The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Design e Dinheiro

Com alguma surpresa, encontrei no blog da habitualmente exigente revista Eye uma crítica embevecida ao mesmo Agi Open Porto 2010 que não me entusiasmou por aí além na semana passada. Jan Middendorp, o seu autor, até lhe chamou um evento de design “inspirador” e dos “mais intensos a que já tinha assistido”.

É uma opinião, claro, mas que me deixa de sobrancelha alçada. Pergunto-me se não se ficará a dever àquilo a que se tem chamado a “situação do pais” e a que Middendorp alude várias vezes ao longo do seu curto texto, onde o Porto é descrito como uma “cidade espectacular mas degradada, revelando as marcas da actual crise económica portuguesa”. Resumindo: quando se está à espera de jipes, AK-47s e catanas – ou pelo menos greves, motins e gás lacrimogéneo  –, encontrar um evento internacional de design deve parecer um milagre.

É um fenómeno no qual já tinha reparado: se ficamos a saber que existe um estúdio de design em sítios tão problemáticos como o Darfur ou tão totalitários como o Irão é porque as coisas não podem estar assim tão mal. As primeiras necessidades já estão asseguradas e podemos começar a pensar em coisas mais elevadas mas também mais acessórias. Porém, esta ideia do design como um índice de desenvolvimento é perversa: dá a entender que, para melhorar a qualidade de vida de um sítio, não é preciso fazer mais nada do que instalar lá essa coisa do design.

Fui à Agi com uma amiga minha que ia ficando boquiaberta com o custo provável de alguns dos projectos apresentados, comentando que não seria possível fazê-los em Portugal. A isso só pude responder, usando como exemplo o Caso Cayatte, que não se trata de não haver aqui dinheiro para o design, mas desse dinheiro ser gasto em design fraco. Em Portugal gasta-se tanto ou mais dinheiro em design que em outros sítios mas com bem menos resultados.

Um dos trabalhos que mais a chocou foi a instalação que Stefan Sagmeister fez com 250.000 moedas de um cêntimo. Aquele trabalho, produzido já em plena crise, dava literalmente a ideia do design como dinheiro atirado à rua, ao qual o designer se limitava a mudar a fonte, arranjando-o numa frase auto-centrada. Nem é uma provocação particularmente nova, tendo em conta que muita da arte das últimas décadas, desde os quadros com notas de dólar de Andy Warhol, até à performance onde a K Foundation queimou um milhão de libras, se dedicou a problematizar (que é como quem diz “celebrar”) a relação da arte com o dinheiro. Nada de novo, portanto.

Porém, aquilo que me faz coçar mais a cabeça é a associação directa entre as moedinhas de Sagmeister e o design português – a instalação foi produzida no âmbito da Experimenta Design Amsterdam 2008, contribuindo bastante para a imagem do design como uma afectação dispendiosa que seria melhor esquecer nos tempos difíceis que se aproximam.

Tal como a crítica de Middendorp demonstra, a nova imagem de marca de Portugal é o papel que está a desempenhar na actual crise económica. É uma imagem negativa que nos irá perseguir durante anos ou mesmo décadas. Seria bom se o design pudesse mudar essa imagem, não através de um simples rebranding, mas de uma participação activa e crítica na resolução dos problemas de Portugal, melhorando os nossos produtos, a nossa cultura, a nossa sociedade. Para isso, precisará como é óbvio de mudar a sua própria imagem, vigiando mais de perto os seus clientelismos, os seus viciozitos e a sua falta (interesseira) de ambição.

Filed under: Conferências, Crítica, Cultura, Design, Economia, Política

19 Responses

  1. Estou plenamente de acordo. O design consegue isso, tenho a certeza. Mas também é necessário que haja um certo voto de confiança por parte das empresas portuguesas em relação ao design. E até agora parece-me que apenas as grandes empresas portuguesas parecem entender desse assunto. Elas sabem o valor que uma boa imagem pode dar, principalmente numa altura de crise como esta, em que é preciso insistir muito para que haja realmente um público consumidor activo, e o que isso representa nas suas receitas. As pequenas e médias empresas é que acreditam menos no marketing e na publicidade.

