The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

O Preço Certo

Esta semana, tive conhecimento de outro daqueles escândalos que assolam regularmente o design gráfico: veio a lume um trabalho realizado para o Estado – neste caso, o site e o estacionário da comemoração do centenário da República – e toda a gente ficou escandalizada com quanto dinheiro aquilo custou – 99.500,00 € e 90.000,00 €, respectivamente  – e bradou-se aos sete ventos como o serviço não valia isso. No caso do site, o único destes trabalhos a que tive acesso, só posso dizer que realmente não vale tanto – ou se vale, só posso especular que um site realmente bem feito iria custar bem para cima de 1.000.000 €.

Se alguém se lembrasse de fazer uma versão do “Preço Certo” em que os concorrentes tivessem de avaliar quanto custou um logótipo, uma paginação ou um site, desconfio que não haveriam muitos vencedores, mas daria sem dúvida um bom concurso, na medida em que embaraçaria todos os intervenientes, sendo portanto dolorosamente divertido.

Em primeiro lugar porque pouca gente sabe os preços habitualmente cobrados por um trabalho de design. Poucos designers estariam dispostos a divulgá-los (porque alguém pode decidir fazer um orçamento mais baixo e ficar com o cliente pela calada – como se costuma dizer: o segredo é a alma do negócio).

Por outro lado, e para complicar as coisas, o design é uma actividade que não se faz por tabela: os designers têm o hábito de fazer o preço de acordo com o cliente e não com o tipo de trabalho. Se o cliente for pobre, leva-se menos; se o cliente não tiver problemas de dinheiro, cobra-se mais; se o cliente for o Estado, então cobre-se o que apetecer – afinal é o Estado.

Esta ideia de fazer diferentes preços tem a ver com conseguir a maior quantidade possível de clientes – fazer um preço fixo implicaria perder capacidade de negociação e portanto potenciais trabalhos. Por outro lado, os clientes mais lucrativos podem ajudar a compensar pelos clientes mais pelintras mas que podem trazer outro género de vantagens como bons contactos, visibilidade, etc.

Mas o que acontece quando os clientes, os outros designers ou o público em geral ficam a saber os verdadeiros preços do design e maneira como são feitos? O resultado não é muito bonito e a credibilidade do design enquanto actividade profissional não fica particularmente intacta. Na melhor das hipóteses, seria uma boa ocasião para os designers ganharem juízo e pensarem a sério sobre todo o género de hábitos estúpidos que afligem a sua profissão. Contudo, isso é pouco provável. Os designers precisam de bons exemplos e ninguém parece habilitado a dá-los.

No caso do Centenário da República, o designer que ficou com esses trabalhos por atribuição directa (sem concurso) foi o presidente do Centro Português de Design, Henrique Cayatte. Não se pode acusar Cayatte ou o Estado de falta de transparência (as quantias envolvidas foram publicadas pelo próprio Estado no portal para a transparência); só se pode ficar de boca aberta perante os preços que se cobram por design bastante fraco aqui em Portugal. É tentador atribuir a falta de qualidade do design português à falta de investimento público, mas esta história prova o oposto: o Estado português não só investe em design, como, gastando quantidades exorbitantes de dinheiro em mau design, o promove (ou uma coisa é cara porque é boa, ou é boa porque é cara).

Finalmente, para quem não sabe, a missão do CPD é promover o design junto dos agentes económicos[1]. Sempre que tenho visto Cayatte falar em público sobre o CPD ele tem-se queixado recorrentemente da falta de recursos para que possa cumprir essa missão. Há uns anos, num encontro da Associação Portuguesa de Designers no Museu Soares dos Reis no Porto, lembro-me de Cayatte ter contado as peripécias e as dificuldades que tinha tido em levar a causa do CPD a um mero assessor do Primeiro-Ministro. Já na altura a história me pareceu inverosímil tendo em conta que o seu ateliê tinha acabado de fazer a campanha para a Presidência de Mário Soares, tendo feito entretanto o novo passaporte, o cartão do cidadão, a imagem gráfica da TAP e agora o site e o estacionário do Centenário da República [2]. Alguém que faz estes trabalhos não pode dizer com uma cara séria que não tem contactos com o Estado, ficando a pairar a ideia que esses contactos beneficiam mais o próprio Cayatte do que o design e os designers portugueses que deveria representar enquanto presidente do CPD .


[1] Não posso fazer um link directo à página do site em questão, porque é feito em flash. Deixo no entanto esta tirada memorável que pode ser encontrada no pequeno texto que descreve os objectivos do CPD: “O Centro Português de Design procura levar o design aos agentes económicos. O Design procura responder a necessidades, resolver problemas, emocionar…” Quanto a este último ponto e no que diz respeito ao CPD: missão cumprida.
[2] Foi promovido pelo CPD um concurso para a realização do logótipo do Centenário da República, com um prémio de 5.000 € e dirigido a recém-licenciados. O concurso não teve vencedores e o trabalho acabaria por ser atribuído ao ateliê FBA, ficando a custar 10.000 €.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design

56 Responses

  1. Tiago Machado diz:

    É triste ter alguém que nos “representa” assim.
    Percebe-se que afinal a presidência do CPD é apenas um trampolim para o Sr. Cayatte, e não para a comunidade de design.

    Associações/Organizações de Design em Portugal são poucas e tristes, não dão um murro na mesa para nos defender, e o mais certo é nunca o virem a fazer.

    Um caso interessante, em que a comunidade de design se une numa plataforma online: http://www.nidesignalliance.com/

  2. d.sebastião diz:

    …e vira o disco e toca o mesmo….
    Histórias como esta, já parecem ser uma constante. Fala-se muito sobre o estado de decadência do nosso País? aí está ela! Tenho pena é que uma entidade como o CPD dê esse “bom” exemplo.
    Estamos em crise sim… numa grave crise de valores instituídos por quem deveria dar o exemplo.

  3. Luis Ferreira diz:

    E alguém é capaz de dizer quanto é que os designers em causa deveriam receber pelo trabalho? Qual é o “preço certo” para os projectos em causa?

    Vamos lá a contas: o gabinete que desenhou a identidade, fez um pouco mais do que um logótipo, tendo adquirido um tipo de letra a um designer nacional, desenhou um alfabeto e um conjunto de outras aplicações.

    O site: se perderem um minuto a ver a ficha técnica verão que não foi apenas o gabinete do Cayatte a realizar o trabalho, tendo havido pelo menos mais duas empresas envolvidas, a Sapo e Lupadesign. Será que o valor não inclui manutenção, actualizações, etc. por um período de tempo determinado? Será que estão a avaliar tudo o que está em causa, ou estão simplesmente a fazer contas básicas do tipo: não gosto do site = qualquer preço é caro para “aquilo”!

    Não quero dizer que os valores são justos ou injustos, pois não tenho dados suficientes para avaliar o que está em causa, mas não creio que 90.000 euros seja apenas pelos “envelopes, canetas, panfletos e outros materiais de divulgação”, ainda que “outros” seja suficientemente lato para caber lá muita coisa.

    Enfim, temos um projecto de design de comunicação para um organismo estatal que foi dado a designers nacionais e lá estão os outros designers a falar mal.

    Mário, de ti esperava uma reflexão um pouco mais construtiva.

    Haja paciência.

    • Um mau filme de Hollywood (daqueles que tem uma ficha técnica que demora 10 minutos a passar) também tem um orçamento gigante, também deu muito trabalho a fazer e não é isso que o torna um bom filme. Já o tinha dito no texto, mas repito-o: não é o facto de uma coisa ser cara ou ter demorado muito a fazer que a torna melhor. O site é fraco, feio e há muito pouco nele que dê a entender ter passado pelas mãos de um designer. Se foi preciso uma catrefada de designers e de engenheiros para isso, pior ainda.

