The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Design > Designers

Outro dia, um amigo chamou-me a atenção para o concurso da nova imagem da Ordem dos Arquitectos. Ele achava estranho que uma das condições para concorrer fosse ser membro de uma das associações de design, a AND e a APD. A inscrição só era obrigatória se não se tivesse o curso de design e era precisamente isso que causava uma certa estranheza.

Parecia-me um recuo em relação às intenções originais de cada uma das associações, que defendiam que só designers formados poderiam exercer design. Neste momento, e pela leitura do regulamento e do FAQ, fica a ideia que os princípios foram trocados por meia dúzia de quotas – quem se quiser tornar num designer à la minute, só precisa de se inscrever numa das associações e a coisa fica resolvida.

Pela minha parte, a reviravolta não surpreende. O peso político – e o tamanho do cofre – das associações depende do número de membros, portanto não me parece que recusem um ou outro designer não licenciado, bastando-lhes para isso invocar o sempre elástico “reconhecido mérito”.

Notem que digo isto para assinalar uma falha de coerência, e não por partilhar da ideia de que só designers formados numa escola têm a capacidade para exercer competentemente design. Apesar de dar aulas numa universidade, incomoda-me um pouco a ideia de que deve ser obrigatório aprender design numa escola. As escolas ajudam, têm recursos, poupam tempo, mas não são uma condição absolutamente necessária para exercer design.

Neste aspecto, acredito que o design está mais próximo da literatura ou das ciências humanas do que da medicina ou da engenharia. É como uma linguagem ou uma ferramenta de acesso universal de que os designers são utilizadores especializados. Por isso, parece-me irrealista tentar condicionar ou mesmo proibir o acesso de quem quer que seja à prática do design. Seria como dizer que só quem tirasse um curso de letras poderia ser autorizado a escrever português.

Poderão pensar que estou a desvalorizar o design, pondo-o ao alcance de todos, mas não estou a dizer isso. Acredito que o design é uma actividade digna e que deve ser exercida com dignidade. Não acredito, porém, que limitar artificialmente o exercício do design ajude a essa dignidade. Retomando a metáfora, seria como limitar o uso do português a uns quantos eleitos e depois queixar-se de que ninguém o sabe escrever.

Parece-me que o problema da dignidade do design português é outro. Poucos designers portugueses estariam dispostos a dar uma opinião negativa sobre o trabalho de um colega em público, o que é a mesma coisa que admitir que nenhum designer pode garantir a qualidade do design produzido por um colega – se não se pode dizer mal, dizer bem pouco ou nada vale. Tendo isto em conta, parece-me trivial distinguir entre quem tem ou não o curso de design.

Finalmente, não me parece estranho que este género de condições apareça num concurso ligado à Ordem dos Arquitectos. Afinal, trata-se das duas associações a mostrarem que estão à altura dos arquitectos, com a sua ordem e tudo o mais. O controle sobre quem exerce ou não o design dá também a entender a eventual criação de uma ordem do design – mas as ordens não são de todo consensuais. O objectivo declarado de uma ordem é a auto-regulação de uma actividade profissional em nome de um interesse público, mas frequentemente se chega à conclusão que defender os seus membros e defender o interesse do público acaba por ser a mesma coisa, resvalando para a mera protecção corporativa. Considerando a falta manifesta de apetência do design português para a auto-crítica – e portanto para a auto-regulação – não me parece que a ideia de criar uma ordem seja bom agoiro. Talvez os designers saíssem mais protegidos do negócio, mas quem iria proteger o resto das pessoas dos designers?

Originalmente, chamei a este texto “Design & Dignidade”, mas “Design > Designers” é um título melhor. Um designer lê provavelmente a expressão como “O Design para os Designers”, interpretando o “>” como uma seta; outra pessoa leria simplesmente “O design é maior que os Designers”.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, ,

29 Responses

  1. As escola ajudam, têm recursos, poupam tempo, mas não são uma condição absolutamente necessária para exercer design.

    Arrisco em fazer uma comparação (talvez idiota, mas não resisto): para exercer jornalismo, é necessário estudar numa escola? Podia ser seguida a mesma lógica, e às tantas há jornais com jornalistas não licenciados, mas será que quero comprar e ler um jornal assim?

  2. Tanto quanto sei, para exercer jornalismo não é necessário uma licenciatura, embora seja obrigatório estar inscrito na ordem. Muitos jornalistas não tiraram o curso na área. Conheço pelo menos um que não tem sequer uma licenciatura (de qualquer espécie) e não me parece que isso o torne um jornalista pior (trabalha no Público).

  3. Tiago C diz:

    Até que ponto existe alguma área em que seja absolutamente necessário frequentar uma escola? Acho que nenhuma… ser autodidacta é, na minha opinião, muito mais complicado do que simplesmente tirar uma licenciatura. No entanto também acho que uma licenciatura é “uma licença para aprender”. Dizer a um aluno “és licenciado” significa, para mim, dizer que “tens o conhecimento necessário para aprenderes por ti próprio”.

    Agora… uma escola facilita muito o processo de aprendizagem até porque ser-se autodidacta implica uma maturidade e disciplina extremas.