  2. dessauestudio diz:

    As grandes empresas têm directores de marketing que, me parece, não valorizam bom design. Olho à volta e vejo: 90% dos produtos que me desenham paisagem são feitos em Lisboa para essas empresas. E o resultado é esclarecedor. Encontro muito mais confiança nas pequenas e médias empresas do que nas grandes.

    • rui diz:

      Isso é bem verdade! (embora não seja algo generalizável) O problema talvez seja o aumento da concorrência no design. Ao surgirem muitos trabalhos bons, há aquela tendência para que mais empresas sintam a necessidade de acompanhar a qualidade das empresas “rivais” ou mesmo de serem melhores na publicidade e afins. O resultado é um design mais competitivo, que consiga dar resposta às novas exigências dos clientes.

  3. Miguel Sanches diz:

    Os tempos de crise podem ter o seu lado positivo… Normalmente é nesta alturas que se tem mais cuidado com a forma como se gastam as verbas disponíveis. No caso do design, pode ser que sirva para com menos dinheiro fazer melhor design. Será possível? Como se diz, a ver vamos…

    • rui diz:

      Pessoalmente tenho reparado que a formula que as empresas têm utilizado para gastar menos na publicidade é a de se dirigirem a low cost services, em que os freelancers e as pequenas empresas de design e publicidade se encontram enquadradas. Nos últimos anos, o valor do meu trabalho de freelancer tem descido imenso, mas agora caiu a pique. Imagina que por volta de 2004/2005 eu cobrava por um flyer (sem impressão incluída) 300 euros e 350 por um cartaz. Eram preços de mercado normalíssimos nessa altura e tanto freelancers como empresas faziam esses valores com normalidade. Em 2008 eu já tinha baixado o valor para os 150 (tanto flyer como cartaz e, mais uma vez, sem o valor da impressão). Mas, para teres uma noção de como as coisas andam agora, esses valores baixaram para a casa dos 30/50 euros. O panorama é mais do que negativo. É péssimo. E já me tenho recusado a passar sempre recibo, não fosse o facto de ainda ter de pagar os programas, a internet, água, luz, etc. e ainda ter de colocar dinheiro de parte para a seg. social e as finanças.

      As pequenas e médias empresas fazem mais publicidade e recorrem cada vez mais aos nossos serviços e a design de qualidade, mas em contrapartida procuram orçamentos muito abaixo das necessidades mais comuns de um designer que trabalhe de forma independente.

  4. Nuno Jacinto diz:

    Não posso deixar de concordar em absoluto com todos os comentários.
    Aliás citando o Mario não é através de “um simples rebranding” mas sim “de uma participação activa e crítica na resolução dos problemas de Portugal” ou seja, de que serve aquele “maravilhoso”(com ironia e sarcasmo q.b.)projecto da BBDO para mudar a bandeira portuguesa, ou fazer uma campanha de publicidade a dizer que somos a Costa Oeste da Europa (mesma agencia) ou querer alterar o hino nacional, se as mentalidades não mudam?
    E se as mentalidades não mudam é lógico que os “ingleses” cada vez que vierem cá vão sentir como se estivessem numa estância de férias dum qualquer país de 3º mundo apesar de não haver AK-47’s à vista. Por outro lado também vejo essa ideia de “existe um estúdio de design em sítios tão problemáticos como o Darfur ou tão totalitários como o Irão é porque as coisas não podem estar assim tão mal” como um bocado snob para não dizer estúpida. É o mesmo que esta a reduzir o design uma arte decorativa quando a sua função é na verdade essencialmente social.

    O dessauestudio disse “As grandes empresas têm directores de marketing que, me parece, não valorizam bom design” o que é uma tremenda verdade. Os Pombos Correios (como eu e alguns colegas lhe chamamos) so têm uma preocupação salvaguardar o ordenado no fim do mês e fazer patrão e cliente felizes, e se calhar sem se aperceberem acabam contribuir para um agravar da situação. Como podem esperar que nós sejamos criativos, inovadores, se o trabalho quando chega ao cliente (se é que alguma vez chega ao cliente) não é defendido?
    Aliás o Massimo Vignelli disse recentemente uma frese sobre Marketing que é literalmente brilhante: “(os marketeers)não têm qualquer pingo de imaginação. Como uma categoria geral eu desprezo-os.” E não está tão fora do contexto como se possa pensar.

