The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Vale Tudo Menos Times Corpo Doze

Há quem diga que o melhor design é invisível e depois só se preocupe com o que está mais à vista. Por exemplo, a maioria dos designers portugueses só se aflige com os aspectos mais refinados do design de livros quando fala ou edita para outros designers. A obra de Tschichold, Goudy, Morison e Bringhurst é amplamente citada mas a sua aplicação concreta vai ficando adiada para dias menos apressados ou lucrativos.

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Filed under: Design, Fontes, Publicações

Tapumes

Tenho saudades do Porto2001.

A cidade estava cheia de tapumes. Andávamos pela rua como ratos de laboratório, por túneis e valas, por corredores de arame. Cada percurso demorava o dobro do tempo e era arriscado e lamacento.

Um único consolo: em todos os tapumes havia cartazes. Foi uma curta e estimulante idade do ouro do cartaz. Os meus preferidos eram os da Drop, logo a seguir os da R2. Mas foi um património visual que se perdeu. Para mim, aqueles cartazes foram o ponto alto do Porto2001.

Depois, voltaram as soluções do costume. Os “construtores civis” do design conquistaram a cidade. As DINs e Helveticas encheram os tapumes e depois as paredes. Os cartazes recuperaram o seu texto alinhado à esquerda, quase, quase suíço, por baixo das imagens pouco inspiradas da praxe.

Nada de novo.

Filed under: Cartaz, Design

"Não há condições"

Já ouvi alguns designers mais “velhos e experientes” dizerem que ainda não há condições para haver crítica ou teoria do design em Portugal. Às vezes, até acrescentam solenemente “Talvez daqui a dez anos”. É um ponto de vista interessante e conhecedor que devemos levar em conta; só tenho uma pequena dúvida: estão à espera que os Alemães (ou os Ingleses ou os Americanos) invadam esta merda e ponham tudo a funcionar?

A verdadeira crítica nunca espera pela boas condições. Responde sempre aos problemas do momento actual e do lugar presente. Dizer que é preciso esperar pelas condições ideais para haver crítica é uma contradição. Criticar só faz sentido quando as coisas correm mal.

A ausência de crítica leva a uma insatisfação asfixiante e nauseabunda a que algumas pessoas conseguem chamar “consenso”.

Filed under: Ética, Crítica, Design, Política

"Com o devido respeito…"

No filme Hollywood Ending, de Woody Allen, há um personagem que me faz lembrar certos designers portugueses: é um produtor de cinema que só diz coisas do género “Com o devido respeito, acho isso uma bosta” ou “Tal Pessoa é muito inteligente, mas mais valia estar calada” ou ainda “Falando construtivamente, isto devia ser proibido”. É um hábito que não é nem educado nem frontal e que, sinceramente, reduz a zero a credibilidade de quem o pratica.

De qualquer das formas, aplica-se muito bem à “””coragem“”” e à “””frontalidade“”” do espírito que reina no design português — só consigo escrever estas palavras entre muitos pares de aspas e em itálico. Na “””frontalidade corajosa do design português“”” não há substantivo insultuoso que não seja amplificado por um adjectivo paternalista.

Filed under: Ética, Crítica, Design, Política

Distância Crítica

As pessoas não se deviam queixar de Portugal ser um país periférico. Há tanto empenho e tanta dedicação em mantê-lo assim que nos devíamos orgulhar disso.

Um dos processos mais importantes da formação e manutenção da nossa periferia é o raio de acção da nossa crítica: nunca pode ser menos de trezentos quilómetros. Se alguém aponta publicamente — sem ser num café, num restaurante ou num corredor — algum defeito à produção dos “designers conhecidos da nossa praça”, cujo trabalho atingiu (sabe-se lá como) uma “qualidade indiscutível”, alguém lhe sussurra logo ao ouvido o tradicional “As coisas são assim…” ou o encorajador “Se não te calas, ainda te fodem…”

Dá logo vontade de entrar para um programa de protecção de testemunhas.

Filed under: Ética, Crítica, Design, Política

Massa Crítica

Uma crítica não é um comunicado de imprensa. A diferença devia ser óbvia: um comunicado de imprensa é uma espécie de publicidade que os comissários, coordenadores ou programadores de eventos enviam para os media, onde é publicada depois de corrigidos os erros de português e a adjectivação mais entusiástica.

Em Portugal, por falta de coragem, pachorra ou condições, não existe crítica do design. Em alternativa, há quem chame crítica aos comunicados de imprensa e fique muito contente com isso. Mais sensatas são aquelas velhotas que se queixam nos autocarros: “Se isto continua assim, ainda chamo a televisão”. Ah, pois é…

Filed under: Ética, Crítica, Design, Política

Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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