The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

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Para nós que damos aulas, o ano começa e acaba no Verão. O ano novo é aquela ocasião em que temos a primeira reunião, ficamos a conhecer o nosso horário, os nossos alunos. No estado em que o ensino superior português está, não é uma ocasião para festas. Tornou-se uma mera burocracia girando apropriadamente à volta de umas coisas chamadas créditos, uma espécie de sistema monetário que permite comparar tipografia com autópsias com nutricionismo com história com agricultura.

Até certo ponto a crise das universidades é uma dupla crise do crédito: por um lado uma crise destes créditos que transformam directamente o conhecimento numa espécie de economia; por outro, um reflexo da economia propriamente dita, que tende a ver o ensino como uma coisa que, tendo os seus méritos próprios, ainda assim deve pagar-se a si mesmo fazendo todos os biscates que puder – pode ter toda a autonomia que quiser, desde que só tenha tempo para pensar em dinheiro.

Assim para começar um ano novo, tive a ideia de fazer uma lista de coisas que gostaria de ver acontecer.

Em primeiro lugar: gostaria que o ensino superior público de design em Portugal tivesse mais dinheiro. O estado inglês, pelo contrário, apoiou o ensino e investigação de design desde 1837, havendo já 21 escolas a funcionar em 1849. Mesmo assim, aquando da Grande Exposição de 1851, os produtos industriais ingleses ainda eram tidos como de muito baixa qualidade. Portugal tem portanto um atraso de quase um século e meio para recuperar; no que diz respeito à capacidade de autocrítica, o atraso é maior.

Isto porque, apesar da quantidade de escolas e de designers que existem em Portugal, o design gráfico português ainda é bastante mau. Muitas escolas e muitos professores de design acreditam que uma escola se deve limitar à formação de estagiários – mesmo que não lhes chamem isso. Ou seja:  gente com alguma competência polivalente, que domine as ferramentas, uma pitadinha de criatividade chico-esperta e pouco mais. Qualquer conhecimento mesmo que genérico de história, de política, de ética ou de estética é considerado supérfluo. O resultado disto é o designer gráfico português típico: essencialmente um secretário, um gajo despachado que passa documentos com uma letra bonita lá no escritório e consegue fazer umas coisas na net. Um designer português mais ambicioso, que queira ganhar mais dinheiro, resume-se a alguém cuja maior ambição é gerir o filho bastardo de uma agência publicitária com uma agência de secretariado.

Esta gente queixa-se – aqui como em outros países – que a crítica não gosta de falar deste género de design, que deveria falar do design real, feito por designers reais, para clientes reais. Há, no entanto, uma boa razão para a crítica evitar esse design: de maneira geral é mau, muito mau. Nem digo do ponto de vista estético e experimental, mas do ponto de vista da funcionalidade e do mero bom senso. Desejava portanto que os designers tivessem mais ambições e que as suas escolas lhes pudessem dar as ferramentas e o conhecimento para as sustentar.

Filed under: Crítica, Cultura, Design, Ensino

37 Responses

  1. Edgar diz:

    Não discordo das afirmações que faz, há no entanto bom design gráfico feito em Portugal quer a nível estético quer a nível funcional. Percebo que as excepções confirmem a regra, portanto concordo consigo.

    Não podia era deixar de lhe perguntar: foi essa capacidade de (auto)crítica que o levou a abandonar o exercício do design do ponto de vista prático e o converteu num teórico a tempo inteiro?

    • Se foi a minha capacidade de crítica que me levou a escrever crítica?

      Um dos maiores problemas do ensino do design em Portugal (e não só) são aqueles professores que também exercem design enquanto dão aulas e que vêem o ensino nem sequer como um segundo emprego, mas como uma espécie de consagração, um favor que fazem de transmitir aquilo que sabem aos “putos”. Sendo um favor, nem sequer precisam de se incomodar a fazer qualquer género de investigação, a saber ou a ensinar qualquer coisa que ultrapasse as necessidades mínimas da gestão de um estúdio de design. Em geral, limitam-se a formar o tipo de empregado que gostariam de ter. Como bónus, conseguem sacar clientes mais importantes por que têm a autoridade do sr. Professor à frente do nome. Uma das poucas coisas que conseguem ensinar aos alunos é que o ensino do design é uma coisa secundária e pouco importante em relação ao trabalho de estúdio. Mais uma vez, existem excepções, mas acredito que o ensino, a teoria e a crítica são actividades a tempo inteiro.

      Li em qualquer lado que o designer Milton Glaser nunca faltava ou interrompia uma aula por causa de um trabalho de design que estivesse a fazer no seu atelier. É uma excepção.

      • Aplaudo esta tua resposta de pé Mário!

        De facto não só analisas bem os formados como é a primeira vez que oiço alguém na tua posição a traçar o perfeito retrato dos nossos formadores.

