The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Um Dia do Design


Assim, na tarde do dia 27 de Abril, por volta das quatro, designers de todos os feitios e tamanhos, de todos os cantos do país, foram-se juntando à porta do Cine Teatro Constantino Nery, em Matosinhos, um edifício pequeno mas airoso, para assistirem às comemorações do World Graphics Day da Esad. Alguns, pouco mais de vinte (de trinta, se contarmos os colectivos), vinham apresentar trabalho, outros vinham ver. O sucesso do evento já estava parcialmente garantido pela afluência, que esgotou os bilhetes uns dias antes.

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Filed under: Conferências, Crítica, Cultura, Design, História

Férias, Compras, Conferências & cia.

Depois de Tomar, estive durante uns tempos em Lisboa, com passagens breves pela zona da Arrábida, de Montemor-o-Novo (onde fica a magnífica Igreja de Nossa Senhora da Visitação, com duas salas de ex-votos, alguns com mais de dois séculos, incluindo um crocodilo-múmia!), de Évora (onde, por mera sorte, dez minutos antes de fechar, dei com uma inesperada exposição sobre Marcel Duchamp, com publicações, boîtes-en-valise e tudo o mais). Entretanto, fui tendo mais golpes de sorte: saí de Tomar aproveitando a boleia de Jorge Silva que me foi descrevendo as suas aventuras em alfarrabistas, em particular as excêntricas publicações de Paulo de Cantos, das quais eu tinha tomado conhecimento anos atrás, durante uma entrevista a António Gomes dos Barbara Says. No dia seguinte, enquanto fazia a ronda pelos alfarrabistas encontrei duas (25 euros cada) e comprei uma terceira na net (10 euros). Como bónus ainda dei com um livro de 1966 sobre Casas do Povo, com design de Manuel Lapa que, em termos de qualidade, não anda muito longe do Lisboa, Cidade Triste e Alegre. Para terminar a quinzena ainda fui ver as conferências do World Graphic’s Day da Esad de Matosinhos, sobre as quais conto escrever com mais calma, mas que já posso adiantar que valeram a pena. Nada mau.

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Artec 21

(slide da minha apresentação)

Na semana passada, participei no Artec 21, um ciclo de conferências e eventos organizado pelos alunos do curso de Design e Tecnologia das Artes Gráficas, do Instituto Politécnico de Tomar.

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Filed under: Cultura, Design, Ensino, Notícias Breves

A coerência

Mais dois tostões sobre o caso Nobre, em particular a sua posição a- ou anti-partidária. Não me parece estranho que muita gente tenha votado nele por isso. O sistema político actual está pejado de problemas, já pouca gente se sente representada por ele, confiando na rotatividade dos dois partidos, na diferença entre eles, na capacidade dos partidos pequenos fazerem alguma diferença, na capacidade da classe política colocar os interesses do seu eleitorado acima dos seus próprios interesses (etc.)

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, Política

“Então tu és punk e andas de comboio?”

Ouvi a piada numa inauguração. Um punk contava as suas aventuras: okupações de casas um pouco por todo lado, bandas, escolas de arte, bezanas passadas e presentes. A dada altura, dizia como tinha apanhado o comboio para ir não sei onde e alguém lhe perguntou a rir como podia um punk andar de comboio. Era uma piada, evidentemente, mas que me lembrou ocasiões onde alguém perguntava – com toda a seriedade – como podia alguém que não esteve em Londres em 1977, de cabelos espetados e a viver numa casa ocupada, aspirar a ser um punk ou pelo menos apreciar a música, design ou roupa do movimento. Como pode, insistiam, uma coisa supremamente transgressiva e anti-institucional como o punk ser exposta num museu sem perder a coerência, a autenticidade, sem se estar a vender?

