The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Decisões

(via)

O Domingo é, para mim, o dia em que fico completamente paralisado a tentar decidir como aproveitá-lo a sério: posso trabalhar e ignorar o sol lá fora e começar a desbastar a selva de mails por responder (mas só de pensar no assunto dá-me vontade de ir até à casa de banho e enrolar-me em posição fetal sobre os azulejos do chão durante o resto do dia); sinto a tentação de continuar a ler The New Vision, de L. Moholy-Nagy, edição revista e aumentada de um dos livros da Bauhaus, para um projecto que ando a tentar fazer sobre design, transgressão e legitimidade (infelizmente, ando a ler uma bela primeira edição americana de 1938, e tenho  medo de a ler fora de casa); tenho vontade de sair de casa (embora o Porto me deprima, em especial ao Domingo); também tenho saudades de ler ficção e ando a namorar mais um livro de China Miéville, Kraken, que espero ser tão bom como o brilhante The City & The City; ou então mais um livro de ficção científica de Iain Banks, de quem tenho andado a debicar a série de livros que dedicou à Cultura, um império anarquista espacial, como resposta ao que ele percebia serem tendências de direita na ficção científica clássica; posso investir na velha Playstation, que anda a ganhar pó num canto da sala; posso ver os Oscares mais logo, o que não resolve o problema de como ocupar o dia, mas é uma boa expectativa (embora tenha detestado as cerimónias dos outros anos); etc. Enfim, mesmo que acabe por ficar a dormir, é bom saber que ainda há espaço para este grau de indecisão na minha vida, passada num sítio onde cada vez mais coisas são tidas como inevitáveis: o governo continuar no poder; a vinda do FMI, os próximos anos a pagar a dívida, a perda de soberania, a estupidez de Bolonha…

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O monge não faz o hábito


Desde há anos, não sei quantos, que vou espreitar regularmente o The Sartorialist. A ideia é simples: fotografar pessoas na rua; encontrar uma moda fora das passerelles e das revistas.

Não é um objectivo cumprido à risca. Às vezes, talvez na maioria dos casos, a “rua” limita-se aos bastidores das passagens de modelo em Milão, no Rio de Janeiro ou em Londres. No meio das pessoas anónimas, vão reincidindo as mesmas caras, celebridades, modelos, editores e estilistas. É uma moda de rua, mas de lugares onde a celebridade é comum e pode ser vista ao vivo, a caminho do emprego.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design

Esquerda ou direita?

De vez em quando, alguém demonstra mais uma vez que as artes, a ciência ou a academia têm uma tendência para alinhar à esquerda. Em Janeiro deste ano, por exemplo, durante um ciclo de conferências dedicado ao preconceito e à discriminação, Jonathan Haidt, um psicólogo social americano especializado nas bases intuitivas da ideologia e da moralidade, demonstrou que os seus próprios colegas estavam sujeitos ao que ele dizia ser “uma falta de diversidade estatisticamente impossível”.

Através do simples expediente de perguntar à audiência de mil colegas qual a sua orientação política confirmou que oitenta por cento se consideravam “liberais” – o que nos Estados Unidos significa “de esquerda” – sendo os centristas pouco menos de três dúzias e os conservadores apenas três pessoas.

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E no início era o logo…

“Type is one of the most eloquent means of expression in every epoch of style. Next to architecture, it gives the most characteristic portrait of a period and the most severe testimony of a nation’s intellectual status.”

Peter Behrens

(citação e imagem via)

Pode parecer estranho um designer dizer isto, mas a obsessão com a identidade corporativa cansa-me um pouco.

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O Fado (versão 2.0)

De vez em quando Lisboa despacha mais uma expedição ao Porto, só para ver o que os nativos andam a fazer e para verificar se as ideias feitas sobre o sítio ainda continuam tão pré-fabricadas como de costume. Os resultados da última podem ser consultados no Público da sexta passada e não surpreendem: ainda há uma vida nocturna activa, com barzinhos a abrirem por todo o lado? Sim. Ainda há uma cultura alternativa mais independente que a de Lisboa? Sim. Ainda tem duas ou três instituições culturais de referência internacional? Sim. Serralves? Sim. Casa da Música? Claro! Ainda é uma cidade do tamanho certo, onde há qualidade de vida e tudo o mais? Pois, sim, claro, como é óbvio.