        Tirei o meu curso de Equipamento na FBAUL e conheci colegas que mal sabiam onde ficava a biblioteca. Eu pelo contrário e sem esse trabalho constar do currículo académico pedido, li tudo o que havia sobre design na biblioteca e era umas das 5 pessoas que assistia religiosamente à uma cadeira maravilhosa sobre História da Arte Portuguesa.

        Nada me entristece mais que ver que há excepção do Sebastião Rodrigues (de quem ainda não consegui arranjar documentos da pesquisa que ele fez para a Gulbenkian), quase ninguém se dedicou ou dedica à investigação do “design” (mais arte gráfica) tradicional português.

        E o pior da situação é estar há mais de um ano a tentar arranjar um trabalho decente, porque no meio de tanto estagiário eu sou posto no mesmo saco, sem oportunidade de aplicar anos de estudo por conta própria…

        Mas voltando à questão docente, penso que o mais grave é que os professores além de receberem dos alunos ainda são concorrentes no mercado de trabalho, ou seja, ainda corremos o risco de sabotagem da formação dos alunos. Aliás eu posso jurar a pés juntos que alguns que conheci tratavam os melhores alunos como inimigos (felizmente nunca foi o meu caso porque nunca desejei ser bom aluno nesses termos mas sim um bom profissional).

  2. João diz:

    Enfim… provocar todos para atacar alguns é mau. Acho que devias chamar as coisas pelos nomes que têm.

    • Já disse bem de designers portugueses e já disse mal de designers portugueses neste blogue. Em muitos casos, já disse as duas coisas de um mesmo designer em duas ocasiões diferentes. No entanto, acho que no geral o design gráfico português é fraco. Não tem instituições fortes; não tem publicações regulares. Vive sobretudo à custa de importações de teoria produzida por terceiros.

  3. typophilia diz:

    É a diferença entre formadores, professores, e designers. Bons profissionais não são necessariamente bons professores, e penso ser esse o problema. Um professor é às vezes conotado como aquele que “não sabe trabalhar na área, por isso ensina” e isto traz muitos items para discussão. É verdade que o saber livresco e empírico devem ser paralelos mas a transmissão do saber é outra história. Quer queiramos quer não, acabamos por ser, enquanto estudantes, “vítimas” de dogmatismo dos professores de uma área onde ele nunca deveria existir. Falas bem quando dizes que os profs se limitam a formar os “empregados ideiais”, porque parece que existe um fio condutor que agarra a perpectiva geral do design numa determinada escola. É certo que faz sentido que os docentes de uma escola em particular defendam princípios semelhantes, mas dos princípios ao uso indiscutível de uma helvetica em todos os trabalhos gráficos lembra-me um nacional socialismo que apenas reconhece o estilo suiço como válido no design. Quero com isto dizer que os princípios não devem formatar os resultados. E mesmo que assim seja, e que sejamos capazes de reconhecer que é apenas uma forma de dar bases aos estudantes e que a partir daí poderão fazer “tudo diferente”, pontos de vista distintos nos docentes será sempre uma forma de diversificar as perspectivas de quem está aprender.
    Outra coisa que me faz muita confusão é como se consegue aprender a trabalhar em design em 3 anos e ser mestre ao fim de 4? Lembra-me a inflação monetária: títulos que na realidade não valem o que devem valer. Chegamos a ter anúncios ridículos que procuram estagiários recém-licenciados polivalentes com experiência, que ao fim de estágio não remunerado poderão trabalhar pelo ordenado mínimo de um licenciado, com a segurança social a pagar metade do salário? Onde estamos afinal?…

  4. João diz:

    Se pensarmos que é só uma coisa estrutural, de academismos e mercantilismos… parece que a pintura tem sobre estas duas disciplinas algum avanço. Pelo menos nela as críticas, as galerias, e os museus portugueses fazem o seu trabalho pela indústria. Mas nem por isso a pintura portuguesa é no geral boa. Ou é? O cenário de que falas é tão fácil constatar como é de contruir… assim como é de criticar! É um cenário ausente de responsabilidade e de nomes, sem identidade e de olhos postos num horizonte perfeito e inalcançável chamado O estrangeiro.

    Curiosamente na música electrónica, acontece exactamente o mesmo que no design de comunicação: a galinha do vizinho é sempre melhor
    É possível dizer que o design francês, polaco, russo, italiano, holandês, inglês também são no geral fracos. Podem ter estruturas mais sólidas e crítica especializada para cada autor até. Mas a maioria dos produtos são fracos.
    Para cada bom objecto de design gráfico de um país que me puserem à frente escolho um objecto de comunicação português ainda melhor.
    Aplaudo a mira que apontas, Mário, a muitos casos saídos de um contexto que conheço (não tão bem quanto tu, mas conheço bem)! Mas escondes o cano serrado da caçadeira quando dizes que “o design gráfico português ainda é bastante mau.” Parece uma certeza demasiado fácil de generalizar, e não o que realmente é: uma generalização tomada como certeza.
    Agora assumiste a generalização e, assim salvaguardas as excepções, o que é menos problemático.
    “no geral o design gráfico português é fraco.” JÁ É DIFERENTE DE “O design gráfico português ainda é bastante mau.”