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Filed under: Arte, Política

Pastoral Urbana

(não, não sei onde apanhei a imagem)

Uma das reacções mais curiosas à crise económica tem sido um certo anseio mais ou menos definido de regressar à agricultura. Na televisão, entrevistam-se reformados que cuidam da hortinha perto de Bragança e usam o pouco dinheiro que lhes vem da reforminha para pagar a luz e a água. Louva-se o regresso à comunidade de outros tempos. Numa festa em Lisboa, alguém sugeria que se fizesse uma horta colectiva, enunciando as várias possibilidades e antecedentes de manter um projecto agrícola  entre as casas apertadas dos bairros históricos ou dos arredores. Lembrou-se o exemplo da agricultura urbana que se pode encontrar nos telhados e canteiros reclamados de Williamsburg e defendida com o zelo político e quotidiano que se costuma reservar para as grandes causas.

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Um país, dois sistemas (operativos)

Da mesma maneira que é possível fazer correr o Windows num Mac, Portugal é uma aristocracia a tentar correr uma democracia. Tentamos a todo custo acreditar que não é bem assim, que toda a gente é igual e tem os mesmos direitos, mas esbarramos a todo o momento em pequenas, ou grandes dinastias, estendendo-se pelas artes, pela economia, pela política. Aqui e ali, vamos encontrando os mesmos apelidos, escondidos ou não por um pseudónimo, pelo nome da mãe, por uma sigla, etc.

Temos uma democracia republicana pela mesma razão que leva algumas pessoas a terem uma mota de água (porque todos os vizinhos fixes têm uma), e uma democracia mais ou menos credível é a mota de água que todos os países fixes precisam de ter à frente da garagem para serem levados a sério.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, Política

A Mão de Obra (Mais ou Menos Anotada)

1. Este texto não trata de design gráfico, mas de oficinas de impressão, mais conhecidas como tipografias, litografias (nome mais raro) ou simplesmente gráficas (mais comum). Na altura não havia em Portugal nada a que se pudesse chamar “design gráfico”, uma expressão sugerida em 1922 por W.A. Dwiggins e que só viria a pegar bastante tempo depois. Em Portugal, só viria a ser aceite de modo geral na transição da década de oitenta para a década de noventa – e mesmo nessa altura ainda era considerada um estrangeirismo. Na ficha técnica da revista K, por exemplo, ainda não havia um “designer”. Pode-se argumentar que José Pacheko ou Fred Kradolfer foram designers, mas estaríamos a cair num anacronismo. Esses profissionais trabalharam numa fronteira entre a edição, a direcção de arte, a publicidade e a tipografia, semelhante mas distinta da prática actual do design. Muitas das instituições que enquadram actualmente o exercício do design – escolas, bienais, legislação e tecnologia – não existiam na época.

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A Mão de Obra

Aqui fica o capítulo dedicado à mão de obra de O Problema das Artes Gráficas, de Luiz Moita, editado em 1935, do qual comprei um exemplar ainda por abrir há quase um ano. Não resisti a reproduzi-lo na integra, pela comparação que se pode fazer com o actual problema dos estágios não remunerados. Conto comentá-lo com mais vagar num futuro texto mas, para já, chamo a atenção para alguns pormenores: o processo de recruta do trabalho infantil; a crítica deste como uma forma de concorrência barata ao trabalho adulto; o ensino vocacional e profissional como novidade e enquanto solução para limitar a concorrência desleal; a ideia de salários para os alunos das escolas profissionais.

“Um dia uma Senhora das minhas relações vem ter comigo muito interessada. Empenha-se numa obra de caridade e deseja o meu auxílio. Descreve-se no ar um quadro de miséria onde há uma viúva rodeada de filhos, necessidades imediatas a socorrer. A mais velha das crianças é uma rapariga. Essa já está a servir. Depois, um rapaz de cerca de catorze anos, que há pouco fez o exame de instrução primária.

O sorriso da Senhora das minhas relações é luminoso e claro. Fixa-se exactamente no garoto de catorze anos, dando-me a entender que tenho de o empregar.

E começa o detalhe do contracto. O pequeno, a mãe do pequeno, não fazem questão de emprego, nem de ordenado. Ele não tem prática de nada, nada exige, portanto. Escritório? Oficina? ‘Qualquer coisa’ lhe serve.

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Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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