The Ressabiator

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Se não podes pô-los a pensar uma vez, podes pô-los a pensar duas vezes

Entre dois Verões

Lembro-me do Verão de 2001 como o primeiro que passei enquanto funcionário público, mais exactamente como Técnico Superior nas Belas Artes. Tive direito a dez dias de férias em Agosto, encaixados bem no meio dos intermináveis três meses de paragem do ensino superior dessa altura.

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Filed under: Design

Atenção à esquerda!

No meio das avaliações e da leitura em massa de trabalhos e testes, ainda tenho uma nesguinha de tempo para me ir enervando com as notícias.

Em primeiro lugar, com a alegria de alguns comentadores quando se regozijam com a mansidão nacional por comparação com os protestos violentos dos gregos. Acredita-se que é mais uma prova dos brandos costumes. Que é sinal que vamos pagar e calar. Que se aceita a austeridade. Que se concorda com as medidas. Etc.

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Filed under: Crítica, Economia, Política

Design para designers

Uma das queixas recorrentes entre os designers é que o ensino, a crítica e a história do design dedicam demasiado tempo ao “design feito para designers”, aos grandes nomes que não fazem trabalho para o “mundo real”, para “clientes reais”, etc. Em alternativa, dever-se-ia promover o trabalho comum: embalagens de detergente e não cartazes de teatro; folhetos de supermercado e não genéricos de filmes.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, Economia, Ensino

Algumas coisas sem grande critério

Como se faziam livros em 1947, o ano em que Moholy-Nagy editou um dos meus volumes favoritos, Vision in Motion, o que só por si dava uma safra excepcional (via Kottke).

Morreu Pedro Hestnes, actor daqueles filmes a preto e branco, de fotografia dramática e contrastada, que se faziam lá para o fim dos anos oitenta em Portugal, e onde parecia sempre que alguém procurava o pai numa zona industrial de Lisboa acompanhado de uma das irmãs Medeiros e de uma música tensa. Entrou em dois dos meus filmes favoritos da altura, Tempos Difíceis, de João Botelho, e O Sangue, de Pedro Costa.

Ainda dei o benefício da dúvida a Fernando Nobre (porque ainda acredito que mudar de ideias às vezes até funciona), mas no caso de Nobre há sempre um padrão: primeiro, exige-se a Presidência (de qualquer coisa, do país ou do parlamento) ou a morte, sem alternativa possível, só para depois dizer que já que se teve aquele trabalho todo, morrer é uma coisa chata e até se aceita outra coisinha qualquer. Portanto, e nitidamente, a resposta é (1).

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Se tens mais que fazer…

Na árvore genealógica da grande família dos defeitos morais há, num raminho mesmo ao lado da falsa modéstia, um sentimento a que não consigo dar um nome, mas que acredito ser ainda mais português do que a Saudade: uma espécie de falta de brio orgulhosa que se pratica quotidianamente e que é particularmente forte entre os designers, não se limitando – infelizmente – a estes.

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Filed under: Design

Notícias! Notícias!

A duas décadas de distância, o Independente envelheceu melhor que o Público.* Na semana passada tive oportunidade de o comprovar quando consegui dois primeiros números completos de cada um dos jornais.

O Independente em 1988, com projecto gráfico de Jorge Colombo, ainda era uma coisa dos anos oitenta, cheia de tiques New Wave, impressa totalmente a preto e branco, enquanto o Público (Henrique Cayatte, 1990) já era, tecnicamente, outra coisa, com uma primeira página a cores e uma impressão muito mais delicada, permitindo suportar o texto composto numa Bodoni fina.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, História, Publicações, Tipografia

Plágio e Copianço

Tendo tido que escrever recentemente um ou dois textos sobre a importância da teoria do design, e tendo eu a tendência para ir discutindo esses assuntos com quem vou encontrando por aí, ouvi mais umas tantas vezes o argumento que um curso de design “não pode ser só teórico” – um argumento curioso, tendo em conta a tendência oposta para tornar os cursos cada vez mais práticos, com cada vez menos cadeiras de exposição.

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Filed under: Economia, Ensino

Inversões Curiosas

Relendo as primeiras páginas do Pioneers of Modern Design, de Pevsner, percebe-se que a arquitectura era bastante diferente no século XIX. O arquitecto encarregava-se sobretudo da decoração exterior de um edifício, adequando o seu estilo às necessidades do seu cliente, mudando de gótico para neo-clássico ou mourisco conforme a ocasião. O resultado chegava a ser cómico, havendo em Inglaterra ruas onde cada casa tinha o seu estilo, ou mansões onde as traseiras tinham um estilo e a parte da frente outro, dependendo do gosto do marido e da mulher.