    Pode aplaudir-se o design americano, o suiço, o chinês, e o espanhol… mas enquanto eu conseguir viver aqui continuarei a fazer design português. E como designer vejo-me forçado de abdicar da minha humildade para dizer que o design português é tão bom como qualquer outro.

    • nefastocc diz:

      Parece-me algo redutor aceitar que a opinião expressa neste desabafo de Mário Moura é a de que o design português/em Portugal é mau apenas por sobreposição ao design feito noutros países.

      Aliás, até me parece a altura menos apropriada, agora que outros países começam a acordar para os efeitos de anos a encolher os ombros ao design, para considerar que a raiz do problema é, afinal, falta de patriotismo.

      Ironicamente, mais facilmente representaria um problema o excesso de patriotismo do que o inverso: a crença na saúde do design português actual, perante as evidências adversas que não é só o Mário a vislumbrar, contribui para o seu isolamento mais do que para a sua evolução.

      • João diz:

        “Conseguimos apagar com facilidade chocante a história do nosso design. Do design do Estado Novo ao que, por agora (à falta de melhor nome), apelido de design de artesão. O acto de vandalismo europeísta praticado pela actual presidência de Câmara do Porto passou impune aos olhos da lei! E ter-se escolhido um nome histórico (para não dizer senil!) do design para fazer as placas toponímicas não ajudou. O PSD gaba-se disso no folheto de Campanha na secção da cultura. Obra feita=acabar com a variadade tipográfica e o trabalho manual das mãos de calos dos artesãos para as placas verde sapo uniformizadas e sem legibilidade? O que é feito desse património??? Onde param essas placas?”

        Não sou anti-estrangeiro. Aliás, estudei na Holanda durante algum tempo. Nunca pus de lado a hipótese de trabalhar noutro país.
        Perceba que o que atrás disse tem que ver com uma reavaliação do passado português para que melhor compreendamos o que somos. Que entedamos a nossa própria riqueza tipográfica. Que percebamos a natureza dum tom de voz. Ou de vários nossos tons de voz…

        Este é só um exemplo que demosntra o meu “patriotismo”, (escolhendo a sua própria definição). É disto que falo e não de um nacionalismo ensimesmado como me parece que acabou por entender.

      • nefastocc diz:

        Bom, nesse caso parece-me que estamos todos a torcer para o mesmo lado. Dizer que o design português é, na sua generalidade, mau é consideravelmente diferente de dizer que os designers portugueses são maus. Dizê-lo implica dizer que os bons designers portugueses são poucos, ou mal apreciados, ou asfixiados por uma conjuntura social que os vê como, lá está, “secretários”; implica dizer que a crítica de design é, em Portugal, quase invisível (na introdução à 2ª edição do “Design em Tempos de Crise”, o Mário expressa alguma surpresa pelo facto de um livro de crítica de design conseguir esgotar a sua primeira edição, mas tal não deixa antever um futuro brilhante mais do que confirma um presente muito apagado); implica dizer que uma grande percentagem (vou arriscar metade, mas aposto que é capaz de ficar aquém da realidade) dos cursos de design em instituições de ensino superior público não são dignos do nome que lhes foi dado; e sim, implica dizer que continua a haver essa ridícula tendência de importar igual ou pior do que aquilo que se faz cá, mas até aí, repare, a falha é do design português, e não do invasor.

  5. teo diz:

    Posso dizer que até há bem pouco tempo, eu vivi na pele as palavras do Mário. Eu e os meus tantos colegas fomos bombardeados com o pretensiosismo espiritual que paira à volta dos professores designers. Estes tentaram transmitir uma forma de estar na profissão que ainda hoje tenho dificuldade em perceber. No fundo estive dois anos a ouvir uns tipos a gabarem os seus tiques foleiros e o seu/nosso status imaginário, sem uma unica vez abordarem questões interessantes como: em que é que nós podemos realmente ser úteis?
    É verdade que existem professores destes mas o que me assusta mais é ver a maior parte dos alunos da minha geração a cair nesta fantochada que só serve para levantar o ego e transformar bons potenciais em versoes descartáveis destes designers.
    Assim o design no porto não vai para a frente, ou pior, anda para trás quando converte a antiga fama da vertente conceptual (que estes professores tanto odeiam) em algo ainda mais desprovido de utilidade.

    Concordo com o marrucho quando diz que devemos chamar as coisas pelo nome e acho que como ele também diz “Honestidade precisa-se!”, mas não quero ser o herói que aponta o dedo, por isso vou dizer o nome dos professores que até agora, me fizeram crescer enquanto futuro designer: João Cruz, Júlio Dolbeth, Mário Moura, Miguel Carvalhais, Rui Santos.