      Também não me parece particularmente construtivo gostar de um trabalho apenas porque foi feito por um designer português para um organismo estatal.

      • Luis Ferreira diz:

        Nunca disse que gostava do trabalho, nem muito menos afirmei que ser feitos portugueses o tornava melhor ou mais interessante. Se foi isso que passou da minha mensagem, peço perdão.

        O que queria dizer era apenas: parece-me haver um julgamento demasiado sumário, sobretudo no ionline, para uma questão sobre a qual não sabemos todos os contornos.

      • Por pouco que se possa perceber dos contornos da situação, há coisas que são inegáveis:

        a) o Estado português tem dinheiro (e até bastante) para ser gasto em design.

        b) esse dinheiro foi gasto por ajuste directo, sem concurso e sem que se percebam os critérios da escolha.

        c) esse dinheiro foi gasto em design fraco.

    • ZW diz:

      Saudações!

      As contas parecem-me bem fáceis senão vejamos:

      SALÁRIOS(em Portugal):
      -Um bom Designer português com um portfólio invejável como é o caso de Henrique Cayatte pode até auferir, sem que isso chateie ninguém, 20.000€ mês.

      – Uma equipa de três pessoas por exemplo: normalmente pessoal com qualidades também invejáveis mas seguramente com ordenados bem inferiores que rondem os 5.000€ mês o que soma uma quantia de 15.000€

      TEMPO DE EXECUÇÃO DO TRABALHO PROPOSTO
      – 1 mês que são 21 dias de trabalho, que se transformam em 168 horas (se contarmos que 1 dia de trabalho tem 8 horas), em que cada pessoa usufrui das mesmas 168 e portanto multiplicadas por quatro o que perfaz 672 horas.

      RECURSO A EQUIPAS (empresas) EXTERNAS
      – Neste caso para impressão do estacionário imaginemos que recorreram a uma boa gráfica, a trabalhar com “Fine Papers”, impressão off-set com verniz localizado blá blá blá..,grandes quantidades etc., sendo que para tal o investimento tenha sido de 20.000€

      TOTAL: 55.000€

      Ou seja, 189.500€ – 55.000€ = 134.500€

      Só significa uma coisa, 4 pessoas trabalharam arduamente durante 3 meses. O Director Criativo (neste caso Henrique Cayatte) encaixou 60.000, cada um dos três membros da equipa encaixou 15.000€, a gráfica fez um excelente negócio e o restante foi derrapagem orçamental.

      A mim só me chateia o facto do Governo não ter pressionado mais nos “timings”, é que realmente não é projecto sequer para um mês aquilo que os senhores apresentaram como produto final.

  4. Anónimo diz:

    É absurdo. A Experimenta (sim a Experimenta!), a APD e a CPD são estruturas bem definidas que se assemelham a mesas de pessoas bem jantadas à espera de mais um banquete. Havendo uns menos atentos que rodeiam a mesa, e outros esfomeados que lá perto apanham os restos. Há umas mais fashion, outras com mais snobes e outras ainda com mais mercenários. A falta de soluções, a incompetência e o oportunismo completam o cenário das ceias.

  5. […] que justo, parece-me necessário promover a leitura deste artigo de Mário Moura, acerca da mistura de indignação e incredulidade que o valor cobrado por Henrique […]

  6. Alguém sabe-me dizer quais são as condições para uma obra (neste caso de design) ir a concurso publico? Eu pessoalmente não sei, mas sei que a face que o estado português mostrou neste assunto não é propriamente inerente aos valores de uma republica. Fico escandalizado, não sei quando Portugal retomara um rumo digno com valores e ideais, talvez nunca. Para quando uma nova revolução (dos cravos não, isso não assusta ninguém)?

  7. Pedro S diz:

    Caros, que eu saiba, a direcção da APD efectua um trabalho de voluntariado, ao contrário do CPD e da EXD em que todos são bem pagaos para o fazerem (bem ou mal). É engraçado que sempre que se fala do CPD se fale que este representa os designers (nada mais longe da verdade) e por arrasto, venham logo falar da EXD, da APD e de outras que muitas vezes nem são vistas nem achadas no que faz o x ou o y. Por uns fazerem merda pagam todos.

    • Concordando com tudo o resto, só gostaria de lembrar que, se o CPD não representa os designers enquanto associação profissional ou ordem, os representa enquanto instituição ligada à promoção do design em Portugal. Fazendo um serviço pouco credível afecta, como se vê, a credibilidade de tudo o resto, e deveria portanto ter mais cuidado.

  8. Sérgio Laranjeira diz:

    Não sou designer, mas trabalho todos os dias com um designer fantástico. Temos uma empresa com mais dois amigos e desenvolvemos sites. Quando vimos o portal analisamos, e uma priméira análise, fez-nos ficar estupefactos com o preço. Desenolveriamos algo melhor, mais funcional e muito mais apelativo por praticamente 20 vezes menos, já para não falar com a qualidade que seria feito.

    Um exemplo prático. A página http://www.centenariorepublica.pt/ficha-tecnica tem a seguinte citação:

    “Este sítio foi projectado para ser completamente acessível e utilizável, em conformidade com as Directivas internacionais e nacionais para a Acessibilidade do Conteúdo da Web (WCAG v1.0) definidas no quadro do Consórcio W3C.”

    Acho muito bem que assim seja… Pena que esta página tem erros de programação:

    http://validator.w3.org/check?uri=http%3A%2F%2Fwww.centenariorepublica.pt%2Fficha-tecnica&charset=(detect+automatically)&doctype=Inline&group=0

    Só um pequeno exemplo. Acham que vale 99.500.000€?´Sou sincero, não questiono seja qual for o preço, desde que haja justificação, mas neste caso não vejo justificação. Se estiver enganado então justifiquem e mudem a minha opinião.

    • Rui diz:

      Subscrevo tudo o que disse. Também tenho uma pequena empresa deste ramo e fico chocado com este tipo de revelações. Tive exactamente a mesma atitude quanto à acessibilidade e fiquei espantado com o resultado.

  9. Tiago Cruz diz:

    Bem… isto é um escândalo! Tanto dinheiro por aquilo?! Mesmo que o valor fosse metade, continuava a achar que não fazia sentido nenhum. O site está efectivamente muito mau.

    Dei uma olhadela no código e pareceu-me que o site foi desenvolvido utilizando o CMS opensource DRUPAL, o que faz com que seja ainda mais escandaloso o valor cobrado.

    O design de interface é muito pobre e muito pouco interessante ao nível daquilo que comunica. O desenvolvimento técnico deste site pode muito bem ser desenvolvido por uma única pessoa. Não é necessária nenhuma equipa para desenvolver um site utilizando uma tecnologia como o Drupal. Basicamente, alguém só teve que configurar alguns módulos, criar um template, e “tá feito”!

    • troll diz:

      Parabéns pelo seu blog http://blog.naocoisas.com/.

      Este comentário encaixa-se muito bem no seguimento do seu post “Sites a 400€”

      Acho muito bem que existam pessoas determinadas a não a ganhar muito com o seu trabalho. São a alegria de muito patrões e é graças a isso que o restaurante aqui da esquina tem sempre o menu do dia online.

      Vê-se que tem tanto gosto no que faz que provavelmente até pagaria para o fazer.

