
Uma boa passagem dos Textos de Guerrilha, apanhado na biografia de Luiz Pacheco da Tinta da China, na página 53, a propósito d’O Pinguim, um jornal que criou no Liceu, impresso num copiógrafo artesanal:
“de fácil construção, que os copiadores da época eram escassos e tinham de ser declarados na PIDE, tal o medo, as precauções! Um tabuleiro; gelatina; um ácido qualquer para não azedar a massa; tinta hectográfica [violeta] para os desenhos, fita de máquinaidem para os textos. O Pinguim: direcção minha, desenhos de paginação do Manuel José Morgado, um caldense com muita queda para a escrita e o desenho, então hóspede em minha casa, hoje alta patente das Forças Armadas. Com quem tive pugnas à refeição, ele anglófilo, eu germanófilo dos quatro costados. São manias da adolescência. Convidei o [José Cardoso] Pires. Que me apresentava, dias depois, o seu primeiro original, Aventuras do Mosquito Zig-Zague, e me exigia pagamento dos Direitos de Autor, cinco tostões, prenunciava sua posterior intransigência que perfilho, que um escritor portuga que receba menos de 20 por cento de percentagem sobre o preço de capa é um refinado filho de puta!”
De uma assentada, percebe-se o modo como a censura actuava sobre as tecnologias de reprodução de escritório e como funcionavam estas. Será que a tinta violeta usada no Comunidade era uma eco destas primeiras experiências?
Update: Pelos vistos, as tintas roxa e verde de algumas das publicações eram apenas as mais baratas da gráfica.
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