  6. Pedro Ribeiro diz:

    Em Estatística a média é o valor que aponta para onde mais se concentram os dados de uma distribuição. Assim podemos dizer que a média do design português é fraco. É mediano, podemos mesmo dizer mediocre. Assim como é (aí concordo com o Marrucho), o design d’ O Estrageiro, seja ele qual for. Há coisas atrozes em termos gráficos a acontecer em todos os países. E isso tem a ver com a quantidade do que é feito (as baixas metas com que algumas coisas são concebidas, o desinteresse e desapego com que muitos encaram o seu trabalho das 9 ás 5. Estes trabalhos não são assinados. São o fruto do designer anónimo. Para mudar este panorama, é necessário haver sentido crítico e sobretudo sentido de responsabilidade por parte do designer em relaçao ao seu trabalho. Quanto á questão da nacionalidade e a mania de olhar para O Estrangeiro. Para mim só há uma diferença; lá há crítica. Lá os designers (que querem ser designers) lêem, criticam e são criticados e isso faz toda a diferença. As boas coisas são recompensadas com notariedade positiva, as más com negativa, as médias com desprezo. Mas apesar disso o mau design ainda não foi extinto. Gostava que a crítica passasse a existir aqui para que o bom design português, seja valorizado e assim se livre deste nuvem que paira, o design português é mau. Também existe bom. Ele não é valorizado e não é discutido. Por isso torna-se marginal.

  7. luix diz:

    objectivamente…
    quem nasceu primeiro? o design ou a economia?
    se foi o design… precisamos de melhores escolas.
    se foi a economia…precisamos melhores políticas.

    mais uma pergunta.
    quais as melhores escolas de design em portugal?
    as privadas ou as públicas?
    já ouvi dizer que a melhor escola era o IADE…é verdade?

    luix (ex fbaup)

    • Trata-se de uma falsa oposição, não é necessário nem útil escolher entre design ou economia como causa para o problema.

      Quanto a qual a melhor escola, não tenho isenção para responder a isso, tendo em conta que dou aulas numa das escolas de design – só o poderia fazer citando avaliações independentes. Deste modo, não posso dizer que outra escola qualquer é melhor do que outra porque não tenho dados globais onde me apoiar, nem avaliações comparadas sobre as diferentes escolas. O mesmo posso dizer do debate entre público e privado. Seria igualmente irresponsável dizer que não é possível avaliar uma escola e que este género de avaliações são sempre relativas. Se uma escola pode avaliar alunos, a escola em si pode ser avaliada. Há avaliações periódicas que cobrem essas questões mas já há algum tempo que não tenho acesso aos resultados de uma.

      (Mantenho apenas a ressalva que a capacidade de auto-financiamento é sempre a pior forma de avaliar uma escola)

      • luix diz:

        mário,

        concordo que o design português seja “menos bom” e penso que uma das razões seja a diminuta capacidade competitiva da nossa economia.
        por outro lado poderíamas ser mais competitivos com um bom investimento em design.
        disse isso pois dizer que o problema são as nossas escolas seria muito fácil.
        eu fiz a faculdade numa época em que a maioria dos professores não tinha uma formação original em design.
        começamos tarde o ensino específico de design. (mais uma vez a economia débil) e não posso dizer que o ensino foi mau…mas acredito que poderia ter sido muito melhor …e acho que hoje deve ser bem melhor.

        em relação às melhores escolas de design…
        não sei se é útil…mas penso que não deveria ser nenhum tabu…em todas as profissões e em todo o mundo há referências… e no nosso design tbém deveria haver….por ex. não escandaliza ninguém dizer que a escola de referência em arquitectura em portugal é a FAUP….

        luix,

  8. Essa sua crítica estende-se, para além das Licenciaturas, aos Cursos de pós-graduação e Mestrado, ou é precisamente nestes que há (ou pode haver) uma hipótese de “correcção”?

    Quanto ao que escreveu, e falando por alguma experiência no contacto com licenciados em design gráfico, e sempre do ponto de vista de um autodidacta, o que mais me espantou foi um enorme desconhecimento da História do Design por grande parte deles (tanto diacrónica como sincronicamente: uma incapacidade de estabelecer linhas de influências ou confrontar obras num mesmo momento, ainda que isto já possa ser “deformação” minha de um curso de História da Arte). Pior: uma falta de ENTUSIASMO por essa História, falta essa que é, em geral, compensada com alguma rigidez intelectual (lembro-me, num curso que frequentei, de uma aluna, licenciada em Design Gráfico, sair da aula – e do curso – por não concordar com o professor dessa cadeira que afirmava que as metodologias processuais do design podem ser apropriadas pelos artistas plásticos). Isso leva-me a fazer o encaixe com o que escreveu e a concluir que essa falta de identidade histórica e cultural dos alunos de design pode dever-se não apenas à imaturidade dos vinte-e-tantos mas também a um condicionamento nos seus cursos que os leva a desprezar certas matérias (como a Estética ou a História) e a valorizar outros, mais próximos do ideal de mercado com que saem das escolas.

