The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Já reparou que ninguém repara no design português?

O anúncio ocupa uma página inteira. É a fotografia de uma sala pouco mobilada, de variação tonal reduzida – bege, branco e castanho – ilustrando o bom gosto espartano mas genérico que se pode comprar na Ikea ou na Habitat. Integrada na imagem, aparece a pergunta: “Qual destas peças conquistou mais prémios de design?” Calcula-se que uma pessoa normal diga que foi o candeeiro, o sofá ou a pintura. A resposta do anúncio – “Curiosamente, foi o jornal” – codifica um sentimento de inferioridade em relação ao design de equipamento, de moda ou de interiores, bem entranhado no design gráfico português (já referido noutro texto deste blog).

O anúncio não procura contrariar este preconceito – confirma-o, oficializa-o, salvaguardando apenas uma excepção: o Público e os seus suplementos. São excepcionais porque parecem desafiar a ordem aceite das coisas, onde os candeeiros e os tapetes valem sempre mais que os jornais.

Paradoxalmente, um outro anúncio, desta vez televisivo, revela precisamente que os portugueses não reparam no tipo de objectos que o Público aspira ultrapassar. Neste caso, uma alegoria demonstra-nos que se não houvesse design português seria difícil notar a diferença (alguns manequins não teriam roupa, algumas pessoas bem vestidas andariam descalças, o sempre falível e heróico programa espacial estaria às escuras).

Estes anúncios lamentam a invisibilidade do design português e recriminam discretamente o espectador por isso, assegurando-lhe que, apesar de tudo, não faz mal: o bom design faz o seu serviço mas ninguém repara nele – é invisível.

Há muito tempo que os designers produzem regularmente este tipo de lamúrias em privado. Pelos vistos, agora também as usam como forma de promoção. Espero que não estejam à espera de grandes resultados.

Filed under: Crítica, Cultura, Publicidade

13 Responses

  1. João da Concorrência diz:

    Um dos problemas da crítica escrita, é o de que não usufrui de um espaço apropriado para o seu espectáculo. Um gajo tenta na mesma porque há textos que valem a pena:

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  2. João da Concorrência diz:

    Um dos problemas da crítica escrita, é o de que não usufrui de um espaço apropriado para o seu espectáculo. Um gajo tenta na mesma porque há textos que valem a pena:

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  3. Anonymous diz:

    comé João? é pela nota? o mário dá-te nota? ou conhece alguém que dá?
    de todos os textos bem mais complexos, apurados e pertinentes que este blog tem, decides pronunciar-te assim sobre este, que é de todos, um dos mais lamentáveis.

  4. Freezahttp://www.nozes2modblog.com diz:

    até os designers portugueses se deitam abaixo uns aos outros, como querem que isto ande para a fente?

    ja tou como diz ao outro, temos é de atacar os mercados internacionais, assim como os outros fazem.

  5. Freeza diz:

    até os designers portugueses se deitam abaixo uns aos outros, como querem que isto ande para a fente?

    ja tou como diz ao outro, temos é de atacar os mercados internacionais, assim como os outros fazem.

  6. Ressabiator diz:

    Não acho que se deva defender o design português apenas por ser português.

    O nosso design só pode ser verdadeiramente competitivo se for criticado e melhorado constantemente.

    Proteger acriticamente o design português só vai torná-lo ainda mais irrelevante e desajustado.

  7. Anonymous diz:

    >Proteger acriticamente o design
    >português só vai torná-lo ainda mais
    >irrelevante e desajustado.

    Concordo mais uma vez, com o Sr Ressabiado.
    –venham mais 10 blogs destes, eu aplaudirei a sua chegada.

  8. Anonymous diz:

    Há qualquer coisa na estratégia da comunicação de internet que me incomoda e causa desconfiança. É impressão minha ou o autor do blog vem para aqui como anónimo, fazer críticas de elogio do próprio?
    Isso é mauzinho… mas vai escapando nas entrelinhas.

  9. Ressabiator diz:

    apesar de concordar com tudo o que digo, não sou nenhum dos anónimos…

  10. Anonymous diz:

    que prontidão de resposta!
    vá-se lá saber…

  11. Anonymous diz:

    Pelo meu lado gostaria de ver mais crítica ao design português por aqui! Reconheço competência ao autor deste blog para a desenvolver e lamento que por vezes as entradas recaiam continuamente numa certa amargura constatada e reiterada por todos. É a meu ver imprescindivel que a crítica se faça e que ela seja construtiva (não é sinónimo nem de condescendência nem de paternalismo) para que algo se comece a construir. Aponto como um exemplo daquilo que estou a defender a entrada As fontes têm memória?. Constitui uma boa crítica, bem desenvolvida e consistente na articulação da premissa deste site:Se Não
    Podes Pô-los a Pensar
    Uma Vez
    Podes Pô-los a Pensar
    Duas Vezes

    Ana

  12. Anonymous diz:

    Concordo com a Ana. Acho aliás que para existirem estes sítios na internet, que existam de um modo positivo.
    De certa maneira, pelo caminho que fazia o DesignerX nos últimos posts, crítico, aguçado mas com profundidade e na tentativa de obter respostas.

    Carlos Pontes

  13. NAME diz:

    O estado do design Português continua em aberto

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