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Filed under: Arquitectura, Crítica, Cultura, Design, Política

Livros? Livros!

Ontem nas Belas Artes do Porto, apesar da chuva, a feira do livro de publicações independentes, organizada pela Pangrama, foi um sucesso: sempre que passei por lá a sala envidraçada estava cheia de gente, curiosos e compradores cada um com as suas compritas debaixo do braço. Eu próprio trouxe um pequeno monte de publicações, a maioria das quais da Estante, um projecto do qual pude, pela primeira vez, usufruir ao vivo. Para quem não sabe, é uma pequena livraria itinerante sob a forma de uma pequena estante de madeira que se junta a eventos como exposições, concertos e feiras, vendendo publicações na sua grande maioria do estilo a que se poderia chamar independente holandês (embora muitas delas não o sejam – independentes ou holandesas, quero dizer). A Estante faz assim parte de um movimento contemporâneo que junta modos exóticos de edição a formatos alternativos de distribuição, que se situam a meio caminho entre a livraria, a performance, a exposição, o comissariado (outros exemplos seriam o Navio Vazio ou a Dexter Sinister). Para minha desilusão, desta vez não traziam a estante, o que não me impediu de lhes comprar uns tantos livros, em particular The Form of the Book Book, que já li quase todo desde ontem e que toca assuntos que me interessam bastante: um artigo de Richard Hollis sobre as voltas e reviravoltas do conceito e da prática do livro integrado, e o relato do dia-a-dia do estúdio de Herbert Spencer por uma das suas assistentes, uma visita guiada na primeira pessoa ao trabalho de um dos designers-editores mais interessantes do século XX, e um dos santos patronos desta nova vaga de edição no design.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, Publicações

Nem shakers, nem suíços, nem alternativos

Com a crise, o design português irá sofrer na sua reputação colectiva. Internacionalmente, onde Portugal aparece sobretudo como uma das mascotes atarantadas da crise, qualquer iniciativa que sugira a hipótese de andar a gastar dinheiro em design será interpretada, de acordo com a benevolência ou não do comentador, como a) um milagre: apesar da crise, eles ainda têm design b) um desperdício: apesar da crise, eles ainda têm design. Ou seja, os mesmos eventos, iniciativas ou objectos serão interpretados com condescendência ou com escândalo, usando exactamente os mesmos argumentos, e nenhuma das opções tornará a vida dos designers portugueses mais fácil.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, Economia, Política

“Passado e Anti-Passado”, António da Costa Dias

Deixo aqui alguns dos primeiros parágrafos da introdução de um livro de 1966 recolhendo os discursos onde se debateu a liberdade de imprensa no Parlamento Português de 1821 e que levariam ao levantamento da censura prévia no ano seguinte, interrompendo umas tantas centenas de anos de tradição, primeiro Inquisitorial e finalmente Pombalina:

“As nações onde se fala de passado, e para cujo povo esse passado representa um pesadelo trágico e uma fatal condenação de inércia, são as que menos o possuem. Quando nelas é preciso impor uma decisão, uma aventura, uma política que não têm argumentos que a justifiquem (as razões das classes dirigentes são – devemos sabê-lo – inconfessáveis e confidenciais), ou o maquinismo repressivo que as mantenha, é ao passado que se recorre. Monta-se então uma romaria, sem esforço grotesca, grotesca até aos pêsames festivos, sentimentalmente, e nas frases esféricas de patriotismo mortuário. Os ideólogos agiotas, para quem a História é apenas um capital com dividendos tentadores, uma transacção de banco com muitas filiais desinteressadamente ao serviço do público, os agiotas, lembro, abrem os túmulos dos heróis, inventam com as ossadas os fantasmas que mais os favorecem (ajudando assim a desenvolver o industrialismo) e obrigam-nos a declamar as suas próprias ideias (deles, agiotas), cônscios, no fundo, de que as suas próprias ideias decentemente não podem ser proferidas por bocas de vivos.