    E apesar da suposta crise financeira e do desinvestimento, esta é de facto a verdadeira altura para investir em comunicação/design. É agora que o design, se nos deixarem, pode fazer a diferença entre o espírito derrotista e a vontade de mudança

  5. rui diz:

    O grande problema actual é, também, o facto de as empresas exigirem design de grande qualidade com preços iguais ou mesmo inferiores aos que são praticados pelo design dito “normal” ou de baixa qualidade. A oferta do design de qualidade nota-se ser tão maior quanto a exigência das empresas por orçamentos baixos.

    Outra realidade actualíssima é a da existência dos chamados concursos de design em que o prémio é absolutamente nulo/inexistente. Há aquela ideia de que fazer uma campanha publicitária para marcas de prestígio como a Cocacola, por exemplo, é um privilégio de tal maneira que é um acto incobrável ou impagável. Desta forma, as grandes empresas também têm as suas próprias formas de poupar dinheiro ou mesmo de não gastar nenhum quando recorrem ao dito design de qualidade. Já se somam às centenas os designers com experiência de trabalho para grandes marcas devido a isso. Não que isso alguma vez servisse para alguma coisa.

    Dizermos que fizemos determinado trabalho de cotação “excelente” para determinada entidade sem termos cobrado nada é até péssimo para o nome do designer. Uma vez, em entrevista de trabalho, apresentei uma série de trabalhos que realizei numa empresa enquanto estagiário não remunerado e outros mais que fiz para concursos sem ter ganho qualquer valor. No fim da entrevista o director da empresa que me estava a entrevistar disse qualquer coisa do género “Então você está disposto a trabalhar sem receber. Estamos a pensar na hipótese de lhe oferecer um ordenado correspondente ao salário mínimo. O que acha?”.

  6. Eva M. diz:

    Mas o problema é – e como já foi neste blog várias vezes referido – que mal ou bem, a maior parte de nós se vai sujeitando a esse tipo de situações e condições de trabalho. Baixar os preços em época de crise e cobrar meia dúzia de tostões por um logotipo está em comparação directa com o exemplo “Então você está disposto a trabalhar sem receber. Estamos a pensar na hipótese de lhe oferecer um ordenado correspondente ao salário mínimo.” Se não valorizamos o nosso trabalho não podemos esperar que parta de outros fazê-lo. Especialmente quando nem sequer lhes é conveniente…
    A tarefa de valorizar (ou revalorizar) o design português e a sua imagem deve começar por nós designers e pela nossa atitude face aos clientes e entidades empregadoras.

  7. Situr Anamur diz:

    Os designers também sofrem desse mal que afecta 99.9% dos portugueses: falta de intervenção cívica. Até mesmo quando é para defender os nossos interesses há falta de união. É a nossa cultura de treinadores de bancada, confortavelmente sentados no Titanic a criticar o capitão por não ter evitado o iceberg. E a orquestra continua a tocar.

  8. Ed diz:

    De algum modo o design continua a ser prejudicado pelo “modus operandi” de alguns profissionais… Como é que será possível um designer baixar um valor (300€/350€ – já bastante baixo) para outro ainda mais baixo (30€/50€) pela prestação de um serviço de design? Não consigo entender…

  9. paulo diz:

    por falar em design e dinheiro, não sei se este assunto merece um post e comentários no ressabiator: http://www.publico.pt/Cultura/associacoes-profissionais-unemse-para-criar-uma-ordem-dos-designers-ate-2012_1462281

  10. Hélder Mota diz:

    Este tema é muito mais complicado de analisar do que aquilo que parece à primeira vista.

    Eu consigo concordar um pouco com cada post.

    O ponto mais importante é valorizar-nos a nós próprios antes de estabelecer uma “tabela de preços”.
    Cada trabalho é único, logo, a “tabela” nem deve existir. Obviamente que estou a ser radical, porque todos temos de ter uma base sobre a qual orientar-nos. Todos temos de entender o que ser designer implica e significa.