      Infelizmente este tipo de comentários propaga a idéia de que fazer um site é fácil e não vale a pena pagar muito por isso. Como o design, aliás, descarrega-se o freehand ou o corel draw com mais umas fonts pirata de bónus, configura-se a impressora, cria-se um template e “tá feito”, temos um designer gráfico. Mais ou menos como um jornalista, arranja-se um blog ou o Microsoft Word, o português já se aprendeu na escola, está a andar, estamos a escrever artigos na net.

      Felizmente algumas empresas querem resultados profissionais e sabem que é preciso pagar por isso. Os melhores clientes até são os que já estão queimados por estes designers instantâneos. Mas não é sempre assim, e este tipo de desvalorização do trabalho próprio cai muito mal num fórum público.

      • Victor Leal diz:

        Parabéns por todos os seus comentários, Troll! De facto são opiniões bastante credíveis e fundamentadas, inclusivé com uma boa dose de bom senso, isso não falta!

        Só chicos espertos compactuam com chicos-espertos e se defendem uns aos outros.

        O método que acaba de referir, deve ter sido precisamente aquele que usou o senhor Cayatte, simplesmente não teve a honestidade de cobrar os ditos 400€, valor justo por aquele trabalho que também não deixa de ser um template, talvez do drupal. Não?

        Ou é falta de bom gosto ou falta de cultura visual… mas o centenário da República Portuguesa merecia algo melhor, mas representa-se melhor aquilo que é Portugal dando um bom exemplo do chico espertismo que reina neste país!

  10. Victor Leal diz:

    Creio que a cultura de Design em Portugal é demasiadamente baixa para que as pessoas tenham capacidade de questionar o seu valor. Muito provavelmente, algumas das pessoas envolvidas neste projectos, falo dos promotores, dificilmente têm uma ideia clara do que pretendem que seja feito e a sua capacidade de questionar o valor trabalho é muito pouca…assim é fácil vender gato por lebre, e do meu ponto de vista foi isso que aconteceu! Simplesmente, quem fez o site nem sequer teve o bom senso de compreender o que está em jogo e por isso fazer um trabalho digno não só do assunto em questão, como do dinheiro em questão!

  11. troll diz:

    seria interessante encontrar artigos de análise a sites públicos e privados em termos de design, funcionalidade ou acessibilidade. no entanto, isso dá trabalho e é preciso saber um pouco do que se está a falar. é muito mais fácil falar de quanto o site x ou y custou. mas hey, também ue estou aqui a comentar um artigo desses em vez de escrever um dos que gostaria de ver. a única coisa que se tira da notícia do ionline e dos comentários que aqui se seguem é que há muita inveja por aí. mas pensem nisto, o cayatte não cobra muito, vocês é que cobram pouco. valorizem mais o vosso trabalho. o figo ou o mourinho não recebem belos euros para fazer anúncios pelo talento como actores. recebem uma fatia mínima do lucro que a marca recebe por este empréstimo de notoriedade. do mesmo modo um designer deve receber uma fatia do lucro que o seu logo, anúncio, o que seja, vai dar à marca que o contrata. quando pararem de falar de venda de trabalho criativo à tabela como se fossem chouriços, vão perder a inveja por quem está a cobrar o que é devido por isso. no entanto, aposto que muitos aqui quando perdem um concurso público se queixam aos amigos como o estado não devia escolher o trabalho com o preço mais baixo mas sim o com mais “qualidade” ou o mais “criativo”.

    • A inveja é o leitinho com biscoitos do chico-esperto. Quando a vida o trata mal ou alguém lhe descobre o barrete, a confiança de que é tudo inveja aconchega-lhe os cobertores ao queixinho e aquece-lhe o saquinho de água quente aos pés. A única coisa que torna suportável a vida do chico esperto é a ideia de que toda a gente (se fosse inteligente) queria (se pudesse) ser como ele.

      O chico-esperto (tal como o nosso amigo troll) revela ao mundo a grande novidade que vivemos num sistema capitalista, onde uns poucos exploram uns muitos e que isso é de tal maneira evidente e inevitável, que nem sequer vale a pena pensar no assunto ou protestar demasiado.

      Eu pela, minha parte, só tenho inveja dos designers que fazem um bom trabalho, obtido de uma forma ética – não me chateia nada que o dinheiro dos meus impostos vá para esses (também tenho alguma inveja daquelas pessoas que têm por habito dar uns tabefes aos chico-espertos ou que se dedicam a lhes bater com um taquito de baseball).

      Finalmente, tenho por princípio não gastar demasiado tempo a argumentar a razão pela qual uma peça de design é enfadonha, banal ou economicamente sobrevalorizada. Neste caso, bastaria dizer que é uma salgalhada tipográfica e hierárquica, embrulhada nas cores da bandeira. Dá-me menos gosto usar esse site do que ler o diário da república ou pagar os meus impostos online.

  12. troll diz:

    wow, parece que toquei nalguma parte sensível, até me chamaram 2 vezes de chico-esperto. beijinhos para vocês 2, são uns queridos. bem gostava de ser chico-esperto, infelizmente sou só alguém que tenta viver do web-design e fica contente com histórias de web-design bem pago. se ele é bom ou mau parece-me um assunto em separado, mas isto sou só eu. aliás, o site de entregar os impostos que o mário refere, é e foi péssimo durante anos, afecta muito mais a vida de toda a gente e ninguém escreve notícias sobre ele. não tentem fazer de conta que é esse o alvo da conversa, sem “cayatte” e “90.000€” teriam sites muito mais interessantes para criticar. e é claro que estes preços são sempre fora do contexto da maioria das pessoas. sei lá quanto custa o site do diário da república ou o das e-finanças. um comparativo fundamentaria a notícia do ionline e criaria o contexto necessário para ficarmos realmente chocados, ou não, com eses valores. no entanto, mais chico-esperto parece-me o designer sem empresa, software pirata, que não dá emprego a ninguém inclusive a si próprio, que nem sequer “ganha o suficiente” para declarar impostos e com esse lifestyle consegue achar que 400€ por um site está muito bem. exagero? tenho a certeza que quem trabalha a sério nesta área não pode concordar com os preços que se praticam nas várias fasquias de mercado. uns vão dizer que 4000€ é pouco, outros que 40000€ não paga as despesas de manter um escritório. aliás, a minha posição é muito dura em relação ao tipo de comentários “ha, isso não custa nada, são uns templates de drupal”, ou:

    hipótese 1. não trabalha na área, até já fez um blog no wordpress ou blogspot, foi ao drupal.org leu a introdução e achou “até eu faço nisto”, mas nunca fez. depois dá aquela opinião popular de que os web-designers, como os advogados, os arquitectos, os médicos e tantos outros prestadores de serviços são muito bem pagos e estão aqui para explorar o povo, quanto menos recorrermos a eles melhor. claro que quando alguém se refere ao seu trabalho de jornalista, crítico ou designer gráfico nos mesmos moldes também não deve achar muita piada. para sã convivência, proponho que os não web-designers se abstenham desse tipo de comentários, que serão equivalentes a eu dizer que o logo da edp são três ou quatro operações de subtracção no freehand e eu cobraria 200€ para as fazer e já ganhava o dia.