    Todos sabemos escrever, mas nem todos podemos/queremos ser escritores. Teoricamente, todos exercemos design, mas nem todos podemos/queremos ser designers.

  4. O tema nem é o jornalismo, e apenas o referi como exemplo para tentar expor o meu ponto de vista, que é mais ou menos este: será que se deve recorrer a designers não licenciados (ou não pertencentes à “ordem”) e como “regula(menta)r” as excepções (como aceitar inscrições na “ordem”)? Ou seja, mesmo para pertencer ao Clube dos Jornalistas é necessário (para exercer a profissão de jornalista) “concluir com aproveitamento um estágio obrigatório de 24 meses (…)” (via). (Não quis dizer que todos os jornalistas não licenciados são piores (e nem todos os jornalistas do Público são melhores)…)

    Espero ter conseguido explicar-me melhor.

  5. luís diz:

    Caros, para exercer jornalismo não é preciso pertencer a nenhum clube, o mesmo se passa com a prática do design. Para o bem e para o mal – são factos.

    Eu tenho um ponto de vista sobre o assunto mas compreendo a complexidade da questão para ser discutida por esta via (e não estou a descartar-me dela, porque acho que devemos ser responsáveis ao assumir posições). Também compreendo que é uma questão que provoca, acima de tudo, muita comichão a muita gente. Podemos navegar um pouco atrás neste mesmo blogue, até 26 de Agosto de 2006, e ver a discussão que o texto O Direito à Burocracia, acabou por criar.

    Quanto ao texto actual, acho que está realmente muito bom. Quando tinha 14 anos já planificava fanzines, desenhava flyers e cartazes para concertos, fotografava e fazia as capas para as demos que as bandas dos meus colegas lançavam. Na altura, tal como agora, com 31, não estava à espera de ser aceite em qualquer tipo de clube, ou receber qualquer título quanto ao que andava por ali a fazer. O meu trabalho era e continua a ser um bocadinho tosco, mas todos os dias quando saio à rua, a quantidade de coisas impressas tremendamente toscas acaba por ser de tal maneira esmagadora que chego muitas vezes a pensar – será que esta gente não tem olhos na cara? (isto até parece de uma certa arrogância e espertigaitice, mas não deixa de me acontecer e nesses momentos sou eu o tipo com comichão)

    Independentemente de todo o meu percurso académico e de todas as escolas por que passei, e já foram algumas, não estou à espera de ser regulado ou afiliado em algum clube. No entanto, se algum dia tiver mesmo que fazer uma opção, acho que vou escolher o FC Porto.

  6. Kapas diz:

    Na minha opinião não faz sentido esse concurso ser exclusivo para designers inscritos nas associações mencionadas. Trabalho com uma pessoa que não tem qualquer licenciatura e o próprio nunca diz que é designer. Mas trabalhar vinte anos na área não chega para concorrer a um concurso?Pode não ter curso, mas a experiência neste caso fala mais alto que uma licenciatura.

    O último parágrafo diz muito mesmo, duas interpretações reais.

    Cumps.

  7. cetes diz:

    O que eu acho mesmo é que este concurso devia ser apenas destinado a arquitectos! Não percebo porque é que neste caso lembraram-se que existem designers gráficos!!!!
    Já estou a imaginar a quantidade de arquitectos que se roeram de inveja por não poderem participar!!!!
    Quase de certeza que foram ao google escrever “Associação de designers em Portugal” para descobrir que existem associações para estes “Desgraçados”.
    Tenho um irmão arquitecto FAUP e habituei-me a chatear-me com ele sempre que ele tentava fazer o seu próprio Logo, mais tarde percebi que era normal os arquitectos arriscarem-se a tal!!!!, não tenho nada contra, também acho que não é preciso ter uma licenciatura em design para ser um bom designer. Agora o que eu sei é que este era o ultimo concurso em que me atreveria concorrer.
    Será que isto vai mudar alguma coisa, ou será que este concurso vai apenas despoletar uma guerra!!! Designers > Arquitectos VS Designers < Arquitectos!!!!!

  8. --- diz:

    Bem, costumo dizer que as Ordens são um mal necessário.
    Contudo é necessário estabelecer Regras, (regras rígidas) para um determinado equilíbrio não temos que olhar para o jornalismo e outras disciplinas temos que olhar sim para o design, e procurar criar algo sólido e Coerente. Igualmente o Designer deve ser responsabilizado pelos os seus actos, ou seja ser designer implica ser socialmente responsável.
    Poderemos ver que o ensino das artes em Portugal se encontra totalmente desarticulado, por falta de coerência e organização entre as diversas disciplinas.
    Primeiro é necessário estabelecer Hierarquias entre as diversas especialidades de design etc…. A muito a Fazer
    incluindo a mudança de mentalidades…
    “Acredito que o design é uma actividade digna e que deve ser exercida com dignidade.”
    Define dignidade na profissão? Usar tipografia ilegal é dignidade? etc….
    “Apesar de dar aulas numa universidade, incomoda-me um pouco a ideia de que deve ser obrigatório aprender design numa escola. As escola ajudam, têm recursos, poupam tempo, mas não são uma condição absolutamente necessária para exercer design.”
    Desculpa me que te diga, e desculpa o meu sarcasmo, então não vale a pena estares a dar aulas na escola, ou seja qualquer um te poderá substituir com ou sem Licenciatura mestrado etc, pois não fazes nada de diferente…. de que os outros… etc ou para dar aulas é necessário ter qualificações e para exercer a profissão não ? Bem na minha opinião é que temos de mudar este tipo de mentalidades, contudo é só a minha opinião…