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Onde vender todos estes novos livros?

Neste momento, não tenho o meu computador, onde estão todas as minhas notas, portanto alguns dos detalhes vão ter de ficar necessariamente vagos, sem possibilidade de confirmar nomes ou datas com toda a certeza – mas tudo isso fica para um futuro texto. Para já, importa apenas registar uma ideia simples: neste momento, certas livrarias vão-se tornando em espaços estéticos; a forma como expõem uma selecção de livros a um público vai-se tornando numa programação, num acto consciente de comissariado. Internacionalmente, já se fazia isso na Dexter Sinister de Nova Iorque; por cá havia a Estante, literalmente uma livraria reduzida a uma estante ambulatória, montada às vezes de pé, outras vezes deitada,  em feiras, exposições e eventos variados; havia o Navio Vazio, um pequeno espaço mantido pela Braço de Ferro numa antiga loja de chaves no Porto, pouco maior do que um livro e tratado como um pela editora. Mais recentemente, a livraria da Culturgest de Lisboa passou a ser também um espaço comissariado, onde a programação, ou seja a escolha dos livros para exposição e venda, é assegurada por Miguel Wandschneider. É um desenvolvimento curioso, que me parece estar relacionado com os circuitos de distribuição de publicações alternativas, independentes ou experimentais, um comércio que se faz cada vez mais através de encomendas internacionais pela internet, libertando as livrarias para desempenharem funções distintas das do simples comércio.

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O Nascimento do Reader

Dear Reader was created partly from a primordial graphic designers’ urge to publish something, partly in celebration of our Atelier’s approximate fifth anniversary, partly as a vessel to showcase our type design work that circumvents the boring conventions and the visual clichés of the type specimen.”

(imagem e citação via)

Encomendei outro dia a publicação Dear Reader, do Atelier Carvalho Bernau, uma antologia de textos mais ou menos sobre design, mais ou menos modernistas, desde Adolf Loos a El Lissitsky, passando por John Cage e Morton Feldman, cada um dos ensaios composto com as fontes criadas pelos seus editores, servindo assim como catálogo tipográfico, mas também como uma celebração do quinto aniversário do estúdio.

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O Parlamento das Cantigas

Segundo o Público de hoje, a música “Que Parva Que Sou” foi discutida no parlamento, e até já é considerada uma canção de intervenção – porquê ou por quem, a notícia não explica. Fica-se assim sem saber qual o mecanismo para legitimar uma canção de intervenção em Portugal: serão os críticos de música? será um sombrio instituto de classificação política da música popular? Se calhar – e muito simplesmente –, é uma música de intervenção porque foi discutida por políticos no parlamento. Neste aspecto, fica demonstrado que as artes ainda têm alguma capacidade para influenciar o discurso público.

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Entre a lei e a ética

“it’s legal” is what people say when they don’t have ethics. the law is there to set the limit of what is punishable (aka where the state needs to intervene) but we are supposed to have ethics, and that should be the primary guiding force in our actions, you fucking fuck.

LCD Soundsystem (via)

Uma das coisas que me irrita mais é o conforto com que muita gente vive entalada naquela nesguinha apertada entre a lei e a ética. É lá que fica a Chicospertilândia, um país com lei, constituição, governo e polícia, mas onde a ética pura e simplesmente não existe.

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A distância crítica nunca é demais

Tinha-me decidido a nunca criticar os textos do Vasco Pulido Valente pela simples razão que não vale a pena: quando estão errados, estão tão espectacularmente errados que é como ver um marinheiro japonês na televisão a matar foquinhas bebés em cima de um iceberg prestes a derreter, porque têm um glândula que segrega uma substância que permite perfumar o plástico das botas de uniformes das SS vendidos em certas lojas especializadas de Tóquio.