    2. encaixa-se na minha descrição anterior do trabalhador precário e pensa que depois de ter personalizado um site em drupal para a loja de bicicletas lá da rua ou algo assim ia conseguir fazer um site para o estado no mesmo tempo e por metade do preço do cayatte.

    estou a polarizar as coisas? talvez, mas para esta discussão se tornar construtiva, achava piada alguém linkar aqui um site de igual dimensão de trabalho e cliente e dizer “custou 20.000€ e foi muito. o próximo vou cobrar metade.” duvido que alguém tenha aqui histórias divertidas a trabalhar para um cliente desta dimensão, mas gostava de ouvi-las. serviria para como na maioria dos posts daqui do ressabiator alargar um bocado os horizontes, em vez desta chachada populista. não estou para defender o cayatte, o escritório dele e não faço ideia se há aqui histórias de compadrios ou não, mas o nível das respostas a este tipo de assunto resvala sempre para conversa de café. inclusive as minhas, dirão vocês e eu tenho que concordar. infelizmente nem o mário nem o victor leram a minha resposta com o mínimo de atenção, porque o vosso reply parece mais a alguma ideia feita do que a algo do que eu escrevi.

    fora qualquer comentário minimamente informado, os outros comentários parecem-me tão bons como este, mesmo sendo assinados, comentários de trolls e chico-espertos. excepto os das pessoas que defendem que os seus colegas de profissão deviam cobrar tão pouco como eles para criar um mundo melhor, esses estão numa categoria própria que não vou nomear.

    • “infelizmente nem o mário nem o victor leram a minha resposta com o mínimo de atenção, porque o vosso reply parece mais a alguma ideia feita do que a algo do que eu escrevi.”

      Li com bastante mais atenção do que merecia um comentário escrito por alguém que se intitula “troll”. Dessa leitura, cheguei à conclusão – talvez precipitada – de que, tal como um troll, você acredita que as pessoas discordam de si por serem estúpidas, preguiçosas ou invejosas. As razões pelas quais cheguei a esta conclusão (para que se pense que não caiu do céu) são:

      a) Você próprio dá a entender que só concordaria com uma opinião baseada numa análise de um tipo que não corresponde à usada no meu post, sem contudo estar disposto a fazê-la você mesmo. Para persuadir alguém de alguma coisa, não costuma ser uma boa estratégia afirmar que se tem argumentos muito melhores que os dos outros, mas que não se vai usá-los porque dá muito trabalho. Por outro lado, pode bem ser que um método de análise como o que sugere chegasse às mesmas conclusões que eu – ninguém sabe.

      b) quando se procura convencer alguém com uma opinião diferente da nossa não costuma ser uma boa estratégia assumir que essa pessoa discorda de nós devido a inveja (que você refere explicitamente) e estupidez (que você refere implicitamente ao assumir que deveríamos aceitar a sua posição apenas porque sim).

      Por último, o problema não é o Cayatte cobrar muito e outros cobrarem pouco. Não me chateia que o estado gaste muito dinheiro em design, apenas que o gaste mal.

      • troll diz:

        entendo, e tem razão, mas a maioria dos meus comentários dirigiam-se mais aos outros replies que ao seu próprio post, daí não ter percebido muito bem tanta agressividade. em relação ao próprio post, para mim tem duas partes, a última não me interessa tanto, do cayatte, cpd e politiquices de que fujo neste como noutros blogs, algo que aliás o Mário já apontou ao Alexandre Pomar, se não estou a fazer confusão, e uma outra primeira parte que acho realmente interessante de se discutir, o tal “preço certo” que dei a minha opinião de forma confusa:

        preço fixo = disparate
        preço em função do valor acrescentado do design = lógico

        é só isso, uma opinião, mas como é algo que me parece tão óbvio, tenho dificuldade em perceber que alguém o veja de outra forma. se o café aqui da frente me pede um logo que eu lhes vai duplicar as vendas (é este o poder do design 🙂 ) e o meu concorrente aqui do lado vai fazer um logo que só lhe dá 1.5x mais lucro, acho que o meu deve ser mais bem pago. não sou um académico, não sei citar teorias económicas, é só isto, parece-me até demasiado senso comum para o escrever aqui sem me envorgonhar. aliás por isso é que venho a este blog, para ler coisas escritas por pessoas que fazem profissão da escrita e reflexão sobre estes assuntos. ou seja, venho, como disse, alargar horizontes. geralmente encontro comentários de bom nível, imagino que por colegas de universidade do mário, ou outros designers com mais gosto na leitura e crítica que eu, mas quando leio uma referência ao artigo referenciado no ionline e encontro opiniões muito superficiais sobre uma área em que estou inserido, creio que devo apontá-lo. dizer que o design de um site não deve custar X porque está assente em drupal (que não sei se está ou não) para mim é disparatado. é como dizer que o logo da edp foi caro por ter sido desenhado num programa open-source, no corel draw ou com uma bic em vez de uma rotring. ou A) os valores referidos são apenas relativos ao design, que até pode ter sido feito no illustrator ou photoshop, não interessa, o que se paga é a criatividade, geralmente de uma equipa. ou B) este valor inclui design e implementação para pagar uma equipa que esteve a trabalhar num layout que gostavam ou não, que entendem ou não. mas para um programador que tem que receber algo pelo seu trabalho, é indiferente se está aplicar um verde mais claro ou mais escuro, faz o que lhe pedem e que provavelmente não tem capacidade ou autoridade para avaliar. sem falar nas pessoas que programam server-side que até só tratam de acessos a bases de dados e muitas vezes nem sabem o aspecto que o site tem. que tem isto a ver com design? ou com o site ser “feio”? nada, mas tem a ver com o motivo de polémica “90.000€ para o cayatte”, como se não existissem mais pessoas involvidas no processo e que se fala aqui como “preço do design”

        agora, como o luís ferreira apontou, o artigo do ionline não faz referência a nada disso. ou por preguiça, ou para manter os valores “chocantes” ou por pura incapacidade técnica, a verdade é que não sabemos bem do que se está falar, daí o meu comentário de que isto parece conversa de café, estamos todos a dar opiniões sobre algo que não temos mais dados (e em resposta directa a este seu reply, não tenho maneira de obter). de igual modo, se o estacionário inclui valores de produção de uns bons milhares de canetas e papéis, como é comum neste tipo de orçamentos, a maioria das pessoas fora da área ficaria mais chocada ao saber quanto dinheiro se gasta em papel de carta ou lápis personalizados que com quanto se vai pagar pelo trabalho de uma equipa de design. ou talvez não, porque como é algo tangível choca menos que pagar serviços. sim, nada disto tem a ver com o design ser bom ou mau, como o mário responde ao luís, mas tem a ver com o título e argumentação do artigo em função do preço, um preço que tem que ser pago a quem fez correctamente todo o resto desse trabalho e que não deve ser posto de parte quando dá jeito. se o artigo fosse “avaliação e crítica do novo site das comemorações da república” essa resposta estaria correcta, mas para levar até ao fim a metáfora de hollywood, um artigo que questione porque um filme tão mau ou tão bom como o titanic custa milhões de doláres, sim a resposta correcta é ver os créditos no fim do filme. centenas de pessoas colaboraram e responderam ao que lhes foi pedido e foram pagas por isso. algumas receberam uma grande fatia, outras menos, mas a resposta ao custo está aí, não em se nós gostamos ou não do resultado.

        mas seja lá o que for em termos de trabalho a que se refere o artigo do ionline, são valores que fogem da minha escala de compreensão por falta de referências pessoais e que espero encontrar em artigos especializados, não meras referências a montantes que para alguns parecerão elevados. para realmente debater o custo do design, porque não esquecer artigos mal fundamentados (refiro-me ao ionline) e debater uma forma de voltar a modelos próximos da arquitectura, como existia antes, quando tinhamos controlo sobre os media e a produção, para fazer variar o custo do projecto em função do valor da obra. ou porque não assumir que temos valores próximos de outras artes plásticas, em que conseguimos cobrar em função do nosso nome, originalidade, raridade?

