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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

A coerência

Mais dois tostões sobre o caso Nobre, em particular a sua posição a- ou anti-partidária. Não me parece estranho que muita gente tenha votado nele por isso. O sistema político actual está pejado de problemas, já pouca gente se sente representada por ele, confiando na rotatividade dos dois partidos, na diferença entre eles, na capacidade dos partidos pequenos fazerem alguma diferença, na capacidade da classe política colocar os interesses do seu eleitorado acima dos seus próprios interesses (etc.)

Infelizmente a resposta actual a uma crítica (em especial na política)  já não passa sequer pelos arredores de admitir que o outro tipo tem razão, usando-se em vez disso duas estratégias para o calar sumariamente:  dar a entender que o crítico, ao pôr em causa o que critica, está a ser destrutivo, agressivo, nihilista, etc. (a); que o crítico só pode ser coerente se levar a sua crítica até ao limite – se acha que determinado país/cidade/local de trabalho está mal, então deveria emigrar/mudar de cidade/despedir-se (b).

O objectivo é, evidentemente, entalar o interlocutor (a) ou levá-lo a entalar-se (b) em posições indefensáveis, e só se pode ser coerente com elas não fazendo nada, ficando caladinho ou indo pregar para outra freguesia.

Agora, há pelo menos dois tipos de incoerência: (1) a treta, que consiste em dizer o que quer que seja de modo a alcançar um objectivo à revelia de qualquer consideração pela verdade, decência, inteligência, memória, etc. (Sócrates é um excelente exemplo, mas Passos vai-se esforçando por lá chegar); (2) a capacidade para deixar de fazer uma coisa que está a correr mal, e que consiste em não ser coerente com um erro, admitindo que se errou e mudando (talvez) para melhor.

Aqui em Portugal há quem morra de coerência.

Quanto a Nobre: (1) ou (2)? Depressa se verá.

Filed under: Crítica, Cultura, Design, Política

5 Responses

  1. Pedro Nave diz:

    Perante isto, resumir a “vira-casacas” parece-me um exercício bastante rigoroso, e sem a necessidade de se gastar imensa energia a teorizar grandes explicações. Como confiar em uma pessoa que num dia diz uma coisa e no outro já diz outra, conforme lhe convém? Não me parece que “veremos o seu trabalho” seja suficiente para darmos o benefício da dúvida, em particular quando foi este senhor precisamente a criticar os políticos dizerem uma coisa num dia e no outro estarem a dizer outra. Nunca é uma palavra forte. Talvez pudesse ter sido mais moderado e o razoável seria “veremos mais tarde”.

  2. Situr Anamur diz:

    Parece que as pessoas não têm direito a mudar de opinião, de ponto de vista. Os humanos devem ser como os cavalos com as palas nos olhos?
    Isso parece coisa daquelas seitas americanas que por aí andam, que são tão coerentes no seu extremismo que preferem morrer a, por exemplo, recer uma transfusão de sangue. É preferível a sensatez de alguém que reconhece que está errado e muda de opinião do que o extremista que permanece cego até ao fim.

    Depois, que melhor maneira para mudar a política do que por dentro dela, certamente não é de fora e numa atitude passiva que se muda algo no que está podre. Não podemos ter medo de sujar as mãos.

  3. Alexandre diz:

    O que move a politica nacional são os interesses partidários e não os do país.

    Gostei de ver o Prof. Jorge Miranda na entrevista da Maria flor Pedroso – http://tv1.rtp.pt/programas-rtp/index.php?p_id=1010&e_id&c_id=1&dif=radio&hora=10%3A12&dia=15-04-2011

    Toca em muitas questões aqui mencionadas nomeadamente na questão de não se rever em nenhuma força política, no caso Nobre e não nos isenta a nós cidadãos.

  4. O problema é que as pessoas da política normalmente mudam de ideias quando lhes convém. Por exemplo, se perguntarmos a um político se ele gostava de ser presidente da república, o normal é que diga que não. Veja-se o caso do Sócrates… Mas a própria pergunta em si nem sequer tem lógica, dado que qualquer político tem essa aspiração de um dia vir a conseguir um grande cargo no país. Normalmente por detrás de mudanças de opinião ou mesmo de atitude dependem do momento e do que mais convém afirmar em público. Agora o Portas diz que os submarinos foram uma má escolha por parte dele. Mas até agora defendeu sempre o contrário. O que conta é o que convém que ele diga, não contradizendo o que o povo português (a sua maioria) pensa sobre o assunto. Seria como que um acto politicamente suicida caso agisse de forma contrária.

  5. […] todo, morrer é uma coisa chata e até aceita qualquer coisinha. Portanto, e nitidamente, a resposta é […]

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