The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Logos, Livros

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Embora aprecie os textos de Rui Tavares, confesso que só comprei O Arquitecto, uma edição da Tinta da China, pela capa e pelo design do seu interior, da autoria de Vera Tavares. Folheei-o para trás e para a frente, apreciando os pormenores gráficos, acabando por o deixar pousado sobre a gaveta da mesinha de cabeceira, no meio das canetas, dos CDs, das aspirinas, das revistas e do resto, à espera de oportunidade para escrever sobre ele.

Um dia, reparei numa mancha negra na lombada. Estremeci, pensando que tinha deixado o livro encostado à ponta de uma caneta, mas passado algum tempo reparei que todas as cópias na Fnac tinham uma mancha igual – o borrão era uma variação astuciosa do logo e do próprio nome da editora.

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É relativamente raro ver uma boa capa de livro, mas é bastante mais raro ver uma capa que consegue integrar de maneira inventiva os elementos mais “institucionais” do seu design, como o logo, o nome da editora, o código de barras e as citações de imprensa (um bom exemplo, com design de Rita Lynce, é a capa de The Shipping News, sobre a qual já escrevi há algum tempo).

Mais recentemente, na contracapa de The Girl From H.O.P.P.E.R.S., de Jaime Hernandez, editado pela Fantagraphics Books, o designer aproveitou o código de barras para servir de fundo a uma ilustração do autor e, desta forma, o rectângulo habitualmente neutro do código de barras transformou-se em mais uma vinheta no conjunto de painéis da capa.

hoppers001.jpg

No entanto, nos casos mais comuns, a informação mais “institucional” é tratada de maneira a não estorvar demasiado, limitando-se a desempenhar a sua tarefa discretamente. Poderíamos imaginar a capa de um livro dividida em duas partes: uma dedicada ao design, com a imagem, o título do livro e o nome do autor; a outra dedicada à informação legal, editorial e promocional. Por vezes, as duas partes sobrepõem-se em camadas; outras vezes, a contracapa é reservada à informação graficamente mais aborrecida. Em alguns casos, a situação inverte-se, com a informação legal e editorial da contracapa a parecer mais interessante que a própria capa, como em Men and Cartoon, de Jonatham Lethem (contracapa à esquerda).

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Mas, numa capa de livro, tudo é tinta sobre papel – design, portanto – e a divisão entre design e informação “institucional” é, em larga medida, imaginária, como qualquer um exemplos anteriores demonstra. Contudo, reparei que, nas aulas de book design, muitos dos meus alunos reproduziam esta divisão, mesmo não sendo obrigados a fazê-lo, mesmo quando isso prejudicava o design no seu todo, o que comprova que até as divisões imaginárias têm a sua força.

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Filed under: Banda Desenhada, Crítica, Design, Ensino, Logos, Publicações, Tipografia, , , , , ,

One Response

  1. Errata:

    A capa de The Shipping News é da autoria de Rita Lynce, e não de Vera Tavares.

    As minhas desculpas pelo engano.

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