        retomando o exemplo do café em frente. o gerente desse café vai ter um salário mais ou menos proporcional ao que o seu café ganha. ele sabe que esse valor vai ser inferior ao gestor de uma cadeia nacional de starbucks, ou do café ao lado que vende mais cafés, ou até menos cafés por mais euros. de igual modo, se o meu logo vai ao ajudá-lo a vender o dobro dos cafés (ou os mesmos pelo dobro do preço) idealmente eu devia ser recompensado em função disso, certo? ou então vou vender a minha arte ao vizinho do lado que me paga mais.

        como disse, não percebo nada destas coisas de leis de mercado, preço do design, etc, mas é o tipo de resposta e debate a estas minhas questões que estou habituado a ler aqui nos comentários e não propriamente objecções a que alguém da nossa área consiga cobrar bem por algo que todos nós devíamos valorizar, o design.

        todo o debate aqui se mistura neste momento, não debatemos realmente se o design é bom ou mau, aliás parece não haver grande discussão em relação a isso. também não temos elementos para dizer que o custo é alto, já que não sabemos o custo de quê.

        esta minha insistência na separação custo/qualidade não é uma questão de princípio, nem é só para contrariar. corrijam-me se estou enganado, mas tem a ver como funciona a própria contratação dos serviços de design, que é um tópico com certeza para uma discussão bem pior que esta. aliás, devo estar enganado, ou não consigo entender a observação do estado gastar mal o dinheiro, nos modelos actuais de trabalho parace-me difícil dizer isso.

        num concurso aberto, que eu acho igualmente mau, o estado, tal como outros clientes privados que trabalham o mesmo modelo, recebe várias propostas de designers que trabalham vários dias para apresentar propostas muito completas sem ver um tostão. aí o cliente vai realmente escolher apenas uma, ficando os restantes a arder no trabalho dispendido. aqui poderíamos criticar o estado por ter feito uma má escolha. de qualquer modo, levantam-se as questões do costume. a escolha deve ser feita em função do preço ou da qualidade/criatividade? se a do cayatte fosse a mais “criativa” e ele decidisse cobrar o que lhe apetecer, íamos gritar “ladrões”, perguntar quem os escolheu. alguns de nós até iriam dizer “a minha era melhor e mais barata”. nada que não tivesse já acontecido. se a escolha for apenas pelo preço, será que poderíamos de facto concordar que o design mais barato não sairá mais caro por trazer piores resultados? e mais, a questão da escolha: quem tem capacidade para decidir qual a melhor proposta? os nossos professores universitários? os nossos profissionais mais conceituados, que provavelmente estariam a conscurso ou impedidos de o fazer? o próprio cayatte? mais, veja-se o exemplo do concurso do logo, as propostas eram assim tão más que tiveram que contratar directamente um trabalho ao dobro do preço. é simples falar outra vez de compadrio e não pensar mais nisso, mas tenho curiosidade em ver os logos a concurso, vocês não?

        agora, num modelo de adjudicação directa como podemos censurar o estado por ter escolhido um dos nossos designers mais conceituados para um trabalho que considera importante? se deixou passar o trabalho sem interferir, o que vamos argumentar para culpar o eterno testa-de-ferro, o estado: que o cliente deve alterar o trabalho do designer? mais facilmente acredito no contrário, como tantas vezes acontece neste modelo, em que o designer é obrigado a submeter várias propostas até uma estar insípida o suficiente para ser aceite. apostar em novos talentos, costuma ser a resposta a esta questão. aceito, mas quem faz estas escolhas conhece os novos talentos? provavelmente não, apostam na escolha segura. não sei quem está lá no seu cadeirão a decidir essas coisas, até pode ser preguiçoso em procurar, mas como o mário tantas vezes refere aqui, onde está a nossa crítica? a nossa capacidade de chamar a atenção para os nossos melhores? a capacidade de entreajuda para melhorar as nossas condições de trabalho e por consequência o nosso trabalho? de certeza que não é em lutar por conseguir o preço mais baixo. tudo bem derrubar os designers instituídos, essa tal a escolha confortável por omissão. mas fazer isso elevando os nossos melhores a esse lugares, criando reconhecimento na profissão e obrigando a velha guarda a manter o nível que tiveram até hoje ou ceder esse lugar quentinho lá no topo à nova geração que se exprime tão ardentemente contra eles nestes fórums. não me parece que só atirar-lhes pedras vá trazer grandes melhorias a todos nós.

        não estou a defender o modelo de adjudicação directa, note-se, acho os dois modelos péssimos mas acho que escrever comentários aqui a gritar “ladrão” é muito mais fácil que trazer ao debate público estes dois péssimos modelos de contratação a que nos submetemos regularmente, assim como a nossa inépcia em chamar a atenção para os nossos melhores fora dos nossos meiozinhos habituais.

    • Victor Leal diz:

      Li com atenção o seu comentário bem extenso e mesmo assim, não me leve a mal, mas parece-me que muitas das coisas que diz não passam de demagogias. Reforça tudo o que diz com exemplos práticos mas que nem por isso estão a par da situação que estamos a discutir.

      É bastante óbvio que o preço fixo em design é um disparate, tem toda a lógica que o preço esteja em função do valor acrescentado do design, mas a questão é que isso não pode representar uma arbitrariedade absoluta no valor monetário que se atribuí ao design. Se assim fosse os designers começariam a receber uma comissão sobre os lucros que determinado cliente teria a partir do momento de implementação do trabalho, isto a propósito do exemplo que fala do café aí da frente. Não acha?

      O preço em função do valor acrescentado tem toda a lógica, mas isso não pode ser justificação para os valores astronómicos de que estamos a falar…deve haver limite e penso que esse limite deve ser imposto pelo bom senso, que na minha opinião não há nesta situação.

      Além disso, ao longo dos seus comentários, tem vindo a “atirar para o ar” que os comentários aqui feitos não são fundamentados…quando quem me parece pouco informado aqui é o senhor, senão veja o código fonte do site (prática comum de quem trabalha em web design) e veja se não encontra lá referencias do drupal, tanto referências óbvias como referências no modelo de construção do site.

      De qualquer forma, o facto de ser feito em drupal nem é a questão que mais interessa porque o mesmo não é da responsabilidade de Cayatte.Isto pode servir como exemplo da sua falta de informação, queira consultar a ficha técnica do site, que está disponível no mesmo.

      Design gráfico
      Portal do Centenário: Atelier Henrique Cayatte

      Execução técnica
      SAPO

      O que isto quer dizer, é que o facto de ter sido ou não feito em Drupal não interessa porque não foi efectivamente o Atelier Henrique Cayatte que tratou da implementação do layout. Ou seja, o valor astronómico que tanto se fala é referente ao design grafico…unicamente!

      “todo o debate aqui se mistura neste momento, não debatemos realmente se o design é bom ou mau, aliás parece não haver grande discussão em relação a isso.”

      Contrariamente ao que diz, parece-me que toda esta discussão é motivada pelo design, não lhe parece ?

      É a relação entre o valor do design de interface e valor monetário efectivamente pago que tem vindo a ser questionada…

  13. Tiago Cruz diz:

    @troll

    Estou realmente espantado com a sua opinião sobre o assunto… 400€ vs 99.500€… faço minhas as palavras do Victor Leal.

    Como deve imaginar, não vou estar aqui a puxar dos meus “galardões” só para que o troll perceba aquilo que é reconhecido no meu trabalho podendo assim dar valor, ou não, aquilo que digo ou escrevo.