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Geração Espontânea

Aparentemente, o dia 23 de Janeiro arrisca-se a ficar para história como a data de nascimento da Geração Parva. Não fosse a austeridade, até se poderia  propor um novo feriado. Foi nesse dia que os Deolinda apresentaram no Coliseu do Porto a sua música “Parva que sou”, um lamento dedicado à chamada “Geração sem Remuneração”. Não vejo muita televisão, nem vou a concertos; só soube da canção através dos links que muita gente fez, associando um dos meus textos a essa música, mas tive a consciência clara que, naquele dia no Coliseu, nasceu uma  nova identidade.

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Papá, de onde vêm os designers?

Há uns textos atrás, lembrei (mais uma vez) que o designer não é um descendente directo do tipógrafo mas, usando uma analogia biológica, uma espécie concorrente que veio ocupar o mesmo nicho ecológico. A minha intenção era demonstrar que, em actividades como o design – e como diria o avô Hilton à neta Paris –, não basta reclamar uma herança para ser um herdeiro. Não basta dizer que se adora o kerning, se delira com ligaturas e debitar terminologia especializada como “levar à massa”; é preciso que isso  dê resultados. É necessária uma preocupação activa, diária, constante com a tipografia. Dentro do design, e tal como já tinha dito no texto anterior, essa preocupação é cada vez mais uma especialização, reservada aos designers de tipos, de software e a uns quantos cromos que, por coincidência, também costumam ser os melhores designers – embora nem sempre os mais conhecidos, pelo menos em Portugal.

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2 Blogues Portugueses sobre Design

Uma nota rápida para recomendar dois blogues de design, um novo, outro no seu segundo ano. O primeiro é escrito por Jorge Silva, o meu Director de Arte português favorito, sobretudo pelo modo como gere a relação entre tipografia e ilustração. Silva é um coleccionador ávido e informado de design português e é disso que trata o Almanaque Silva. O segundo é escrito por António Modesto, designer, ilustrador e um dos meus antigos professores das Belas Artes. Chama-se A Imagem do Vinho e é uma abordagem crítica a uma área clássica mas bastante maltratada do design português.

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Ponham-nos a estagiar

Hoje no Público, mais uma prova que o guião de Portugal não está a ser escrito por um Deus barbudo, hebraico e vingativo, mas por uma entidade bem humorada e de ombros curvados que usa óculos de massa à Woody Allen: “Em Portugal, há pelo menos 11.092 embriões “supranumerários” congelados. São assim chamados porque sobraram de tratamentos de fertilidade a que se sujeitaram casais que não conseguem conceber sem ajuda de técnicas laboratoriais. Há embriões que chegam a ter 12 anos.” Ou seja, já não bastava a dificuldade a entrar no mundo do trabalho, agora já começou a dificuldade a entrar muito simplesmente no mundo. É claro que, se algum dia conseguirem, vão ter um número de contribuinte à espera. E só vão sair de casa dos pais depois dos quarenta.

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Inovação…

Divulgou-se esta semana nos jornais que Portugal lidera nos rankings de Inovação, mas que essa subida ainda não se traduz em resultados económicos concretos. Não me admira. Para explicar porquê, talvez ajude recordar uma história que se passou comigo.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, Ensino

Ler William Gibson

(via)

Apenas uma nota rápida: apesar da falta de tempo, vou a meio do último livro de William Gibson, escritor associado à ficção científica, mas que se tem dedicado agora a temas mais difíceis de definir.

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Dia da Marmota

Hoje é dia 2 de Fevereiro, Dia da Marmota, o tal que Bill Murray foi condenado a repetir durante anos ou mesmo décadas até se tornar uma pessoa melhor. Aprendeu piano, primeiros-socorros, escultura, poesia, cometeu suicídio várias vezes, mas no final correu tudo bem. Neste momento, estou a acabar as avaliações e não consigo deixar de imaginar se as pessoas chumbassem na vida como na escola e ficassem condenadas a não passar de ano, durante anos a fio.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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