The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Viagens, livros e filmes

Hoje preparo-me para ir de férias, o que é um acto difícil para mim. Embora não me desgoste a viagem em si, os preparativos enchem-me de angústias leves: o que levar e o que não levar, como arrastar a mala até ao destino (e se perder qualquer coisa, e se tiver que ficar à espera). Quando vou de férias, levo o dobro ou o triplo dos livros e dos filmes que poderia razoavelmente ver durante esse tempo (e enquanto não volto, vou comprando livros como se não tivesse nenhuns).

Em geral, quando vou de férias gosto de ler ficção científica, um género que tem bastantes afinidades com o design, sobretudo a descrição de objectos, ambientes e sociedades enviezadas em relação à nossa. Desta vez, vou levar “Anubis Gates” de Tim Powers, sobre viagens no tempo e uma espécie de percursor do Steampunk. Vou levar também “Consider Phlebas”, de Iain M. Banks, que espero ser uma space-opera desproporcionada – é isso que diz na badana. Levo também Teenage, de Jon Savage, uma história do conceito de adolescência enquanto categoria de consumo. Ando também a ler “Changing My Mind”, de Zadie Smith, um das melhores colecções de ensaios críticos que li nos últimos anos. Se vir que a mala não fica demasiado pesada, ainda vou por lá alguns álbuns da série Adéle Blanc-Sec, de Jacques Tardi – aventuras rocambolescas na Paris da Belle Époque, com pterodáctilos, múmias, pitecantropos, seitas diabólicas e polícias ineficazes (uma das minhas BDs favoritas). Parece que Luc Besson anda a adaptar a coisa para o cinema com uma actriz talvez demasiado bonita para o papel – Adéle era uma rapariga bastante normal – mas, ainda assim, espero que não faça um mau serviço. No iPod, levo para ver na viagem D.O.A.  de Rudolphe Maté, um clássico do filme negro dos anos cinquenta, onde um homem envenenado com uma substância radioactiva tem que resolver o seu próprio assassinato. Levo também Things to Come, de William Cameron Menzies, um épico da ficção científica dos anos trinta. Para ouvir levo a banda sonora de Where The Wild Things Are e em particular “Worried Shoes“.

Como é evidente, não vou conseguir ver isto tudo, mas pode-se sempre tentar.

Entretanto – e mudando de assunto –, fui-me apercebendo  que o melhor livro da década é Pattern Recognition, de William Gibson, uma espécie de thriller tecnológico girando à volta do design. Também gostei de Heartbreaking Work of Staggering Genius de Dave Eggers ou de Extremely Loud and Incredibly Close de Jonathan Safran Foer, mas não tanto.

Procrastinar é o acto de adiar uma coisa fazendo outra e este post é um bom exemplo disso.  Devia era estar a fazer as malas.

Filed under: Não é bem design, mas...

3 Responses

  1. vais (ou foste) para onde, Mário? Espero que tenhas tido muitas horas de voo para digerir tudo isso… 🙂 Boas Festas!

  2. […] Viagens, livros e filmes Hoje preparo-me para ir de férias, o que é um acto difícil para mim. Embora não me desgoste a viagem em si, os […] […]

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