  9. Boa parte do que faço e ensino – sobretudo escrever sobre design – não me foi ensinado na escola. Portanto, acredito que a crítica de design deve ser ensinada na escola, mas não precisa de ser aprendida na escola. Um crítico de design pode perfeitamente fazer um bom trabalho sem um curso de crítica de design – ou mesmo de design. Se acreditasse no contrário, mais valia calar-me.

    No caso do design, acontece demasiadas vezes que a única diferença entre um amador e um designer que tirou um curso é que o amador faz um trabalho melhor. As duas associações ao aceitarem designers sem curso parecem concordar com isso, e espero que, se algum dia se transformarem em ordens, não se esqueçam de todas essas pessoas sem curso que pagam as quotas.

    Não vejo contradição nenhuma entre dar aulas e acreditar que essas aulas não são absolutamente essenciais à formação de alguém. Ao contrário da medicina, da física nuclear, da engenharia ou mesmo na arquitectura, não há numa escola de design recursos que não possam ser adquiridos por um preço razoável, sem nos ser pedido o canudo – computadores, livros ou os serviços de uma gráfica, etc. Não me cheira que alguém sem um curso, mas que trabalhe como designer há uma década ou mais, sinta mais respeito pelas escolas se for obrigado a contratar um designer formado só para poder concorrer a um concurso, comprar o Photoshop ou assinar o trabalho na gráfica – que é o que está implícito no regulamento deste concurso.

    Quanto às fontes, não me parece que uma ordem venha acrescentar grande coisa às leis de propriedade intelectual. Por outro lado, – já que se fala do assunto –, se algum dia houver uma ordem, acho que os criadores de fontes só deveriam vender as suas fontes a designers ou empresas que contratem designers (seria um aumento “aumento” substancial de clientela). Da mesma maneira, se houver uma ordem, os designers só deveriam exercer mesmo design. Não poderiam pôr música (Adeus, 75% dos DJs) e, se quisessem formar uma empresa, mesmo que a título individual, deveriam contratar um empresário (sim, também já há cursos disso).

    PS – Há milhares de excelentes designers neste mundo que nunca foram às minhas aulas, portanto não acho que sejam absolutamente essenciais à formação de um bom designer – ajudam, poupam tempo, fornecem recursos, mas essenciais? De resto, tenho a certeza que alguns não -designers fariam, com toda a certeza, melhor trabalho que eu: Rick Poynor ou Reyner Banham, na parte teórica; para as coisas práticas, David Carson, um exemplo clássico de designer amador, mas também Stanley Morison, que já foi definido por Sebastian Carter como um “amador com interesses académicos”.

  10. --- diz:

    “Posso acreditar que o design é importante, posso acreditar que as aulas são importantes, mas acontece demasiadas vezes que a única diferença entre um amador e um designer que tirou um curso é que o amador faz um trabalho melhor.”
    Bem, então concordas, que para as coisas chegarem a este ponto, que o amador faz melhor que o licenciado, alguma coisa está mal no ensino, principalmente nas universidades e nos professores e programas. Até poderíamos argumentar a “prática” do amador face a um aluno recém licenciado… sem meios práticos devido a (falta de oficinas de impressão na faculdade etc…)

    Mas mesmo assim depende da definição de design, e de qual o papel do design na sociedade…

    Ao contrário da medicina, da física nuclear, da engenharia ou mesmo na arquitectura, não há numa escola de design recursos que não possam ser adquiridos por um preço razoável, sem nos ser pedido o canudo – computadores, livros ou os serviços de uma gráfica, etc.

    Enganam se aqueles que pensam que design esta a uma distancia de um clic, de um leitura de um livro, e já agora para seres Médico podes sempre ir aqui ao pais vizinho… para seres engenheiro podes tb comprar livros de programação, livros de montagem de circuito integrados etc, penso que não será por ai … fora aqueles casos em que vês médicos em hospitais a exercerem profissão sem os pré requisitos legais…

    Mas é como eu digo, depende da definição de design (leccionada nas universidades) e o que se intende por design… E é como digo não podemos olhar para os outros temos que concentrar-nos em design. As Outras disciplinas já tem a sua ordem (boa ou má) feita a sua medida, nós temos é que no preocupar com o design, e é como eu te digo as Ordens são uma Mal necessário, e se acontece isso, então é porque não estão meramente interessadas em proteger a profissão, não á volta a dar, temos de ser coerentes, e além disso na minha opinião ser um membro licenciado numa ordem que aceita não licenciados era um motivo suficiente para abandonar essa associação, nem pensava duas vezes…

