The Ressabiator

Ícone

Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Direitos e Autoridades

Há um ou dois dias, li no Público uma notícia, construída a partir de declarações prestadas à saída de uma palestra em Coimbra pelo sociólogo António Barreto – que, como o artigo insiste em sublinhar, é doutorado pela Universidade de Genebra e antigo governante. As declarações em si são fáceis de resumir. Barreto acredita que os direitos dos cidadãos inscritos na Constituição portuguesa são incompatíveis com a crise económica:

“Vamos à Constituição e vemos que o cidadão português tem todos os direitos e mais alguns. Tem direito à saúde e educação de graça, à habitação. [É preciso] distinguir entre os direitos que devem ser absolutamente invioláveis – direito à privacidade, à integridade humana individual, direito à boa reputação, de voto, de expressão, de circulação – e os outros, que são interessantes, importantes, mas não são do mesmo nível de inviolabilidade como são os outros.”

É uma opinião, claro, e com a qual não concordo. Os direitos inscritos na Constituição portuguesa, tal como os da Declaração Universal dos Direitos Humanos, não são uma lei da física. São construções culturais, aspirações. Nenhum dos direitos referidos – tanto os invioláveis como os “interessantes” – é cumprido à risca. Se calhar até devíamos eliminá-los a todos.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Economia, Política

Mera formalidade

Li, numa coluna de opinião do New York Times, escrita por Roger Cohen, que a Democracia está a perder o seu lustro. Por um lado, as guerras travadas no Médio Oriente em nome da democracia foram-na tornando num pretexto – senão mesmo num sinónimo – para as demonstrações de força do ocidente. Por outro, o crescimento económico da China foi abalando a velha ideia liberal que a liberdade politica ajuda ao negócio. A própria economia foi-se tornando numa maneira de determinar decisões políticas, sem que se veja sequer a utilidade de as pôr a voto. Os governos foram-se tornando em intermediários entre os dinheiros públicos e as entidades privadas que os administram.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Política

O Pepsi Challenge da história

Há uns anos, numa feira de farrapeiros no Mercado Ferreira Borges, comprei um pequeno monte de livros estrangeiros por qualquer coisa como oito euros, talvez menos. Um policial da Penguin, da fase Tschichold, um livro de John Cheever com uma capa recortada a imitar as grades – entretanto rasgadas – de uma prisão, Octopussy de Ian Fleming com uma daquelas capas fotográficas muito em voga nos anos setenta onde, através de um arranjo casual de chouriços, mapas, pratos e armas –como a natureza morta que acompanha uma receita de cozinha –, se dava a entender uma ideia de violência profissional, quotidiana, talvez até burguesa.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Crítica, Cultura, Design, História, Publicações, , ,

Clichés, Cinismo (Perdão, civismo)

Se o design inglês fosse a capa de um livro, a capa de um disco ou um mapa de metro, o design suíço seria um poster e um catálogo; se o design americano fosse uma revista ou um logótipo, o design português seria um selo ou um rótulo de vinho colado a qualquer coisa de cortiça.

A excelência não assenta em excepções, mas na escolha dos melhores lugares comuns, dos clichés pelos quais gostaríamos que nos conhecessem. Claro que quem diz clichés diz imagem de marca, e já era altura de alguém arranjar uma identidade melhor para o design português, que não estivesse pendurada dos temas do costume: turismo, vinhos, cortiça, etc.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Design

Trezentos

E assim chego ao post nº 300.

Por curiosidade, nos primeiros quatro anos do blogue escrevi apenas cem posts[1], uma média de vinte e cinco por ano. Os restantes duzentos escrevi-os nos últimos dois anos e pouco mais de meio, uma média de oitenta por ano.

Desde 2004 houve algumas mudanças. No começo não punha imagens e escrevia sob pseudónimo. Na Primavera de 2007, por impulso, troquei o Blogger pelo WordPress – e não me arrependo da escolha. No Verão de 2007, decidi assumir um ritmo semanal, que cumpri desde essa altura. Em uma ou outra ocasião tentei um ritmo mais rápido, recorrendo a outro blogue, o Grandes Armazéns do Design, ou simplesmente a escrever mais depressa – como tenho feito nos últimos meses.

Durante este tempo publiquei um livro, que cobre cerca de trinta dos trezentos posts, participei numa meia dúzia de livros, nacionais e internacionais, escrevi para dois jornais e umas tantas revistas. Através do blogue, visitei umas dez das quarenta escolas que em Portugal ensinam design.

Têm sido anos bons.


[1] Na altura do centésimo post, comemorei com uma publicação em PDF, para fazer download e imprimir. Pensei repetir a tradição, mas nunca cheguei a fazer isso.

