The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Apesar de tudo

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Tornou-se difícil negar que, para quem gosta das artes, as oportunidades têm aumentado e, até numa cidade como o Porto, da qual ainda se costuma dizer que é um deserto, esta expressão já deixou de descrever uma falta real de eventos, para passar a indicar a presença de um snob.
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A periferia que os designers fazem

Não se pode falar de identidade em Portugal sem falar de periferia e de atraso. É assim que nos descrevemos a nós mesmos; é esse o diagnóstico que já está feito há muito. Uma das soluções pode ser, segundo parece, o design. Nos telejornais e nos tempos de antena, o design é inovação, pode ajudar-nos a recuperar do nosso atraso, a aliviar a nossa condição periférica. Desta forma, é anunciado como um índice de futuro, do “lá fora”. Não é verdadeiramente daqui, mas de outro lugar e de outro tempo – uma condição que permite aos próprios designers manterem um estatuto de missionários da modernidade, vendo o país a partir de fora, como uma folha em branco ou, nos casos mais generosos, como uma fonte de inspiração.

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O dilúvio

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Com a crise financeira, o mundo da arte sustém a respiração. Espera-se menos dinheiro, mais falências, que algumas galerias fechem, que algumas instituições vacilem, que os leilões sejam menos eufóricos do que antes; aposta-se qual será o tipo de artista e qual o tipo de arte que irá sobreviver. Há até quem veja a situação como uma limpeza, um dilúvio que vem eliminar todo o lixo acumulado dos últimos anos – a especulação, as bienais supérfluas, os artistas sobrevalorizados. É como se, expulsando os vendilhões do templo, se pudesse fazer regressar o mundo da arte ao seu estado de graça original.

Mas até a ideia de um dilúvio purificador ilustra a dependência do mundo da arte em relação à ideologia de mercado: não é através de um esforço crítico que se corrigem os excessos ou se constroem alternativas, mas aguardando passivamente que o mercado – mesmo em queda – tome as decisões. No fundo, equivale a dizer que só o mercado pode salvar o mundo da arte dos excessos do mercado. É como acreditar que os vendilhões se expulsarão a si mesmos do templo.

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Arte de autor?

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Há um ano, por esta altura, era de bom tom lastimar-se os grandes logótipos bancários que cobriam a cidade toda. Na Casa da Música ou em Serralves, cada cartaz tinha, bem visível, o logo de um banco; cada praça do Porto tinha a sua cúpula em plástico transparente abrigando carrosséis e ringues de patinagem, tudo sob a protecção de um banco. Com os bancos em crise, o que lamentará agora o mundo da arte?
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Os Básicos

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O que faz de alguém um designer gráfico? Muita gente acredita que um curso universitário é o requisito mínimo; outros acham que basta saber os básicos, aprendendo, por iniciativa própria ou por necessidade, aquilo que um curso ensina.

Mas o que são exactamente esses básicos? Tipografia? Ilustração? Ou talvez tecnologias específicas, como o Photoshop, o InDesign ou o Illustrator? Há quem acrescente a História à lista; outros acrescentariam a economia ou a contabilidade.

De qualquer das formas, os básicos, como o nome indica, não correspondem a tudo o que um designer pode saber, mas ao mínimo que precisa de saber.
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Grandes Esperanças

Nos tempos que correm, com a crise dos mercados financeiros, multiplicam-se as interrogações. Num artigo no The Guardian, Sarah Thornton pergunta quais serão os efeitos disto tudo sobre as artes, mas nem ela, nem os artistas que entrevista têm respostas, embora todos reconheçam o protagonismo do dinheiro na arte contemporânea – um deles, Gavin Turk, ironiza até: “Se for grátis, será que ainda é arte?”

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O Design é uma Arma

Desde os gadgets até aos carros e à arquitectura, tudo nos filmes do 007 é uma forma ou outra de design. A própria estrutura das histórias é uma marca registada, um design de série, estabelecido desde os primeiros filmes e sofrendo variações mínimas ao longo de quatro décadas e meia: um pequeno genérico onde o personagem é filmado através do cano de uma arma; uma sequência curta de introdução; o genérico principal; e, por fim, o próprio filme.