    Sobre a promiscuidade entre os cargos de professor e de profissional no mercado quando coincidentes na mesma pessoa (de que conheço alguns testemunhos inquietantes, sobretudo no caso dos cursos de Pintura), essa é uma ferida MUITO sensível em que pôs o dedo, Mário… Dada a pequenez do nosso mercado, trata-se de um problema insolúvel (os melhores alunos de um curso serão sempre potenciais concorrentes ou funcionários de um professor-designer), a não ser com uma súbita e substancial valorização do cargo de professor (mesmo, ou sobretudo, a nível salarial) que permita a ESCOLHA pela vida lectiva.

    Pedro Marques

    • Sim, tenho que dizer que se estende a todo o ensino, licenciatura, mestrados e o resto. Tendo em conta que os mestrados captam alunos sem formação em design, e que as escolas, por causa das suas debilidades financeiras não os podem recusar excepto nos casos mais extremos, os mestrados tendem a ser em muitos casos mais generalistas que uma licenciatura.

      Por experiência pessoal, criar e defender a existência de cadeiras de história dentro de um curso de design é uma tarefa extremamente difícil, que nunca mais acaba e que está sempre em perigo. Quando estudei design, a maioria da história que me foi transmitida foi dada através de bitaites largados aqui e ali no meio das aulas práticas. Em toda a duração do meu curso, nunca me foi dada história do design de maneira sistemática. A única cadeira teórica do curso de design era dedicada de uma maneira muito solta à teoria da comunicação.

      Só comecei a interessar-me por teoria e crítica do design ao verificar a maneira como a falta de um discurso crítico levava a maioria dos designers a um discurso completamente incoerente e contraditório, construído a partir de ideias feitas, aforismos manhosos e chico-esperteza. Mesmo agora, a coisa pouco melhorou e ainda há muito trabalho a fazer.

  9. Miguel diz:

    Penso que se trata de uma visão pessimista do panorama do Design Nacional. Se ele fosse assim tão mau não ganhava prémios internacionais anualmente (lembro-me de nomes como R2, Dino dos Santos, Carlos Aguiar).
    Na minha opinião o ensino universitário só ganha com os Professores a tempo inteiro e os Professores que exercem Design, pois estes complementam-se (ou pelo menos deveriam), já que uns têm o conhecimento “teórico” e os outros o “prático” (nomeadamente conhecer o mercado nacional). E este conhecimento de ambas as realidades, é essencial para a adaptação do futuro designer no mundo do trabalho.
    Além da educação dos futuros designers e da importância vital da História de Arte e da História do Design Nacional/Internacional; não nos podemos esquecer da educação do público/cliente, já que muito do trabalho é mau devido à demasiada interferência deste.

    • Tal como já tinha referido, o facto de haver meia dúzia de designers de qualidade reconhecida internacionalmente não garante por si só a qualidade ou mesmo a existência de um design português. Na prática, só demonstra que, internacionalmente, existem mecanismos de legitimação, de pedagogia e de crítica que aqui não existem. Por outras palavras, existe um design português no mesmo sentido que existe um design americano, inglês ou francês? Os livros ou revistas de design que editamos são citados internacionalmente? Há alunos de outros países a procurarem as nossas escolas?

      • “Os livros ou revistas de design que editamos são citados internacionalmente?” Mário, não são sequer citados NACIONALMENTE… Tentei dar uma ajuda ao Andrew Howard pondo-o em contacto com o coordenador da secção de livros da Actual do EXPRESSO e nada: um livro como o GATEWAYS (ou, já agora, como o seu) não cabe num suplemento sobre livros (irónico para um livro SOBRE LIVROS…). E lembro-me que, por essa mesma altura, essa mesma imprensa generalista não deixou de lançar foguetes aquando da edição pela Taschen de mais um livro com capas de discos de um coleccionador português…
        E lembre-se também que, enquanto a exposição estava aberta no Silo, o Ministro da Cultura preferiu ir apadrinhar as entranhas em obras da Bucholz (inaugurando uma não-livraria, algo único) do que ir a Matosinhos.

      • Quero com isto apenas afirmar que estes não são bons anos para a divulgação do design (o gráfico, sobretudo) por cá, algo espantoso tendo em conta que “divulgação” era palavra de ordem nos anos 70 e 80. Talvez a abertura do MUDE e o regresso do EXPERIMENTA sejam 2 sementes com poder para germinar em algo de vistoso e duradouro. E talvez as FBAs se consigam organizar internamente e criar núcleos de edição periódica e em livro, aproveitando o POD e os formatos digitais.
        Não querendo alargar-me, desejo-lhe um ano lectivo optimista… e com MAIS livros na calha.

        Pedro Marques

      • Esqueci-me de referir, junto ao MUDE e ao EXPERIMENTA, as iniciativas do Andrew Howard em Matosinhos, sobretudo as PERSONAL VIEWS, de que espero a edição em livro. Tudo contabilizado, não é muito, mas também não é mau (e, no caso destas, é MUITO BOM).

