Novembro 12, 2009 • 7:22 am

Há pouco tempo tive a sorte de ainda encontrar à venda um número dos Wednesday Comics, uma antologia editada pela Dc Comics, impressa em papel de jornal no formato broadsheet – o mesmo do antigo Expresso.
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Outubro 14, 2009 • 4:45 pm

Pois foi: ouvi dizer que Neville Brody tinha voltado às revistas, com a direcção de arte da Arena Homme +, uma ocasião rara, tendo em conta que não se metia nestas coisas há anos, dedicando-se apenas ao trabalho mais comercial e à gestão da sua fama através de eventos, conferências e exposições. Será que isto da Arena ia ser uma coisa a tempo inteiro ou só um número? Será que ia estar á altura da Face, das primeiras Arenas ou da Per Lui?
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Setembro 29, 2009 • 10:44 pm

Qual é agora a diferença entre um livro e uma revista? Já houve uma altura em que as revistas eram coisas breves e ligeiras; agora podem ser tão volumosas como enciclopédias e tão encadernadas como uma. Dantes eram coisas efémeras, que se liam e deitavam fora; hoje podem ser mais luxuosas e caras do que a maioria dos livros.
Das poucas diferenças que ainda é possível apontar é que uma revista é periódica, mesmo que o seu ritmo seja indeciso ou rarefeito. Por exemplo, a única coisa que, à primeira vista, me denunciou a F. R. David como sendo uma revista (e não um livro de (ou sobre) alguém chamado F. R. David) é o facto de ter, ao topo da capa, por cima do nome da revista, uma estação do ano em Inglês – “Spring 2009” ou “Summer 2008”. Fora isso, até podia ser um livro de bolso francês pequeno e branco, impresso com cores planas e não uma daquelas revistas excêntricas que têm aparecido na Holanda durante a última década – penso sobretudo na Dot Dot Dot, da qual Will Holder o designer e um dos editores da F. R. David, é colaborador habitual.
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Agosto 13, 2009 • 1:22 am

Recentemente, o Brasil parece ser o sítio de que toda a gente fala, pelo menos em termos de design. O Frederico Duarte anda por lá a recolher informação para a sua tese. Quase um quarto dos meus alunos este ano foram brasileiros. Nas livrarias, boa parte dos livros de design são, ou brasileiros – nunca vi tantas histórias do design brasileiro –, ou edições brasileiras de livros ingleses – quase tudo com bom design. O culminar disto tudo foi quando Khoi Vinh, director de design do New York Times, mostrou no seu blogue a fotografia de uma livraria em São Paulo, declarando que:
“[it] is probably the most visually stunning commercial space I’ve ever seen, and certainly the most impressive book selling environment. If it’s real, that is.”
Era fantástico: alguém em Nova Iorque a não acreditar no aspecto de uma livraria no Brasil! – normalmente, é isso que eu sinto em relação a Nova Iorque.
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Uma das coisas que mais irrita o designer gráfico médio são aqueles chico-espertos que, armados de Word, Powerpoint ou pior, se dedicam a tentar paginar, fazer cartazes ou até sites. É uma irritação antiga, já muito comentada, que não vale a pena desenvolver aqui. Por mera simetria, talvez fosse mais produtivo ou interessante fazer um inquérito na Faculdade de Letras, a ver se por lá acham piada àqueles designers que escrevem um livro inteiro no Quark.
Tenho a sensação que não diriam muita coisa, em parte porque poucos terão ouvido falar do programa – pensarão talvez que é um novo processador de texto. Mas, apesar da aparente improbabilidade, há pelo menos dois designers que, usando o Quark, já escreveram um livro com mais de duzentas páginas, de ficção, com personagens e enredo, daqueles que as pessoas normais até lêem e gostam, daqueles que aparecem nas listas dos melhores livros do ano.
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“Eu costumava dizer [que era] ‘tipógrafo’, no tempo em que a profissão tinha de aparecer no passaporte. Era uma forma de comprometimento um tanto ou quanto romântica, porque nunca pratiquei isso da mesma maneira que muitas pessoas o fizeram. Também escrevia muito, e agora faço muita edição – o que significa ler o que outras pessoas escrevem, lidar com textos e trabalhar com outros designers. Assim, acho que agora sou um editor, no sentido continental e francês de ‘editeur’, que também significa alguém que publica. Sinto-me bem com essa ideia; tem algumas das boas qualidades associadas a ‘tipógrafo’. Não é tanto produção visual quanto verbal. É isso que eu faço.”[1] Foi assim que o designer Robin Kinross respondeu quando, numa entrevista, lhe perguntaram qual era a sua profissão, e foi citando-o que Stuart Bailey se apresentou a si mesmo numa conferência em 2006[2]. Era uma maneira elegante de resumir o seu próprio percurso, que em muitos pontos se aproximava ao de Kinross: Bailey também era um designer gráfico de formação que, sem abandonar de todo a sua área, a considerava, de alguma forma, limitada demais.
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Na próxima quinta-feira, dia 23 de Abril terá lugar, na Aula Magna das Belas Artes do Porto pelas 18h (e não pelas 17, conforme tinha anunciado aqui por engano), uma apresentação de Stuart Bailey sobre a exposição que inaugurará na Culturgest Porto no Sábado, dia 25 de Abril, seguida de uma conversa entre eu e ele. Durante a conversa, estarão à venda alguns números da Dot Dot Dot que estarão também disponíveis na Culturgest durante a exposição. Mais pormenores no site da Culturgest.
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Fevereiro 5, 2009 • 12:05 am

Este domingo, com o Público, entre os coleccionáveis, as revistas camarárias, a publicidade a centros comerciais e empreendimentos imobiliários, habitualmente atirados sem pensar duas vezes para a pilha da reciclagem, encontrei uma revista que me interessou, não pela sua qualidade, mas porque um problema de design na sua capa, e em particular no seu título, me obrigou a gastar mais tempo com ela do que desejaria.
À primeira vista, do nome só consegui decifrar “Ple—ude”, com as restantes letras cobertas pela cabeçorra de um político qualquer. Parti do princípio que a palavra só podia ser “Plenitude” – não devia haver muitas mais que encaixassem – mas, para ter a certeza, tive de procurar na letra miudinha por baixo do título – era realmente o número 68 da revista Plenitude, oferecido gratuitamente aos leitores do público.
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Janeiro 29, 2009 • 12:05 am

Tornou-se difícil negar que, para quem gosta das artes, as oportunidades têm aumentado e, até numa cidade como o Porto, da qual ainda se costuma dizer que é um deserto, esta expressão já deixou de descrever uma falta real de eventos, para passar a indicar a presença de um snob.
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Janeiro 1, 2009 • 12:05 am

Conforme prometido, fica aqui anunciado (com toda a pompa e circunstância) que a festa de lançamento do Design em Tempos de Crise é na sexta-feira, dia 9 de Janeiro. Vai ser no Passos Manuel, no Porto, entre as 22h30 e a meia-noite. Fica aqui também, conforme prometido, uma fotografia do livro, cortesia dos meus editores. Podem encontrar mais algumas no site da Braço da Ferro.
Anunciada a festa, é ainda necessário cumprir uma última formalidade: tratando-se de um livro feito a partir dos textos de um blogue, manda a tradição que se perca algum tempo a justificá-lo.
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