The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Cabeças Flutuantes e Quadros Vivos

Já há algum tempo que os meus hábitos de espectador mudaram. Tenho prestado mais atenção às séries de televisão que aos filmes que, neste momento, me parecem um formato demasiado breve. Deixei praticamente de ir ao cinema; faço-o mais pela ocasião social do que pelo filme em si, e calculo que a maioria das pessoas vai pelas mesmas razões, porque se tornou comum ouvir gente a falar ou até a atender o telemóvel durante a projecção.

Tendo em conta que o cinema se reduziu para mim a um bom pretexto para falar sobre civismo, acabo por preferir esperar que o filme saia em dvd ou passe na televisão. Posso assim vê-lo no silêncio da minha casa e, se o estiver a ver no computador, posso até “marcá-lo” como a um livro, retomando a “leitura” dias, semanas ou meses depois. Em quase todos os aspectos, ver um filme tem sido, para mim, uma experiência muito próxima à de ler um livro.

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Queda Livre

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No vocabulário do design português, não há uma tradução exacta para “pitch”, o que não é grave, apenas irónico, tendo em conta que também não há uma tradução exacta para a palavra “design”.

O “pitch” é aquele momento em que o designer apresenta a sua proposta ao cliente. Pode querer dizer “apresentação” ou “proposta”, mas também conota “lance” ou “jogada”; uma tradução – mais honesta do que aproximada – poderia ser “atirar o barro à parede”.

É um dos momentos mais ritualizados e mitificados na vida de um designer; é o momento do tudo ou nada – a negociação dramática onde se concentram todas as capacidades de argumentar um projecto, uma solução. Se a vida dos designers fosse uma série de advogados, o “pitch” seriam as alegações finais; se fosse uma série policial, seria aquele momento em que o detective consegue finalmente resolver o caso; se fosse um Western, seria um duelo ao meio-dia.

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Concentração

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A minha primeira experiência com a crítica foi através da revista de banda desenhada Tintin, que publicava histórias em continuação, duas a quatro páginas por semana. Uma bd de quarenta e oito páginas prolongava-se por vinte e quatro semanas, o equivalente a uma temporada televisiva actual.

É claro que, de semana para semana, o suspense era muito. Os autores adaptavam as suas histórias ao formato e cada página terminava sempre com um tiro, um grito, uma explosão, uma surpresa, que na maior parte dos casos era apenas um falso alarme. Lembro-me de ler compulsivamente, durante dias, a mesma página à procura de pistas que pudessem dar a entender o que podia suceder na semana seguinte.

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O Mapa enquanto Logo

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Da propaganda associada à Exposição Colonial de 1934, no Porto, fazia parte este mapa, organizado por Henrique Galvão, e intitulado “Portugal Não é um País Pequeno”. Seria usado durante quarenta anos pelo Estado Novo para representar, nas salas de aula e instituições do regime, as pretensões imperiais portuguesas, e era efectivamente um logótipo para Portugal como suposta grande potência europeia.

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Já reparou que ninguém repara no design português?

O anúncio ocupa uma página inteira. É a fotografia de uma sala pouco mobilada, de variação tonal reduzida – bege, branco e castanho – ilustrando o bom gosto espartano mas genérico que se pode comprar na Ikea ou na Habitat. Integrada na imagem, aparece a pergunta: “Qual destas peças conquistou mais prémios de design?” Calcula-se que uma pessoa normal diga que foi o candeeiro, o sofá ou a pintura. A resposta do anúncio – “Curiosamente, foi o jornal” – codifica um sentimento de inferioridade em relação ao design de equipamento, de moda ou de interiores, bem entranhado no design gráfico português (já referido noutro texto deste blog).

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Julgando pelas Aparências

Esta campanha política que nos é infligida diariamente é o pior que podia ter acontecido ao design gráfico português. Graças a ela, a acusação mais humilhante que se pode fazer a um bom cidadão é que se preocupa demais com a imagem em vez dos chamados assuntos de fundo.