        A única coisa que realmente não muda é o desinteresse dos “players” da edição em Portugal (as grandes holdings ou as editoras de topo) pela publicação de revistas ou livros sobre design gráfico. Alguém que tentasse listar uma bibligrafia de livros portugueses sobre design ou designers gráficos portugueses publicados nos últimos 50 anos teria um choque…

  10. Miguel diz:

    “Por outras palavras, existe um design português no mesmo sentido que existe um design americano, inglês ou francês?”, penso que neste momento se pode dizer que não. Apesar de achar que o Design francês não está muito melhor que nosso, indo de encontro ao que o João atrás disse “É possível dizer que o design francês, polaco, russo, italiano,…a maioria dos produtos são fracos.” Penso que com o contributo de todos (Universidades, Alunos, Designers, Sociedade mais bem informada) que o panorama nacional mudará para melhor.
    “Os livros ou revistas de design que editamos são citados internacionalmente?”, o Pedro Marques já o disse e exemplificou, que não existe interesse por parte das editoras e orgãos de comunicação social.
    “Há alunos de outros países a procurarem as nossas escolas?”, quando tirei a licenciatura, tanto alunos oriundos de vários países Europeus através de Erasmus, como alunos Brasileiros (tive colegas do Brasil que estudaram comigo os 4 anos da licenciatura, e após terminarem o curso voltaram ao seu país de origem) escolheram a Universidade, mais especificamente o curso que tirei. Por isso poderei dizer que existe procura.

  11. Miguel diz:

    Talvez interesse dois artigos sobre o panorama do Design Britânico actual de Alice Rawsthorn para o New York Times e Jonathan Glansey para o The Guardian, cujos links encontrei no Design Observer.

  12. Mais uma acha para fogueira… O PROBLEMA DE LISBOA: Lisboa tem um puto dum mercado e de um política privada e pública que compra qualquer bem intencionado para ceder às vontades dos directores de marketing. As grande agências de comunicação e publicidade têm que dar resposta rápida a muito trabalho com design em série. Esse tique alastra-se ao Porto. A McCann Ericson está a desenhar Serralves gratuitamente investindo assim nalguma legitimação. Mas trabalham mal… Despacham a coisa num dia ou dois e vão satisfazer os clientes que realmente pagam e podem exigir o que querem com mais conversa de marketeer. Muitas vezes as agências nem assinam para não por em causa o bom nome.
    Os designers e os directores criativos das agências têm assim muitos trabalhos anónimos que vêm de uma procura por parte de administradores e directores de marketing de (empresas menores ou maiores) de grandes autênticos escritórios de design cujo nome na praça “diz que é bom”. A crítica dessa comunicação é realmente fraca, ver comentários: http://www.onossoportfolio.blogspot.com/

    “Existe um design português no mesmo sentido que existe um design americano, inglês ou francês? Os livros ou revistas de design que editamos são citados internacionalmente? Há alunos de outros países a procurarem as nossas escolas?”

    A quantidade de imprensa especializada e a crítica são índices de que uma certa prática desperta interesse no público. Ou que esse púlico está sensibilizado e até se torna participante. Não será totalmente errado dizer que se os escritores, ensaístas, os designers pudessem ter apoios para editar revistas e livros poderímos colmatar a falha mas, mas não seria totalmente correcto.

    Quanto à Experimenta, já não acredito muito em possíveis melhorias do cenário, qualquer escola de design consegue ter ciclos de conferências melhores. Não se limitando a exibir de dois em dois anos os mesmos designers-estrelas a falar sobre o seu trabalho, que por mais interessante que seja, já ouvimos, lemos, vimos ou folheámos com ávido interesse. Com sorte a Experimenta serve para internacionalizar o trabalho de um ou dois designers de produto por ano. Imagino que eles às vezes nem consigam escoar as suas peças e tenham que limitar-se às páginas de produtos/protótipos das revistas de cultura urbana.
    http://eurosom.blogspot.com/2009/08/experimenta-design-de-equipamenta-e.html#comments

    E não! Não temos um design como o suiço. E ainda bem! Mas temos o nosso que a meu ver está bem melhor doq ue há alguns anos. Alias essa estética suiça já deu o que tinha a dar. Toda a gente pode ler Josef Müller-Brockmann e usar a Helvetica

    Conseguimos apagar com facilidade chocante a história do nosso design. Do design do Estado Novo ao que, por agora (à falta de melhor nome), apelido de design de artesão. O acto de vandalismo europeísta praticado pela actual presidência de Câmara do Porto passou impune aos olhos da lei! E ter-se escolhido um nome histórico (para não dizer senil!) do design para fazer as placas toponímicas não ajudou. O PSD gaba-se disso no folheto de Campanha na secção da cultura. Obra feita=acabar com a variadade tipográfica e o trabalho manual das mãos de calos dos artesãos para as placas verde sapo uniformizadas e sem legibilidade? O que é feito desse património??? Onde param essas placas? Porque é que o Andrew Howard ou o director de departamento de nenhuma escola de design de comunicação tentou comprar isso? Provavelmete estavam ocupados a reservar um quarto de hotel para o Rick Poynor.

