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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Balanço

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O lançamento do Design em Tempos de Crise correu muito bem. Por decisão dos editores, não houve discurso nem apresentação formal (tal como é costume nos lançamentos da Braço de Ferro), mas assinei praticamente todos os exemplares vendidos (desconfio que, neste momento, os exemplares sem assinatura são mais valiosos pela sua relativa raridade).

No final da noite, a Isabel estimava que se tinham vendido cerca de sessenta livros em hora e meia. De madrugada mandou-me um sms a dizer que afinal tinham sido cem. Juntando as encomendas pelo correio, é mais de metade da tiragem total. Tendo em conta que um livro sobre política e design nunca será adaptado para uma telenovela da TVI, os resultados da primeira noite excederam todas as nossas expectativas.

Duzentos exemplares de tiragem podem parecer modestos, mas quando comecei a trabalhar com revistas independentes, há cerca de quinze anos, era costume fazerem-se tiragens de mil exemplares. A maioria acabava por ficar a atravancar as garagens e os sótãos dos editores, ou por ir assombrar durante décadas as feiras de livros em fim de edição. Mesmo uma edição de entre trezentos e quinhentos exemplares podia sofrer o mesmo fim inglório. Embora a Braço de Ferro já tenha feito tiragens maiores (na ordem dos trezentos exemplares), no caso do Design em Tempos de Crise optou-se por fazer uma tiragem mais pequena, apostando o custo poupado no design gráfico do objecto e produzindo, se for caso disso, reedições.

Na noite do lançamento, depois de umas tantas cervejas, lembro-me de estar a insistir com alguém que toda a tiragem do Design em Tempos de Crise tinha custado menos que um dos muitos buracos da revista Egoísta, mas, falando a sério, este livrito, se não servir para mais nada, pode demonstrar que é possível fazer design com bom aspecto por muito pouco dinheiro em Portugal.

Filed under: Notícias Breves

15 Responses

  1. Trezentos exemplares é uma tiragem reduzida, foi produzido em offset ?

    • Foi produzido em offset e é de facto uma tiragem curta – optou-se por mais qualidade no objecto contra a possibilidade de fazer mais exemplares numa só tiragem. Contudo, no caso de edições portuguesas mais mainstream, os números não costumam ser muito maiores. Não é incomum ver tiragens de quinhentos ou até seiscentos exemplares.

      Isso leva a problemas previsíveis: se a publicação for um sucesso, é pouco, podendo esgotar em pouco tempo; se a publicação não vender, é um problema, ocupando espaço durante anos.

      Em algumas publicações, como a revista dot dot dot de Stuart Bailey, tem-se experimentado uma forma de print on demand, que evita o acumular de stocks, mas não sei se é possível fazer isso em Portugal, quais seriam os custos, nem quais as limitações que isso traz ao design de uma publicação.

  2. Há printing on demand em Portugal, mas já tive bons resultados com o site Lulu.com. Podemos enviar um pdf com a publicação. A capa também é feita desta forma.

  3. isabel diz:

    Conseguir um aspecto final primoroso a baixos custos de impressão é comparável à confecção de um bom jantar com pouco dinheiro ou a outra situação cujo o bom e o barato se conciliem. É possível mas não é regra. É talvez excepção. Durante este último ano temos desenhado a editora à medida que vamos trabalhando nos diferentes projectos e um dos princípios que se definiu desde logo foi a forma como nos podíamos relacionar com os apoios, as parcerias e por aí fora, com diferentes outros projectos e instituições. O que decidimos foi que publicar com a BF não depende de apoios exteriores muito embora estes sejam bem-vindos. Ou seja, não dependemos mas também não boicotamos (salvo algumas excepções em que se justifique) apoios que nos possam ajudar a conseguir, por exemplo, a um nível mais básico, pagar as traduções, e a outro nível, optar por um papel mais sofisticado ou mais uma cor na capa. E por isso, sim, confesso que embora consiga fazer alguns malabarismos com overprints também sou dada ao luxo de gastar dinheiro num brinquinho de ouro.

  4. […] esperava numa fila para comprar este livro e pela sessão de autógrafos lembrei-me que a única vez que tinha feito algo semelhente foi há […]

  5. Nunca experimentei o Lulu.com mas já me informei de tudo e até tens a hipótese de enviar documentos com bleed, algo que outros PTD não deixam.

    Mário, a qualidade é mesmo boa?

  6. Diogo diz:

    Mário, só uma picuinhice: não foi o Speak Up que fez o teste ao Lulu, foi um grupo de estudantes… de qualquer forma vale a pena seguir o link, o resultado é uma bela peça de Design.

  7. Obrigado pelo link, foi muito instrutivo.
    Eu comprei dois livros no Lulu e vi os resultados que um amigo meu produziu (3 livros de fotografias pessoais) e embora não fosse nada isento de imperfeições, não tinham o ar de “fotocopiadora a cores” que é mortal para livros de fotografia.
    Estes assuntos interessam-me mais ultimamente, porque estou a pensar num projecto de edição de livros de fotografia e interessava-me um modelo de impressão/distribuição que não impusesse grandes quantidades com o consequente risco financeiro que isso acarreta.

  8. A única coisa que me preocupa depois de ler os artigos é que pelos vistos o lulu.com usa diferentes gráficas para cada país, por isso, só depois de encomendar um cá é que vou poder comprovar a qualidade =X

  9. Mário Moura, já te disse hoje — mais a frio, mantenho: Grande livro!

    @menosktiago: Eu tenho esse teste dos estudantes impresso no Lulu e também outras publicações lá impressas. Não se pode comparar a este livro, nem ao offset na minha opinião. É outro meio, ainda para mais em evolução.
    É como tipografia (que cada vez noto ser aplicada em objectos específicos), serigrafia (como a capa do Mário Moura)… Todos com as suas virtudes e defeitos.

  10. olá mário, gostaria de saber onde é possível encomendar/comprar o livro, a fnac tem distribuição do mesmo? obrigado

  11. ok, obrigado, ficarei mais atento para não deixar escapar a segunda leva. Continuação de um excelente trabalho na definição de uma crítica do design em portugal.

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