[…] Os ideólogos agiotas, longínquos de toda a decência, nem se incomodam com o facto de certos grandes homens (alguns que não se podem esquecer por causa das estátuas e do turismo), cujos centenários fogueteiam no já mencionado programa de romarias (centenários de morte ou de nascimentos a muito confortável distância da morte), haverem sido (os grandes homens) perseguidos, vexados, desprezados, assassinados pelos ideólogos contemporâneos, pela polícia contemporânea, pela censura contemporânea, pelos cadafalsos contemporâneos – pessoas e instituições que eles (os agiotas) reinvindicam pontualmente, em nome daquela continuidade a que acima referi, e que constituem, afinal, a sua única ambição de continuidade.

Decerto que, depois de um século, as perseguições e tormentos infligidos aos homens são transfiguráveis (embora a curto prazo) em moralidade para se provar como os perseguidos de hoje podem ser material resistente para novos tormentos e perseguições, ou então em expressão estética, em tema de arte […]”

(A capa é de João da Câmara Leme)

Filed under: Não é bem design, mas..., Política

O fim da classe média e do design

Não é uma novidade que a crise está a destruir a classe média, que isto é um sinal da crescente desigualdade, do fim da mobilidade social, etc. Ficam os ricos, ficam os pobres, desaparece o meio – é daquela sabedoria de paragem de autocarro[1] que toda a gente diz e toda a gente sabe.

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Filed under: Crítica, Cultura, Design, Economia, Política

Portugal

Já tinha falado aqui da colecção de guias turísticos Petit Planète, que Chris Marker criou nos anos cinquenta com a ajuda de Juliette Caputo. A ideia era realizar um documentário em formato livro de bolso, destinado a leitores inteligentes e críticos, apoiado numa integração perfeita de texto e imagem. Hoje encontrei na Livraria Barateira a tradução inglesa do guia dedicado a Portugal (4 €), com fotografias do próprio Marker, de Agnés Varda, Cartier-Bresson, entre outros. O texto ácido de Franz Villier não poupa o país de Salazar, a sua obsessão pela moral, pelos bons costumes e pela própria identidade – o livro propõe-se apurar se Portugal “existe realmente ou se é apenas uma ilusão dos portugueses”. Desde os mortos da ditadura até à legislação que obrigava os homens portugueses a usar fato de banho com alças (recentemente revogada por uma comissão constituída por um comandante, um major e dois médicos), nada é poupado. Resumindo: o género de coisa que se ouve (e se diz) todos os dias mas que dói um pouco vinda da boca de um turista.

Filed under: Design, Notícias Breves

Agradecimentos

Depois da tese não tive muita oportunidade de descanso, nem férias merecidas, nem nada que se pareça, mas não queria deixar de agradecer dois presentes de cortar a respiração, sobre os quais espero escrever em breve: uma caixa cheia de livros e panfletos sobre tipografia, o mais antigo de 1865, o mais recente de 1980, que me foi enviada pelo Manuel Quadros e Costa, incluindo vários manuais de tipografia, amostras de fontes e colectâneas de textos de tipógrafos (sempre que abro a caixa a  minha cara fica iluminada como a de John Travolta no Pulp Fiction quando abria a pasta do Marcellus Wallace); e uma bela edição do Four Centuries of Fine Printing de Stanley Morison, oferecida pela Professora Beatriz Gentil. Obrigado. Muito obrigado.

Filed under: Notícias Breves

Doutoramento

Aprovado com distinção!

Filed under: Design, Notícias Breves

O Limão D’Ouro

Ninguém pode dizer que a nossa sociedade não recompensa os seus: usando apenas exemplos portugueses, deu-se o Nobel da literatura a Saramago; a Siza e a Souto Moura, o “Nobel” da arquitectura; uma batelada de dinheiro à última pessoa com apenas um nome próprio a ser expulsa de uma casa; a pessoas que têm boa voz; a quem dança bem; a quem perde peso; a quem simplesmente consegue adivinhar o valor do prémio. Até há quem dê prémios a projectos em que houve “um casamento perfeito entre uma equipa técnica e um designer, o que nem sempre é visto em projectos na Web”, como o que a revista BIT deu ao projecto do site do Centenário da República.

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Filed under: Design

Mário Moura

Mário Moura, blogger, conferencista, crítico. Escreve no blogue ressabiator.wordpress.com. Parte dos seus textos foram recolhidos no livro Design em Tempos de Crise (Braço de Ferro, 2009). A sua tese de doutoramento trata da autoria no design.

Dá aulas na FBAUP (História e Crítica do Design Tipografia, Edição) e pertence ao Centro de Investigação i2ads.

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