    “Quanto às fontes, não me parece que uma ordem venha acrescentar grande coisa às leis de propriedade intelectual”

    Claro que uma ordem não acrescenta nada em relação as leis da propriedade intelectual, o que eu queria dizer é que tudo tem de funcionar de forma coerente e transparente..
    O que adianta ter uma lei de propriedade intelectual?? Não hã fiscalização… Quantos tipos de letra ilegais não andam por ai espalhados… e não acontece nada… etc…

    Não adianta andar a rodear a questão, ou as coisas são levadas a sério e de forma ordenada, ou nunca mais se sai disto por mais argumentos que se possam apresentar…

  11. “Bem, então concordas, que para as coisas chegarem a este ponto, que o amador faz melhor que o licenciado, alguma coisa está mal no ensino”

    Não concordo, porque o que eu disse é que há demasiados amadores talentosos para que o ensino seja uma condição determinante para ser um bom designer. As escolas, umas mais do que outras, são boas a fazer o que fazem que é ajudar, fornecer recursos, poupar tempo.

    De resto, poucos ateliers estariam dispostos a pagar um salário a um designer recem-formado, mesmo que tenha saído das melhores escolas, preferindo tê-lo a trabalhar de graça durante uns meses só para ver se a coisa funciona, portanto, quando lhe dá jeito, nem sequer um designer acredita que uma escola pode formar um designer.

    Quanto às comparações com a medicina, a engenharia, já disse tudo o que tinha a dizer no post original: “acredito que o design está mais próximo da literatura ou das ciências humanas do que da medicina ou da engenharia.”

    Acho contraditório pensar no design como um caso específico – “não podemos olhar para os outros temos que concentrar-nos em design” – e ao mesmo tempo dizer que temos que ter uma ordem só porque os outros também têm. E, como já disse no post, não se trata de estar interessado ou não em proteger a profissão: as ordens não foram feitas para proteger uma profissão, mas o interesse público.

    Na questão da propriedade intelectual – e da fiscalização –, mais uma vez não vejo o que uma ordem tem de absolutamente essencial para resolver o assunto. Também continuo sem ver qual a relação entre levar o design a sério como uma profissão, instituição, etc. e a criação de uma ordem. (Há inúmeros países onde não há ordens do que quer que seja e a actividade é regulada directamente pelo Estado.)

  12. --- diz:

    Acho contraditório pensar no design como um caso específico – “não podemos olhar para os outros temos que concentrar-nos em design” – e ao mesmo tempo dizer que temos que ter uma ordem só porque os outros também têm. E, como já disse no post, não se trata de estar interessado ou não em proteger a profissão: as ordens não foram feitas para proteger uma profissão, mas o interesse público.

    Não é minha intenção dizer, que somos obrigados a ter uma ordem, mas sim uma actividade regulada e protegida por algum órgão coerente… nem só porque os outros tem tb temos de ter… Apenas referi que as ordens são um mal necessário, pelo o menos para termos algum tipo de órgão regulamentador….

    “Na questão da propriedade intelectual – e da fiscalização –, mais uma vez não vejo o que uma ordem tem de absolutamente essencial para resolver o assunto.”

    Este assunto, referiu se a “Acredito que o design é uma actividade digna e que deve ser exercida com dignidade.”
    A qual acabas te por te desviar… não percebendo qual os teus padrões de profissão digna?

  13. Defino dignidade como ser respeitado a fazer o que faço. Isso implica ser pago, se for esse o caso, mas também implica sobretudo ser levado a sério. Nesse aspecto, sempre achei que decretar a respeitabilidade através de mecanismos legais ou de protecção corporativa é uma das coisas estúpidas que se gosta de fazer em Portugal. É acreditar que só se é respeitado quando se tiver um papel do ministério a dizer “Respeitem-me”.

    Update – Notem, por favor, que não especifico quais os critérios para exercer o design com dignidade, porque não acredito que sejam diferentes dos de qualquer outra profissão e não precisando, portanto, de ser defendidos por uma ordem.

  14. Nelson diz:

    Sou novato em tudo isto. No entanto não deixo de ser um leitor assíduo deste santuário.

    Vejo aqui debatidos os problemas da autênticação ou não de um designer. Como sou leigo demais para falar sobre assuntos que abordem as associações de designers ou arquitectos, falo então da minha experiência enquanto aluno, bem recente por sinal.

    As prints dos meus projectos escolares foram todas feitas numa gráfica que, ironias à parte, era mesmo uma gráfica de esquina.
    Lá dentro trabalham dois gajos super porreiros em que um deles se intitula designer. O gajo “amanha-se” no Corel e de vez em quando deve ir ao Photoshop para apagar alguma assinatura de uma foto que ele “desconhece” o dono!

    Provavelmente, quem ler isto deve pensar que eu tou a dar um exemplo como há milhares, ou, por outro lado devem pensar que toda esta história se passa na terra do sol posto.