    Revolta-me aquele que cobra 400€ por um site e revolta-me igualmente aquele que cobra 99.500€, quando ambos fazem um péssimo serviço! Isto é muito mau para toda a comunidade dos designers portugueses. São actos como este que estragam o mercado e que fazem com que a profissão não seja respeitada. É por causa deste género de coisas que me coloco a favor da criação de uma “Ordem dos designers”. Mas não vale a pena entrar por estes campos, são outro debates…

    Quem desenvolveu aquele site percebe muito pouco de webdesign (incluindo design de interface). Não ficaria nada admirado se o valor cobrado tivesse sido 400€. Admira-me sim os 99.500€! É tão absurdo, tão non-sense que sempre que escrevo isto não consigo evitar a gargalhada!

    Desculpe… independentemente de não termos acesso à história toda sinto-me roubado. Antes de ser designer e professor, sou um cidadão português que paga os seus impostos.

    Em relação a desenvolver “artigos de análise a sites públicos e privados”… posso-lhe dizer que já fui contratado para o fazer e, como deve imaginar, esses relatórios não são feitos numa hora, nem numa tarde, nem numa semana. Mas calma… não custam 99.500€… Adiante… nem era preciso muito para apontar o dedo a uma série de problemas de Usabilidade e Experiência de Utilização bastando para isso confrontar o site com uma série de heurísticas!

    Muito obrigado pelo elogio ao meu blog! E já que gostou, esteja à vontade para passar em http://www.naocoisas.com.

  14. pardo diz:

    Só gostaria de lançar uma questão que não me parece todavia clara:

    Quanto dos 99.500€ foram destinados a:

    1. Design
    2. Programação
    3. Reuniões de analise de conteúdos
    4. Horas de debate com os delegados do estado para o projecto
    5. manutenção de conteúdos

    Creio que avaliar o realismo deste valor sem pensar na atribuição de todas estas vertentes do orçamento é ver as coisas de forma demasiado curta. Acredito que qualquer projecto feito para um cliente desta envergadura, terá sempre obrigatoriamente de inúmeras alterações no processo de construção. Estamos a falar de um vai-vem de executivos de contas que não deve ter durado menos de seis meses até à fase de implementação.

    ****************

    Depois existe algo em que estou de acordo com o troll:
    Parece-me curiosa toda a crispação em redor destes valores, feita quiçá por pessoas que empregam designers de forma precária, que não pagam software, que poucas vezes compram fontes, que raras vezes pagam mais do que 800€ aos seus colaboradores, e que ainda assim gozam de grande reputação como grandes filantropos do design português.

    • Mais uma vez: não me incomoda nada que o Estado português gaste muito dinheiro em design; apenas que o gaste mal.

      Quando digo isto, tenho toda a consciência que dá trabalho fazer um site, que o orçamento pode incluir vários serviços distintos, distribuídos ao longo de um determinado período de tempo.

      Duas empresas podem fazer dois orçamentos absolutamente iguais e ainda assim o resultado ser muito diferente, tanto no plano formal como no plano técnico. Dito de outro modo: custa mais dinheiro a produzir um desastre de avião do que um avião, porque, para além do custo de produzir o avião em si, é preciso pôr o custo de toda a mão de obra que o mantém no ar até cair. No entanto, não é pelo facto de custar muito dinheiro que um desastre de avião se torna melhor do que um avião. Prolongando a analogia, preferia que o Estado português investisse mais em aviões do que em desastres de avião.

      Finalmente, o que incomoda neste trabalho é o facto de que, tendo sido feito por atribuição directa, sem concurso, sem que se percebam os critérios de selecção, tirando o facto de Cayatte ser um designer de reconhecido mérito, não se perceba porque custou esse dinheiro. Tendo em conta que a soma dos orçamento dos dois trabalhos que Cayatte fez é 198.500 €, e que o limite máximo para a atribuição directa é 206.000, pode-se até especular que a razão de ser deste orçamento foi este limite e não qualquer tipo de característica dos trabalhos em si. A verdade é que não se sabe, nem se entende porquê.

      O problema de raciocínio do troll é acreditar que protestar o facto de um site em particular ter sido demasiado caro implica que se está a defender que os designers deveriam ser explorados (se não se aceita que um site em particular custa 99.500 € é porque todos os sites deveriam custar 400 ou 800 €). Ora uma coisa não implica a outra: pode-se defender que o site de Cayatte é demasiado caro, sem com isso deixar de constatar que o design em Portugal é mal pago. Mais uma vez: não me incomoda nada que o Estado português gaste muito dinheiro em design; apenas que o gaste mal.

      Acho finalmente curioso que uma série de designers se dedique a debater um site de uma maneira meramente quantitativa, como se fosse a conta de um supermercado, descriminando horas de trabalho, custos de produção e materiais, não se perguntando sequer se valeu a pena gastar esse dinheiro – se, usando a retórica do CPD, o resultado final emociona, tantaliza ou satisfaz. Não posso deixar de constatar que pensar no design em termos meramente quantitativos leva a que seja indiferente escolher um ou outro trabalho, um ou outro orçamento, um ou outro designer (ou seja, que qualquer outra qualidade para além do preço não faz diferença). Se o design português tem mais problemas para além deste, são sem dúvida mais pequenos.

      • Pedro S diz:

        Por outro lado também poderá ver os astronómicos valores pagos a grandes agências de design e publicidade, verdadeiras fábricas de exploração de designers (falsos recibos verdes, estágios e outras formas de precariedade laboral) por trabalhos também eles de qualidade duvidosa. Agências essas que também se mexem muito na base das amizades com figuras de topo (políticos, presidentes de grandes empresas nacionais, etc). Meus caros, o Cayatte ao pé dessas agências é um mero amador.
        Se o mundo das agências fosse investigado aí sim o país veria o que são redes tentaculares e jogos de interesses.
        Aparte isto, acho de mau tom criticar-se assim o trabalho de qualquer colega de profissão seja ele quem fôr. Facilmente se pode passar da crítica à obra devidamente fundamentada ao ataque pessoal fácil e de baixo nível como aqui alguns têm feito.

      • @Pedro S.

        Defender todos os actos e trabalhos de um colega simplesmente porque ele é um colega é mero corporativismo. Entre um ataque pessoal e um favoritismo corporativo não vejo diferença nenhuma – os dois incorrem no mesmo tipo de preconceito.

        A ideia de que não se deveria denunciar uma situação porque ao fazê-lo não se denunciam situações piores é apenas uma maneira discreta de mandar calar alguém (não vale a pena falar dos ateliês porque as agências são piores; não vale a pena falar do design porque o futebol é pior; não vale a pena falar de Portugal porque os Estados Unidos são piores; etc). É apenas uma forma de fugir ao assunto.

      • Pardo diz:

        “pensar no design em termos meramente quantitativos leva a que seja indiferente escolher um ou outro trabalho, um ou outro orçamento, um ou outro designer”

        Nao é esta a discussao, nao houve concurso, nao houve propostas, houve sim uma proposta económica pedida a um designer de renome muito próximo aos meandros da decisao. Neste caso assumiu-se, e mal, que o simples facto de eleger um nome equivale a receber um design de determinado nível, quando há muitos outros factores em questao.

  15. Pardo diz:

    Sinceramente, e para terminar a minha participação no tema, que por tanta discussão gerada (e não pela pertinência) me pareceria já gasto, não fosse estar com as mãos (ou com a wacom) metidas num site institucional de uma reconhecida sala de espectáculos europeia, em que o cliente avalia por comité, em que não existe o mínimo de organização de conteúdos prévio, onde se torna extremamente difícil chegar a compromissos por falta de organização e delegação internas… Bom, poderia passar aqui a tarde toda. Sou adepto de culpar sempre o mínimo possível o cliente por um mau resultado gráfico, por mais difícil que por vezes possa ser. Acho que a função de consultoria do Design é sem dúvida dos serviços mais importantes e valiosos que a profissão tem para oferecer. Mas geralmente, e sei-o por experiência própria, assumo que quanto maior o orçamento, quanto mais importante e reconhecido é o cliente, quanto maior a sua estrutura organizativa, mais difícil se torna trazer a nau a bom porto e conseguir um bom projecto final. Acho que o Estado Português encaixa bem neste perfil traçado, daí a minha opinião.