    Para ajudar, não conseguimos sequer escrever um manual sobre história do design português. Se eu não salvaguardar aqui a tua excepção posso dizer que estamos de costas voltadas para os portugueses de olhos voltados para o estrangeiro há muito tempo.

    Se desde os anos 70 que é fácil encontrar características comuns aos objectos de comunicação suiços, já não podermos dizer que os ensaístas, ou os próprios designers tenham conseguido identificar o que há de comum entre um João Abel Manta e um Martino. Nunca li nenhum texto (à excepção de um teu) que tentasse fazer essa lavoura herculeana, de pensar sobre a evolução do design português dos últimos 30 anos… Quanto mais das décadas anterirores… Há também da nossa parte falta de atenção sobre estes assuntos. Que é compensada com uma atenção desmedida na Penguin ou no Design Observer! Não é?

    “o facto de haver meia dúzia de designers de qualidade reconhecida internacionalmente não garante por si só a qualidade ou mesmo a existência de um design português.”
    Isso é o mesmo que dizer:
    O facto de haver meia dúzia de vinhos portugueses de qualidade reconhecida internacionalmente não garante por si só a qualidade ou mesmo a exsitência de um vinho português.

    A existência????? Existem muitos que são bons!!! Mas não os provamos nem promovemos bem.
    Temos um problema grave, mas não é tão grave quanto essa suposta ausência.

  13. Onde se lê Variadade deve ler-se Variedade.

  14. Miguel diz:

    “Quanto à Experimenta, já não acredito muito em possíveis melhorias do cenário,…a Experimenta serve para internacionalizar o trabalho de um ou dois designers de produto por ano.”
    Concordo. Esta “negligência” por parte da organização da EXD09, que dá primazia ao Design de Produto e Arquitectura, já vem de edições anteriores.
    Dá a entender que o único Design que se faz em Portugal digno de ser mostrado internacionalmente é o de Produto. Quando temos muito bons profissionais/projectos nas outras vastas áreas do Design que merecem serem mostradas.

  15. Luis Ferreira diz:

    “Se você quer ser um designer terá que decidir o que lhe interessa mais: fazer coisas que tenham sentido ou ganhar dinheiro”.
    R Buckminster Fuller

    • João diz:

      “Até mesmo os homens honestos precisam de patifes à sua volta. Existem coisas que não se podem pedir às pessoas honestas para fazerem.”
      Jean de La Bruyère

    • João diz:

      “Quando todo o mundo é corcunda, o belo porte torna-se a monstruosidade”
      Honoré de Balzac

      E podíamos estar aqui horas…

      Resumindo, cada um faz o que tem a fazer para se sentir feliz e realizado.

  16. Respondi no Reactor: Onde se lê: “mas antes de leitores portugueses que, perante a crítica de Mário Moura, se apressaram a agitar glórias de prémios internacionais e afins.”

    Deve ler-se: “mas antes de um número crescente de designers desempregados, mal empregados e inapropriados que, perante a crítica de Mário Moura, se apressaram a desfazer um pessimismo ainda mais desmotivante afirmando que também existe bom design em Portugal”

    É absolutamente enganador fazer crer que estes “leitores”, são mais inapropriados que os que se empregam bem, e que fazem coisas que se integram com facilidade, que são mais desajustados que britânicos arrogantes da sua história ou que franceses incomodados.

    Esta agitação é saudável. É sinal que não o design português existe e que não está morto… Não percebo muito sinceramente porque se aflige com isso.

    Era o que faltava! Não podemos discordar por exemplo desta dura generalização: “Um designer português mais ambicioso, que queira ganhar mais dinheiro, resume-se a alguém cuja maior ambição é gerir o filho bastardo de uma agência publicitária com uma agência de secretariado.”

    Pessoalmente concordo com o cerne da mensagem que o Mário passou no texto. E não é essa! Mas consigo deixar passar a ideia de que o design português não existe. Existe um novo design português. Um que já não é direitinho, apropriado, suiço. Tenham a bondade de olhar em volta, talvez para a maioria dos desempregados, antes de proclamar a mediocridade total.

    E a crítica?? Respeito-vos muito, respeito a vossa opinião e admiro a vossa lucidez, mas acredito que não gostaríeis de encontrar crítica sobre a crítica portuguesa afirmado que sois desajustados, que o vosso trabalho é mau, muito mau, que isso é visível na crescente ignorância e desinteresse relativamente ao esforço de pensar o design. Isso sim seria enganador…

    É num momento de pessimismo unânime dos únicos dois críticos de design que leio todos os dias que levanto o polegar. Algum design português é bom.