    Saí agora da faculdade, logo, sou profissional de design. Durante o curso necessitei de dinheiro, como é óbvio, e deram-me oportunidade de trabalhar em design (muito mal remunerado). A empresa não é de se desprezar e começa a ganhar alguma posição no mercado. Acabo de me licenciar e falo das condições. Querem-me por um preço que considero ser injusto para com os meus colegas de profissão, porque se aceitasse estaria a “partir” os preços que estão na “tabela base”.

    Estou à procura de emprego e não falta quem queira dar-me estágio a assinar uma folha com determinado valor e receber na realidade metade deste valor.
    Os meus valores não me permitem fazer isto.
    Prefiro ir para a construção civil ganhar um salário mínimo do que fazê-lo enquanto designer profissional, com formação e conhecimento para entregar trabalhos de boa qualidade.

    É uma questão de princípios. Fazer um cartão por 50€ só para pessoas muito especiais. Senão é impensável, porque para além de ridicularizar-nos, estamos a banalizar o design e todos os que se podem proclamar designers. As pessoas sabem da importância do design, mas aproveitam esta crise para nos explorar de uma forma vergonhosa.

    Quanto à ordem, parece-me muito complicado conseguirem. Mas nunca se sabe.

    Passo a palavra.

  11. Mário, este post poderia ser só mais uma de muitas lamentações sobre Portugal e a sua pequenez, mais um dos teus copos meios vazios. Mas desta vez foste bem mais longe nas generalizações, na serôdia soberba escondida de humilde modéstia, no medo do mundo, no pensar que alguém que pensa pouco ou quase nada sobre o nosso país pensa muito, e mal. É incrível como nem sequer questionas a generalização absurda que o Jan Middendorp faz sobre o Porto como reflexo do “estado do país”. Quem é ele para o fazer, e do que sabe? Aliás, ele só faz alguma menção ao “local” da AGI Open no primeiro parágrafo. O resto do texto fala de um evento que poderia ter tido lugar em qualquer parte do mundo. Mas em vez de o questionar aceitas, como português bem comportado, temente a Deus e à opinião estrangeira, o que ele diz como verdade e como crítica (o que ele escreveu não é uma crítica, por favor). E mais uma vez falas de Portugal e do seu povo “perseguido” por uma imagem negativa durante décadas, como algo sem volta a dar, sem futuro nem arranjo. É tramado ser um português como tu. Pois és tu, como outros, que carregas esta “imagem negativa” aos ombros dentro e fora do país. Em vão. É que “lá fora” ninguém sabe nem se interessa pelo queixume português. Um exemplo: que raio tem a instalação do Sagmeister (que também é mais arte fraca que bom ou mau design) com o design português, com o despesismo nacional ou com a falta de investimento nos designers portugueses pelos respectivos clientes? Não foi o principal alvo de crítica neste projecto a polícia de Amsterdão, pelo seu excesso de zelo e desejo de protecção da “obra”? Não estarás concentrado nas coisas erradas? E, já agora, irás também tu, face à realidade presente, “mudar de imagem”, com vista a uma “participação activa e crítica na resolução dos problemas de Portugal, melhorando os nossos produtos, a nossa cultura, a nossa sociedade”?

    • 1 – Não me interessa particularmente “quem ele é” ou deixa de ser. Enquanto crítico não avalio pessoas mas objectos. Caso contrário, estar-me-ia a dedicar ao mero name-dropping (no caso de dizer bem), ou ao simples insulto (no caso de dizer mal).

      2 – A imagem de Portugal como mascote da crise está espalhada por todos os jornais nacionais e internacionais. Não é propriamente um segredo de estado. A única “novidade” neste caso é aparecer numa crítica de design.

      3 – A instalação do Sagmeister foi feita no âmbito da Experimenta Design, que me parece ainda ter alguma coisa a ver com Portugal. A Experimenta já foi acusada em mais do que uma ocasião de despesismo. Já a defendi em mais do que uma ocasião, louvando alguns dos eventos e exposições que produziu e apoiou. Torna-se, no entanto, difícil não considerar uma instalação em que se atira dinheiro à rua como algo distinto de – não consigo arranjar melhor termo – atirar dinheiro à rua. Na melhor das hipóteses, aquilo é uma esmola escrita num lettering bonito.

