, com aplicações e tudo o mais. A nível internacional já tinha sido considerado um dos exemplos do ano. “Ah! Pois…”, respondeu, “Não me tinha lembrado disso.”
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Novembro 9, 2007 • 1:54 am

Desde os tempos de escola que me fui habituando a um velho dilema que divide ao meio o design português: diz-se – e escreve-se – logótipo ou logotipo?
De ambos os lados, já ouvi todo o género de argumentação mais ou menos plausível: acentuar “tipo” dá mais destaque à parte da palavra que tem mais a ver com design, portanto deve-se escrever “logotipo”; acentuar “logo” realça o carácter composto da palavra, assim deve-se escrever “logótipo”; “logótipo” é uma palavra esdrúxula, mas o adjectivo “esdrúxulo” também quer dizer “esquisito” e “anómalo”, portanto deve-se optar por “logotipo”, que é mais simples e elegante – e por aí fora.
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Outubro 26, 2007 • 12:37 am

Quando estava a tirar o curso de design, lembro-me de ter discutido muitas vezes com os meus colegas e professores o logótipo de José de Guimarães para o Turismo de Portugal. Para nós, era uma humilhação ter sido um “pintor” e não um designer a conceber algo que, para todos os efeitos, simbolizava tanto a nossa identidade nacional como a bandeira ou o hino. De certa maneira, aquele logótipo representava o atraso e a ignorância nacionais em relação à nossa área, o design.
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Setembro 1, 2007 • 1:19 pm

Quando estudei design, ensinaram-me a classificar a identidade gráfica de instituições e empresas, dividindo-a em marcas, logótipos e logomarcas. As marcas designavam identidades constituídas apenas por uma imagem, geralmente um desenho de tons planos e um número limitado de cores; os logótipos designavam texto, com o nome da empresa, instituição, pessoa, slogan ou evento a apresentar; as logomarcas juntavam imagem e texto. Desta forma, o sistema procurava fazer uma distinção entre identidade gráfica baseada em imagem e identidade gráfica baseada em texto.
A razão que me levou a desconfiar dele foi o conceito de “brand”, que se tornaria determinante na linguagem empresarial a partir dos anos 80. Se tinha a sua origem na identidade gráfica das empresas, agora a parte era usada para designar o todo, e “brand” tinha passado a ser a identidade da empresa em geral – que podia incluir mobiliário de escritório, fontes, cores, arquitectura, música, texto, uma mascote ou mesmo um porta-voz. Com esta mudança de sentido, começou a vulgarizar-se o uso da palavra “logo”, abreviatura de “logotype”, para designar a identidade gráfica.
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Agosto 26, 2007 • 1:48 pm

Da propaganda associada à Exposição Colonial de 1934, no Porto, fazia parte este mapa, organizado por Henrique Galvão, e intitulado “Portugal Não é um País Pequeno”. Seria usado durante quarenta anos pelo Estado Novo para representar, nas salas de aula e instituições do regime, as pretensões imperiais portuguesas, e era efectivamente um logótipo para Portugal como suposta grande potência europeia.
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Agosto 10, 2007 • 12:51 pm

Embora aprecie os textos de Rui Tavares, confesso que só comprei O Arquitecto, uma edição da Tinta da China, pela capa e pelo design do seu interior, da autoria de Vera Tavares. Folheei-o para trás e para a frente, apreciando os pormenores gráficos, acabando por o deixar pousado sobre a gaveta da mesinha de cabeceira, no meio das canetas, dos CDs, das aspirinas, das revistas e do resto, à espera de oportunidade para escrever sobre ele.
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Depois de meses de expectativas altas alimentadas pela mediatização do processo, com perfis e entrevistas distribuídas pelo Expresso, Público, DN, JN, era mais ou menos inevitável que a nova identidade da Casa da Música fosse para muitos uma desilusão. O próprio Sagmeister apareceu defensivo em palco, menos eloquente do que na Exd 2005, aparentemente surpreendido por grande parte da sua audiência ser constituída por designers. Começou por se dirigir a eles, desvalorizando a objecção previsível de que deveria ter sido um designer português a fazer aquele trabalho.
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Dentro de certo discurso em torno do design de comunicação é costume assumir-se, de forma mais ou menos subtil, que cultura e estética se opõem a funcionalidade ou economia, tal como demonstra esta passagem do Plano Estratégico do Centro Português de Design 2004-7 (disponível no site do CPD):
Muitas vezes associado a algo cultural, bonito ou apetecível, o design deve ser considerado como disciplina criadora de retorno, geradora ou potencializadora de melhorias na prática de valores intrínsecos, na funcionalidade ou acessibilidade de produtos e serviços.
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Setembro 20, 2006 • 1:57 am
Nos domingos à noite, quando o Verão acaba, dedico sempre algum tempo a desejar com todas as forças que o Herman não volte de férias. É claro que ele acaba sempre por voltar e eu acabo sempre por apanhar com o habitual freak-show de actores brasileiros, dominatrixes que escreveram um livro, cançonetas alemãs absurdas, rábulas revisteiras, videntes pimba, etc. Desta vez o regresso foi ainda mais inquietante: de repente, a meio de um zapping, lá estava ele a falar de design gráfico! De óculos na ponta do nariz e de olhos franzidos, atestava que o livro Nacional e Transmissível, de Eduardo Prado Coelho, tinha um “grafismo interessante”.
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