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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Problema e o Consenso

Durante muito tempo disse-se que o designer resolvia problemas. Nos últimos anos, o chavão foi actualizado e o designer começou a “promover consensos entre profissionais das mais diversas áreas”. Os mais cínicos dirão que nada mudou; — são apenas coisas que se dizem e não afectam essencialmente a realidade.

De certa forma, os cínicos têm razão: o “designer que resolve problemas” não desapareceu, nem foi substituído. O verdadeiro objectivo desta nova definição é clarificar aquilo que se tornou mais importante “resolver”: os “problemas” pertenciam à esfera objectiva, ao mundo das coisas; os “consensos” já tratam explicitamente de pessoas, das suas opiniões e das suas emoções. Não é muito difícil perceber qual é a versão mais “interessante”.

Nas sociedades capitalistas e/ou democráticas são sempre necessárias actividades de formação e manipulação das opiniões. Dizendo-se criador de consensos, o design reafirma a sua disponibilidade para assumir tais funções. Não é uma ambição nova — sempre existiu ao longo de toda a sua história.

O design é uma disciplina normativa e, essencialmente, criadora de conformidade. Seria possível afirmar que resolve problemas sem realmente os problematizar. Na realidade, não os resolve mas dissolve-os em soluções supostamente universais.

Não se pense também que esta “criação de consensos” se limita ao design que serve os interesses comerciais, políticos ou corporativos. É especialmente útil nas actividades culturais que são cada vez mais vistas como tarefas essencialmente administrativas, geridas por comissários e entidades corporativas e onde não há lugar para críticos ou descontentes.

Muito do design “alternativo” e “transversal” que tem aparecido não faz — nem pretende fazer — qualquer tipo de oposição, nem constitui uma vanguarda em relação ao design mais comercial. Limita-se a “lavar” objectos e conceitos mais extremos ou críticos, reencenando-os no contexto tendencialmente acrítico e definitivamente comercial do design.

Como evitar isto tudo? O antídoto tradicional para os consensos forçados costuma ser a consciência crítica…

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Filed under: Ética, Cliente, Crítica, Cultura, Design, Economia, Política

2 Responses

  1. João da Concorrência diz:

    “O antídoto tradicional (…) costuma ser a consciência crítica…”

    Muito bem!
    Parece que finalmente chegamos a um consenso.
    Estou a brincar! Não concordo nada!
    Hoje acho que não se deve falar demais sobre design. Falar demais faz com que os que têm de pedir 200 000 por um manual de identidade fiquem sem saber justificar o orçamento, confusos e a contratar consultores de imagem que lhes tratem do sotaque, e dos sapatos…
    Depois não te admires que te venham perguntar:
    -Olha lá! Já que sabes tanta coisa, como é que eu vou para não sei bem onde?

  2. João da Concorrência diz:

    “O antídoto tradicional (…) costuma ser a consciência crítica…”

    Muito bem!
    Parece que finalmente chegamos a um consenso.
    Estou a brincar! Não concordo nada!
    Hoje acho que não se deve falar demais sobre design. Falar demais faz com que os que têm de pedir 200 000 por um manual de identidade fiquem sem saber justificar o orçamento, confusos e a contratar consultores de imagem que lhes tratem do sotaque, e dos sapatos…
    Depois não te admires que te venham perguntar:
    -Olha lá! Já que sabes tanta coisa, como é que eu vou para não sei bem onde?

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