The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Ler William Gibson

(via)

Apenas uma nota rápida: apesar da falta de tempo, vou a meio do último livro de William Gibson, escritor associado à ficção científica, mas que se tem dedicado agora a temas mais difíceis de definir.

Pattern Recognition era sobre design, sobre a cultura e a tecnologia nas periferias geográficas pós-nacionais, enquanto se procurava um cineasta recluso, autor misterioso de certos pedaços de filme encontrados na net e que iam acumulando um culto de seguidores. Quando foi escrito, ainda não havia Tumblr e nem sei se havia Youtube, mas a ideia está lá.

O livro seguinte, Spook Country, recuperava alguns dos personagens do anterior, nomeadamente a agência de publicidade mais ou menos maquiavélica de Hubertus Bigend, mas era sobre arte baseada em Augmented Reality e GPS, e sobretudo sobre espionagem e resistência política como uma forma complexa de performance artística ou talvez de prank hi-tech, um cruzamento entre A Golpada, Tom Clancy e The Yes Men. Pode parecer estranho, mas funciona.

O último, Zero History, recupera ainda mais personagens dos anteriores, correndo o risco de se tornar demasiado auto-referencial, mas, para já, trata da relação entre a moda e o exército e da busca de uma marca secreta de roupa – quando me perguntam, eu digo que é sobre calças de ganga. Os três livros têm semelhanças óbvias: alguém procura o autor escorregadio e vagamente criminoso de um objecto estético que provoca obsessões. Mais uma vez, agrada-me o modo como Gibson usa objectos e o seu design para avançar a narrativa e para definir psicologicamente os seus personagens.

Um design-thriller, no fundo.

Cada livro torna-se assim num retrato das obsessões materiais da sua época, tão datado como uma camada geológica ou como um filme do 007: é possível apanhar, aqui e ali, referências à cultura actual e vintage que caracteriza um determinado ano. Neste caso, percebe-se que Gibson andou a ler blogs de moda, andou obcecado pela tecnologia dos Ekranoplan soviéticos (a imagem acima) e pelo Twitter, tal como nos anteriores andou obcecado pelos casacos Buzz Rickson MA-1 e pelas calculadoras Curta.

Filed under: Crítica, Cultura, Design

One Response

  1. Adorei a calculadora! Acho que vou adquirir uma e assim se a NASA tiver razão quanto ao apagão global de energia eléctrica previsto entre este ano e o de 2013, pelo menos a máquina calculadora não me irá faltar!

    Já há algum tempo que não tenho tido possibilidade de me deixar levar pela leitura. Mas sempre que tenho oportunidade vejo um bom filme.

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