      4 – Em termos de imagem, eu pessoalmente apoiava o espírito crítico português. Portugal só é perseguido pelo acto de confundir pessimismo com crítica e optimismo com pragmatismo. Generalizando mais uma vez, não consigo ver os portugueses como particularmente pessimistas. Sempre que digo qualquer coisa negativa aparece-me sempre um ou dois embaixadores do optimismo a mandar-me calar sem me oferecer qualquer outra razão para isso que não seja manter alegre o ambiente da festa.

  12. Jan Middendorp diz:

    Hi,

    Sorry to be late to the party. I only learned about this discussion this weekend. And sorry I can’t reply in Portuguese.

    I have read your review of AGI Open as well the post and part of the discussion on this page. I may have missed some of the nuances and subtle ironies, but I think I understand most.

    First let me briefly say something about the event itself, something that I think is missing in your review. AGI Open was a voluntary initiative of two young designers from Porto, Lizá Ramalho and Artur Rebelo of R2. They managed to convince a dozen top-notch international designers to come to Porto a couple of days before the start of the actual AGI conference (the ‘closed one’) to give a presentation for free, and four of them to give workshops. They managed to convince the Casa da Música to make available spaces for free for 2 days. They decided on very affordable entry fees, and set the student fee at an unprecendented low to allow as many as possible to attend, resulting in a sold-out conference. All of this was courageous, incredibly generous and an important gesture to designers and students in Portugal and Porto. None of this is mentioned in your piece. You deal with the event simply as a show to be watched. ‘Here we are now, entertain us’. I don’t find that attitude very constructive.

    As for my article: I’m a bit annoyed by all the assumptions and accusations you are making on the basis of just a few sentences. My piece had to be short – in fact it was abridged – to fit the Eye Blog format. (In the original introduction I argued that the choice of Porto for AGI was interesting because, being a small city that doesn’t hide its problems and paradoxes, this might force the attendants to think about the position of graphic design in the real world.) I did prepare for this trip by reading background information, so I did not make up clichés out of thin air. But if I was wrong in seeing a link between the sorry state of Porto’s city center and the Portuguese ‘situation’, then I’m sorry I jumped to conclusions. All other implications you mention (state of emergency, war, revolution, design as cosmetics, design as a decoy, etc.) must be the product of your own hangups, they are not in my article. Honestly, I have written far too little to deserve being the on the receiving end of so much indignation.

    I’m not sure whether or not in your view people (foreigners, writers, or your fellow countrymen) are allowed to mention the present ‘crisis’ at all. Should problems be hushed up on order to improve Portugal’s ‘imagem de marca’? There are various layers of irony and sarcasm in your discourse, so I’m not always sure where you stand. But in your most recent post again you mention ‘A imagem de Portugal como mascote da crise’. I don’t think it is about image, and I don’t think any situation can be improved by either shutting up about it or applying cosmetics (design or media spin). If people discover that an oil company spills toxic waste and there’s an outcry about it, that company doesn’t have an image problem. It has a toxic waste problem. Shooting the messenger or designing a new logo doesn’t really help. So you and I agree on one thing: the key words are active participation. And actions, I would add, speak louder than words. AGI Open was the result of action taken by people from Porto and I am sure that to a lot of young visitors, it was an important and motivatins experience. As such, it was a positive contribution to ‘the state of graphic design’ in Portugal. Not to acknowledge this is not ‘o espírito crítico português’. It is something else.

    • Hi,

      I’m traveling and I don’t have much access to the internet or a computer during the day. I’m sorry for the publishing delay, it was not intentional.

      First of all, I don’t think you wrote a terrible article. It is your opinion, and it is argued well enough (as are any your comments). Some of your opinions (namely the overall quality of the AGI OPEN) are different from my own, but that is not a problem in any way.

      I used your remarks about Porto and the economic crisis only as a starting point to talk about the way Portugal is starting to be seen mostly in terms of its role in the economic crisis. People will say “They succeeded despite the crisis” or “They failed because of the crisis”, and that association is inevitable (and even deserved). The problem is how to deal with that image, and the gist of my text is the way design is sometimes used to make a country seem better without actually improving anything.