    Só por curiosidade, o orçamento do projecto em que estou envolvido é quase 3x superior ao daquele em questão.

  16. Eduardo diz:

    Não tenho muito tempo para seguir toda esta discussão aqui pois a minha activadade como designer que considero séria não me deixa, como a muitos outros designers, tempo livre para me envolver em discussões queixinhas, picuinhas e infrutíferas. Os factos apontados pelo Mário são inegáveis. Disso não me restam dúvidas.

    A minha pergunta é apenas esta: alguém aqui tomou a iniciativa de reagir devidamente a isto? Ou esta-se apenas a praticar a sofisticação das nossas ironias e aquecer os argumentos?

    O meu descontentamento é não ver ninguém propor acções concretas contra algo que denigre a profissão. E isto é algo que aponto, não sem algum carinho, ao próprio Mário.

    Agora, vamos todos encolher os ombros e agir como beatas no adrio da igreja?

    Quanto a voçês não sei mas eu vou usar o pouco tempo que me sobra a manifestar-me junto dos “major players”. Sejam eles a APD, ICOGRADA, AIGA ou os demais que me conseguir lembrar. E porque não o próprio “coyote”. (Sim porque a figura dos desenhos animados não me sai da cabeça e por alguma razão há-de ser).

    Sinceramente prefiro ladrar para a caravana do que, como a minha avó diria, dar àgua sem caneco.

    • rui cravo diz:

      A discussão na raiz acenta em dois factores

      a falta de integridade/justiça em gastos de fundos publicos pelo estado Portugues

      e o facto mais que obvio que o Senhor coyote é um capitalista (nao um artista grafico com etica profissional) que só esta disposto a disfrutar das opurtonidades que dipõem no CPD (se ele tem dificuldades em promover ou dar mais relevancia ao mundo do design Portugues, talvez deveria deixar o cargo e dar a oputunidade a alguem mais capaz e com uma energia mais positiva e menos mamão que ele).

      Em relação aos comentarios eu acho que o Mario e Eduardo falam bom senso e verdades.

      Quanto ão senhor Troll eu só queria saber se

      Tu és um profissional na area da web?

      Ou um capitalista/empresario que disfruta profits da dada actividade.

      De artista grafico com etiqueta e educação pouco deves executar ou defender, um profissional com boa educaçao (em que aprendeu algo positivo e de boa contribuição para a industria de design) que tem brio e integridade não defendia ou argumentava nenhum comentario em favor de este escandalo (que é tipico e endemico de Portugal).

      Por esta razão é que Portugal é um pais que esta inserido no top 20 paises mais corruptos a niveis estatais.

      P.S. Peço desculpa pelos erros ortograficos (eu já não vivo Portugal a 17 anos mas sou Portugues).

      • Eduardo diz:

        Rui,

        Tocaste e muito bem na ferida.

        Embora a revolta que sinto só me dê vontade de ser curto e grosso ainda assim acho que o contexto social/cultural do nosso País é necessário ser chamado ao baile porque só isso pode completamente explicar como é que isto é possível.

        Não vivendo em Portugal já há 4 anos devo deixar bem claro que situações semelhantes também acontecem nos 3 países onde trabalhei e vivi até agora.

        Mas há uma diferença fundamental.

        Uma diferença de grau: as coisas não chegam a este ponto.

        Uma diferença na reacção: o cidadão, o profissional, as associações, as instituições reagem!

        É a impunidade e passividade que me revoltam cada vez mais.

        Os debates argumentativos são demasiado longos. Falta uma certa austeridade moral e intelectual. Ser conciso e directo assumindo uma posição clara e inequívoca mesmo que se tenha de simplificar pondo as coisas preto no branco: é um mal necessário a meu ver. Hamlet e Guterres já se provaram a si mesmos.

        E uma coisa muito importante: severidade.

        Lucidez, rigor e coerência são qualidades que brilham neste blog. Mas ainda sinto uma falta de severidade aqui e um pouco por todo o país no que diz respeita reagir a situações destas.

        Contudo tenho toda a simpatia pelo desânimo que se sente aqui de quem é lúcido e tem a cabeça no lugar como é o caso do autor deste blog. Não creio que estaria imune a esse estado de espírito se não me tivesse posto a andar.

        Mas mantendo a cabeça não só no lugar mas também erguida, gostava de saber o que pensas que é possível fazer, Rui.

        Neste momento a denúncia deste caso e a divulgação deste estado das coisas tirando partido da minha geografia actual é a única coisa que consigo entrever. Preciso de pensar nisto de cabeça fria e deixar arrefecer a raiva.

        Se alguém me souber sugerir acções de protesto e conduzir a discussão nesse sentido agradeço. Caso contrário continuarei a pensar e agir por mim e dou como terminada aqui a minha contribuição nesta discussão pois não estou minimamente interessado em alimentar a polémica. A minha opinião está formada, respeito quem pensa doutra forma mas não tenho mais nada a argumentar — se bem que nem sequer o tenha feito porque a análise já foi feita pelo Mário e eu subscrevo. Acho-a irreprensível e não tenho mesmo nada a acrescentar para além do que já disse e foi dito.

      • Neste caso, há dois problemas distintos: um deles, que já foi referido mais atrás pelo Pardo, é que o Estado contratou sem concurso um designer de reconhecido mérito e esse designer não fez um bom serviço. A pergunta a fazer é: quem é responsável por isso? Notem que não é uma questão legal, mas uma questão política: quem é o responsável por esta má decisão? Pela leitura do artigo do i, os responsáveis pela situação parecem ser, indirectamente, o Presidente da República (que promolgou a adjudicação sem concurso neste caso) e o Ministro da Presidência Artur Santos Silva (que dirige a comissão das comemorações).

        O segundo problema é ético: o facto de Cayatte por um lado trabalhar pessoalmente e regularmente para o Estado (independentemente da qualidade desse trabalho) mas, por outro, não conseguir defender adequadamente o CPD junto do Estado, levando à conclusão que não é a pessoa mais indicada para o dirigir.

        Pessoalmente, acredito que este género de assuntos se resolve através da discussão pública e crítica. Acredito também que o primeiro problema (mesmo antes de ter chegado aqui ao blogue) já teve toda a cobertura possível: já apareceu em jornais nacionais; já apareceu num conjunto relativamente grande de blogues (é só fazer uma busca usando as palavras “Cayatte” e “Centenário”, por exemplo). Quanto ao segundo problema, tirando discuti-lo aqui publicamente, não faço ideia do que fazer mais.

  17. Eduardo diz:

    Justíssimo.

    A pesquisa foi feita e foi assim foi que cheguei aqui. Não acho a discussão tenha um grande alcance ainda mas não me vou queixar, vou fazer por isso.

    Nesse aspecto de discussão crítica a função deste post foi bem cumprida e espero que continue a indignar e a motivar reacções.

    Nesse caso a solução é aumentar o volume.

    Cabe a cada um de nós agora propagar a discussão. Apenas posso falar por mim, pois não sou lider sindical nem tenho um megafone. Espero é encontrar mais designers que partilhem a minha indignação e reacção. Em Portugal!

