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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Esquerda ou direita?

De vez em quando, alguém demonstra mais uma vez que as artes, a ciência ou a academia têm uma tendência para alinhar à esquerda. Em Janeiro deste ano, por exemplo, durante um ciclo de conferências dedicado ao preconceito e à discriminação, Jonathan Haidt, um psicólogo social americano especializado nas bases intuitivas da ideologia e da moralidade, demonstrou que os seus próprios colegas estavam sujeitos ao que ele dizia ser “uma falta de diversidade estatisticamente impossível”.

Através do simples expediente de perguntar à audiência de mil colegas qual a sua orientação política confirmou que oitenta por cento se consideravam “liberais” – o que nos Estados Unidos significa “de esquerda” – sendo os centristas pouco menos de três dúzias e os conservadores apenas três pessoas.

Para Haidt, se uma desproporção deste género fosse racial ou sexual, seria totalmente inaceitável e uma demonstração inequívoca de  um preconceito sistemático que distorcia inevitavelmente as conclusões tiradas pelos cientistas da sua área.

Porém, a solução inevitável para o problema, tentar representar equitativamente inclinações políticas dentro das ciências, levaria forçosamente a uma partidarização do processo científico, levando a que a ciência passasse a estar sujeita a um processo de selecção político que precedia e acompanhava o processo científico propriamente dito – uma espécie de lente que, distorcendo uma visão defeituosa, a corrigia.

No entanto, como lembra Paul Krugman, a orientação política é, ao contrário do sexo e da cor da pele, uma opção pessoal, que determina por sua vez as escolhas profissionais de quem a faz. Segundo ele, o exército é particularmente conservador e não costuma haver muitas queixas dessa orientação; na economia, a tendência é para as doutrinas que defendem uma economia de mercado livre. No caso das ciências exactas, como a biologia, a física ou a química, Krugman questiona se a inclinação esquerdista não será um efeito da disposição das pessoas que percebem realmente de ciência para rejeitar ideologias que negam o aquecimento global e são abertamente hostis à teoria da evolução.

Já foi sugerida a mesma coisa sobre a inclinação natural dos designers para a esquerda, um assunto sobre o qual falei há uns anos. Esta tendência liberal era – e ainda é  – particularmente forte entre os designers que escrevem, dão conferências e escolheram um carreira académica, dando a entender uma descriminação semelhante à observada por Haidt. A minha conclusão na altura, e que ainda mantenho, é que a própria noção do design precisar de um discurso público é uma ideia de esquerda; a direita tende a ver o design como um negócio, ideologicamente neutro e sem necessidade de intervir ou se justificar publicamente.

Filed under: Crítica, Cultura, Design, Política

One Response

  1. Nem esquerda nem direita… em frente. E para andar em frente é preciso discurso público.
    Se todas as acções tenderem para isto
    https://docs.google.com/viewer?url=http://www.amnistia-internacional.pt/dmdocuments/DUDH.doc&pli=1
    , que não é de esquerda nem de direita, haveremos de nos safar.

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