Filed under: Design, Notícias Breves

Agi Open Porto

Na Casa da Música do Porto, dias 11 e 12 de Outubro vai decorrer o encontro da Alliance Graphique Internationale (AGI), incluindo conferências, workshops e exposições. Presentes vão estar Abbott Miller, Ahn Sang-Soo, Bruno Monguzzi, Cyan , Étienne Mineur , Javier Mariscal, Marian Bantjes, Michael Bierut, Niklaus Troxler, Paula Scher, Peter Knapp, Pierre Bernard, Sara Fanelli e Stefan Sagmeister. O evento é organizado pelos R2 (Artur Rebelo e Lizá Ramalho), os únicos[1] dois membros portugueses desta exclusiva associação de designers. Será sem dúvida uma boa oportunidade para manter o Porto vivo enquanto lugar de encontro para os designers nacionais e internacionais.

[1] Update: Os R2 foram os primeiros portugueses a juntarem-se à AGI em 2007. Entretanto, juntou-se Mário Feliciano no ano passado e Mariana Paz[2], sem data assinalada.

[2] Update: Que muito provavelmente é apenas uma gralha ou um teste (ver comentários).

Filed under: Conferências, Cultura, Design

Uma revista

Durante as últimas semanas, tenho perguntado às pessoas se conhecem a revista DirectArts. Perguntei a designers, alunos e professores no Porto e em Lisboa, gente interessada em revistas, exposições e escrita sobre design, cerca de quinze pessoas em ocasiões distintas. Ninguém a conhecia.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Crítica, Cultura, Design, Publicações, Publicidade

Arte Política (com um gorrinho para o frio)

Agora andam na moda as exposições sobre conteúdos políticos, sociais ou independentes, se possível comissariadas pelas mesmas pessoas que se dedicavam a ser publicamente contra a ideia de expor conteúdos políticos, sociais e independentes. Calculo que, como de costume, tenham arranjado uma boa justificação para o volte-face e que acreditem que – agora que são eles a tentar – a coisa vai dar certo (Boa sorte). Pessoalmente, não vejo nenhuma contradição ou escândalo em pôr arte anti-institucional num museu – se cabe na porta, é porque pode entrar. A crença que a arte política perde o seu impacto quando está num museu é apenas mais uma maneira de afirmar o poder dos museus, galerias e instituições. Se a arte política ou independente ainda tiver alguma pertinência para além da documental não são com toda a certeza estas instituições que a vão dissolver. Do mesmo modo, se um objecto fosse verdadeiramente anti-institucional, não seriam os artistas ou os críticos a ditar se um museu deveria ou não expô-lo, mas o próprio museu nunca lhe iria tocar. Nem lhe passaria pela cabeça fazê-lo. Irritam-me profundamente aquelas figuras paternalistas que reclamam o papel de mãezinhas: ai que se for para o museu constipa-se, coitadinha.

Filed under: Arte, Exposições

A rentrée

Mais uma vez, começa o ano lectivo. Desta vez, sem grandes expectativas, tanto nas escolas como fora delas. A nível internacional, o entusiasmo pelas publicações independentes e pela crítica esmorece, migrando para o design social e um regresso à ideia do design como negócio.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Crítica, Cultura, Design

Os Dois Quiosques e os Dois Designs

Todas as pessoas que gostam de revistas num pais periférico têm um quiosque de referência, onde podem comprar coisas que não há em mais lado nenhum. Em Lisboa, há um na entrada de um centro comercial nos Restauradores. Comprei lá uma ou outra Believer, um número da Fire & Knives e a última Dot Dot Dot. No Porto, há um numa rua paralela às Belas Artes onde compro revistas desde há mais de quinze anos, quase vinte, quando ainda era aluno. Ao longo da minha vida, passei por uma enfiada destes quiosques onde podia cobiçar, antes mesmo de ter dinheiro para as comprar, revistas internacionais como a (Á Suivre), a Metal Hurlant, a Pilote ou a Eye. Havia outros quiosques, claro, mas nesses só apanhava os jornais do costume, a TV Guia, gelados ou senhas de autocarro.

Leia o resto deste artigo »

Filed under: Crítica, Cultura, Design, Ensino, Publicações

Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

História Universal do: Estágio

O "Estágio"
O Negócio Perfeito
Maus Empregos
Trabalho a Sério
Design & Desilusão
"Fatalismo ou quê?"
Liberal, irreal, social
Conformismo
Juventude em Marcha
A Eterna Juventude
Indústrias Familiares
Papá, De Onde Vêm os Designers?
Geração Espontânea
O Parlamento das Cantigas
Soluções...

História Universal dos: Zombies

Zombies Capitalistas do Espaço Sideral
Vampiros, Zombies, Classe Média

Comentários

Comentários fora de tópico, violentos, incompreensíveis ou insultuosos serão sumariamente apagados.

Arquivos

Categorias