    Eu farei a minha parte, como disse, aproveitando-me do acesso que tenho a um novo público se bem que distante da realidade portuguesa. Mas porque o design goza de uma certa universalidade na sua ética considero isto de interesse global. E tenho a certeza que muitos colegas não vão ficar calados mesmo sem terem o passaporte português que agora me envergonha a dobrar. Voçês sabem porquê.

    Não é poucas vezes que, quando a comunidade internacional — sem querer soar como se tratasse de um problema de direitos humanos ou algo que o valha — se volta sobre nós, nos vemos constrangidos a tomar uma posição séria. A vergonha parece ser a nossa principal motivação para agir.

    Que assim seja.

    Obrigado Mário por ainda te indignares.

  18. JRF diz:

    Um pouco atrasado, só juntar uns detalhes que considero importantes:
    O “portal” e o “estacionário” foram facturados a entidades diferentes. A primeira “Henrique Cayatte – Design, Lda.”, a empresa; a segunda “Henrique Frederico Cantiga Cayatte”, o próprio. Só isto, já daria para questionar alguma coisa. Faz parte de algum expediente contabilistico, eventualmente para pagar menos impostos e desse modo contribuir menos para os escândalos de que ele próprio faz parte.
    Quem veio para aqui opinar que não se deve discutir o preço, não sabe o que está a dizer. Devia de ser o mercado a determinar o preço do serviço. Mas o mercado não foi consultado, porque essa é a essência do tacho de qualquer tipo.
    Os preços foram determinados unicamente por razões práticas, onde o felizmente não era o céu o limite, mas sim “apenas” 100.000€. Segundo a minha interpretação da lei, os serviços deveriam ter um tecto de 75.000€, mas neste caso ainda se contornou para os 100.000€ que abarca “outros tipos de contractos”. Os 206.000€ referidos no ionline estão errados, pois referem-se a uma empreitada de serviços (cada um no máximo de 75.000€), não a um único serviço.
    O único decoro que ocorreu a este designer foi não cobrar 99.999€. Tudo o resto é conversa fiada. E não há país que aguente uma drenagem a este ritmo.
    Um portal com aquelas características por 99.500€, só pode estar no domínio do sublime ou do descaro.
    Se alguém nesta república tivesse de justificar este gasto, ia ter um trabalhão. Mais que o designer a fazer o portal e o estacionário, disso não tenho dúvidas.

  19. Ze Design diz:

    Ola sou o Ze.
    O Cayatte, a Brandiacentral, a Ivitybrandcorp, o CCP, os Albuquerquedesigners entre mais uns quantos sao todos farinha do mesmo saco.

  20. Ricardo Moura diz:

    Há pouco tempo uma empresa pediu-me para fazer o layout de um site por 500 euros. Deveria ter-lhes mandado para o Cayatte, para aprenderem.

    • Humberto diz:

      Antes de mais gostaria de saudar todos os alunos da FBAUP, em particular os de Design de Comunicação, todos os designers no activo que, conscientemente, lutam ainda pela dignificação social da profissão e, em especial, a este meu antigo professor quando fui aluno na FBAUP- Mario Moura que mostrou a sua indignação através do artgo que lemos. Fico triste por saber que, afinal, a CPD preocupa se mais em alimentar os seus proprios interesses do que a causa para que foi criada e, por isso, lança dúvidas sobre a credibilidade de sua existência. O proprio Henrique Cayate que, outrora, foi para nós uma referência, agora não é nada mais do que um mau exemplo razão a qual a sua liderança no CPD deverá ser reflectida e a sua atitude execravel lança uma sombra sobre a sua outrora imaculada imagem. Não se compreende tambem porque o Governo, em vez de promover o trabalho de recem licenciados atraves de concursos (tenho a certeza que existem em Portugal jovens com mais que capacidade suficiente para dar resposta satisfatoria ao Evento nacional da Comemoração do Centenario da Republica) – que bem precisam, investe um montante exorbitante proveniente de dinheiro de contribuintes num projecto que, a julgar pelo site, deixa muito a desejar. Isto é, no minimo, insultuoso e o Sr Henrique Cayate devia reflectir sobre a sua verdadeira acção como lider da CPD.

      Abraço a todos,

      Humberto

  21. António Fonseca diz:

    O valor é astronómico mas desvalorizar o trabalho (que acho que não está bem conseguido) pelo seu cms é ridiculo. É tão válido o uso do Drupal como do expressionengine ou o desenvolvimento de um cms próprio (que para o caso tão não me parece necessário). Há tanto por onde pegar no site (verdana para os títulos? no corpo de texto que que line-height é aquele? e que estrutura de css é aquela? onde está a coerência com o resto da identidade? etc etc etc). Tudo isto seria válido independentemente do cms usado.

  22. Eu quase que concordava e discordava com toda a gente e com tudo o que foi aqui escrito até à data…

    Só que acho que tenho uma ideia um bocado diferente de todos: Acho que o design do site em questão não foi pago. Ou se foi, foi muito mal pago. Daí que o seu design seja tão mau. Talvez criado por algum programador de web sem quaisquer conhecimentos de design. Não sei…

    Como foi a “Henrique Cayatte – Design, Lda” a fazer o design do site, não entendo como foram fazer algo tão fraco em termos de design… Mas um bom motivo seria terem sido mal pagos, tendo em conta o volume de dinheiro que foi investido no projecto total.

    Para além do design, houve também a programação, o servidor, a edição e manutenção (que talvez já estejam pagos até uma certa data, que poderá ser daqui por alguns anos), os redactores que deverão existir, assim como a coordenação dos conteúdos que serão colocados no site ao longo do tempo, e ainda (o que nem sequer é referido) o próprio firewall do site e outras coisas técnicas.

    Poderá ter sido criado um departamento específico que irá manter o site online por vários anos. Se esse departamento tiver, por exemplo, 5 pessoas e se cada uma delas ganhar 1000 euros por mês pelo seu trabalho no site em questão, ao fim de 10 meses serão somados 5000 euros. Mas ainda há os gastos materiais, software, taxas várias e impostos, etc. Contas feitas mais ou menos por alto e o site poderá manter-se online mais ou menos durante uns 4 ou 5 anos.

    E nem sequer estou a contar com os custos iniciais de criação do site.

    • Sérgio Laranjeira diz:

      Desculpa Rui mas esta tua afirmação é um pouco descabida…
      “Se esse departamento tiver, por exemplo, 5 pessoas e se cada uma delas ganhar 1000 euros por mês pelo seu trabalho no site em questão…”
      5000 euros por mês para manter o site online? Isso é tapar o sol com a peneira não? Manter um site online não é como manter um Ferrari. Haja consciência, este dinheiro foi claramente mal investido e que tudo tem a ver com o querer dar dinheiro a alguém…. Muito dinheiro mal gasto há neste país…

    • Bem, que contas mal feitas lol (nunca fui muito bom a matemática).
      Se cada trabalhador ganhar 1000 euros isso dá 5000 euros por cada mês, o que ao fim de 10 meses dá 50.000 euros. O site nem num ano ficava online, tendo em conta outros gastos, entre os quais se inclui o design do próprio site…

  23. […] Portugal, o bom design não custa nem mais tempo, nem mais dinheiro do que o mau – na verdade, até pode ser bastante mais barato. Infelizmente, não há muita cultura do design entre as instituições culturais ligadas às artes […]

  24. gomes diz:

    Eu sei que já não há paciência para este assunto…. mas alguém quer comentar os 12.180,00 euro cobrados pela Brandia para a: Concepção de convites físicos e electrónico para o jantar dos 20 anos do ICP-ANACOM

    http://dn.sapo.pt/inicio/portugal/interior.aspx?content_id=1681022

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