Este discurso assenta numa ambiguidade propositada entre comunicação e publicidade: acusa-se o adversário de ‘vender o peixe’ em vez de falar ‘do que interessa’. É claro que a estratégia é reversível – quando se atira esta pedra ao telhado de vidro do outro, ele pode sempre reutilizá-la. A única maneira de alguém escapar é trancar-se em casa, caladinho e fora do alcance dos jornalistas, câmaras de televisão, microfones, etc – tipo Leonardo DiCaprio no The Aviator.

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Conversa de Vendedor

Há uns anos, quando houve o referendo em Timor, a opinião pública portuguesa discutiu— sem o saber e sem nunca ter usado a palavra em questão — um problema de design.

A coisa tinha a ver com os boletins de voto. Segundo parece, os timorenses tinham como hábito riscar as opções com que não concordavam, podendo votar inadvertidamente contra a autodeterminação. Não sei se esta era uma preocupação legítima ou um mero excesso de zelo democrático, mas alguns comentadores sugeriram possíveis alterações da configuração e preenchimento dos boletins de voto, a inclusão de instruções visuais, etc.

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Abril é Evolução

A supressão minimalista, quase tipográfica, de apenas uma letra vem inverter todo o sentido de um acontecimento histórico. É um trocadilho muito “design” (entenda-se “sofisticado” ou simplesmente “publicitário”). É o tipo de recontextualização que os designers e os copywriters gostam de engendrar. Neste caso, só chateia porque estamos a falar de coisas sérias ou (pelo menos) políticas.

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Coisas Avulsas

– Amanhã, mais umaPecha Kucha.

– A quarta série Great Ideas da Penguin é mais uma vez incrível, em especial este.

– Inscrições até 9 de setembro para a masterclass de David Reinfurt, dos Dexter Sinister, nas Belas Artes de Lisboa, dia 12 de Setembro, às 17h30.

– Eu sabia: vem aí a Emigre nº 70

FBA distinguida com três galardões Red Dot Award

–Um dos melhores trailers de todos os tempos. Reparem na maneira como ele conta o filme todo sem mostrar realmente nada: "The Baaathroom..."

– Descobri-a no FFFFound, e tocou-me em todas as espécies de nostalgias possíveis, em especial aquela sobre os anos noventa, quando se faziam ilustrações em layers sobre os anos vinte. Gosto da maneira como mistura fotografias vintage com grandes barras de cores e toquezitos de capas da Pelican. Podem ver os trabalhos de Cristiana Couceiro no Seven Days.[Ups: Link corrigido.]

Imagens de genéricos de filmes.[Thx à Ana Carvalho]

–Um blogue a seguir: Design Diário de Sara Goldchmit.

–Para quem ainda não sabe: o Frederico Duarte tem um blogue onde documenta uma viagem pelo design brasileiro.

–Uma grande ideia: fotografias vintage 3D transformadas em GIFs animados.

–Soletrando com a Dock do Mac.

–Jorge Colombo desenha capa da New Yorker com o seu iPhone.

Vasco Granja morreu hoje.

JG Ballard morreu hoje.

–A Stella Artois produz uma campanha publicitária onde são usadas versões Nouvelle Vague de Jack Bauer, Die Hard e Eminem.

–Hoje é Dia de Ada Lovelace, a primeira programadora de computadores e filha de Lord Byron.

–Quem puder ir não perca: exposição, conferência e workshop de um dos meus autores favoritos de BD independente, James Sturm, na Esad e na Mundo Fantasma.

Será que os videojogos estão a preparar adequadamente as crianças para o Apocalipse?

–Reflexões sobre arquitectura e design pelos R2.

Datamoshing, a história de como um artefacto de compressão é utilizado em telediscos.

Atol, uma nova revista portuguesa online.

O Expresso entre os 5 jornais com melhor design do mundo segundo a SND (outra vez).
- Arquivo das Coisas Avulsas

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