    Qualquer uma delas é válida. O designer da gráfica da esquina, além de designer é também impressor, account e tesoureiro. Muitas vezes ponho-me a pensar..
    “Este gajo não tem conceito em qualquer trabalho, não há métricas, não sabe o que é tipografia adequada a um projecto…), no entanto compreendo-o quando ele se intitula designer, pois o target para o qual ele trabalha percebe-o na perfeição. Sendo assim ele cria e promove informação de um modo atabalhuado, mas simples e eficaz tendo em conta ao que ele se propôs.

    Não é designer licenciado nem nada que se pareça, mas até que ponto podería ficar excluído de concorrer a algo.
    Há trabalhos de gurús que me fazem mais comichão do que posters para as festas dos “arraiais” feitos por este designer de esquina. Mas lá está, uns rabiscos do Sagmeister têm sempre conceito e trá lá lá…se fosse do designer multifunções era ruído e lixo!

  15. Pedro Cortesão Monteiro diz:

    Caro Mário Moura,

    Porque estou ligado à organização do dito concurso, creio poder esclarecer, a título pessoal, alguma coisa (pelo menos sobre as intenções original do regulamento).

    Sendo um arquitecto com um interesse particular pelo Design (e, já que estamos numa de medalhas, com formação complementar em Design), de há muito ligado ao ensino do Design, sempre foi minha opinião que o concurso deveria excluir os arquitectos (e, acredite, que para muitos isso não era/é nada óbvio.) Entendia eu, e de resto os meus colegas do CDN da OA, que esta seria uma boa ocasião para reconhecer as competências específicas de cada profissão (afinal algo por que a OA anda a lutar há anos) e tornar explícito perante os arquitectos que o Design não é uma coisa que eles dominem e que possam fazer ao domingo à tarde quando estão para aí virados.

    Tendo sempre sido nossa intenção fazer um concurso aberto (e não por convites) pelas mesmas razões de príncipio e de coerência, restava saber como limitar as participações a Designers sem excluir a possibilidade de participação de alguns profissionais de reconhecido mérito que não possuem a licenciatura (alguns porque não seria sequer possível, ao tempo, tê-la).

    Convenhamos que não era muito fácil de resolver e a “fórmula” da inscrição nas associações ou no CPD foi a única que nos pareceu praticável e defensável. Claro que não é só por si garante de coisa nenhuma e que podia dar azo ao uso maciço do atalho das inscrições de última hora. Ao contrário do que sugere no seu primeiro texto, isto não foi uma sugestão (e muito menos uma imposição) dessas instituições, mas sim a fórmula encontrada por quem na OA se dedicou à elaboração do regulamento. Se daí resultou um aumento dos associados, e consequentemente das receitas, dessas instituições, creio que tanto melhor. Sobre a possibilidade dessas instituições aceitarem a inscrição de não-designers (ou melhor, de designers “não-encartados”) e de daí poder resultar uma subversão – a tal “falha de coerência” – do regulamento, é verdade que esse risco existia. Caber-lhes-ia a elas, em última instância, decidir quem é que poderia ou não ser reconhecido como designer. E ainda bem, digo eu. Acho que deve ser prerrogativa dessas associações – que são as que existem – aceitar aqueles cuja prática profissional comprove serem de facto designers, independentemente de conseguirem “confirmá-lo” com um canudo. Venha um dia a tal Ordem a ser criada – e também tenho dúvidas sobre a sua utilidade – e suponho que terá que fazer a mesma coisa. Daciano da Costa e Sebastião Rodrigues – só para dar dois exemplos maiores e portugueses – não eram designers? E houvesse uma ordem ao seu tempo não os admitiria? Não os deveria admitir?!
    Creio que nisto estamos de acordo.

    Enfim, veremos como é que os designers resolvem esta equação difícil quando tiverem que pôr a concurso a imagem da sua putativa Ordem (ou das suas associações)…

    Um abraço e mais uma vez obrigado pelo excelente trabalho.

    p.

  16. alexandre diz:

    A piada do Design gráfico, para mim, é a hipótese de ser
    uma área de ser exercida por qualquer um, tenho conhecimento de muitos que por exemplo, acabaram um curso de química e tornaram-se designers. Nesta área é fundamental
    a vivência/experiência pessoal, porque os “Mundos” de cada um traduzem-se em novas visualidades, regeneram o mundo
    gráfico.
    Quanto mais importante for uma área de conhecimento, maior será a probabilidade de existir uma Ordem ou associação.

    Design Gráfico aparentemente não é importante.

    🙂

  17. Alexandre:

    Muita da argumentação a favor da criação de uma ordem defende que se o design é importante, então deve ter uma ordem. Daí salta-se para a conclusão que quem não quer uma ordem não acha que o design é importante. Isso é um erro de argumentação – uma coisa não deriva da outra.

    Pode-se achar que o design é importante e defender um sindicato dos designers ou uma associação profissional. Naturalmente, isto deriva da noção de cada um de como o design é importante.

    A minha dúvida é se o design quer ter a ordem porque é importante ou se quer ser importante, e por isso quer ter uma ordem.

  18. alexandre diz:

    O Design quer ser importante,
    porque nos interessa (aos Designers) ganhar mais dinheiro.