    Valoriza-te para mais: os outros ocupar-se-ão em baixar o preço.
    Fonte: “Apontamentos”
    Autor: Tchekhov , Anton

  17. Wilfrid de Sá diz:

    Gostaria de dar a minha opinião enquanto recém-licenciado da FBAUP. Começando pela questão do ensino teórico, comprovo que o aluno está sempre colocado no fim de todas as prioridades, que seja durante as aulas ou fora delas, isto é, no sistema administrativo da própria faculdade.
    Que seja pelo sistema de créditos que o Mário referencia, ou ainda pelas equivalências dadas a certas disciplinas que não utilizam o critério “conteúdo” para estabelecer tal facto.
    “Bolonha” consegue fazer coisas deste género: Disciplinas que não foram feitas pelo aluno por não se encontrarem no seu plano curricular numa dada altura, passam a sê-lo e são dadas equivalências sem qualquer análise pedagógica ou correspondência de conteúdos. Percebe-se perfeitamente que o nome das disciplinas são apenas títulos utilizados para esconder ou na maioria dos casos sobrevalorizar graves falhas no seio da instituição.
    Sabendo que o ensino superior português é um dos mais caros da Europa (os valores podem variar entre 200 e 1000€ por um ano de licenciatura na Europa), não se entende como 974€ são sinónimos de tanta mediocridade, quando o ordenado mínimo português não ultrapassa os 450€.
    Um bom símbolo daquilo que se vem falando nos comentários anteriores, pode ser traduzido por um único facto. É completamente incompreensível que toda a comunicação visual da faculdade é realizada não pelos alunos mas sim por professores, não se “oferece” a mínima hipótese de haver novo design neste caso. Os alunos certamente apreciariam este tipo de iniciativas. Em vez disso estão preocupados com notas e médias. O que estas classificações podem traduzir do trabalho às artes ou ao design? Pouco muito pouco penso eu.
    Quando realizei Erasmus em França (Bordéus) tive a oportunidade de conhecer uma alternativa a esse sistema que me surpreendeu a primeira vista. Era portanto um sistema sem notas baseado no empenho do aluno. Embora não deixam de existir períodos de avaliações, nestas o aluno passa ou não. Contudo ao usar o critério empenho e coerência nas avaliações está-se a libertar o aluno de todo um peso desnecessário e consequentemente o seu trabalho ganhará em qualidade. Penso que um melhor design escolar e tudo o que ele implica pode passar por soluções deste género ao nível do ensino.

  18. Pedro Gonçalves diz:

    Achei muito interessante o texto do Mário Moura, assim como algumas posições tomadas pelo mesmo, posteriormente nos comentários.

    Acho no entanto que a discussão acabou por desviar-se de alguns pontos chave expressos no texto original, como a estratégia de financiamento e investimento na educação, ou o ascender do sistema de créditos e consequente mercantilizaçao da educação.

    A discussão acabou por centrar-se demasiado em definir a qualidade do Design Português, sem no entanto estabelecer um ponto de comparação sólido: é bom ou mau em relação a quê?

    Dao-se exemplos vindos de Inglaterra, Holanda, e por vezes esquece-se a comparação com Espanha, o único país Europeu com um trajecto histórico paralelo ao nosso, quer pela proximidade, quer pelo período de ditadura, de analfabetismo, quer pela ausência na segunda guerra mundial. Além de que começou ligeiramente mais cedo do que nós a ensinar Design de forma oficial.

    Por vezes olhamos demasiado longe e sentimos frustração na comparação com países que, como disse o Mário, levam 150 anos de avanço no investimento na educação. Observar a forma como Espanha resolveu ou lidou com as mesmas questões pode ajudar-nos a resolver os nossos problemas, vendo de perto as opções tomadas por outro país, que passa quase simultaneamente, com um ligeiro avanço, pelos mesmos problemas.

    Como profissional, encontro que a única maneira de não ter constrangimentos desnecessários e poder ter uma atitude crítica e de curiosidade, é exercer de forma autónoma, colaborando com colegas, muitas vezes trabalhando por quantias irrisóras em apostas pessoais, aproveitando assim para realizar trabalho que de outra forma não poderia. Trabalhar com qualidade e remuneração condizentes, exige capacidades que vão além do que considero necessário para constituir um bom designer. Estará aqui o espaço da formação crítica em design? Ou será das relações-públicas? Ou ambos?

    O título de Sr. Professor pode muito bem ajudar a neutralizar essas faltas de capacidade, dando azo a um elitismo que não é benéfico para a progressão do design português. Esse estatuto acaba por reservar os segmentos de mercado mais interessantes e libertadores, o nicho de clientes que valorizam e apoiam a criatividade, a um grupo de profissionais, quase todos eles exímios, mas com uma dimensão percentual cada vez mais ínfima, tendo em conta a quantidade de “estagiários” formados anualmente em Portugal.

    Se tivermos em conta a escassa qualidade e quantidade de iniciativa empresarial do nosso país, podemos ver que esses nichos de clientes não abundam em Portugal, e são praticamente inexistentes fora das grandes metrópoles.

    Mas é claro e como já alguém disse, a excepção quase sempre confirma a regra. Em Portugal temos boas excepções, e aí estamos ao nível dos melhores.

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