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Ensaio sobre a banalidade do design


Na semana passada, encontrei à venda na velha Leitura da rua de Ceuta o novo calhamaço de Steven Heller, Iron Fists: Branding the 20th Century Totalitarian State que comprei imediatamente, embora o preço me tenha, nesta altura do mês, doído muito. Folheei-o entre reuniões e correcções de testes, mas confesso que ainda não o li – não posso, assim, fazer uma crítica completa, clássica, mas posso julgá-lo pela capa que, felizmente, é algo que um designer pode fazer com alguma legitimidade.

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Chavões

“Design & Inovação” é uma das expressões mais irritantes do vocabulário político dos últimos anos. Em geral, aparece em plena campanha eleitoral, quando um político no governo, um ministro ou secretário de estado, inaugura um complexo agro-industrial numa terra com três nomes no interior do país. Nessas ocasiões, o “Design & Inovação” costuma ser a chave para o “Progresso & Desenvolvimento”, desde que se consiga as “necessárias sinergias” com a “Ciência & Tecnologia”, e por aí adiante.

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Curva Perigosa

Perto de minha casa, há um anúncio que à primeira vista parece um sinal de trânsito. A fonte é diferente e a cor não é bem a mesma, mas parece um daqueles sinais de indicação de direcção, do género “faltam 400 metros para a próxima saída”. Este diz-nos que estamos a ir na direcção errada; se dermos a volta ainda podemos encontrar a loja da “Rádio Popular”.

Sempre que o vejo, e apesar de nunca ter tirado a carta de condução, sinto-me ligeiramente enganado. A sensação é de invasão, de perda de privacidade, mas neste caso não é algo privado que se perdeu, mas o próprio espaço público que por um momento se desfez.

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Coisas Avulsas

– Amanhã, mais umaPecha Kucha.

– A quarta série Great Ideas da Penguin é mais uma vez incrível, em especial este.

– Inscrições até 9 de setembro para a masterclass de David Reinfurt, dos Dexter Sinister, nas Belas Artes de Lisboa, dia 12 de Setembro, às 17h30.

– Eu sabia: vem aí a Emigre nº 70

FBA distinguida com três galardões Red Dot Award

–Um dos melhores trailers de todos os tempos. Reparem na maneira como ele conta o filme todo sem mostrar realmente nada: "The Baaathroom..."

– Descobri-a no FFFFound, e tocou-me em todas as espécies de nostalgias possíveis, em especial aquela sobre os anos noventa, quando se faziam ilustrações em layers sobre os anos vinte. Gosto da maneira como mistura fotografias vintage com grandes barras de cores e toquezitos de capas da Pelican. Podem ver os trabalhos de Cristiana Couceiro no Seven Days.[Ups: Link corrigido.]

Imagens de genéricos de filmes.[Thx à Ana Carvalho]

–Um blogue a seguir: Design Diário de Sara Goldchmit.

–Para quem ainda não sabe: o Frederico Duarte tem um blogue onde documenta uma viagem pelo design brasileiro.

–Uma grande ideia: fotografias vintage 3D transformadas em GIFs animados.

–Soletrando com a Dock do Mac.

–Jorge Colombo desenha capa da New Yorker com o seu iPhone.

Vasco Granja morreu hoje.

JG Ballard morreu hoje.

–A Stella Artois produz uma campanha publicitária onde são usadas versões Nouvelle Vague de Jack Bauer, Die Hard e Eminem.

–Hoje é Dia de Ada Lovelace, a primeira programadora de computadores e filha de Lord Byron.

–Quem puder ir não perca: exposição, conferência e workshop de um dos meus autores favoritos de BD independente, James Sturm, na Esad e na Mundo Fantasma.

Será que os videojogos estão a preparar adequadamente as crianças para o Apocalipse?

–Reflexões sobre arquitectura e design pelos R2.

Datamoshing, a história de como um artefacto de compressão é utilizado em telediscos.

Atol, uma nova revista portuguesa online.

O Expresso entre os 5 jornais com melhor design do mundo segundo a SND (outra vez).
- Arquivo das Coisas Avulsas

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