  19. gooyz diz:

    Sou Designer Gráfico e não tenho licenciatura. Comecei a trabalhar com 18/19 anos (1991) em pré-impressão, passei alguns anos a trabalhar numa mesa de luz e adaptei-me ás mudanças do aparecimento dos computadores, aprendi imenso nesta experiência de 8 anos. Autodidacta que sou e por ter o 12º ano na Escola António Arroio, fui contratado por uma fundação para fazer todo o tipo de trabalho de design gráfico até agora. O que vos posso dizer é que neste anos todos de profissão, ainda estou apaixonado por aquilo que faço. E o resto é secundário.

    Quero aqui felicitar este blog (que já o acompanho á imenso tempo) por tudo aquilo que me tem feito observar e enriquecer esta nossa porfissão. Obrigado.

  20. O design é para todos, feito por todos.
    As associações desempenham um trabalho importante na definição de códigos deontológicos da profissão. Os profissionais ficam com certeza agradecidos também por verem os seus direitos defendidos por estas instituições. No entanto, a medida que foi tomada pela Ordem dos Arquitectos anteriormente mencionada, apenas defende duas coisas: o licenciado em design que desenvolve um trabalho medíocre e o próprio júri do concurso de não saber o que escolher.
    E porque razão não podem os arquitectos participar? É verdade que conheço poucos que façam bom design gráfico (na minha opinião) mas isto não quer dizer que não existam excepções.
    O problema, a meu ver, não está no designer (amador ou não), mas sim no cliente sem formação que prefere pagar menos por um trabalho sem qualidade (seja ele feito por quem for) ou num júri (não me refiro agora a nenhum caso particular) que não sabe avaliar.

  21. Bem antes de mais dizer que se para se ser designer é preciso ter canudo então entro no “clube”.

    A mim a questão da ordem, lembra-me a questão da tradição académica, dos caloiros e veteranos, dos doutores e empregados… para mim são mecanismos de superiorização e inferiorização de seres humanos e de hierarquização social, que se baseie em arvores genealógicas, benefícios feudais ou graus académicos.

    Uma ordem dos médicos, advogados, arquitectos, engenheiros, justifica-se porque são profissões que implicam um grande impacto na vida e morte de seres humanos. Se o arquitecto e o engenheiro não cumprirem as normas que a ordem fiscaliza, a obra pode ruir e matar quem nela habita, o médico tem de ser responsabilizado pela sua negligência, o advogado também tem responsabilidades perante a vida do seu cliente ou empresa…

    E o designer? Se for gráfico mata alguém pelo mau uso da tipografia? Cores mal conjugadas dão dores de cabeça mas são fatais?

    O designer de produto ou de ambientes, ainda tem alguma responsabilidade, pois o seu mau design poderá ser perigoso para o consumidor mas o problema não se coloca, porque na indústria já existem normas e regulamentos que o designer e a empresa têm sempre de cumprir.

    Logo, para que serviria uma ordem de designers? Digo-vos eu para quê, para excluir todos aqueles que por motivos financeiros ou pessoais não consigam aceder ao ensino superior ou à formação, reduzindo imediatamente a concorrência e contribuindo para o aumento dos preços praticados por aqueles que podem inscrever-se numa ordem. Para que os membros da direcção da ordem possam excluir ou impedir o acesso à profissão dos seus “inimigos de estimação”. E mais que tudo, para que à semelhança da ordem dos advogados e outras, os recém licenciados tenham de trabalhar de graça por longos períodos antes de poderem ser considerados membros da ordem.

    Querem saber o que dignificaria a profissão de designer e impediria que sobrinhos, ou amadores fossem contratados para fazer “design” no photohop? A educação e formação da sociedade para o bom design!

    Mas o que é o bom design? É aquilo que meia dúzia de intelectuais de soirée gostam de ver? Obedece a regras? Quais? Quem tem legitimidade para as estabelecer? Será que uma disciplina assente somente em regras pode ser criativa? E afinal o que é o design? Pode ser arte? A arte pode ser design?

  22. Só queria acrescentar algo, principalmente por termos aqui alguém ligado à organização do concurso.

    Vou ao caso pessoal mas não serei caso único. Ora então, felizmente não me senti à altura para fazer a imagem da OA (não sentir não é não estar) porque senão teria sido excluído pelo regulamento. E porquê? Porque apesar de me ter licenciado com 16 valores num curso de design numa das instituições de ensino artístico mais antigas do país (precedido de um curso tecnológico de design) e de ter experiência profissional em vários ramos do design, nenhuma agência, estúdio ou empresa parece querer contratar-me (e neste momento não considero positivo continuar a ser freelancer) e logo não tenho os meios financeiros para pagar uma quota anual numa associação.

    Pergunto-me se serei então “designer”?

    Deixo também a minha simpatia ao Mário, porque apesar de ter estudado design, 80% daquilo que sei é devido ao auto-didactismo que exerço desde os meus 12 ou 13 aninhos quando decidi que ia ser designer quando fosse grande. Da mesma forma tive colegas que agora são licenciados que nem sabiam o que é um bleed, ou a lei da pregnância e que em 5 anos folhearam a quantidade de livros e artigos que consumo num mês.