      My main complain is not about your text but about the Sagmeister coin performance. It was supported by a Portuguese event and it is literally about throwing away money.

      As for the rest, R2’s initiative was a good thing. I think the quality of the presentation was uneven, but it was an overall good event.

  13. whatype diz:

    Caro Mário,

    Confesso que fiquei boquiaberto com o teu 3º parágrafo. Então a frase “Porém, esta ideia do design como um índice de desenvolvimento é perversa: dá a entender que, para melhorar a qualidade de vida de um sítio, não é preciso fazer mais nada do que instalar lá essa coisa do design” é perfeitamente infeliz.
    Se calhar é ignorância minha, mas gostava que partilhasses comigo um sítio onde este tipo de pensamento tenha sido apresentado.

    À parte deste aspecto, acho triste ler este post e os comentários que se seguiram. Ler os mesmos queixumes de sempre, à ‘portuguesa’.
    Acreditas (acreditam) mesmo que ‘lá fora é que é’ e que o mercado internacional não tem também exemplos de amiguismos e de mau design ‘comprado’ por grandes clientes?

    Na minha opinião, o que se passa no nosso país é que há falta de cultura de design. O que é, para que serve, etc. Cabe a nós, designers, ajudar a mudar esta cultura.
    E nao é apenas porque temos um curso, ou algum portfólio, que devemos estar à espera que os clientes compreendam, criem cultura de design e nos paguem para os ajudarmos. Seria óptimo que se passasse assim, mas é utópico.

    Como podemos então ajudar a mudar esta cultura? Penso que, cada vez mais, é importantíssimo que os designers compreendam que deverão ter uma voz e uma presença para lá da sua prática diária de estúdio. Criar projectos pessoais, juntarem-se a outras pessoas ou a associações que permitam comunicar de formas inovadoras e eficazes.
    Através destes projectos, provavelmente sem fins lucrativos, mas com a alegria de poder dar asas à nossa voz, estaremos a fazer uma parte da nossa ajuda para criar esta cultura nacional.

    Se não o fazemos, os clientes ‘ignorantes de design’ irão sempre ‘beber’ a quem julgam ter provas dadas.

    Nunca bastará andar a gritar que criar um logótipo é um trabalho minucioso e lento e que, como tal, terá que ser pago condignamente.
    Se não mostrarmos, enquanto comunidade de design, as vantagens do nosso conhecimento, a maioria dos clientes não terão justificação para pagar mais, para não pedir ao sobrinho um desenho, para não deixarem o seu gosto pessoal misturar-se com a criação de um logótipo.

    Apenas através do exemplo, da discussão educada e intelectual é que poderemos partilhar socialmente a importância e o valor que o bom design (boa comunicação) tem.

    Lamentavelmente, não julgo que este tipo de post e comentários ajudem a criar este ambiente.

    Por isso acabo com uma pergunta, como vês que, nesta geração, consigamos alterar parte da precepção e valorização do design em Portugal? E o que farás (farão) para o conseguir?

    Abraço
    Pedro Monteiro
    http://www.whatype.com

    • A ideia do design como índice de progresso é bastante comum e até cultivada pelos próprios designers. A moda recente do desgn social é um bom indicador disso. O design como um novo espírito missionário está a ganhar força e tem já sido amplamente criticada. Houve uma ou duas discussões quentes sobre isso no Design Observer.

      Acredito que os amiguismos dos outros são os amiguismos dos outros. Os únicos amiguismos que podemos resolver são os nossos, e se ninguém se queixa até se pode confundir amiguismo com amizade ou mesmo comunidade.

      Mais uma vez, a minha própria solução é escrever crítica, seja positiva, seja negativa, de acordo com a minha opinião e responsabilizando-me por ela. Se acredito que as coisas estão mal, não vou dizer o oposto ou – pior ainda – calar-me. Recuso-me a aceitar cegamente o que quer que seja, desde que alguém lhe resolva chamar-lhe design. Prefiro ter um design exigente, do que um design que seja “melhor do que nada”.

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