    Será que se não tivesse o canudo deixava de saber o que sei?

    Provavelmente saberia ainda mais! Porque em vez de estar a seguir programas de outros, seguiria o meu programa teórico/técnico pessoal, tendo em conta as capacidades do meu exercício profissional desejado.

    E mais uma vez digo que mais útil que tentar implementar ordens era editar-se de vez em quando um livro sobre design em português, porque chega a ser triste tanto literatura de cordel editada e nada sobre o nosso design se encontra disponível.

  23. Já li e ouvi de todo o tipo de argumentos. Apenas posso dizer que como profissional, sinto obrigação de ser eticamente correcto para com os clientes e para os meus colegas. Agora o design está tramado numa coisa. (Todos os dias passo por isto.) Está limitado pelas leis do gosto de quem não consegue entregar nas mãos de um designer um trabalho com a mesma responsabilidade e desprendimento por uma função que, pelo facto de o ter procurado, não terá condições para o fazer. Já muitas conversas tive com os meus colegas sobre o facto dos clientes constantemente dizerem que não entendem como passamos tanto tempo para fazer um logotipozinho no computador. Quando isto acontece, apenas me apetece dizer: “se quer uma coisa feita na hora, peça na gráfica”. O problema está no mercado, e não apenas na nossa área. Toda a gente quer tudo o mais barato possível, muitas vezes ignorando a falta de qualidade. Muito bem, o barato poderá sair caro. Mas como já aqui vi, a responsabilidade cívica do designer não é elevada, quando comparada com o de um médico ou arquitecto. Para este último, em última instância, do engenheiro civil que o acompanha. Um médico é considerado em ser não humano, cujo erro é imperdoável, e poderá tirar a vida a alguém, da mesma forma que as extravagâncias da arquitectura poderão enfraquecer uma estrutura e ferir alguém se o edifício ruir, certo? Eu defendo a pés juntos que um arquitecto é um designer. Pela mesma metodologia e filosofia. O que os diferencia dos outros tipos de design é a questão da escala, longevidade e responsabilidade civil, nada mais. Não são seres superiores, num nunca serão, tal como os médicos, advogados, ou outras profissões com “ordens”. A ordem defende, na minha opinião e para além de outras variáveis, a questão da defesa do impacto negativo de um mau profissionalismo, sobretudo nestas profissões com impacto social elevado. Uma ordem para os designers? Apenas poderá, eventualmente, servir para me distanciar da prostituição. Recuso-me a ser comparado com alguém que faz um logótipo com os dingbats de uma fonte tipográfica em ttf de sistema, que não sabe discernir as leis do projecto e diferenciar um jpeg de um eps, vectorial de um bitmap, apenas para vender uns cartões de visita, sem visão estratégica empresarial, identidade, ou paginar um jornal no word em arial inundado de rios em texto mal justificado, a preços de hipermercado. Não coloco em questão o estuto, mas a incompetência e desentendimento da matéria, que nos retira a imagem de “profissionais”.

  24. M diz:

    Engraçado ser referido que não têm dinheiro para pagar quotas. Não têm 10 euros mensais para contribuir para o avançar do design em Portugal mas no entanto se for preciso gastam 10 euros numa bebida numa discoteca qualquer.
    É por essas e por outras que este país é um atraso, as pessoas têm as prioridades trocadas e não sabem gastar o seu dinheiro.
    Se as associações fossem um clube, um tacho, estariam cheias de sócios a tentar sacar um pouco do tacho mas como não são podemos ver que só servem para saco de porrada.
    É fácil ficar sentado no sofá a criticar aquilo que vemos na TV. Para arregaçar as mangas e mudar alguma coisa é preciso ter tomates, coisa que escasseia em Portugal, sobretudo na nossa classe profissional.

  25. Amigo M, não saio à noite porque não gosto, não vejo TV à excepção dos “noticiários” (se é que lhe podemos chamar isso), sou voluntário em associações e tenho um projecto associativo que visa exactamente a evolução do design em Portugal e não só, com base no esforço individual e sem recompensas materiais de vários dos jovens sem prioridades que levianamente e até revelando alguma bacoquice estereotipou.

    Alegro-me de o meu louvado colega não saber o que é estar desempregado e não ter dinheiro nem para comprar o passe de comboio para o mês seguinte (necessário para as deslocações para entrevistas sabe?), quanto mais 10€ para dar a uma associação que está preocupada em criar ordens de designers e não em discutir o problema da entrada no mercados dos recém-licenciados, a falta de publicações e espaços de discussão para o enriquecimento da matéria cinzenta nacional em termos de design.

    Eventualmente também será da opinião que podemos trabalhar de graça, julgando o meu profissionalismo e competências apenas nos dígitos da minha idade biológica e no seu gosto pessoal no que ao design concerne.

    Entristece-me é que seja tão rápido a estereotipar e criar retratos-tipo de pessoas que não conhece, aliás numa atitude típica de quem faz juízos do mundo com base do que vê na TV (irónico) e que tenha uma falta de sensibilidade, respeito e consideração pela situação de centenas de jovens designers que exactamente pela atitude pessoas do seu elevado calibre de julgamento, não têm a oportunidade de provar que sabem fazer o seu trabalho tão bem ou melhor, que muitos seniores.

    Mas concerteza será sua opinião que o dinheiro cresce das árvores e que que não tem um trabalho para o ganhar, o terá? Não serão os concursos uma boa oportunidade para recém-licenciados a quem é recusada uma mera entrevista, provarem aquilo que valem? É esse o cerne da minha questão, afinal o que conta é a licenciatura ou estar afiliado na “maçonaria do design”?

  26. Mário,

    Como aqui me queixei da falta de actividade editorial sobre Design por cá, não vou deixar de também falar numa das excepções à regra, que é o livro Design de Identidade e Imagem Gráfica de Daniel Raposo, editado pelo Instituto Politécnico de Castelo Branco, e à venda à cobrança pelo mesmo.

    Se quiseres saber mais podes ler no meu blog (www.emoglobina.blogspot.com), porque embora talvez tenhas lido no CPD, não havia lá referência sobre editora, preço e locais de compra, pelo que tratei de contactar directamente o autor para saber.

  27. José Eiras M. Rosário diz:

    Olá.
    Regressando ao início do artigo do Mário, creio que o objectivo do concurso era assegurar que apenas concorressem licenciados em design.
    Não estou de acordo com a ideia de que a inscrição ao curso era uma alternativa à licenciatura, porque isso só pode acontecer no caso da APD, já que pelo que li dos estututos das associações a AND apenas aceita quem tem formação e isso nãos e muda quando apetece…

    Por acaso eu acho muito importante que a OA decida que apenas quem tem formação em design pode concorrer, porque está a mandar uma mensagem aos seus associados que se dizem designers e a muitos outros a mostrar que estamos em pé de igualdade.

    Eu lembro-me que há uns anos para trabalhar em contabilidade não era necessário de ter um curso na área, mas que depois de se criar um colégio profissional passou a ser obrigatório e tiveram de fazer uma prova de acesso à carteira profissional. Os jornalistas passaram por um processo semelhante e hoje têm um processo de creditação e podem perder a carteira profissional. Ou os arquitectos, cuja profissão existe desde as antigas civilizações e que em Portugal é restrita há cerca de 40 anos, antes existia a associação de arquitectos e muitos não tinham formação. A ordem dos enfermeiros e dos dentistas são exemplos de profissões antes exercidas por autodidactas e hoje regulamentadas.

    Não creio que a questão resida apenas no perigo de vida, mas sim no tipo de serviço e na possibilidade de regular a actividade e exercer poder disciplinar quando for necessário. Por exemplo fala-se muito em arquitectura como algo que coloca em causa vida, mas o responsável pela estrutura é sobretudo o engenheiro de estruturas… não é essa a questão dos arquitectos…

    Também defendo que a ser criada uma Ordem dos Designers deveria haver um período de transição tal como ocorreu com todas as outras profissões. O projecto brasileiro para a regulamentação do design propõe um período de experiência mínimo de 7 anos comprovados e sucessivos de trabalho em design para autodidactas ou uma licenciatura. A possibilidade para os autodidactas tem um limite de 3 anos após a entrada em vigor da lei.

    Eu creio que uma associação tem sobretudo um papel aprestar para com os seus associados mas também o dever de fazer cumprir um código de conduta ética entre pares e perante os clientes e a sociedade em geral.

    Existem colégios/ordens de designers em algumas regiões de Espanha e em ouros países como o México e o resultado tem sido positivo.
    De qualquer modo, uma associação faz o que a maioria dos associados pretende. Somos uma amálgama de profissionais resmungões que se queixa em blogs e cafés, mas incapazes de se unir e formar uma classe que crie condições. Por causa disso recebia quase o mesmo, como trabalhador não qualificado, quando trabalhava o verão numa fábrica do que no salário como designer… como designer não tenho horário de saída fixo, não me são pagas horas extra e estou a recibos verdes… na fábrica tinha contrato e recebia todas as horas extra a dobrar…

    Por isto e muito mais, estou muito satisfeito pela atitude da OA. O que não quer dizer que eu tenha concorrido, até porque o tempo em que o fizeram foi péssimo… eu estava de férias…

    Fiz um curso técnico de design equivalente ao 12º ano, fiz o meu curso superior com muito esforço e dificuldades financeiras. Não é por isso que pretendo que todos tenham curso superior, mas sim porque reconheço a sua importância.
    Não penso que um licenciado seja necessariamente um bom profissional, mas certamente há muito mais hipóteses de que o seja do que ocorre com o autodidacta. Para mim a regra são os diplomados e os restantes a excepção. Sou favorável à sua inclusão mas com peso e medida.

    That is why today Designers are like prostitutes

  28. Situr Anamur diz:

    não, as prostitutas não descontam nem passam recibos, nesse ponto de vista até estão melhores do que nós

  29. […] a dar sinal de vida. A AND e a APD uniram os seus esforços para criá-la até 2012. Já escrevi uma vez ou duas sobre o assunto no passado e continuo a ser um dos designers que, de acordo com a […]

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